LANGUAGE:

Arquivo para a categoria ‘TV/Film’



Apple Silhouettes

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005 | 12:47

Não quero dar uma overdose de Apple em vocês, mas já que muita gente está comentando a sombra (copiada ou não) do Eminem, convém relembrarmos o que foi feito em 2003.

Entre diversos filmes com diferentes trilhas sonoras, a campanha “Silhouettes” contou com dezenas de anúncios impressos e peças de mídia exterior. Sombras dançando sobre um fundo de cor sólida. Tudo para dar uma aura “cool” para um produto mais “cool” ainda.

Como isso já foi amplamente difundido, não vou me alongar muito. Clique nos links abaixo para fazer o download de dois dos vários comerciais da campanha.

| “Breakdance” (2.42 MB - .mpg)
| “Hip Hop” (2.37 MB - .mpg)

A comunicação foi premiada com Ouro no Art Directors Annual Awards 2004, Ouro no Clio Awards 2004, Bronze no Andy Awards 2004 e Ouro no EURO EFFIE 2005.

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Apple, Audio, Video e Foto, Entretenimento, TV/Film
Compartilhe:

| Hoje no Passado |

  • 2007: NSPCC | Clicky — Mais um ótimo e impactante filme da NSPCC (National Society for the Prevention of Cruelty to Children), criado pela Saatchi [...]
  • 2006: IKEA | Stop-Motion — Usando a técnica de stop-motion, a TBWA Portugal mostra como a IKEA pode mudar a sua casa. Conceitualmente e tecnicamente [...]
  • 2004: “Sem arrogância não dá para fazer propaganda” — Hoje a gente fala de Marcello Serpa, Olivetto, Nizan Guanaes, o D, o P e o Z e mais [...]

Think Similar

Terça-feira, 18 de Outubro de 2005 | 11:31

| UPDATE: Tentaram sumir com o comercial do mapa, mas já que é impossível, colocaram no ar novamente. Veja aqui.

Será que o comercial da Apple com Eminem foi tirado do ar porque é um plágio? Se for, a culpa seria da agência que criou, provavelmente a TBWA? Ninguém sabe, mas a similaridade do anúncio banido da Apple com um comercial de 2001 da marca de calçados Lugz é impressionante.

Muitos dizem que é apenas coincidência, já que o estilo adotado no anúncio com Eminem é uma evolução natural da antiga campanha com sombras. Mas, muitos outros também acusam de plágio descarado.

Claro que um gradiente estilo pôr-do-sol não tem dono, mas um gradiente específico que vai do amarelo para o laranja com um fundo urbano em 3D que mostra elementos em grafite voando por todos os lados e uma sombra que dança hip-hop, aí acho que é um caso pra se pensar.

O anúncio da Lugz você pode ver aqui. Clique em “Archive”, depois em “Lugz” e então em “01″. Assista, analise e dê sua opinião aqui no site.

Foi plágio ou apenas coincidência?

Categorias/Tags: Apple, Audio, Video e Foto, Entretenimento, TV/Film
Compartilhe:

Apple e o comercial com Eminem

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005 | 14:20

| UPDATE: Tentaram sumir com o comercial do mapa, mas já que é impossível, colocaram no ar novamente. Veja aqui.

Na última quarta-feira, em seu evento “One More Thing…”, Steve Jobs revelou a quinta geração de iPods, que nada mais é do que o lendário mp3 player com vídeo, tela de 2,5 polegadas e capacidade de armazenar até 150 horas de video.

Na mesma ocasião também revelou a nova campanha para anunciar o iPod e o player iTunes, mais uma vez baseada em silhuetas. Mas agora as sombras ganharam dinamismo e novas dimensões, nada daquelas formas pretas achatadas que se limitavam a dançar num fundo de cor sólida. (idéia que a Skol copiou solenemente aqui no Brasil).

Incluindo peças impressas e outdoors com uma estética de arte urbana, o destaque mesmo ficou para o anúncio com Eminem, onde sua sombra canta “Lose Yourself” em meio a fundos com imagens e belíssimos efeitos de graffiti. É um comercial de duas vias, pois anuncia iPod e a coletânea chamada “Curtain Call” que será lançada pelo rapper em Dezembro.

E poucas horas depois de mostrar o vídeo, ele já estava disponível para download no site da Apple. Mas…não durou muito tempo. O comercial foi retirado do site. O motivo? Nínguem sabe.

O que se especula é que o comercial, que deveria começar a ser veiculado no próximo mês, vá para a gaveta e nunca coloque a cara na rua. Outras teorias dizem que a Apple voltou atrás em relação a um iPod com vídeo ou que o álbum do Eminem não estará nas lojas no prazo prometido.

De qualquer maneira, os arquivos do comercial continuam nos servidores da Apple e muita gente está fazendo a festa. Prova de que, quando alguém na internet quer, nínguem segura.

Faça o download do vídeo em formato .mov, em dois tamanhos diferentes: (é necessário o QuickTime 7 para visualização).

| 640×480 (8.75 MB)
| 480×360 (6.95 MB)

Se você não liga para qualidade e nem tamanho do vídeo, pode assistir aqui com alguma versão mais antiga do QuickTime.

Abaixo, uma amostra de mídia externa:

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Apple, Audio, Video e Foto, Entretenimento, TV/Film
Compartilhe:

noitulovE

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005 | 12:49

Meu amigo Danilo do Let’s Blogar disse: “Aposto minhas fichas nesse filme para GranPrix em Cannes ano que vem”. E não foi a toa. O novo comercial da Guinness, que estreou na última segunda-feira, é uma superprodução de fazer inveja a qualquer blockbuster hollywoodiano.

Promovendo uma aventura visual fantástica, o filme revive um dos slogans mais memoráveis da cerveja irlandesa: “Good things come to those who wait” (Coisas boas vêm para quem espera) e promete ser figurinha carimbada nos próximos festivais de publicidade.

O filme começa mostrando três rapazes em um pub bebendo um pint de Guinness. Até que, ao som de “Rhythm of Life” do musical Sweet Charity, regressam bilhões de anos no tempo a velocidade da luz. A idéia é mostrar o inverso da escala da evolução, passando por tsunamis, dinossauros, era do gelo, homens das cavernas, erupções, lagos virando montanhas e etc. Tudo em 50 segundos.

O resultado inverso dessa explosão de história e tempo, são os três homens resumidos a sapos levando uma vida miserável em uma lagoa. Quando um deles bebe a poça, o espectador agradece por nos dias de hoje poder desfrutar de uma Guinness, já que quem espera um dia colhe coisas boas.

Intitulado de “noitulovE” (‘evolution’ ao contrário), o comercial criado pela Abbott Mead Vickers BBDO foi dirigido por Daniel Kleinman. Famoso por seus clips e efeitos visuais, Kleinman é bastante conhecido no mundo da propaganda, já tendo faturado diversos prêmios pelos anúncios que dirigiu. Ele é responsável também pelas seqüências iniciais dos quatro últimos filmes da série James Bond.

A produção custou cerca de 1.8 milhão de dólares, mas a Guinness destinou verba de 26.4 milhões de dólares apenas para veiculação em TV e cinemas. Para efeito de comparação, podemos citar o exemplo da Kraft Foods, que investe 35 milhões de dólares em mídia para todas as suas marcas durante todo o ano.

O anúncio faz parte da estratégia da marca de crescer internacionalmente, que apesar do alto share no Reino Unido viu as vendas declinarem em 3% no resto do mundo. O investimento em TV é considerado alto numa época em que aumenta consideravelmente a quantidade de pessoas que pulam comerciais através de seus sistemas de TV digital.

Isso explica o estonteante visual do comercial, com a intenção de fisgar espectadores e os fazerem não evitar o anúncio, mas sim gravá-lo para ver mais vezes. Eu sou suspeito para falar, pois sou fascinado pela comunicação de Guinness. Mas e você, apostaria em “noitulovE” para os próximos festivais?

Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 17.9 MB. Ou assista diretamente aqui.

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Bebidas Alcóolicas, Guinness, TV/Film
Compartilhe:

It’s Time to Fly

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005 | 18:10

A United Airlines anunciou na última semana que vai expandir sua campanha “It’s Time to Fly” para todo o mundo. Antes focada apenas na América do Norte, agora a companhia aérea vai levar seus anúncios animados para Europa, Ásia e América Latina.

A campanha que foi veiculada nos Estados Unidos contou com quatros diferentes comerciais, mas nenhum deles será aproveitado na comunicação global da United. Aqui no Brasil, por exemplo, o filme que está no ar chama-se “Mimado” e mostra como os passageiros da empresa podem voar com luxo. O anúncio foi criado pela Fallon Brasil.

Agora, legais mesmo são as peças originais criadas pela Fallon de Minneapolis. Apesar da forma chamar mais atenção que o conteúdo, são filmes que são arte pura num mundo dominado pelas animações geradas por computador.

Aqui tudo foi criado com papel, tinta, pincel e lápis. Com uma ilustração que beira o surreal, o resultado final é sofisticado e elegante. E apesar da aparente simplicidade, os filmes da United consumiram mais tempo e dinheiro do que se a opção escolhida fosse animação no computador ou filmagem de atores.

A campanha celebra o executivo que viaja freqüentemente (seis ou mais vezes por ano), criando uma série de situações que mostram a conexão emocional entre a United Airlines e seus passageiros. A intenção é provar o importante papel da companhia aérea na vida das pessoas que viajam a trabalho e não querem substituir a relação pessoal com seus clientes.

A realidade é que o clima ameno da comunicação passa longe da dura vida financeira da empresa, que faz tempo conta com ajuda do governo americano para não ir a falência. Mas a United, que é a terceira maior companhia aérea do mundo, quer que sua publicidade coloque um sorriso no rosto de seus consumidores.

Ao invés de mirar na infindável batalha de preços travada por outras companhias, ou então no quanto oferece de entretenimento a bordo, espaço entre as poltronas, etc., a United quer tocar o coração das pessoas. Um caminho sábio, já que com a categoria de aviação virando um commoditie e todas elas falando de preços, a percepção dos consumidores é de que todas as companhias aéreas são…companhias aéreas. Tirando o custo, nada as difere.

Não é à toa que a campanha fez um enorme sucesso nos Estados Unidos. Causou empatia imediata, já que depois do 11 de Setembro toda a publicidade da indústria de aviação era apenas tática. O que a United Airlines fez foi trazer de volta o relacionamento com seus consumidores. Mais do que te levar de um lugar para o outro, ela faz isso com elegância, se preocupa com seu negócio e faz parte da sua história.

Vamos aos filmes. O mais importante e conhecido deles chama-se “Interview” e foi produzido pela dupla Wendy Tilby e Amanda Forbis, os mesmos que dirigiram o cultuado curta de animação “When The Day Breaks”, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Oscar em 2000.

“Interview” conta a história de um homem que viaja para fazer uma entrevista de emprego e descobre no meio do caminho que colocou sapatos de cores diferentes. O anúncio foi premiado com Prata no Art Directors 2005 na categoria Animação e com Bronze no CLIO Awards 2005.

Em “Lightbulb” uma mulher sentada em frente um computador tem uma idéia, representada claro por uma lâmpada acessa. Ela então viaja e sai contando o que pensou para os outros e contamina as pessoas com sua idéia.

“Rose” mostra um homem voltando pra casa e levando uma rosa para alguém que ama. Por último, o belo “A Life” conta a história de um menino que cresce e tem o avião como parte de sua vida. E mesmo quando fica velho, não para de viajar.

Ao final de todas as peças, a locução do ator Robert Redford diz: “Where you go in life is up to you. There’s one airline that can take you there. United, it’s time to fly.” A trilha sonora dos quatro anúncios é a música “Rhapsody in Blue” de George Gershwin, que é tema da United Airlines por mais de 20 anos.

Faça o download dos filmes: (botão direito - Salvar destino como…)

| “Interview” (4.56 MB - .mov)
| “Lightbulb” (4.84 MB - .mov)
| “Rose” (9.95 MB - .mov)
| “A Life” (4.16 MB - .mov)

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Serviços, TV/Film, United Airlines, Viagem e Lazer
Compartilhe:

Heineken, Brasil e Romário

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005 | 11:40

A Heineken escolheu a StrawberryFrog. E a Strawberry Frog escolheu o Brasil. E porque? Tudo pelo futebol. E também porque fica mais barato, claro.

Essa história começou em Agosto, quando a Heineken, após uma concorrência que envolvia a McCann-Erickson, anunciou que sua conta global de 125 milhões de dólares pertenceria a agência independente StrawberryFrog.

Agora, menos de um mês depois, a agência coloca em ação seu primeiro trabalho para a marca. Uma campanha global que será veiculada em 154 países durante 9 meses, atingindo 3 bilhões de fãs de futebol.

A rapidez pode parecer estranha, mas a StrawberryFrog já trabalhava como freelancer para a Heineken desde Abril e por isso colocou no ar na última semana dois comerciais para aproveitar o patrocínio a Liga dos Campeões da UEFA.

E aí você se pergunta, o que o Brasil tem a ver com isso? Tudo. O comercial de três minutos chamado “One Big Game” foi inteiramente gravado em terras tupiniquins, a começar pelo estádio de futebol: o Morumbi. Também não seria exagero dizer que a cidade de São Paulo é simplesmente a protagonista do anúncio.

A premissa é batida, mas o comercial é simpático. Durante uma partida de futebol a bola bate na trave, vai para fora do estádio e sai quicando pelas ruas. Ela passa pelos mais variados cenários: casas, um casamento, um hotel, estúdio de TV, escritórios e etc. Todo mundo quer tirar uma casquinha e chutar a bola. Ela vai sendo levada novamente para o estádio e os torcedores voltam correndo para a continuação da partida.

O comercial será dividido em versões de 5, 10, 30 e 90 segundos. Os mais curtos funcionarão como mini-comerciais para serem veiculados separadamente durante os jogos de futebol, criando no final uma história única.

O outro filme da campanha, que também já está sendo veiculado, não foi gravado no Brasil, e sim na Croácia. Porém, os brasileiros continuam sendo representados. Romário é um dos protagonistas do comercial “Square”, que também traz o jogador italiano Gianfranco Zola. Situado em uma típica praça européia, o anúncio começa com três amigos brincando com uma bola, mas sem muita intimidade com ela.

Até que aparece Romário exibindo suas habilidades e deixando todos de queixo caído. Ele chuta, a bola bate em uma lixeira e surge Zola para fazer mais graça. Ele toca para um dos rapazes, que dá um chutão e vê os pombos fugindo e “desenhando” as linhas do campo. Ambos os comerciais terminam com a assinatura da campanha: “Welcome to champions planet”.

Cerveja ligada a futebol não é novidade alguma, mas a Heineken também quer aproveitar a paixão que move os fãs do esporte. A intenção é conectar de forma global todos os amantes do futebol e mostrar que eles também podem fazer parte desse mundo de campeões. Mundo esse onde todos bebem Heineken, claro.

A campanha ainda terá o suporte de mídias interativas, começando pelo site Champions Planet, onde as pessoas podem mostrar o quão são loucas por futebol e concorrer a prêmios. Na página você ainda pode conferir um making-of do comercial com Romário.

Faça o download dos filmes em formado .MPG: (botão direito - Salvar destino como…)

| “One Big Game” (7.13 MB)
| “Square” (4.83 MB)

Ainda não se sabe como essa campanha será espalhada para o resto do mundo, nem em que formato virá para o Brasil. Mas ficaremos de olho. Até porque a guerra de cervejas por aqui não acaba nunca e o uso do futebol não poderia ser mais clichê.

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Bebidas Alcóolicas, Heineken, TV/Film
Compartilhe:

Who are you?

Terça-feira, 6 de Setembro de 2005 | 18:15

Quem conhece o Brainstorm #9 sabe que aqui não existe preocupação com datas. A intenção não é falar só de coisas novas ou garimpar aquele case que pouca gente conhece, mas sim mostrar, independente de época, lugar ou ocasião, aquilo que deve ser lembrado e tomado como exemplo.

Existem dezenas, centenas de veículos sobre comunicação, publicidade, mídia e afins que cobrem largamente as novidades do mercado. Aqui o que vale é o que pode ser usado como referência, o que deve ser colocado como padrão para nossas próprias criações, seja na área de planejamento, artes visuais ou criação em si.

Esse é o critério deste site. Publicar o que já foi feito de bacana no mundo e que deve ser usado como marco zero para nós, aquilo que devemos superar e fazer melhor. Acredito que quanto mais referências, mais oportunidade temos de não cair no lugar comum.

Enquanto muita gente bate-cabeça no mesmo lugar e insiste em velhas fórmulas que já não funcionam mais, muitas outras inovam e utilizam linguagens completamente ousadas para passar a mesma mensagem de antes.

Na BBC, o escritor John Camm apontou os 25 maiores clichês da publicidade, que infelizmente continuam a serem usados sistematicamente por agências, sejam impondo ou impostas por anunciantes. E quem não quer ser só mais um no meio de tantos, precisa fazer diferente. Sejam através de idéias inovadoras que invadam as ruas ou com nossos bons e velhos comerciais de 30, 60, 90 segundos que seja.

E não é tão difícil fugir desses clichês, basta ser inteligente e unir um planejamento pontual com uma criação que transcende o senso comum. Um filme que gosto de lembrar como sucesso tanto em forma como conteúdo é o “School’s Out”, criado pela Leo Burnett de Chicago para a Nintendo.

Foi veiculado pela primeira vez em 2003 e ganhou um boca a boca estrondoso. É o típico comercial que deixa de ser só um produto virtual, uma seqüência de fotogramas dentro de uma caixa que emite luz, e se transforma em um evento.

Mas para provar porque este “simples” filme é uma lição de planejamento, marketing e criação, precisamos antes falar da anunciante e relembrar sua história.

Na década de 1980, que hoje é moda e todo mundo relembra saudosamente (inclusive eu), a Nintendo dominava em absoluto o mundo dos games. Uma época em que um de cada dois consoles vendidos eram fabricados pela empresa de Kyoto.

A única rival da Nintendo quando o Mario Bros. original e o primeiro Legend Of Zelda vieram à luz, era a Sega. Porém, a concorrente compatriota não tinha força suficiente para combater dois produtos esmaga-quarteirões da Nintendo: NES (aqui no Brasil apelidado de Nintendinho) e GameBoy.

Para se ter uma idéia da dimensão da Nintendo na época, foi o Game Boy que criou o novo mercado de videogames portáteis, o que virtualmente o tornava um produto sem concorrentes. Com o lançamento do Super Nintendo, outro largo sucesso tanto no mundo como aqui no Brasil, a empresa mantinha folgada a liderança.

Mas o reinado da Nintendo durou só até 1995, quando então a gigante Sony resolveu entrar no mundo dos jogos eletrônicos. Rapidamente o Playstation causou uma reviravolta no mercado e tomou a liderança.

A Sega ainda tentava se manter na disputa, mas já agonizava quando mandou o console Dreamcast pras lojas e o viu empoeirar nas prateleiras. A empresa então decidiu concentrar sua produção apenas em software e abandonou a briga.

E quem pensava que apenas os japoneses iriam disputar um mercado que hoje movimenta quase 40 bilhões de dólares anualmente, se surpreendeu com a entrada da Microsoft e o anuncio do seu console próprio, o Xbox.

A concorrência então pela nova geração de games ficou entre Sony e Microsoft, com os consoles Playstation 2 e Xbox respectivamente, enquanto a Nintendo entrava na pior crise de sua história. Muitos especialistas esperavam que a criadora de Mario fosse desistir da disputa e se dedicar apenas ao seu Game Boy, que com cada vez mais recursos, como tela colorida sensível ao toque e câmera embutida, é ainda hoje o líder disparado no segmento.

Mas a Nintendo veio com o Gamecube, lançado depois do PS2 da Sony mas colocado no mercado simultaneamente com o Xbox da Microsoft. Só que como esperado, o console não teve sucesso frente aos seus dois grandes concorrentes, que traziam funções chaves dispensadas pela conservadora Nintendo.

Em primeiro lugar o Gamecube não oferecia tecnologia para visualização de DVDs, e embora mantenha sua imensa qualidade em som e gráficos, tem uma tecnologia geral inferior aos produtos da Sony e Microsoft.

Dessa forma, podemos considerar o Gamecube quase um desastre, já que com a Sony detendo dois terços do mercado, a Nintendo divide o que sobra com a Microsoft, uma novata no ramo. O que restou foram cortes sistemáticos de preços para tentar fechar o ano no lucro, e mesmo assim, a perda do segundo lugar para a empresa de Bill Gates.

A Nintendo iniciou então uma mega-operação de mudança de posicionamento em todo o mundo, vista como a única forma de brigar de frente com suas rivais. Foi então que passou a ser valorizado aquilo que difere a empresa de suas concorrentes: o estilo de seus games e conteúdo.

Os jogos da Nintendo são divertidas aventuras para toda família, e envolvem personagens antológicos como Mario, Zelda e a recente febre Pokémon. E enquanto a maioria dos títulos são produzidos para todos os consoles, as séries clássicas da Nintendo são distribuídas exclusivamente para suas máquinas.

Essa ruptura de posicionamento na empresa foi deflagrado justamente pela campanha “School’s Out”. A partir desse ponto, toda a comunicação da Nintendo passou a focar seu conteúdo, seu histórico de criações de sucesso e não mais equipamentos feitos de plástico e chips.

O comercial mostra estudantes japoneses ansiosos pelo fim da aula. Assim que o sinal toca, eles saem em uma maratona pelas ruas da cidade. Cada vez mais crianças vestindo seus uniformes escolares se juntam a multidão e, adquirindo as características super-humanas das estrelas da Nintendo, saltam edifícios, pulam em trens em movimento, andam por cabines telefônicas e etc.

Quando chegam a seu destino, descobrimos o motivo de tanta correria: chegar bem na hora do lançamento do novo game da Nintendo. E, revelando o motivo de suas habilidades especiais, vemos todas as crianças como Super Marios.

Todo o anúncio funciona como uma admiração respeitosa a Nintendo e tudo o que a empresa criou. Seus jogos e heróis são intimamente associados a marca, representados logicamente pelo maior de seus representantes e mais popular personagem proveniente dos games: Mario Bros.

Esse mundo de fantasia é muito familiar ao público-alvo da Nintendo. A empresa tentou por muito tempo competir com suas rivais, que produzem jogos focados primeiramente em jovens adultos, mas agora decide voltar ao seu público base.

O anúncio foi filmado em seis dias com mais de 500 pessoas em cena, na tentativa de capturar o máximo possível de ação com a câmera, sem efeitos. Apenas duas seqüências foram filmadas utilizando fios e fundo verde.

O resultado final é uma atmosfera não apenas convincente visualmente, como arrebatadora nos movimentos das crianças, seja nas ruas sinuosas em nos subsolos.

A trilha sonora é um show a parte, composta pela música “Hatsukoi” (Primeiro Amor) da cantora japonesa Mayumi Kojima. A canção, que foi lançada originalmente no Japão em 1997, adiciona um toque ideal de melancolia ajudando a criar grande parte do aspecto emocional do filme. Emocional esse que é o que mais interessa aqui, obstante ao visual e técnicas de efeitos especiais utilizados.

No final, o anúncio deixa claro que sua pergunta, “Who are you?” (Quem é você?), tem múltiplas respostas. Ou seja, aquilo que o videogame lhe permite, assumir várias identidades.

A Nintendo estabeleceu permanentemente o videogame como um elemento chave da cultura popular e a questão “Who are you?” incorpora a conexão emocional dos jogadores com seus personagens e games favoritos.

A adoção desse posicionamento foi vista como a última cartada da empresa japonesa. Mas apesar de cada vez mais valorizarem sua extensa linha de personagens e jogos proprietários, a Nintendo não vai abandonar a guerra dos consoles.

A empresa já anunciou seu novo console, de codinome “Revolution”, para 2006 e vai brigar com os também já anunciados Xbox 360 e Playstation 3 para tentar retomar o posto que ocupava em seus anos dourados. Isso não deve ser impossível se levarmos em conta a atual tradução da filosofia Nintendo de ser: “O paraíso abençoa quem trabalha pesado”.

Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 7.10 MB.

“School’s Out” foi premiado com Ouro no Festival de Londres 2004, dois Bronzes no Clio Awards 2004 e dois Ouros no ADDY 2004.

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Entretenimento, Nintendo, TV/Film
Compartilhe:

Ice Skating Priests

Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005 | 12:41

Ontem finalmente experimentei o tão aguardado chope da lendária Stella Artois, que chegou ao Brasil como mais um passo do plano global da InBev (ex Interbrew + AmBev). E sem pestanejar posso dizer: é maravilhoso.

Felizmente não está caro como se esperava. R$ 6 é o preço sugerido por chope. A estratégia é enfrentar a concorrência direta de marcas importadas, mais caras, mas sem se posicionar por preço. A versão long neck chegará ao mercado até o final do ano, quando a empresa espera também ter entre 400 e 450 pontos-de-venda na cidade.

A Stella Artois está sendo produzida em Jaguariúna, SP, depois que a Ambev enviou o mestre-cervejeiro Gabriel Galembeck para Leuven na Bélgica para estudar a receita da cerveja e importar seu processo de produção para São Paulo.

Inicialmente o chopp está sendo vendido em bares e restaurantes de classe média-alta aqui de São Paulo, que segundo o diretor de marketing da Ambev, é “formadora de opinião para todo o país”.

Os garçons desses estabelecimentos selecionados receberam treinamento para servir Stella Artois. Entre outros rituais, devem sempre colocar a taça na mesa com a logomarca voltada para o cliente. E funciona, dos que tomei (não revelo a quantidade ;p) todos foram servidos seguindo essa cartilha.

São detalhes assim e uma comunicação fiel por vários anos que fazem dessa cerveja, criada há quatro séculos, uma das mais cultuadas do mundo. A valorização e o culto pela marca são os princípios das campanhas da cerveja

Como eu já disse aqui no Brainstorm #9 quando publiquei a campanha “Make room in your fridge”, a valorização da marca chega a tanto que nem sequer o logo da cerveja é inserido nos anúncios.

Essa pretensão é a grande mágica da coisa. É uma marca construída de forma tão integrada ao longo dos anos, que hoje eles podem ser pretensiosos e ainda sim permanecerem simpáticos com seu público.

Os filmes produzidos para a Stella Artois são típicos: sempre épicos de 120 segundos e tratando a cerveja como um líquido sagrado, do qual não se pode desperdiçar nada. Lembram de “Pilot”, publicado aqui em Junho desse ano e vencedor de tantos prêmios?

O mais recente comercial da marca segue o mesmo caminho. Totalmente cinematográfico e com aquele humor irônico constante na comunicação da Stella Artois, traspirando modernidade mas sem perder a aura de tradição. “Ice Skating Priests”, criado pela Lowe de Londres, mostra alguns padres dando um tempo do monastério para se divertirem num lago congelado.

Tentando despistar o cardeal, um dos padres pede a um novato para que vá buscar algumas Stella Artois, só que na volta o gelo quebra e ele cai no lago. O que se vê é uma correria para tentar salvar o sujeito, mas como se percebe, os padres estão mais preocupados com as garrafas afundando do que com qualquer outra coisa.

Em preto e branco e com ambientação de época na década de 1920, o anúncio levou quatro semanas apenas para ser filmado num lago da Polônia. Antes mesmo de começar, 250 soldados do exército polonês foram convocados para retirar cerca de 8 mil toneladas de neve que estavam sob o lago.

Incluindo atores e dublês foram mais de 200 pessoas em cena, sem contar toda a enorme equipe de produção trabalhando em condições climáticas extremas. A trilha sonora é “Hungarian Dance No. 2″ de Franz Liszt.

Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.14 MB.

Ainda essa semana, vou publicar aqui mais um comercial clássico da Stella Artois. Fiquem de olho.

Ajude o Brainstorm #9 Comprar um livro através da seção Biblioteca ou clicar em um dos anúncios Google na barra lateral direita, ajuda a manter o conteúdo do Brainstorm #9 totalmente gratuito.

Categorias/Tags: Bebidas Alcóolicas, Stella Artois, TV/Film
Compartilhe:

Arquivo por Data
* 2008: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2007: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2006: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2005: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2004: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2003: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec
* 2002: Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec


Categorias Principais
AVISO: O sistema de comentários é disponibilizado aos usuários do Brainstorm #9 exclusivamente para a publicação de opiniões e comentários relacionados ao conteúdo deste site. Todo e qualquer texto publicado na internet através do referido sistema não reflete, a opinião deste blog ou de seus autores. Os comentários aqui publicados por terceiros através deste sistema são de exclusiva e integral autoria e responsabilidade dos leitores que dele fizerem uso. Os autores deste site reservam-se, desde já, ao direito de excluir comentários e textos que julgarem ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos, de alguma forma prejudiciais a terceiros, ou que tenham caráter puramente promocional.