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Este senhor grisalho ganha US$ 1.5 milhão por ano com podcasts

Em 2000 mudei para os EUA e as primeiras coisas que comprei foram a cama, a mesa do computador e a TV. O dinheiro só dava para isso. O primeiro canal que sintonizei foi o TechTV, que pode ser descrito como “o Food Network para geeks”. Programas de TV sobre tecnologia o dia todo. Isto era o sonho americano pra mim.
O líder do canal era um gordinho grisalho e elétrico, Leo Laporte, radialista veterano que tinha na época o único programa de rádio sobre tecnologia no país, no estilo “ligue e tire suas dúvidas”. Na TV ele apresentava o que eu só podia descrever como “um programa tipo Ana Maria Braga, para nerds”, The Screen Savers, que ia de dicas de programas a entrevistas. Ao vivo, todo dia no horário nobre.
O tempo passou, eu voltei ao Brasil em 2003 (passando pelo Canadá), o canal foi um fracasso e fiquei órfão da TechTV e dOs Screen Savers. Um belo dia resolvi googlar o nome do Leo e descubro que assim como eu várias pessoas estavam abandonadas e que o Sr. Laporte estava fazendo uma coisa que eu ainda não tinha ouvido falar: podcasts. “Um programa de rádio, só que em mp3″ com toda a galera do TechTV chamado Revenge of The Screen Savers, nome que logo foi proibido de ser usado pela Comcast, dona do canal. Nascia ali o pod This Week in Tech, que acompanho (entre idas e vindas) até hoje e me serviu de inspiração para meus projetos de conteúdo digital que incluem o Braincast, BraincastTV e o enxame.
Na sexta, dia 2, Leo Laporte fez um keynote no congresso da ONA e contou um pouco da sua história. Read the rest of this entry »
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The Long Tail
Certamente você já deve ter lido ou ouvido falar algo sobre Long Tail (Cauda Longa). A idéia não é novidade, mas cada vez mais parece fazer sentido no atual cenário em que vivemos. E nós somos tão responsáveis por isso, que é impossível não ficar fascinado pelo assunto.
Termo cunhado por Chris Anderson, editor da Wired e ex-Economist, em 2002, Long Tail explica o poder dos nichos frente aos grandalhões da indústria e promete selar o fim da era dos blockbusters. Agora, são as pessoas que determinam o que merece sucesso. O nome “cauda longa” é devido do formato do gráfico gerado: os grandes ocupam o topo, mas um pequeno espaço, enquanto os nichos são pequenos e infinitos.
As grandes corporações – gravadoras, produtoras, estúdios, emissoras, varejistas – sempre dependeram amplamente de grandes sucessos para sobreviver. É o que Anderson chama de “tirania do topo”, a qual nós mesmos fomos condicionados.
Utilizamos a parada de sucessos, os números de bilheteria, da mesma maneira como acompanhamos uma tabela do campeonato de futebol – para separar os grandes vencedores dos perdedores óbvios. É assim que sempre funcionou a nossa e a visão do mercado: senão for um hit, foi um erro.
Acontece que a internet transformou esse modelo econômico em algo que não funciona mais. Os números estão aí para provar: queda nas vendas de discos, queda nas bilheterias, audiência da TV que caiu ao seu nível mais baixo da história.
Na última terça-feira, Anderson lançou seu livro totalmente dedicado ao tema, “The Long Tail: Why The Future of Business Is Selling Less Of More”, e ele usa exemplos claros e que todos nós testemunhamos nos últimos anos, ou melhor, estamos presenciando todos os dias.
Nunca uma geração teve tanto poder de escolha como nós temos hoje. Um número ilimitado de artistas, bandas, filmes, produções, fontes de informação e etc, que através do boca-a-boca virtual, redes sociais e indicações baseadas em similaridade, ganham notoriedade do dia pra noite.
Se antes existia um denominador comum, se todos precisavam ver e ouvir a mesma coisa, se éramos condicionados ao pop fabricado e aos blockbusters de verão, hoje temos acesso a tudo ao mesmo tempo agora. Cada nicho pode ter sua audiência, e na casa dos milhões. É o tal poder do consumidor que tanto alardeamos atualmente.

Quem precisa de um marketing milionário, quando se tem o MySpace com 61 milhões de usuários ávidos por novidades? Está aí o Arctic Monkeys que não nos deixa mentir. E é apenas um exemplo de sucesso construído na internet e, o melhor, quebrou as barreiras do mundo online e ganhou as ruas. Shows lotados, mídia cobrindo em massa e o disco de estréia mais vendido do Reino Unido.
Quem precisa ir numa loja comprar discos, quando se tem opções ilimitadas na Amazon? É tanto questão de estoque, de espaço físico que o mundo real não dispõe, quanto de mudança de hábitos. O consumidor perdeu o gosto pelo mainstream, ele quer explorar e descobrir coisas novas. É o fim da cultura do comum.
Esse blog (e tantos outros), por exemplo, é um produto da Long Tail. Frente a tantos veículos profissionais sobre publicidade, conquistou uma audiência específica. Vídeos produzidos pelas pessoas, que viralizam e tornam-se um fenômeno, estão na Long Tail. Um filme obscuro redescoberto na internet e que de repente volta a ser comentado, é Long Tail. Resumindo: aquilo que você produz, amadoristicamente, pode ter sua própria audiência. Aquilo que estava esquecido, pode ganhar vida nova.
Periodicamente surgem novas idéias e empresas, que preenchem um espaço e conquistam um público específico. Há poucos anos, corporações como Amazon, Google, eBay, NetFlix, iTunes, Google, Yahoo!, MySpace, YouTube, simplesmente não existiam, e hoje tornaram-se necessidade básica para muitas pessoas.

E qual o sentido de tudo isso? Que existe um mercado imenso inexplorado esperando por nossas idéias. Talvez levem décadas para a indústria do entretenimento se tocar disso, mas nós que vivemos o mundo online não podemos desperdiçar.
Anderson destaca que os blockbusters, os grandes hits, vão continuar existindo, mas que agora tem que obrigatoriamente disputar espaço com os pequenos, concorrem com quem vem de baixo. Não é mais a MTV, as rádios e Hollywood que vão definir que faz sucesso. Você vai.
Os blockbusters sempre existirão, pois essa miríade de opções não representa necessariamente uma fragmentação cultural. É uma questão social, todo mundo quer ver o que todo mundo está vendo, queremos saber do que todos estão falando. Pois mais do que um filme, as grandes produções são um evento midíatico. Alguém falou em “O Código da Vinci?
Só que a cada “O Código da Vinci”, temos 50 outros filmes menos populares e, certamente, muito melhores. A medida que construir um hit demanda cada vez mais dinheiro, mais artistas surgem catapultados pela internet e pelas facilidades de distribuição proporcionadas pela tecnologia.
Em um mundo real onde a seleção natural do mercado faz com que produtos populares tirem espaço na prateleira de produtos pouco vendidos, um mundo onde a indústria do entretenimento define o que você deve ver e ouvir, observar o desenvolvimento da Long Tail é confortante. Dizer onde isso vai parar, pode ser mero exercício de futurologia, mas que temos muito a pensar, isso eu não tenho dúvidas.















