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Corpse Bride

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005 | 0:38

Ontem falei de “Marcas da Violência” (A History Of Violence) de David Cronenberg, que chega ao Brasil em Novembro e é um filme para ficarmos de olho. Mas outra produção que todo mundo já está falando vem do mestre Tim Burton. “A Noiva-Cadáver” (Corpse Bride) estréia amanha nos EUA e chega amplamente amparada pela crítica.

Totalmente feita em stop-motion, a animação com cheiro de Oscar conta a história do jovem Victor (voz de Johnny Depp), que é enganado e levado ao mundo das trevas, onde acaba casado com um morta (Helena Bonham Carter), deixando para trás sua noiva, Victoria (Emily Watson). No entanto, apesar da vida no mundo dos mortos parecer mais fácil do que seu cotidiano na Inglaterra vitoriana, Victor descobrirá que não existe nada - vivo ou morto - que possa separá-lo de seu verdadeiro amor.

No elenco de dublagem ainda estão Albert Finney, Richard Grant, Joanna Lumley e Christopher Lee.

Para divulgar o filme a agência Pod Design criou três teasers-virais, simples e curiosos. O primeiro deles é Post Mortem, onde o visitante faz perguntas a um oráculo que responde com um tabuleiro estilo Ouija. Com o Bonymail você pode fazer desenhos e escrever mensagens para seus amigos direto da Terra dos Mortos. E finalmente, um misterioso vídeo gravado em um cemitério pode ser visto em: www.sept23.com.

Não deixe também de conferir o excelente site oficial do filme. Prepare sua agenda de cinema para esse final de ano, é Tim Burton, não dá pra perder.

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| Hoje no Passado |

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  • 2006: Axe | Fallen Angel — O efeito Axe provoca mais uma vítima. Uma linda anjo comete o sacríficio mais extremo: corta as próprias asas para [...]
  • 2006: WWF | Plant more trees — Um safári de árvores. Logo vamos precisar. Excelente anúncio da WWF.
  • 2005: Heineken, Brasil e Romário — A Heineken escolheu a StrawberryFrog. E a Strawberry Frog escolheu o Brasil. E porque? Tudo pelo futebol. E também porque [...]

A History of Violence

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2005 | 0:01

Diretor de “Videodrome”, “Scanners”, “A Mosca”, “A Zona Morta” e “eXistenZ” (só para ficar nos exemplos báscios), David Cronenberg é o tipo de cara que transforma o repulsivo em cult. Sempre com verbas mínimas ele criou clássicos do cinema.

Costumam classificar Cronenberg como um diretor de filmes de arte, mas a verdade que ele sabe como nínguem contestar as realidades psicológicas e tratar as mentes subjetivas de seus personagens.

Seu novo filme “A History of Violence”, que aqui no Brasil se chamará “Marcas da Violência” e tem estréia prevista para Novembro, não tem personagens bizarros como insetos gigantes que cospem ácido ou cabeças que explodem, mas parece ser mais uma obra imperdível.

O filme foi indicado em Cannes e recebido com aplausos pela crítica e espanto e choque pelo público. O elenco é outro motivo para conferir: Viggo “Aragorn” Mortensen, Ed Harris e Willian Hurt.

“Marcas da Violência” é uma adaptação da HQ escrita por John Wagner e ilustrada por Vince Locke. Na trama do longa, uma família comum se vê obrigada a lidar com uma súbita fama nacional depois que o pai mata em auto-defesa um criminoso em sua lanchonete. A situação se complica quando o controverso passado do homem vem à tona.

Dê uma olhada no site oficial e assista o trailer. Promete.

Categorias/Tags: Cinema
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Kong is King

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2005 | 15:17

Por ser um personagem icônico, uma refilmagem de “King Kong” já seria motivo suficiente para causar uma corrida aos cinemas. Porém, quando no comando de uma produção de 150 milhões de dólares está um diretor como Peter Jackson, a expectativa é multiplicada por mil.

Efeito “O Senhor dos Anéis” logicamente, mas também causado pelo amor ao cinema que Jackson transmite. Antes de ser diretor, ele é um cinéfilo que recusa-se a assinar acima dos títulos de seus filmes com a expressão “a film by”.

Peter Jackson fala diretamente com seu público. Seja através de seu fã-clube oficial na internet, respondendo emails ou com posts no blog Kong is King, mantido independente de estúdios e onde o diretor fala e fornece a fãs materiais exclusivos sobre a produção do filme, que nenhum outro veículo de comunicação tem acesso.

| Não se perca no texto, agora vou fazer uma pausa para um anexo:

O que você tem aí é um exemplo do velho e bom boca a boca mas em sua versão século 21, com a internet isso atinge algo antes inimaginável. O que estamos presenciando hoje é a Geração C, a geração conteúdo. Um fenômeno em que consumidores criam uma avalanche de conteúdo na web, produzindo a cada minuto quantidades incomensuráveis de texto, áudio e vídeo.

Não tenha dúvida, as pessoas falam do que gostam e, principalmente, do que não gostam. Querer ter e mostrar suas próprias percepções. Elas fazem blogs e criam até seus próprios comerciais.

Lembram do anúncio caseiro para o iPod Mini feito pelo professor George Masters? Declarou que fez porque é um grande fã de iPod e gosta de design gráfico. Com estilo anos 70, o filmete foi viralizado por tudo quanto é canto. George fez, brincando, o que muitos profissionais de propaganda e marketing desejam por uma vida toda.

Existiu a suspeita de ser uma ação de marketing de guerrilha da Apple. Que seja. A Geração C existe e está pronta para falar o que tiver que ser falado sobre a sua marca.

| Agora sim, voltando ao gorilão:

Uma história clássica do século 20 produzida com recursos do século 21. Um protagonista que é uma lenda, uma ficção que ganhou vida própria. Um dos diretores mais talentosos da atualidade e que conquistou a admiração dos fãs de cinema. Una isso a uma gigantesca campanha de marketing da Universal Pictures e você terá um dos caras mais marqueteiros dos últimos tempos: o próprio King Kong.

Muito antes de sua estréia mundial, dia 14 de Dezembro, o gorila gigante já está arrecadando milhões de dólares por aí. Frente a atual crise nas bilheterias norte-americanas, uma aliança de marcas como Volkswagen, Kellogg’s, Toshiba, Mastercard, Nestlé, Burger King e até a cidade de Nova York, foi formada há mais de um ano para se apoiar no lançamento e promoção do filme de Peter Jackson.

O próprio Jackson está ajudando diretamente a produzir algumas das campanhas das marcas parceiras. Utiliza efeitos digitais customizados da WETA para combinar mascotes dos anunciantes e personagens do filme.

A Nestlé, por exemplo, vai oferecer a partir do mês que vem, 18 milhões de unidades do cereal Kellogg’s em embalagem temática do King Kong, uma espécie de “edição de colecionador”. Além disso, a Nestlé ainda vai colocar no mercado doces e barras de cereais alusivas ao filme.

O Burger King planeja adicionar em seu menu um sanduíche temporário tamanho gigante, chamado King Kong. A Mastercard vai lançar um cartão de crédito do filme, que dá pontos aos usuários e prêmios da Universal. Olha o nome da criança: “Limited Edition King Kong Universal Entertainment MasterCard”.

Apesar de chamar atenção pela grande escala, essas são ações que envolvem tradicionalmente vinculação de marcas ao personagem. Mas a campanha da Universal vai além, principalmente quando entram na jogada a Volkswagen e uma lovemark acima de qualquer suspeita: a cidade de Nova York.

A Volkswagen vai fazer mais do que simplesmente patrocinar ou colocar a cara do gorila em folhetinhos. A montadora alemã quer envolver completamente o King Kong em suas ações. Além de levar o personagem e exibir material exclusivo do filme na International Motor Show de Frankfurt e em comerciais de TV, anúncios impressos e outdoor, a VW quer dar entretenimento aos consumidores.

Quando em 27 de Junho foi lançado o primeiro trailer de “King Kong”, durante as primeiras 48 horas só era possível assisti-lo através do site da Volkswagen. O tráfego na página foi multiplicado em cem vezes. A empresa estará em diversas pré-estréias ao redor do mundo e vai ser um ponto exclusivo para quem quiser material exclusivo do filme.

Mas a Volkswagen tem objetivos bastante claros para investir tanto em “King Kong”. A intenção é promover a Touareg, o modelo off-road da montadora que ainda não deslanchou. Além de poder ver o veículo sendo usado pela equipe de filmagem em making-of, tornando-se o carro oficial da produção, 5 mil Touaregs com a marca King Kong serão lançados pela VW.

Mas até o Polo já entrou na onda de gorila gigante. Seguindo a comunicação de mostrar o quanto um Polo é resistente, um anúncio criado pela DDB de Londres virou papa-prêmios em diversos festivais de publicidade.

Leão de Prata no Festival de Cannes 2005, Prata no Clio Awards 2005, Prata no The One Show 2005, Prata no Art Directors 2005, Ouro no Advertising Creative Circle Awards 2005, Bronze no International Andy Awards 2005 e Ouro no Campaign Press Advertising Awards 2005.

Em um tipo de evento raro, a cidade de Nova York vai estar totalmente envolvida com o filme na época do lançamento. Eddie Egan, vice-presidente de marketing da Universal, está definindo os detalhes com a prefeitura de NY para usar Times Square na ações do filme. Egan prometeu que durante a pré-estréia de “King Kong”, no dia 5 de Dezembro, haverá “um momento especial” no Empire State, que é onde o gorila encontra sua morte. (Na refilmagem de 1976, ele morre no World Trade Center.)

O valor total estimado de investimentos nessas promoções derivadas das parcerias chega a US$ 130 milhões de dólares. Ou seja, quase o montante total do orçamento do filme. A proposta da Universal foi unir os mais tradicionais meios de publicidade com novas mídias, e ao mesmo tempo comunicar com crianças e o público jovem/adulto.

Enquanto a Universal faz esse esforço para transformar “King Kong” no maior filme do ano, Peter Jackson prefere ter cuidado com o hype. Foi decisão dele lançar o primeiro trailer e a partir de então fechar a boca sobre a produção.

Mas abrandar expectativas torna-se impossível quando analistas pressionam por resultados e lembram que a trilogia “O Senhor dos Anéis” faturou 3 bilhões de dólares em bilheteria. Junte essa cobrança à vontade de Jackson de produzir uma refilmagem que faça justiça ao filme original e perceberá o tamanho da responsabilidade.

Quando sentarmos na poltrona do cinema e as luzes se apagarem, veremos se Jackson construiu um King Kong que ainda é capaz de cativar e surpreender os espectadores. Caso contrário, todo o marketing de nada adiantará após a primeira semana em cartaz.

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Categorias/Tags: Automóveis, Cinema, Impresso/Print, Outdoor/Guerrilha, Volkswagen
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Justiça rápida e morte lenta, de calor selvagem e sangue frio

Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 | 12:48

Se você é no mínimo interessado por cinema ou HQs, ou melhor, por cultura em geral, deve saber o que é “Sin City”. Deve ainda ter noção da importância do consagrado quadrinhista Frank Miller, criador desta e de tantas outras HQs fundamentais. Também deve ter ouvido falar que Miller não queria vender os direitos de sua história para Hollywood de jeito nenhum, mas que foi convencido após Robert Rodriguez apresentar um curta totalmente fiel ao formato de “Sin City”.

Eu nem sou fã de HQs, mas assim que soube da produção do filme corri para ler os capítulos de “Sin City”. Nem preciso dizer que imediatamente me tornei mais um dos fanáticos ansiosos por ver a produção na tela grande. Claro, sem contar Robert Rodriguez no comando do filme, que para mim é um verdadeiro cineasta de guerrilha e sempre pronto a nos mostrar que o “establishment” hollywodiano não precisa e nem deve ser seguido por quem deseja fazer filmes.

A trilogia “El Mariachi”, “A Balada do Pistoleiro” e “Era Uma Vez no México” pode ser subjugada por muitos, mas são faroestes spaguettis essenciais. De qualquer forma, um diretor que filma cabeças decepadas e crianças em 3D ao mesmo tempo, que se desliga do Sindicato de Diretores para incluir o criador das histórias na co-direção e em todas suas produções monta, produz, compõe parte da trilha sonora, edita, supervisiona efeitos especiais, dirige a fotografia e opera câmeras, merece nossa admiração.

Lógico, tem o Tarantino também. Que aqui dirige uma cena pelo cachê de 1 dólar. O mesmo valor cobrado por Rodriguez para fazer a trilha sonora dos fundamentais “Kill Bill’s”. Sim, Tarantino e Rodriguez são amigos, e torço para que a parceria entre os dois continue por muito tempo.

“Sin City” não e um filme para impulsivos. Não é um filme pra quem vê o Bruce Willis no poster e resolve entrar para curtir um cineminha. “Sin City” é uma HQ filmada no sentido mais literal que possa existir. Não é uma história em quadrinhos que foi adaptada, é o cinema que se adapta a história em quadrinhos.

O filme é um marco por diversas razões que muitas pessoas já cansaram de apontar: a forma de filmar, o visual, os efeitos utilizados, a nova tecnologia digital utilizada por Rodriguez e etc, etc. Agora não há mais como pensar em filmes baseados em HQs sem dizer: “Ah, mas Sin City fez isso, isso e aquilo…”.

Isso foi atingido porque nenhuma concessão foi feita durante a produção do filme. Cada quadro, detalhe da história está na tela. As HQs de Miller apenas ganham o efeito de movimento. O resultado é um visual absolutamente fantástico, em que a maestria de Miller com sombra e luz permanece intacta no cinema. O que sentimos é o processo de leitura dos quadrinhos passando na nossa frente: o tom de narração, os cortes, as transições, a dramaturgia, tudo foi filmado da forma como foi criado.

E como é “Sin City” no papel, o filme leva o noir ao extremo. É tenso, angustiante e transforma cenas cartunescas em enriquecimento para a trama. A adrenalina e o texto cru(el) de Miller fazem o espectador torcer para que o “mocinho” (entre aspas porque em Sin City não existem mocinhos) meta logo uma bala na cabeça daquele desgraçado filho-da-puta.

De longe, as histórias de Marv e Hartigan são as mais empolgantes e justamente as que nos fazem esquecer que estamos dentro de uma sala com poltronas diante de uma tela de lona e pessoas que fazem barulho ao comer pipoca. O que enfraquece o filme é a perda de ritmo no meio, justamente quando a história passa a se preocupar mais com a atmosfera. Começa de forma espetacular, perde ritmo, cansa um pouco e volta com tudo para um final animal.

E essa lentidão durante o episódio de Dwight e Jackie Boy se dá justamente pelo filme manter-se tão fiel a narrativa dos quadrinhos. Você não participa do que acontece, não tem os espaços silenciosos deixados por Miller, então acaba cansando da falta de adrenalina. Mas quando o filme volta para Hartigan, a tensão e empolgação vem com tudo novamente.

No final das contas, “Sin City” é uma experiência que deve ser vivida por qualquer um interessado em cinema, em coisas novas, qualquer um que procure aquele frescor que nossas cabeças precisam e queiram provas de que aquilo que pareciam dogmas a serem seguidos para sempre, não eram tão pétreos assim. Aquele que foi porque o Bruce Willis fazia cara de mau no poster, saiu no meio da sessão.

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Doce sem enjoar

Segunda-feira, 25 de Julho de 2005 | 7:46

Mais do que qualquer “Guerra dos Mundos”, “Batman Begins” ou o “King Kong” de Peter Jackson, os verdadeiros blockbusters esperados por mim neste ano: “Sin City” (o qual só assistirei no próximo fim de semana) e o remake de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”.

E como já disse aqui no blog algumas vezes, eu costumo ser vítima dessas expectativas monstruosas que crio. No fim das contas, a frase que sobra pra mim muitas vezes é: “eu esperava mais…”. Nesse caso, a expressão pode ser acentuada ao envolver aquele que é um dos meus diretores favoritos: Tim Burton.

Eu passei várias tardes da minha infância assistindo a versão original de “A Fantástica Fábrica de Chocolates” a cada vez que ela era exibida na Sessão da Tarde. A indústria Wonka é como aqueles mitos que cultivamos quando criança e depois passamos longos períodos de nostalgia relembrando com os amigos.

Portanto, ao falar de um remake para o filme de 1971 eu poderia ser mais um a reclamar e considerar todo esse papo uma heresia. Mas tinha o Tim Burton na história, e se está nas mãos dele, podemos confiar cegamente. E não só por Burton ter obras inesquecíveis em seu invejável currículo, mas ainda mais porque a bizarrice dark do diretor com o mundo criado pelo escritor Roald Dahl tem absolutamente tudo a ver.

E teve mesmo. O que Burton fez aqui foi expandir de forma incrível o mundo fantasioso da história. Ao colocar na tela aquilo que sabe fazer de melhor, o diretor cria um filme estonteante visualmente. Ao adicionar seu lado sombrio e gótico, Burton tira o açucar exagerado da versão original, deixando o filme dark sem ser pesado, doce sem ser enjoado.

Mas acho que faltou envolvimento. O início é fantástico, mas ao entrar na fábrica de Wonka, “A Fantástica Fábrica de Chocolate” perde incrivelmente o ritmo. Eu esperava uma montanha-russa de emoções e sentimentos, mas que foram por água abaixo assim que percebi que não consegui me envolver com a história.

Johnny Depp faz um trabalho (mais uma vez) excepcional, porém, seu Willy Wonka é tão caricato que cria-se uma barreira personagem/espectador. Eu não me incomodo com fantasias, pelo contrário, as adoro. Além do que, se não fosse assim seria um contrasenso eu ser fã do trabalho de Tim Burton. Mas, dessa vez não colou pra mim.

Adoro “Peixe Grande”, para mim um dos melhores filmes do ano passado, e essa fantasia é empregada o tempo todo. É mais um filme em que Burton repete um de seus temas preferidos: o relacionamento entre pais e filhos. Mas a diferença entre “A Fantástica…” e a produção anterior de Burton é o envolvimento. Em “Peixe Grande” você é levado do início ao surpreendente fim, mas com Wonka nos guiando você se anestesia com a bizarrice e não se surpreende.

Mas calma, o universo Wonka de Tim Burton não é ruim, pelo contrário. É um filme divertido e com visual maravilhoso. Tem os ótimos musicais dos Oompa Loompas interpretados por um só homem: Deep Roy. Tem os esquilos separadores de nozes, a trilha criada pelo sempre competente e colaborador habitual de Burton, Danny Ellfman, tem os mesmos arquétipos criados por Road Dahl e, melhor, dessa vez muito mais fiéis ao texto original.

Bom, sim. Divertido também. Mas nunca memorável. Será um filme ótimo para ser exibido na época do Natal com sua fábulas sobre os valores familiares, mas ainda longe de causar a mesma avalanche emocional que eu esperava e, ainda pude sentir um pouco na meia hora inicial do longa.

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O velho Spielberg

Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 | 2:31

A técnica de Spielberg em construir cenas embasbacantes é irreprensível. Ele fez fama surpreendendo o público e seus filmes não eram apenas filmes, eram eventos aguardados ansiosamente por meses. Não só as que dirigia, mas qualquer produção em que estivesse envolvido era sinônimo de uma viagem de duas horas numa montanha-russa desgovernada.

Porém, com o tempo Spielberg foi deixando a megalomania um pouco de lado para se envolver em temas mais profundos. Mesmo quando era grandioso e edificante, nunca se equiparava ao que tinha feito antes. O diretor andou por vários terrenos, como o policial comedinha, épicos de guerra e comédia romântica.

E “Guerra dos Mundos” é justamente a volta de Spielberg aos seus dias de megalomania. É o diretor mostrando novamente como fazer o público ficar de queixo caído. Tudo muito grandioso e surpreendente, mas com pouco que sobra no final.

“Guerra dos Mundos” é como um ovo de páscoa sem bombom dentro. Impressiona pelo tamanho, mas perde a graça depois de aberto. Não nego que é um filme que marca, tem cenas inesquecíveis, mas quando pode começar a traçar um paralelo com a nossa realidade, Spielberg muda o foco.

Muitos críticos disseram que Spielberg se acovardou. Discordo, pois como o próprio diretor disse, nem era a intenção fazer o filme ter qualquer tipo de mensagem. “Guerra dos Mundos” é diversão por diversão e ponto final, não espere mais nada.

E como Spielberg sabe muito bem lidar com alienígenas e entretenimento, faz dos Tripods imaginados por H.G. Wells alguns dos seres mais assustadores que já apareceram na tela grande. “Guerra dos Mundos” faz “Independence Day”, por exemplo, virar um filme dos Muppets.

Os extra-terrenos acabam com tudo sem dó nem piedade e a sirene que emitem antes de cada ataque faz arrepiar qualquer um. Eles são as estrelas do filme, apesar da atuação incrível de Dakota Fanning. Aliás, a menina nos surpreende em cada novo filme que aparece.

Efeitos digitais absolutamente realistas e um Spielberg que se permite auto-referenciar e beber de outras fontes muitas vezes. A cena na casa da Tim Robbins é muito similar ao que vimos no maravilhoso “Sinais” de Shyamalan, por exemplo, com direito a escuridão e tudo.

Spielberg também controla cada detalhe com maestria. Acerta ao permanecer o tempo tudo mostrando o acontecimento pela ótica de uma família, e não apelar para cenas que mostrem o resto do mundo sendo atacado. É como se o próprio espectador também estivesse no meio da história.

E o que ele faz com a camera na cena em que Cruise está no carro fugindo com os filhos é fantástico. Ao longo de “Guerra dos Mundos”, você vai encontrar muito mais cenas para comentar durante algum tempo após a sessão, mas acaba aí.

Os humanos sendo jogados em gaiolas e usados como coisas pelos Tripods, assim como fazemos com muitas espécies aqui na Terra, daria muito pano pra manga, mas Spielberg prefere deixar isso pra lá. Quando a filha de Cruise pergunta se são os terroristas, seria uma ótima hora para confrontar a política do medo americana, mas o diretor também muda o foco para um pouco mais de transeuntes sendo desintegrados.

Mas o que falta no conteúdo, sobra na manipulação que o diretor faz na tensão e nervosismo do público. Sobra em imagens grandiosas e que resumem a que ponto a tecnologia se encontra. Se você quer o Spielberg que se acostumou a ver na infância, vai se sentir em casa com “Guerra dos Mundos”.

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Batman como deve ser

Segunda-feira, 20 de Junho de 2005 | 15:32

Para a maioria dos fãs das HQs de Batman, o Homem-Morcego jamais deveria ter aparecido nas telas do cinema da forma como foi feito. Mesmos os dois primeiros episódios dirigidos por Tim Burton, são, na maior parte do tempo, um equívoco.

Mesmo assim ainda foram filmes capazes de agradar muita gente e serem eficientes em muitos aspectos, como na atmosfera sombria e gótica que Burton sabe fazer como ninguém. Além do mais, “Batman” e “Batman Returns” são produções que trouxeram a tona um dos melhores diretores da atualidade. “Os Fantasmas se Divertem”, “Edwards Mãos de Tesoura”, “Ed Wood”, “Peixe Grande” e etc, falam por si só.

Porém, os aficionados por Batman sequer imaginavam que as trevas ainda estava por vir, e que Batman sob a tutela de Burton não teria sido tão mal negócio assim. Quando Joel Schumacher colocou as mãos no personagem da DC Comics, fez questão de mandar a cine-série do Morcego para o cemitério. Era o fim.

Apesar de sua carreira irregular, confesso que gosto do trabalho de Schumacher. Desde o clássico sessão-da-tarde “Os Garotos Perdidos”, que fiz questão de comprar minha edição de colecionador em DVD duplo recentemente, como também nos ótimos “Tempo de Matar” e “Por Um Fio”. Até sua criticada versão de “O Fantasma da Ópera” é um filme que gostei.

Mas dar qualquer resquício de roteiro do Batman para ele dirigir foi um erro sem volta. Quando parecia ser impossível piorar, Schumacher provou que estávamos errados, era possível piorar sim, e muito. Ele chutou cachorro morto e fez “Batman e Robin”. Não tinha jeito, era o fim do Morcegão nas telas do cinema.

Será que alguém poderia salvar Batman do limbo nos cinemas? Nome melhor não poderiam ter escolhido. Christopher Nolan é uma das maiores promessas da safra atual de jovens diretores de Hollywood. Não precisa dizer nada porra, ele é o cara que fez “Amnésia”!

O resultado disso é que “Batman Begins” é, sem sombra de dúvida, a ressusreição do Homem-Morcego nos cinemas. Resgatado das cinzas, o Batman de Nolan é o mais fiel, sombrio e convincente de todas as versões que já passaram pela tela grande.

Aquele que só quer ver um filme de aventura com um cara fantasiado, vai se decepcionar com a demora que Batman leva para aparecer em ação. Mas, a transformação do menino medroso em defensor da justiça é espetacular. Nolan nos leva em uma viagem junto com Bruce Wayne, nos identificamos com o personagem e sentimos sua dor. Depois que se consegue arrancar isso do espectador, o diretor tem tudo nas mãos.

Eu dividiria “Batman Begins” em duas partes: do começo pro meio, é um filme de Nolan. Da metade pro fim, é um filme do Batman. E não poderia ser diferente, Batman é um personagem com vida própria e nada mais justo que, depois de mostrado seu dramático surgimento, o filme passasse a ser uma aventura típica do Homem-Morcego. Com vilões bizarros, becos escuros e sujos, apetrechos tecnológicos de todo tipo e piadinhas entre um capanga e outro.

“Batman Begins” é bom porque nos parece palpável, fica longe dos exageros cartunescos cometidos nos outros filmes. Gotham City esta claustrofóbica como nunca, corrupta como sempre. E poderia ser qualquer cidade grande de nosso mundo atual carente por alguém que tentasse de verdade mudar as coisas.

“Batman Begins” é bom porque Batman dá medo, é visceral. Batman assusta seus inimigos como um predador, se esconde na sombra, e nós mesmos nos surpreendemos com suas investidas. Batman é uma ameaça ao crime. Ele não é um bobo fantasiado.

“Batman Begins” é bom quando, até que enfim, mostra a vida de excessos do playboy Bruce Wayne e cria aí sim seu verdadeiro disfarce. Porque Wayne só é de verdade quando é Batman, o resto é fachada.

“Batman Begins” é bom porque é emocionante. Impossível não se arrepiar com a cena que mostra o Homem-Morcego oculto entre as sombras em pé na torre de um edifício olhando por Gotham City.

“Batman Begins” é bom porque tem um elenco fantástico. Morgan Freeman, Liam Neeson, Michael Caine, Gary Oldman, Tom Wilkinson, Ken Watanabe. Absurdo. E Christian Bale? Sem dúvida o melhor Batman, quem diria que o menino de “O Império do Sol” fosse ser o responsável por isso.

Claro, “Batman Begins” não é tão bom quanto mostra um excesso de vôos do personagem, quando apela para interesses românticos desnecessários, quando Nolan exagera a mão e torna a maioria das lutas confusas demais. E também, alguns alívios cômicos não funcionam como deveriam, aparecem na hora errada.

Mas, “Batman Begins” é finalmente o filme que o Homem-Morcego merecia. A união perfeita da realidade do homem comum que vive na cidade grande e do justiceiro cheio de truques que enfrenta inimigos com planos mirabolantes. Que venha o próximo.

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So long and thanks for all the fish

Segunda-feira, 6 de Junho de 2005 | 13:33

Desde que conheci a obra de Douglas Adams, a versão cinematrográfica de “O Guia do Mochileiro das Galáxias” se tornou um dos filmes que mais esperava nesse ano. E como sempre, quando mexem com livros clássicos como é toda a aventura de Arthur Dent, a expectativa é sempre acompanhada por um receio do tamanho do mundo.

Antes eu sempre cobrava fidelidade máxima nesses casos, mas com o tempo, ao aprender certos aspectos da linguagem cinematográfica e até por adquirir mais repertório, percebi que isso precisa ser relevado muitas vezes. Afinal, um livro e um filme são coisas bem diferentes.

Claro que o filme não é nem 20% do que é “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, as piadas são apressadas, as cenas parecem correr para que a próxima venha logo. Mas felizmente, o diretor Garth Jennings conseguiu capturar muito bem a essência do livro de Douglas Adams.

Tem em certos momentos a pasteurização do humor de Adams, tem inclusive um vilão e um amorzinho sem sal inventado para agradar aqueles que vão ao cinema por impulso pensando em comer pipoca e tomar refrigerante, mas a ironia, o humor ácido, a auto-depreciação de Adams está lá.

Apenas uma pequena parte, é verdade, mas me senti muito mais confortável ao perceber que as idéias centrais do livro vinham aparecendo uma atrás da outra. Mas, como disse, o filme é apenas uma pincelada do que é o “Guia do Mochileiro das Galáxias”.

Muitas piadas perdem a força, pois precisaram ser resumidas em duas linhas de diálogo. Personagens com importância primordial na narrativa original, simplesmente aparecem por poucos minutos na tela ou pior, nem aparecem. Mas tudo bem, vamos relevar. O filme é apenas um resumo e precisa ter as fórmulas chavões para levar gente pro cinema.

Mas “O Guia do Mochileiro das Galáxias” de Garth Jennings consegue ser um filme excelente. E deveria ser não só para quem leu os livros, que em minha opinião, se diverte muito mais do que quem não leu. Mas é preciso estar preparado para o non-sense, para as bizarrices que vão aparecer. Tanto o livro quanto o filme questionam a estranheza das coisas, e isso já dá uma boa noção do que esperar.

Quem não conhece “O Guia…” mas alguma vez na vida já viu Monty Phyton, sabe o que esperar, tanto que Douglas Adams também já participou do grupo inglês. Mas quem entra no cinema desprevenido, pode não entrar no espírito da coisa, tendo em vista várias pessoas abandonando a sessão quando o filme não havia chegado nem na metade.

Vai ver não entenderam a genialidade da cena inicial, com os golfinhos cantando e o texto de Adams quase intacto ou se incomodaram com as “intrusões” fantásticas do “Guia do Mochileiro…” e a voz em português de José Wilker. Ou pior, sequer perceberam que tudo o que a história faz é falar e tirar sarro de nós mesmos o tempo todo.

Sem contar a nobreza ambientalista de Adams sempre presente. Ele que era um ferrenho defensor dos animais, sempre mostra na história que na verdade nós humanos é que estamos sendo testados pelos ratos, e que golfinhos são muito mais inteligentes que nós, por exemplo.

Os puristas vão reclamar das mudanças, mas vão se divertir muito com os momentos inspirados do filme, que são muitos. Pena que os ratos aparecem pouco, mas os vogons estão caracterizados de maneira incrível, assim como o robô maníaco-depressivo Marvin, o meu personagem favorito da série.

Com a voz de Alan Rickman, Marvin ficou perfeito. Deveria ter mais meia hora de filme só pra ele, porque seus melhores diálogos nem apareceram. Bill Nighy como Slartibartfast também ficou excelente, só a cena em que ele aparece mostrando a construção da Terra já é antológica.

Sei que com a bilheteria fraca nos EUA, as chances de “O Restaurante no Fim do Universo” virar filme diminuíram. Mas espero que o culto e respeito dos ingleses pela obra de Adams não deixe com que a gana de ganhar dinheiro da Disney/BuenaVista impeça as seqüências de “O Guia…”

O filme de Jennings não é perfeito e derrapa muito quando tenta criar um programa familiar, que fazem muitos desavisados acreditarem que é um filme para crianças, tendo em vista e enorme quantidade de moleques de 7 a 11 anos na sala de cinema. Saíram com cara de sono, lógico.

Mas só por evocar a memória de “O Guia…” e mesmo que, de maneira apressada, colocar na tela do cinema o mundo imaginado por Douglas Adams, já torna o filme uma experiência saborosa. Porém, lembre-se, o filme é apenas um resumo. Se quiser conhecer e se divertir ainda mais, passe na livraria mais próxima do cinema e leve toda a série pra sua cabeceira.

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