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Behind The Brains: Quantic Dream e “Heavy Rain”

Quantic Dream

Mesmo que você seja um gamer inveterado, talvez tenha pouca intimidade com o trabalho de David Cage e do estúdio francês Quantic Dream. Fundada em 1997, a companhia lançou apenas dois jogos nesse período, e o terceiro, “Heavy Rain”, deve sair apenas em 2010.

E porque então você deveria conhecer mais a fundo esses caras? É simples: David Cage e sua equipe na Quantic Dream vem causando uma revolução silenciosa no mundo dos games, tanto como criadores de jogos tecnicamente inovadores e também como exímios contadores de histórias.

A Quantic Dream está para a indústria dos jogos como o trio Michel Gondry, Charlie Kaufman e Spike Jonze está para Hollywood. David Cage, dentro dos cinco anos de trabalho em cada nova produção, nunca deixa de perseguir dois objetivos primordiais: criar games para um público maduro e contar grandes histórias explorando novas formas de interação com um controle.

Aliás, a obsessão por criar verdadeiros dramas interativos é tão grande, que Cage já foi acusado de ser um cineasta frustrado, de valorizar mais o realismo do que a diversão, do que o escape, afinal, estamos falando de videogames.

A verdade é que “Heavy Rain”, exclusivo para PlayStation 3, é um dos projetos mais intrigantes e excitantes que se tem notícia atualmente, considerado motivo primordial pelo qual muitos não-gamers ou donos de outras plataformas irão investir no console da Sony em breve. Mas antes de falar disso, vamos do início.

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Behind The Brains: Neill Blomkamp e “Distrito 9″

Distrito 9

“Distrito 9″ é uma revelação. Um filme de baixo orçamento (30 milhões de dólares) para os padrões hollywoodianos, mas que parece uma mega produção recheada de efeitos especiais. Mais do que isso, a obra do jovem diretor sul-africano Neill Blomkamp ganhou atenção e elogios da crítica pelo conteúdo político.

Neste exato momento, “Distrito 9″ está cravando uma impressionante taxa de 97% de críticas positivas no Rotten Tomatoes, considerado “tecnicamente brilhante e socialmente pungente, com ação, imaginação e todos os elementos capazes de criar um clássico da ficção científica”.

O filme utiliza naves gigantes e uma rixa entre humanos e alienígenas para fazer uma alegoria sobre a segregação. Neill Blomkamp cresceu na África do Sul em meio a era do Apartheid, e mostra em seu filme a tentativa do governo, que contrata os serviços da mercenária Multi-National United, de retirar os aliens de uma área conhecida como Distrito 9, em Joanesburgo. Obviamente, esse trabalho sujo precisa dar lucro, e a MNU deixa de lado qualquer diferença cultural e bem-estar dos extraterrestres para cumprir seu objetivo.

O título do filme foi inspirado justamente no Distrito 6, uma área residencial na Cidade do Cabo que ficou conhecida por causa dos 60 mil de seus moradores que foram expulsos na década de 1970, durante o regime do Apartheid.

Distrito 9 Neill BlomkampNeill Blomkamp [foto por Wired]

Neill Blomkamp idealizou e escreveu “Distrito 9″ sozinho, partindo de um curta metragem que ele mesmo produziu em 2005, chamado “Alive in Joburg”. Blomkamp entrevistou pessoas que viveram o fluxo imigratório na pele na capital sul-africana, transformando os depoimentos reais dos refugiados em uma espécie de documentário sobre alienígenas indesejados pela população local.

Mas o que mudou na vida de Neill Blomkamp para que ele conseguisse transformar “Distrito 9″ em um filme de grande expectativa, investimento em marketing e com ampla distribuição? O apoio de ninguém menos que Peter Jackson.

O diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis” contatou Blomkamp para que ele dirigisse o filme baseado no game “Halo”. Como até hoje o imbróglio entre Fox, Universal e Microsoft não foi resolvido, o projeto ficou em standby. Peter Jackson resolveu então dar suporte financeiro para que Blomkamp dirigisse outro filme, justamente “Distrito 9″.

A pergunta que ficou depois disso se resumiu a uma única palavra: porque? O que fez Peter Jackson confiar no talento de um diretor novato, que além de curtas, nunca sequer tinha produzido um filme em longa metragem? A resposta é simples: comerciais.

Neill Blomkamp Halo Adidas Citroen Carbot Nike

Blomkamp era desconhecido em Hollywood, mas colecionava uma série de filmes publicitários memoráveis em seu portfolio, sem contar sua experiência com efeitos especiais e animação 3D. Sabe o famoso carro-transformer da Citroën? A direção e efeitos foram responsabilidade de Blomkamp.

O diretor sul-africano também foi o responsável por “Evolution” e “Crab” da Nike, vários filmes da campanha Adicolor da Adidas, como “Yellow”, e, principalmente, os comerciais do GP em Cannes 2008, “Halo”. Vale lembrar que em 2007, Blomkamp já havia colaborado com a Bungie Studios na criação de três curtas promocionais do jogo, chamados “Halo: Arms Race”.

Bem, e o que aprendemos com tudo isso? Que talvez não devêssemos reclamar tanto que esse dia a dia insano e anti-criativo trabalhando com publicidade não vai nos levar a lugar nenhum. Pelo menos pra Blomkamp, deve ter se cumprido a profecia feita por Peter Jackson: “Quando ‘District 9′ for lançado, o telefone dele vai tocar feito louco”.

“Distrito 9″ estreia nos Estados Unidos na próxima sexta-feira, 14 de agosto, e chega no Brasil no dia 30 de outubro. Abaixo você confere o trailer:

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Behind The Brains: Terry Gilliam e “The Imaginarium Of Doctor Parnassus”

Terry Gilliam The Imaginarium Of Dr Parnassus

Terry Gilliam é um desses caras que volta e meia arruma encrenca com algum grande estúdio de Hollywood. Só que ao invés de reclamar da falta de crença e insensibilidade de muitos engravatados da indústria do cinema, ele vai lá e coloca na telona as suas ideias, sozinho mesmo. Muitas vezes de forma independente, sem grandes verbas, ele realizou pequenas obras-primas ao longo da carreira.

Ainda que longe do que pode ser considerado sucesso comercial, os filmes de Gilliam geralmente acompanham a palavra “cult” como etiqueta. Apenas “Os Bandidos do Tempo” (1981), “O Pescador de Ilusões” (1991) e o espetacular “Os 12 Macacos” (1995) foram comercialmente rentáveis na carreira do diretor. Mas por mais prejuízo que tenham dado a seus respectivos estúdios, o fundamental “Brazil” (1985), “As Aventuras do Barão Munchausen” (1989) e “Medo e Delírio em Las Vegas” (1998) ajudaram a dar a Gilliam o rótulo de visionário.

Terry Gilliam Parnassus

Ele mesmo revela que não tem a pretensão de fazer filmes difíceis e elitistas, mas que suas tentativas de atingir um maior número de pessoas continuam falhando miseravelmente. Se isso pode mudar esse ano, com o lançamento de “The Imaginarium Of Doctor Parnassus”, ainda é um enigma. Será lembrado para sempre como “o último filme de Heath Ledger”, que foi substituído na segunda metade da obra por atores populares, chamarizes de bilheteria, como Johnny Depp, Jude Law, e Colin Farrell, mas deve continuar sendo um longa com a cara e imaginação de Terry Gilliam, como revelaram as resenhas durante o Festival de Cannes em maio passado.

Gilliam começou sua carreira participando de um grupinho aí, nada conhecido e que nem foi responsável por influenciar o humor e a comédia do absurdo pelo resto dos tempos: Monty Python. Era Gilliam que criava as icônicas animações presentes nos filmes e gags da trupe britânica, o que acabou definindo toda a linguagem visual do grupo, até ser incorporado de vez ao elenco ao lado de Graham Chapman, John Cleese, Terry Jones, Michael Palin, Eric Idle e Carol Cleveland.

Terry Gilliam Parnassus Terry Gilliam durante as filmagens de “The Imaginarium Of Doctor Parnassus”

Aliás, Terry Gilliam é o único integrante não britânico do Monty Python. Ele nasceu em Minnesota, nos EUA, e em 1968 obteve a cidadania britânica. E foi assim durante 38 anos, com dupla nacionalidade, até que em 2006 resolveu renunciar o seu registro de cidadão americano, como forma de protesto contra o governo de George W. Bush. Se Gilliam bate o pé com grandes estúdios por conta de suas convicções artísticas, não dava para esperar diferente em se tratando de política.

Passou das animações para papéis menores em sketches, e deu um passo além quando co-dirigiu, ao lado de Terry Jones, o longa “Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado” em 1975. O surrealismo e nonsense empregado por Gilliam nas animações do Monty Python já davam o tom do que ele faria em seus filmes no futuro. Suas produções são conhecidas por serem enormes fantasias de visual extravagante, em que a história é contada em parte ou no todo através da imaginação de um personagem.

“The Imaginarium Of Doctor Parnassus” é criação original de Terry Gilliam, que escreveu o roteiro em parceria com Charles McKeown. Os dois já haviam trabalhado juntos na concepção dos roteiros de “Brazil” e “As Aventuras do Barão Munchausen”. Em busca da imortalidade, Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano Christopher Plummer, faz um pacto com o Diabo (Tom Waits), carinhosamente chamado de Mr. Nick. Já com 1000 anos de idade, Parnassus continua viajando com o seu circo, oferecendo ao público a possibilidade de ir além da realidade ao atravessar um espelho mágico.

Terry Gilliam Doctor Parnassus

Dr. Parnassus faz um segundo pacto com o tinhoso, dessa vez querendo ser jovem novamente. Acontece que em troca, Mr. Nick quer ser dono da filha de Parnassus, e assim que ela completar 16 anos voltará para buscar o pagamento. O misterioso Tony (Ledger, Depp, Law e Farell) é que vai tentar fazer o Diabo mudar de ideia, viajando em mundos paralelos para salvar a jovem Lily Cole.

Quando perguntado quais suas influências na produção do filme, Gilliam responde rápido: “Meu cérebro. As inspirações para meu o trabalho vêm de pinturas, livros, música e não filmes, como muita gente imaginaria”. Durante painel na Comic-Con 2009, brincou: “Sempre que fico sem ideias vou para a National Gallery de Londres e roubo ideias de artistas mortos… porque aprendi que eles não podem me processar.”

Assim como aconteceu em seus filmes anteriores, Terry Gilliam teve problemas com “The Imaginarium Of Doctor Parnassus”. A morte de Heath Ledger, no meio das gravações, quase fez o filme ser esquecido no fundo de uma gaveta. Depois de contornar a ausência do ator, Gilliam enfrentou a resistência de distribuidoras, que não queriam arriscar com mais um projeto experimental do diretor.

Nessa semana, a data de estréia no Reino Unido foi finalmente definida, 16 de outubro, com o lançamento do trailer que você confere (e deve conferir) no fim desse post. Aqui no Brasil, apesar de ainda sem previsão de chegada, a distribuição ficará por conta da Sony Pictures.

Em longa entrevista ao programa One on One, em abril deste ano, Terry Gilliam revisita sua carreira

A persistência de Terry Gilliam em criar obras absolutamente autorais e únicas, burlando as cruéis leis do mercado cinematográfico, é a prova do gênio de fértil e inesgotável imaginação. Seja com filmes atemporais ou com comerciais da Nike (sim, ele dirigiu dois, em 2002), sua batalha para fincar o pé quanto suas concepções artísticas transformam qualquer set de filmagem em um campo de guerra. Já que é assim, ele faz o que quer e pronto. Paga o preço por não entrar no jogo, mas tem todas as suas ideias nos lugares em que deveriam estar.

Nos próximos anos, Terry Gilliam volta as suas atenções novamente para um projeto que já sonha faz tempo. Levar para os cinemas a história “The Man Who Killed Don Quixote”, uma sátira que combina o clássico de Miguel de Cervantes com os dias atuais. Um publicitário que começa a viajar no tempo involuntariamente e vai parar no século XVII, onde é confundido com Sancho Panza.

Gilliam tentou produzir o filme no final do ano 2000, quando enchentes no set e uma doença do ator Jean Rochefort interromperam as filmagens, cancelando todo o resto. O diretor transformou a iniciativa desastrosa em um documentário, e em 2010 vai tentar de novo. Mais um exemplo de sua incansável persistência.

| Fontes: Dreams, Omelete, One on One

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Behind The Brains: Where The Wild Things Are

Where The Wild Things Are Onde Vivem Os Monstros
Trilha sonora recomendada para a leitura desse post, é tambem a música do trailer de “Where The Wild Things Are”

O diretor Spike Jonze, depois de dirigir uma tonelada de videoclipes famosos e filmes como “Quero Ser John Malkovich” e “Adaptação”, passou a ser considerado um visionário. Não por menos, suas escolhas nonsense e criativas em parceria com o roteirista Charlie Kaufman chamaram a atenção quase que instantânea de Hollywood, que o indicou ao Oscar de Melhor Diretor em 2000 (mas quem levou foi Sam Mendes, por “Beleza Americana”).

O rótulo preferido da mídia para caras como ele é “excêntrico”. Apesar disso, Jonze dirigiu um monte de comerciais, como o “Hello Tomorrow” da Adidas e “Pardon Our Dust” da Gap, além de atuar em filmes de amigos e ainda editorar revistas da cena BMX e skate. Jonze também é co-criador da série politicamente incorreta “Jackass” da MTV. E é justamente desse cidadão, nascido em Rockville, Maryland, EUA, um dos filmes mais hypados e aguardados do ano. Eu sei, isso parece frase de trailer, mas se considerarmos o buzz gerado apenas com o pouco de material lançado até agora, não é exagero.

Ficou na mão de Spike Jonze, e do inexperiente roteirista Dave Eggers, transformar uma história de 338 palavras em um roteiro de 111 páginas. Escrito e ilustrado por Maurice Sendak em 1963, “Where The Wild Things Are” (Onde Vivem os Monstros) é um dos mais cultuados livros infantis da curta história do mundo, pequeno em tamanho, mas enorme em idéias.

A obra segue as aventuras de Max, um garoto malcriado que foi mandado para a cama sem jantar. Depois de ser chamado de “wild thing” pela mãe, ele vai pro quarto e começa a imaginar um mundo distante em que chega de barco, a terra dos Wild Things. As estranhas criaturas selvagens desse lugar acabam transformando Max em uma espécie de Rei. “Where The Wild Things Are”, ao mostrar um garoto solitário, com pai ausente, irmã e mãe cada vez mais ocupada com o trabalho, estabelece um belo retrato psicológico da raiva.

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Behind The Brains: LucasArts e “The Secret Of Monkey Island”

Logo após o enorme sucesso de sua primeira parceria com Steven Spielberg (“Indiana Jones: Os Caçadores da Arca Perdida”), e já com “Star Wars: O Retorno de Jedi” em fase de pós produção, Goerge Lucas começou a olhar de uma forma diferente para o, até então, nada bilionário universo dos games que conhecemos hoje.

O que despertou o interesse de Lucas foi ver e ouvir a Activision, que se tornaria em pouco tempo uma das maiores desenvolvedoras e distribuidoras de jogos, falar de seus designers como se fossem rock stars ou diretores de cinema, tratando cada game como um meio criativo vasto, excitante e cheio de possibilidades. Imagine pensar assim em uma época em que softwares inteiros cabiam dentro de um único disquete.

Lucas reuniu alguns programadores e designers talentosos, chamou a Atari para distribuir, e foi assim que o criador da saga “Star Wars” fundou a LucasArts em maio de 1982, uma empresa que se tornaria sinônimo de uma era na curta história dos videogames. Mais ainda, a LucasArts fez parte de um momento criativo na indústria que, a despeito dos orçamentos milionários e máquinas de última geração dos dias de hoje, certamente não pode ser comparado a nenhum outro.

Vale dizer que em uma de suas primeiras produções a LucasArts já investia em uma criação multi-plataforma. “Labirinto” virou quase que simultaneamente um jogo de computador e um filme com David Bowie e Jennifer Connelly, marcando a integração entre a produtora de cinema (LucasFilms) e a divisão de games. Porém, esse início ainda não tinha a cara do conceito que a empresa tomaria nos anos seguintes.

LucasArts“Maniac Mansion”, para Commodore 64 e Apple II, o fundamento da LucasArts

Começaria em 1987, com “Maniac Mansion”, a principal característica que definiria a história da LucasArts: aventuras gráficas cerebrais, com humor sarcástico e irreverente, em que os personagem nunca morrem ou atingem um beco sem saída. Era o início da geração do point-and-click, do paradigma verbo-objeto.

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Behind The Brains: FlashForward

FlashForward

Se “Lost” se transformou em um fenômeno mundial de mídia e entretenimento, e já tem até data de aposentadoria definida, o que o mercado vai colocar em seu lugar? É óbvio que a ABC, emissora de “Lost”, já pensou nisso muito antes de decidir o fim de sua série líder de audiência. Nos mesmos moldes, estilo, grandes nomes da indústria e hype, anunciaram no final do ano passado a produção de “FlashForward”.

Você já deve ter lido diversas notícias sobre a série, que inclusive será bombada pela ABC agora na 40º Comic Con, no fim do mês. Porém, entre as dúvidas se existe algo com potencial de substituir “Lost”, vale olhar mais a fundo as mentes por trás da nova produção, que tem estréia marcada para o próximo dia 24 de setembro em horário nobre nos Estados Unidos.

“FlashForward” é inspirada pelo livro homônimo de Robert J. Sawyer, escritor canadense considerado um dos grandes nomes da ficção científica na atualidade. Publicada em 1999, a história contada por Sawyer envolve um acidente no CERN (Organização Européia para a Investigação Nuclear) com o LHC (Grande Colisor de Hádrons), que deixa toda a raça humana inconsciente durante 2 minutos e 17 segundos. Nesse período desacordadas, as pessoas tem visões de cenas em até 21 anos no futuro.

FlashForwardO ator Joseph Fiennes e Robert J. Sawyer nas gravações de FlashForward

Além dos acidentes envolvendo veículos e aviões nesses pouco mais de dois minutos de apagão, que fizeram quase 40 milhões de vítimas, o futuro passa a assombrar as pessoas, já que grande parte da humanidade previu cenas que não gostaria de ver. Nesse universo, Robert J. Sawyer discute temas como livre-arbítrio vs. destino, esperança vs. realidade, paradoxo temporal da causa e efeito, etc.

Quase todos os trabalhos do escritor tem uma missão: combinar a intimidade humana com o grandioso universo cósmico. Grandes idéias e noções misturadas com histórias pessoais, que se transformam em ficção científica com diversos níveis de abordagem. A inspiração de Sawyer veio dos três problemas fundamentais da metafísica definidos pelo filósofo alemão Immanuel Kant: “Existe vida após a morte?”, “Deus existe?” e “Nós temos livre-arbítrio?”

O autor já abordou as duas primeiras questões em seus livros anteriores “The Terminal Experiment”, de 1995, e “Calculating God”, publicado em 2000. “FlashForward” trata justamente da terceira pergunta, tentando responder através da física e de mecânicas quânticas o que é verdadeiro: destino ou vontade própria.

FlashForwardCena do piloto de FlashForward

A obra literária de Sawyer foi parar nas mãos de David S. Goyer, o roteirista hypado de “Batman Begins” e “The Dark Knight”, e do veterano Brannon Braga, que depois de fazer carreira em diversos spinoff de “Star Trek”, virou o principal roteirista da sétima temporada de “24 Horas”. Os dois são inclusive produtores executivos de “FlashForward”.

Na adaptação para TV, a história vai sofrer algumas mudanças: no livro o protagonista é um físico canadense de 47 anos, na série será o agente do FBI Mark Benford, interpretado por Joseph Fiennes. No livro, as visões do futuro mostram até 21 anos adiante, na série apenas 6 meses.

O piloto de “FlashForward”, já gravado, foi dirigido pelo próprio David S. Goyer, com roteiro de Robert J. Sawyer. De agora em diante, o escritor trabalhará como consultor da série, rediscutindo seus próprios argumentos a cada episódio. Nenhum dos livros de Robert J. Sawyer foi editado no Brasil (ainda), e atualmente ele trabalha na trilogia WWW: “Wake”, “Watch” e “Wonder”, que trata de uma inteligência tecnológica emergente existente na internet.

E “FlashForward”, será que pega? O começo parece promissor, o buzz pelo menos já está garantido, e provavelmente a pergunta “What Did You See?” deve surgir em algum ARG por aí. Abaixo você pode assistir o trailer da série:

| Fontes: Televisonary, Jawbone.TV, Robert J. Sawyer Blog

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Behind The Brains: The Matrix

Recentemente, tenho abordado aqui no Brainstorm #9 alguns processos criativos envolvendo a produção de cinema, e a idéia é expandir isso para outras indústrias como televisão, games e música. Exemplos: “Os Criadores de Criaturas” e “As trilhas dos trailers”.

Muito mais do que discutir e mostrar aspectos técnicos, a idéia é buscar inspiração por trás da criação de obras consagradas (ou não) do entretenimento, fugindo do estrito envolvimento com marcas que sempre procurei trazer aqui pro blog. Isso partiu de curiosidades simples: “como deve ter sido o brainstorm de tal filme?”, “De onde surgiu a idéia de tal série?”, “como foi a concepção de tal projeto?”, etc.

E para continuar essa série de posts, que provisoriamente (ou não) dei o nome de Behind The Brains, escolhi abordar uma obra fundamental da história do cinema (ainda que recente), aproveitando também o seu aniversário de 10 anos, completados exatamente no dia 31 de março de 2009. É impossível falar de “The Matrix” sem parecer repetitivo, já que você que está lendo esse texto certamente assistiu e testemunhou o fenômeno de perto.

The Matrix

Porém, não custa lembrar o impacto que a criação dos irmãos Larry e Andy Wachowski causou, revolucionando todo um gênero cinematográfico e criando demanda para experiências cada vez mais fortes e maiores, além de passar a fazer parte imediatamente da cultura pop e influenciar muito do que viria a seguir. A história toda você já conhece, mas de onde isso saiu?

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