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Microsoft dispensa Seinfeld, mas promete iniciar uma guerra publicitária
A Microsoft e a Crispin Porter + Bogusky dizem que tudo faz parte do plano, que tudo já estava decidido desde o início, mas a verdade é que ninguém sabe se o que cliente e agência chamam de “segunda fase da campanha”, não seria de fato uma maneira de corrigir o que não teve efeito até agora.
Após tanto hype, um cachê de 10 milhões de dólares e apenas dois comerciais, Jerry Seinfeld deixará de ser o protagonista do grande movimento publicitário da Microsoft para responder as provocações da Apple, segundo informa matéria no NY Times.
Aliás, se antes a empresa fundada por Bill Gates negava que queria bater de frente com a maçã de Steve Jobs, agora, com a tal “segunda fase da campanha”, parece que vão assumir uma posição mais firme, até porque pesquisas indicaram a baixa relevância dos primeiros comerciais.
A CP+B diz que os dois filmes com Seinfeld foram só teasers, e que agora é que o conceito “Windows. Life without walls,” começará a ser propagado de verdade. O comercial que irá ao ar nesta quinta-feira se apropria de um estereótipo criado pela própria Apple, e mostrará um engenheiro da Microsoft dizendo: “Hello, I’m a PC”.

Bill Gates fará uma participação especial, assim como a atriz Eva Longoria, o autor Deepak Chopra e o cantor Pharrell Williams. Não, nada de Seinfeld dessa vez. De qualquer forma, as estrelas de verdade serão usuários de PC, de cientistas a estilistas, de professores a engenheiros, que se colocarão como orgulhosos fãs de Windows.
A Microsoft espera responder de maneira inteligente as provocações da Apple, e mostrar que por trás da caricatura do PC existem pessoas com suas próprias histórias. Já a CP+B quer tornar cultura popular as discussões geradas pelos comerciais, assim como foi com Coca-Cola vs. Pepsi.
Como amostra de que agora a campanha começa de verdade, além do comercial na televisão também serão veiculados anúncios impressos, outdoors e um novo site lifewithoutwalls.com. A ação online pedirá aos usuários de Windows que enviem fotos e vídeos para demonstrar como eles, também, são PCs.
Algumas dessas fotos e clipes serão selecionados para aparecer em um painel eletrônico em Times Square, a partir de sexta-feira até o dia 13 de outubro. Outra parte do conteúdo enviado pelas pessoas será parte de banners online da Microsoft.
Se tudo já estava nos planos não dá para afirmar, até porque ficou claro que o resultado das primeiras tentativas foi frustrante, mas parece que agora a guerra vai começar de verdade. Também não se sabe se Seinfeld vai voltar em algum momento da história, ou se tudo isso não passa de uma estratégia para gerar ainda mais buzz.
Assim que o novo filme for ao ar, publicarei aqui no blog. Fique de olho.
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“Fringe” e a televisão (quase) livre do controle remoto
Com muito hype, “Fringe” estréia hoje na Fox americana. É a nova série do mystery-box J.J. Abrams, o criador do megahit “Lost”, co-escrita com os roteiristas de “Transformers”: Roberto Orci e Alex Kurtzman. Aliás, vale lembrar que os dois escritores já trabalharam com Abrams em “Alias” e no ainda não lançado novo “Star Trek”.
Com esses nomes envolvidos, já dá para imaginar o interesse das marcas em torno da nova série, que promete ser uma mistura de “Arquivo X” com “Twilight Zone”. Ainda mais se considerarmos que dentro de “Lost”, o maior sucesso recente da TV, nenhuma empresa pode fazer nada sem arruinar a história.
Da mesma maneira que a Nissan fez com “Heroes” e a Philips com o programa “60 Minutes” da CBS, a Ford e a Paramount pretendem ser marcas integrantes de “Fringe”. Isso significa fazer com que seus produtos tenham aparições relevantes e pertinentes na história da série.

Essa prática de branded entertainment você já conhece, é uma tendência em crescimento nos últimos anos, mas o que talvez não saiba é que a Fox começa a colocar em prática o que está chamando de “Remote-Free TV”, ou seja, televisão livre de controle remoto.
A idéia é colocar as marcas dentro do programa, custando 40% a mais do que uma veiculação normal, e cortar pela metade o intervalo comercial. Em um mundo em que cada vez mais as pessoas dão fast-foward nos comerciais, assistem na internet, iTunes, baixam via torrents e afins, a emissora espera não ter dispersão durante as mensanges publicitárias de seus anunciantes. Cada break terá no máximo dois comerciais, sendo que o primeiro só entra depois de 16 minutos de série no ar.
É claro que já podemos considerar uma quebra e tanto no modelo tradicional, mas ainda não dá para chamar de “Remote-Free TV”, como a Fox apelidou. Dois comerciais são suficientes para as pessoas fazerem o que sempre fazem quando começa o intervalo: ir no banheiro e pegar algo para beliscar na cozinha.
OK, exagerei, mas é muito mais eficiente criar propaganda com pertinência e ainda ter certeza de que as pessoas levarão aquilo com elas independente da mídia em que assistirem. Basta sempre ter em mente a preocupação de não exagerar ou forçar uma presença de marca. A parceria da Nissan com “Heroes” é um exemplo de sucesso, é o que podemos citar de marca que até colaborou com o roteiro, dando senso de realidade.
“Fringe” estréia daqui a 7 horas nos Estados Unidos, na televisão, e pouco tempo depois em todo o mundo por meios ninjas que você deve conhecer. Assista o trailer abaixo:
| Com AdAge
Cannes Lions 2008: Pensamentos finais
No ano passado, o assunto em torno do Cannes Lions ao final do festival foi a premiação máxima de um filme criado para internet em uma das categorias, até então, mais prestigiadas. O Grand Prix para “Dove Evolution” em Film foi considerado uma revolução, ou uma continuação dela, porque a mudança começou em 2001, com a criação da categoria Titanium.
Em 2008, juntando as peças, fica claro o caminho sem volta: tornar vintage a categoria Press. Parece exagero agora, é verdade, mas é cada vez mais a menor parte de um plano de comunicação. GP de Film dividido em dois, GP de Outdoor para “HBO Voyeur” e prêmios em Cyber e Titanium muito mais interessantes do que outras categorias que antes eram as principais.
Filmes bem produzidos e pedaços de papel tem cada vez menos importância dentro desse cenário. O culto ao cartaz dentro das agências de publicidade vai morrendo aos poucos. Os formatos se misturam, bagunça o conceito de categorias, e muito pouco sobra sem considerar o braço digital.
O filme “Gorilla” da Cadbury, por exemplo, ganhou GP como comercial de TV. Mas foi na internet é que ele tomou corpo e atingiu pessoas que nenhum plano de mídia sequer seria capaz de imaginar.
Há quem reclame da falta de novidades, mas acontece que há algum tempo Cannes Lions deixou de ser um festival para ver coisas novas. Tudo agora acontece online, e quando chega a premiação vamos é ver se aquela idéia genial que você viu durante o ano vai ganhar um Leão. As grandes e boas ações tem repercussão global na internet, que vai além da cobertura de veículos especializados.
Os blogs acabaram com as novidades em Cannes, já que eles mesmos se tornaram parte da estratégia de uma campanha bem sucedida. Observe como isso se encaixa para todos os Grand Prix, o que fica ainda mais gritante no Grand Prix de Titanium.
Isso significa que não basta ser tecnológico e modernético, é preciso envolver pessoas. Sim, e isso você já sabe faz tempo. A medida que a tecnologia e a internet tornam-se cada vez mais sociais, a comunicação deve criar um vínculo com as pessoas nesses meios. Não falamos tanto por aí de mídias sociais? Pois é.
O GP para “Halo 3″, por exemplo, mostra a força do emocional, da relação próxima com as pessoas, ao mesmo tempo que fala de algo extremamente geek. Um game, com roteiro fictício, que vira real em uma campanha histórica e integrada.
Resumindo, toda essa semana de extravagância publicitária nos mostra uma coisa, além da digitalização e integração já tão falada nos últimos tempos: seja humano. Ou melhor, continue sendo, mas mude os formatos.
Para conferir os principais vencedores de Cannes Lions 2008, confira a cobertura do Brainstorm #9. Todos os outros premiados podem ser vistos no site oficial do festival.
ESPN: “Nós não somos uma empresa de televisão”
Um dos exemplos que mais gosto de citar quando falo da adaptação e evolução da mídia tradicional em relação as novas tecnologias e mudanças radicais no consumo de informação, é o caso da ESPN. E não digo isso só porque sou fã deles, confesso, é uma das poucas coisas que assisto na televisão, mas pela demonstração de agilidade e modernidade.
Eles não são os únicos, é claro, mas são uma das poucas redes a abraçar o novo sem medo de perder audiência, encarando a tecnologia como aliada e não como inimiga. Melhor ainda, é que as iniciativas da ESPN nos Estados Unidos acabam se espalhando para os outros canais da rede no mundo, inclusive no Brasil.
No ano que vem, a Entertainment and Sports Programming Network completa 30 anos de existência, e serve hoje como exemplo para as concorrentes de como aproveitar as novas formas de se assistir televisão, respeitando o desejo dos espectadores.
Tem uma frase do John Skipper, vice-presidente de conteúdo da ESPN, que acho fundamental para o mercado, e que serve para explicar em uma linha a minha admiração por eles: “Nós não somos uma empresa de televisão. Nós queremos atingir os consumidores com mídia”.
Versão brasileira do ESPN 360. Quase toda a programação disponível online.Utilizando internet, impressos, rádios, celulares, videogames e o que mais for possível, a ESPN procura estar em todas as telas na vida das pessoas. Como já exemplificou John Skipper, os executivos da empresa não gostam que a chamem de emissora de TV, e sim de mídia interativa de esportes.
Integração é palavra de ordem dentro da ESPN, todo o conteúdo é levado aos mais diversos dispositivos e com total interação com sua audiência. O site da ESPN internacional recebe 16 milhões de visitantes por mês, são pessoas em busca da cobertura especial feita dias antes de um jogo importante, de vídeos de uma determinada jogada e etc.
Quem perde algum programa, pode assistir online no ESPN 360, serviço que recentemente a ESPN Brasil também trouxe aos espectadores brasileiros em parceria com o Terra. E a qualidade e velocidade é impressionante, dá só uma olhada (não é preciso ser assinante, mas o Terra exige um cadastro gratuito). Entenderam que não é mais possível prender uma pessoa diante de uma única mídia, com dias e horários marcados, é preciso dar alternativas.
Conteúdo mobile e games para diversos consolesOs profissionais da ESPN mantém videoblogs, dando informações exclusivas sobre esportes. O Primetime HQ é uma espécie de mesa redonda no site da emissora, onde comentaristas debatem sobre esportes com a participação dos internautas.
Além de integração, a rede investe em mobilidade. Durante um jogo por exemplo, o espectador recebe informações da partida no celular, avisando sobre gol, cestas, pontos e etc. Através de parcerias com as mais variadas empresas, oferecem um vasto conteúdo para dispositivos móveis.
ESPN Zone: a marca no mundo físicoO ESPN Zone, uma espécie de shopping e restaurante do canal, marca a presença da ESPN no mundo físico, com unidades em diversas cidades americanas, incluindo uma extensa área de jogos e games. Isso cria um tipo interação e relacionamento com os fãs de esporte que nenhuma mídia é capaz. Existe ainda a revista ESPN Magazine, estações de rádio e até jogos de videogame trazendo a chancela da emissora.
Já há algum tempo, a empresa começou a testar a transmissão simultânea entre televisão, internet e celular. No ano passado transmitiram edições do programa Monday Night Football em todos esses dispositivos, uma iniciativa que deve se ampliar futuramente.
ESPN MagazineComo eu disse anteriormente, são inovações que ao poucos são absorvidas também pelo canal brasileiro ESPN, com o 360, Scorecenter, parceria com a rádio Eldorado (que se transformou em ESPN Eldorado), organização dos X-Games no Brasil e por aí vai.
O exemplo da ESPN é um tipo de pensamento que deve se espalhar para outros segmentos: nós não somos um canal de televisão, nós não somos um jornal, nós não somos uma revista. Nada mais vai estar preso a uma única mídia. É preciso se libertar do formato e se dedicar a ser especialista em algo, em estar presente na vida das pessoas de todas as formas que ela quiser e precisar.
A ESPN escolheu ser o paraíso dos esportes na terra, não importa de que forma, algo que um comercial de 2006 criado pela Arnold Worldwide exemplifica bem. Assista abaixo:
J.J. Abrams: The Mystery Box
Não é só no mundo do cinema e da televisão que J.J. Abrams, criador de “Alias”, “Lost”
e “Cloverfield”, diretor de “Missão Impossível 3″
e, atualmente, do novo “Star Trek”, tornou-se uma espécie de guru de grandes sucessos, como se ele fosse o detentor da fórmula secreta de algo duradouro, engajador e lucrativo.
Como algumas vezes comentei aqui nesse blog, Abrams também é o queridinho dos estúdios quando trata-se de publicidade, de divulgar suas produções. Não que ele seja o criador de algo inédito e revolucionário, mas por apostar e participar de estratégias de marketing diferenciadas e ousadas.
Na apresentação que fez no TED no ano passado, e que foi publicada esse mês, Abrams explica tudo. Ele não fala de publicidade especificamente, e sim de cinema, mas dá para traçar um paralelo com o histórico de comunicação de diversas marcas e, é claro, de seus próprios filmes e séries.

Abrams fala de uma “mystery box”, uma caixa de madeira de conteúdo surpresa que comprou com seu avô. Ele conta que nunca abriu a caixa. Nunca abriu pois, para ele, a caixa representa possibilidades infinitas, representa esperança. O mistério é combustível para imaginação e, muitas vezes, o mistério é mais importante do que o conhecimento.
Ele mesmo diz que esse conceito não nem nada de inovador, mas percebeu que tudo o que faz e que o inspira é baseado em caixas de mistério. Obviamente, não é coincidência que suas produções sejam tão amparadas no mistério. “Lost” como série e “Cloverfield” como filme, mostraram como o mistério pode ser poderoso. Também não é nenhuma coincidência que as campanhas de suas criações procurem o tempo todo ampliar o desejo pelo desconhecido, e assim gerar expectativa e boca-a-boca.
Ele diz que o mistério é responsável por alguns dos momentos mais excitantes do cinema. Cita o exemplo de “Tubarão”, onde raramente vemos o tubarão, e de “Alien”
, em que o alienígena mal aparece. Com a tecnologia escassa da época, são filmes que continuam interessantes ainda nos dias de hoje devido a esses elementos. É o poder do teaser.
Abrams diz também que a sala de cinema em si é uma “mystery box”. Ele fala de um aspecto que também sempre considerei uma das melhores partes de um filme: o momento em que as luzes se apagam, em que aparecem os logos da produtoras, os créditos iniciais. Ali existe toda uma expectativa, o desconhecido, a imaginação do que virá pela frente, uma caixa de mistérios sendo aberta.
A idéia da “mystery box”, ao contrário do que você pode pensar, não cabe apenas para um filme no cinema. O mistério também é uma das plataformas das Lovemarks. As pessoas não detestam publicidade, elas detestam publicidade entediante.
Marcas que contam histórias envolvem as pessoas, criam vínculo emocional, ao invés de ater-se apenas a informações e incomodar os outros com coisas que eles não querem saber.
Pense nas suas marcas preferidas, o que elas fizeram para tornar-se um ícone para você? A comunicação que conta histórias, que cria mistério, que não entrega tudo mastigado ao consumidor, é capaz de gerar um relacionamento duradouro e verdadeiramente marcante e engajador.
Além da “mystery box”, J.J. Abrams fala em sua palestra de “Lost”, de sua relação com o avô, da produção com falta de recursos e de grandes idéias que podem ser realizadas por amadores.
Assista abaixo a apresentação de J.J. Abrams no TED. Se preferir, acesse para fazer download em alta resolução e outros formatos.
| Dica do leitor Juan Janiques. Valeu!
O crescimento das mídias não-mensuráveis
Matéria do New York Times no último domingo, mostra o crescimento do investimento dos anunciantes nas chamadas “mídias” não-mensuráveis. A Nike, por exemplo, gastou no ano passado apenas 33% de sua verba de marketing (US$ 678 milhões nos EUA) em comerciais de TV e anúncios em outras companhias de mídia tradicional. Uma queda de 55% nos últimos 10 anos.
As ações que envolvem o Nike+, tênis com um chip que conversa com o iPod da Apple, com uma rede social em que as pessoas dividem detalhes de suas corridas, escolhem rotas e se encontram para correr no mundo real, são exemplos de investimentos que fazem a Nike tirar dinheiro do que antes era reservado para filmes caríssimos na televisão e anúncios impressos em papel couché.
Além de uma série de eventos direcionados promovidos pela marca, como o Nike Running Club em Nova York, com treinadores sendo pagos pela empresa e tênis oferecidos para test-drive (aqui no Brasil temos os três clubes de corrida em torno da Nike 10K). Para a Nike, isso é propaganda. Criar maneiras de interagir diretamente com as pessoas, não só pela internet, mas no mundo real.

Trevor Edwards, vice-presidente global de marca da Nike, faz uma declaração que pode ser assustadora para muitos:
“Nós não estamos no negócio de manter as empresas de mídia vivas. Nós estamos no negócio de nos conectar com os consumidores”.
Esse exemplo da Nike mostra uma mudança fundamental na maneira como as empresas estão enxergando o papel da propaganda. Não acreditam mais que um anúncio em uma revista pode chamar atenção quando a pessoa está fazendo outra coisa, como lendo um artigo ou matéria. A busca é cada vez mais por iniciativas que gerem experiência e serviços relevantes, ao invés de ações que interrompam aquilo que as pessoas querem fazer.
Isso tudo é ainda mais significativo quando vem de uma marca que se construiu, na década de 1980, com campanhas milionárias na televisão. A Nike continua tendo forte e indiscutível presença na TV, com o patrocínio de atletas de destaque, mas os comerciais passaram a ser destinados exclusivamente para a internet.

Exemplos: A série de vídeos online com Wayne Rooney. O viral mais famoso do mundo, Ronaldinho chutando as bolas na trave, um vídeo visto mais de 17 milhões de vezes no YouTube e que ganhou cobertura massiva da mídia tradicional especializada. De graça.
Como temos acompanhados ao longo dos últimos anos, diversas outras grandes marcas seguem esse exemplo, e passaram a apostar mais em mídia digitais e entretenimento do que nunca. O investimento nessas áreas segue dobrando a cada ano.
É uma prova de que as empresas, em meio a explosão de conteúdo na internet, as inúmeras possibilidades de diversão e dispersão da audiência, buscam agora criar maneiras de se conectar verdadeiramente aos consumidores, estando presentes diretamente em suas vidas.
Dança do Siri
O Gustavo Mini do Conector já tinha levantado essa bola, e eu concordo com ele: a Dança do Siri, criada pelo Pânico, é provavelmente o maior viral do Brasil. Aliás, o pessoal do Pânico são exímios criadores de virais: Pedala Robinho, Sandálias da Humildade, a demissão da Sabrina, entre outros. E mais, com uma capacidade incrível de invadir outros veículos de mídia que não sua própria emissora.
Em pouco tempo, a Dança do Siri tomou de assalto o cotidiano do brasileiro. Com suas perseguições comentadas em jornais, blogs, sendo feita por pessoas comuns de maneira clandestina em transmissões ao vivo de canais concorrentes, em comemorações de jogadores de futebol, com o maior mito da televisão brasileira, Sílvio Santos, dançando em seu próprio programa de auditório, enfim, são dezenas de manifestações espontâneas e, é claro, muitas outras forçadas pelos integrantes do programa (celebridade que se recusa a dançar é perseguida o resto da vida), que fazem da Dança do Siri um tipo de meme que atualmente parece ser uma distante realidade de qualquer marca.

Com a dispersão cada vez maior da audiência, parece impossível nos dias de hoje criar um “O Primeiro Sutiã” ou um “Não basta ser pai…”, só para ficar em dois exemplos clássicos, mas isso não é verdade. As ações do Pânico, os “tapas na pantera”, os as “árvores somos nozes” estão aí para nos provar isso. Tornar um conceito, um slogan, parte da cultura popular é um desejo mais velho que andar pra frente, mas ainda não encontramos o ponto certo para repetir isso dentro dessa nova realidade da audiência e das mídias.
Hoje nas agências é comum o pedido dos clientes: “Vamos fazer um viral”. Mas algo que já foi muito falado, e que parece que ainda não ficou claro, é que não existe fórmula, não existem especificações definidas para se criar algo que se equipare a uma Dança do Siri, por exemplo. Existem sim tentativas, que devem se encaixar quase sempre em relevância e/ou diversão, mas nenhuma certeza de eficácia, de sucesso garantido.
Mas acima de tudo, acho que falta alguma marca imbuída desse espiríto mambembe, guerrilheiro, non-sense, e que encare o entrenimento e a diversão pura e simples como plataforma de comunicação. E obviamente, isso não é para todos. Não estou dizendo que todas as marcas devam ser assim, tudo depende do objetivo e público de cada uma. Portanto, vamos esquecer essa história de “temos que fazer um viral, uma rede social, entrar no Second Life…”, como se fosse um cardápio de mídia. Ferramentas são apenas ferramentas se a marca não transmitir sua essência em cada uma delas.
Bom, esse post começou por causa do vídeo abaixo. Zapeando a TV no fim de semana, me deparei com essa vinheta em que a Fox utiliza cenas de seus desenhos mais famosos (“Os Simpsons” e “Futurama”) e faz referência a bizarra dança. Selecionei só esse exemplo para expor aqui, mas diz aí, a Dança do Siri é ou não é o maior viral do Brasil?
Debate do Estadão: agora com mais calma…
Passadas pouco mais de 24 horas após o debate promovido pelo Estadão sobre “Responsabilidade e Conteúdo Digital”, incentivado pela polêmica iniciada principalmente por esse que vos fala, vamos as minhas impressões sobre o evento.
Nessa quinta, dia 30, acompanhei diversos posts e comentários em outros blogs sobre o encontro de ontem. O que pude perceber é, que em geral, as pessoas acharam o debate polido, político demais. Aliás, me diverti com os comentários do Brancaleone no blog do Pedro Doria, dizendo que os participantes deveriam ter levado flores, só faltou trocarem presentes.
E eu concordo com quem teve essa percepção. Até porque, isso foi propositado, adequado e educado. Eu, Bruna e Edney nos encontramos um dia antes do debate, e nos propomos a discutir realmente o tema conteúdo digital, ao invés de esbravejar e repetir tudo o que já foi falado sobre a campanha.
Eu não fui ao debate pensando em apontar o dedo na cara de ninguém, e sim para falar do que ficou claro: a maioria dos profissionais de comunicação ainda não sabe lidar com o poder de informação conquistado pelo cidadão não-especialista, portanto, vamos conversar sobre. Conversa que continuou de forma muito agradável depois, em um happy hour no lobby do hotel.
O próprio Estadão, representado pelos profissionais e jornalistas que lá estavam, admitiu em alto e bom som que a campanha passou uma mensagem equivocada e que ela não representa a opinião de todos. Marco Chiaretti, chefe do conteúdo digital do jornal, afirmou, para a platéia e para as câmeras: “Nós estamos aprendendo com vocês”.
Dito isso, pra que estimular uma discussão infrutífera que só iria dar voltas e não chegar a lugar nenhum? Pra que cair no você-disse-eu-não-disse? Sejamos adultos, e não os blogueiros-macacos-raivosos que um ou outro insiste em acreditar.
A proposta de um debate é cada um tenha seu tempo, e esse tempo é curto. Poderíamos passar a noite lá falando, eu mesmo tinha muito mais pra dizer. Mas o debate foi valido, saudável e atingiu o objetivo que eu esperava: colocar o tema em pauta na grande mídia. O Estadão reconheceu o erro, se dispôs a debater e abriu um canal para discussão. Alguns chamam isso de tentativa de “abafar” o caso, eu chamo de conquista.
Não existe uma guerra entre mídia tradicional contra novas mídias. Existe sim uma complementação entre elas, e cada uma cumprindo seu papel. Eu quero continuar sendo o Carlos Merigo, não quero ser uma instituição Brainstorm #9. O meu blog representa a pessoa física e profissional Carlos Merigo. Quero que quem entre nesse blog queira ler minha opinião e visão das coisas. Nenhum blog sério tem a pretensão de suprir a necessidade por alguma outra mídia, e a recíproca é verdadeira.
Acredito eu, que o ponto mais destoante do debate foi o pronunciamento arrogante e retrógrado do Prof. Gilson Schwartz da USP, o que deixou claro que ele é apenas mais um que está contaminado com o estigma que os blogs carregam. Tanto desconhece o assunto, que acreditou que todos estavam em volta daquela mesa para falar de blogs miguxos e fotologs.
Não tive tempo de entrar no assunto, mas gostaria de ter falado que o Second Life, onde o Prof. Gilson acaba de inaugurar a Cidade do Conhecimento virtual, reúne grande parte do lixo da internet, e onde o receptor tem qualidade abaixo da média. Será que a Cidade do Conhecimento virtual deixa de ser válida apenas porque está rodeada do que ele considera lixo?
Por fim, o Pedro Doria citou blogs internacionais, e disse que aqui no Brasil essa mídia colaborativa ainda não alcançou a mesma relevância que lá fora. Concordo. Mas para um dos maiores jornais do país resolver se manifestar, pedir desculpas e reunir blogueiros em um debate pós polêmica criada na blogosfera, significa que o primeiro passo já foi dado.
| Você pode assistir o debate aqui, no vídeo disponibilizado pelo Rodrigo Barba, ou no site do Estadão. Acompanhe também a cobertura do Jornalirismo.













