O Brainstorm
#9 é um blog, sim, é um blog. Mas nada de dramas pessoais, choradeiras
melosas ou o que o meu cachorro comeu na hora do almoço.
Aqui vou falar
sobre o que o meu cérebro pensa das coisas deste mundo passageiro. Uma
verdadeira tempestade de idéias sobre todos os assuntos,
principalmente publicidade, cinema, música, games,
livros...
Meu amigo aqui
de cima, com seu córtex, neurônios, trilhões de células e mais um monte de
badulaques, é chato algumas vezes, verdade seja dita, mas no fundo é um
cara legal. Tenho que aturá-lo todos os dias, mas felizmente, não nas 24
horas do dia. É melhor às vezes não deixá-lo pensar, ficando apenas em
stand-by.
Ou seja, aqui
colocarei pensamentos deste cérebro, que é, não somente das maravilhas da
Psique, mas do próprio orgão fisiológico, a mais estonteante complexidade
jamais encontrada no Universo.
Porém, um
cérebro que às vezes também gosta apenas de curtir os prazeres da vida,
junto com o coração, é lógico...
Meu nome é
Carlos Roberto Merigo Filho. Meu cérebro começou a funcionar (ou
pelo menos deveria ter começado...) no dia 9 de Junho de 1981 e
atualmente estudo Design de Publicidade na Escola Panamericana
de Arte.
Trabalho na Fess' como assistente de arte/redator. E meu
objetivo é conquistar a América do Sul, a Oceania e mais um terceiro
continente a minha escolha.
cmerigo@bol.com.br carlos@fess.com.br
ICQ: 14377569 MSN:
carlosmerigo@hotmail.com
Fortune
Faded Red Hot Chili Peppers
Something to Talk About Badly Drawn Boy
Dance With The Devil 6th Gate
O Último
Samurai Edward Zwick
The One
Vila Olímpia - São
Paulo
Deep Mogi das Cruzes/SP
FIFA
2004 EA Sports
Need For Speed
Underground EA Games
Admirável Mundo
Novo Aldous Huxley



:Escola Panamericana de
Arte :Neostream :Ueba :Mammoth :Marketing, Prop. e Rock 'n Roll :Publicidade de Saia :Ignorance Is Bliss :Designando :Reator Publicitário :Let's Blogar :Pensar Enlouquece. Pense Nisto. :O Jovem Nerd :Um Caipira na Paulista :Manual do
Clichê :Follow The White
Rabbit :Mak :Ponto Design :Motocontínuo :Nada a informar :Publi$hitários
neurônio(s) on-line
.......

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::.. Terça-feira, Setembro 30, 2003
..::
:: 10:51
::
O fim da jornada Depois de muita espera, finalmente o novo
trailer do terceiro e último episódio da saga O Senhor dos Anéis
foi lançado ontem. E como o cinema é uma de minhas paixões, logicamente
que eu não poderia deixar de comentar sobre isso.
São trailers
como esse que cada vez mais me fazem ter vontade de trabalhar nisso, ou
seja, produzir prévias.
Depois que me formar em publicidade,
pretendo fazer faculdade de cinema. Porém, minha pretensão não é produzir
filmes, mas sim trailers. Não sei como funciona esse mercado, quem são as
pessoas que trabalham com isso, só sei que também quero fazer. :)

Este trailer de O Retorno do Rei exemplifica bem a
fascinação que tenho por esse tipo de material. Os caras pegam cenas
fortes do filme, colocam no fundo uma trilha sonora simplesmente
magnífica, salpicam frases de efeito e pronto, o resultado é um trailer
bombástico.
Percebam as frases no final do trailer e como a trilha
se encaixa perfeitamente com os acontecimentos da tela. A medida que a
música aumenta o ritmo, a edição se altera. Fantástico e emocionante.
Outro trailer recente que achei excelente é o do filme "Era uma Vez No
México", o qual já comentei aqui tempos atrás.
A união de
imagem e som é altamente poderosa, e se cada coisa for colocada nos seus
devidos lugares, consegue emocionar e cativar o espectador. Um exemplo bem
comum disso, são trailers que fazem filmes ruins parecerem a última
maravilha da sétima arte.

Gosto dessa situação de criar uma expectativa, fazer uma
pessoa ver o trailer e pensar: "Caramba, isso deve ser bom!". Para
mim, um trailer é a fusão do cinema com a publicidade. O filme pode ser
muito bom, mas sem um teaser que se preze, pode não fazer o sucesso
esperado.
Claro que O Senhor dos Anéis é uma super-produção
milionária e ainda conta com uma trilha sonora original maravilhosa
composta pelo mestre Howard Shore. Mas mesmo assim, já vi excelentes
prévias bem mais simples, com boas músicas, e que contam com uma edição
capaz de transformar tudo aquilo em algo impressionante.
Edição:
essa é a palavrinha mágica. A arte de colocar imagem, som, conceitos e etc
num liquidificador, misturar tudo e provocar emoções com o resultado
final. Não seria exagero dizer que a edição é responsável por grande parte
do sucesso de um filme.
Não sei como é trabalhar com isso no
Brasil, nem como se começa, mas tenho essa vontade. Bom, mas deixando o
sonho de lado, vale lembrar que estou contando os dias para a estréia de
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.

Certamente será mais um show do diretor Peter Jackson. Só
espero que ele se mantenha fiel a história de Tolkien e faça apenas as
alterações necessárias para transpor o livro para a linguagem
cinematográfica, assim como tem feito até agora.
E a melhor
notícia deste trailer é a Laracna. Ela aparece rapidamente numa cena,
atrás de Frodo. Essa é uma das partes mais legais do livro e estou ansioso
para ver como vai ficar na tela grande. Pena que não poderemos sentir o
terrível cheiro da Laracna no cinema, como quase sentimos com a descrição
de Tolkien.
Clique aqui para fazer o download do trailer em
formato .mov. O arquivo tem 26.9 MB e está em excelente qualidade.
Fala que eu te
escuto:
::.. Segunda-feira, Setembro 29, 2003
..::
:: 16:14
::
PC na MacMania A publicidade também comete gafes, aliás,
comete muitas delas. Uma dessas infelicidades aconteceu na última edição
da revista MacMania e foi muito bem descoberta pelo Herbert,
colega de trabalho aqui na agência.
Como diz o nome, a publicação
é totalmente direcionada aos usuários de Mac, portanto, o que se
espera são anúncios voltados para esse nicho. Acontece que no verso da
revista, a Leo Burnett veiculou uma peça divulgando a nova
engenhoca P800 da Sony Ericsson, que entre outras coisas é
uma camêra digital, celular e mais uma série de badulaques

Até aí tudo bem, se uma das principais funcionalidades do
produto não fosse essa: "E-mail, calendário e agenda sincronizáveis com
o PC."
Sim, tudo a ver não é mesmo? Um equipamento compátivel
com PC sendo anunciado numa revista para macmaníacos.
Talvez o departamento de mídia da Leo Burnett ainda não tenha
descoberto a barreira que separa PC's de Macintosh's.
Fala que eu te
escuto:
::.. Domingo, Setembro 28, 2003 ..::
:: 00:29
::
Talentos desperdiçados Muitos vão bater o olho nesse post e
dizer: "Putz, lá vem ele puxar o saco da escola onde estuda". Mas
na verdade, o que vou comentar aqui eu já conhecia antes mesmo de estudar
lá, antes até de morar em São Paulo.
Nos últimos anos, foram
veiculados uma série de anúncios muito interessantes da Escola
Panamericana de Arte e, muito provavelmente, as pessoas que moram
em outros estados não tiveram a oportunidade de assistí-los. Porém, a
partir de hoje vou comentar alguns deles aqui no Brainstorm #9,
começando pelo meu preferido.
Criado pela Loducca, o
comercial mostra como um talento mal dirigido acaba sendo perdido e se
tornando inútil. Para isso, são mostradas situações em que diversos gênios
da arte, por estarem em áreas erradas, realizaram feitos no mínimo
inusitados.
Por exemplo,
imagine o que teria feito Van Gogh se ele fosse veterinário? E se Picasso
tivesse sido cabeleireiro? Ou então se Amadeo Modigliani seguisse a
carreira de ortopedista?
É justamente isso que faz o anúncio da
EPA, imaginar as obras que eles teriam feito nessas profissões, digamos,
um tanto quanto diferentes para esses artistas.
Utilizando um
humor sutil e muito inteligente, o conceito do filme vai rapidamente do
abstrato ao concreto. Utiliza uma série de hipóteses fantasiosas para
chegar a mensagem que realmente interessa.
Outro fator que me faz
gostar muito deste anúncio, é a explicação que ele faz do seu
anti-produto, mesmo que isso fique quase inconsciente para as pessoas.
Esse
argumento publicitário muitas vezes é até exagerado, mas muito válido para
atrair o espectador. Explicar o anti-produto significa mostrar ao
consumidor todas as infelicidades e vicissitudes que se abaterão sobre
ele, caso não use o produto que você anuncia.
Isso geralmente dá
vida a comerciais muito criativos, já que pode-se explorar todo um inferno
de frustrações que esperam a pessoa que não preferir as vantagens do
produto anunciado. Neste caso, a idéia mostra que quem não estudar na EPA,
pode ter seu talento perdido se ele não for transformado em profissão.
Intitulado
de "Talento", este anúncio da Panamericana é do tipo que eu
gostaria que tivesse mais tempo. Fico pensando quantas brincadeiras não
daria para fazer colocando os gênios da arte em outras profissões. De
qualquer forma, este filme conta com uma idéia fantástica e uma produção
impecável.
Clique aqui para fazer o download do anúncio em
formato .mov. O arquivo tem 4.06 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Quinta-feira, Setembro 25, 2003
..::
:: 18:30
::
A simplicidade inusitada Geralmente gosto muito de anúncios e
conceitos que brincam com o próprio ambiente real e criam o inusitado,
como é o caso daquele outdoor português do carro batendo no poste e do
frontlight da MINI com as palmeiras inclinadas.
Esse tipo
de ação se destaca das outras, pois acaba envolvendo muito mais a pessoa
do que uma simples página de revista. São peças que fazem o lugar comum, o
cotidiano, virar uma coisa diferente e chamar a atenção de quem passa nas
ruas.
Como adoro esse tipo de trabalho, selecionei para mostrar à
vocês duas idéias premiadas no Festival de Nova York deste ano.

A primeira faz uma brincadeira com uma coisa muito comum:
a porta de um ônibus. Criado pela agência Tandem DDB de Madrid na
Espanha, o anúncio divulga as balas Mini Mints da Smint.
A idéia é simples e excelente: Quando a porta está aberta, as
bocas ficam separadas e o casal não "se beija". Na escada do ônibus está
escrita a frase: "No Mini Mints. No Kiss.".
Assim que a
porta se fecha, as figuras se juntam e o casal "se beija". São peças como
essa que me fazem acreditar cada vez mais que: a genialidade está na
simplicidade.

A segunda ação foi criada pela agência IDB/FCB de
Santiago no Chile, para a distribuidora Andes Filmes.
Visando promover o lançamento do filme "A Casa da Colina",
os criativos da IDB fizeram uma verdadeira "sujeira" nos banheiros dos
cinemas chilenos.
Utilizando uma espécie de adesivo, eles
simularam sangue nas paredes, pias, espelhos e piso dos sanitários. Um
cartaz do filme ainda ajudava a decorar o cenário de terror.

Quando vi essa peça, fiquei imaginando a reação das
pessoas que entravam no banheiro e se deparavam com essa cena. Pense bem:
Você lá distraidão, se preparando para curtir um cineminha, entra no
banheiro e vê o lugar com sangue por todos os lados.
Até você se
tocar que aquilo é uma brincadeira, seu coração já quase pulou pela goela.
Isso é que é interagir pra valer com o consumidor, e que interação.
O anúncio da Smint ganhou Medalha de Prata e o banheiro
ensaguentado levou Medalha de Ouro no Festival de Nova York
de 2003.
Fala que eu te
escuto:
::.. Terça-feira, Setembro 23, 2003
..::
:: 17:04
::
Giving Up Smoking Já se foi o tempo em que fumar era sinônimo
de glamour, status, gente importante e bem sucedida. Hoje em dia, o
cigarro se tornou uma coisa careta, que fazem muitas pessoas terem
vergonha de dizerem que fumam.
Zilhares de campanhas anti-fumo já
foram feitas, aliás, a publicidade da indústria de tabaco sofreu um golpe
terrível nestes últimos meses. Nada de mostrar gente feliz ou praticando
esportes fumando, muito menos dizer que o cigarro o torna uma pessoa
diferente dos outros ou patrocinar festivais de música.
Esses
conceitos foram expressamente proibidos, e agora anunciar cigarros se
tornou uma tarefa árdua para os criativos das agências de publicidade. O
mesmo está acontecendo com as bebidas alcóolicas, e logo não veremos mais
comerciais onde o consumo é incentivado.

Claro que o cigarro
faz mal e todo mundo sabe disso, mas sou a favor de que cada um pode usar
a droga que quiser desde que não encha o saco dos outros. Inclusive sou a
favor da liberação de qualquer tipo de droga no Brasil, assim como fizeram
na Holanda e Portugal, países que tiveram seus índices de violência
comprovadamente diminuídos após essa medida.
Porém, para que esse
tipo de lei seja colocada em prática, é preciso conscientizar a população
dos riscos de cada tipo de droga. Aí funciona assim: "Você está avisado,
agora faça o que quiser."
No caso do cigarro é a mesma coisa.
Fumar é um direito de cada um, desde que isso não interfira na vida de
outras pessoas. É por isso mesmo que acho fantástico esse anúncio da NHS, uma
instituição do Departamento de Saúde do Reino Unido que combate o fumo.
O filme explora especificamente a questão dos fumantes passivos
que, mesmo não utilizando cigarros, acabando consumindo altas taxas de
nicotinas e outras porcarias por causa de terceiros.

Isso todo mundo já
sabe, mas o mais legal desta peça da NHS, é que ela fala de crianças que
fumam passivamente. Intitulado de "Kids Smoking", este anúncio foi
criado pela agência Abbott Mead Vicker BBDO e está no ar na Europa
desde Julho deste ano.
São imagens terrivelmente perturbadoras de
crianças felizes que exalam fumaça. E acredito eu, é justamente esse tipo
de linguagem que consegue captar a atenção dos espectadores: a linguagem
do impacto.
Campanhas assim costumam chocar as pessoas, e mesmo
que elas digam que não se abalam, acabam sendo tocadas pela mensagem.
Quando tudo isso envolve crianças então, a coisa ainda é mais forte, pois
nínguem quer ver seus filhos com os pulmões cheios de toxinas.
É
por isso que, dentre as dezenas de anúncios que combatem o fumo, considero
esse conceito da NHS um grande diferencial. A proposta aqui é: Não diga
que o cigarro faz mal para quem fuma, diga que faz mal para as pessoas que
ele ama.

E não podemos
esquecer que, além das imagens de crianças felizes, temos aqui uma trilha
sonora totalmente infantil, que nos remete ao quão as crianças são
indefesas, e ajudam a potencializar o impacto causado pelo anúncio.
No final, a locutora fala: "Quando você fuma perto de crianças,
elas fumam também. E todo ano mil crianças chegam aos hospitais com
problemas respiratórios porque inalaram fumaça de cigarro."
Clique aqui para fazer o download do filme em
formato .mov. O arquivo tem 1.59 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Segunda-feira, Setembro 22, 2003
..::
:: 18:40
::
Brainstorm #9 no Ibest 2004

Todo
publicitário gosta de ganhar prêmio e, logicamente, eu que ainda estou
treinando para ser um, também já quero estar íntimo deste mundo do glamour
quando eu (quem sabe) me tornar um profissional famoso. :)
Por
isso mesmo que inscrevi o Brainstorm #9 no Prêmio Ibest
2004. Se eu mereço ser um cara treinado em premiações, vocês é que vão
decidir.
São 3 categorias que este blog está participando. Caso
queira votar, clique no link da categoria abaixo:
Ibest Blog!
Entretenimento
Pessoal Entretenimento
Agradeço a quem
votar. Se eu ganhar o Ibest e nunca for pra Cannes, pelo menos já poderei
fazer um discurso de agradecimento uma vez na vida. :)
Fala que eu te
escuto:
:: 11:38
::
O poder dos quilates Muita gente já recebeu por e-mail essa
série de anúncios impressos da Joalheria Natan, mas para quem ainda
não conhece, vou publicar os melhores aqui.
Criados pela agência
F/Nazca, as
peças chegam até a causar polêmica pelo forte conteúdo machista, mas não
há como negar, são excelentes e muito divertidas.
Ao invés de classificar como machista, prefiro chamar esses
anúncios da Natan de bem humorados. Os quatro primeiros fazem uma relação
da visão feminina antes e depois de uma jóia Natan, e o último mostra como
para o "amor" não existe idade, desde que exista um agrado bem valioso.
Nenhuma das peças tem título, apenas a assinatura da anunciante:
Natan Joalheria. O poder dos quilates.
Claro que muitas
mulheres irão criticar os anúncios, que querendo ou não, as chama de
interesseiras. Mas lembrem-se, a campanha não é direcionada ao público
feminino e sim aos homens endinheirados que procuram agradar suas
(futuras) companheiras.
E pensando nisso, são peças extremamente criativas e com uma
linguagem muito simples. Não é preciso dizer nada, apenas a imagem. E o
humor como argumento, desde que bem usado, sempre funciona.
Se
você é feio, tem corpo em forma de pêra, de uma jóia Natan que isso pouco
importará. Na quinta peça, é preciso um pouco mais de observação: preste
bem atenção nas mãos. Simples não é? E o anúncio não precisa lhe dizer
nada, você é que tira suas próprias conclusões.
Os anúncios foram
publicados em 2001 e circularam em diversos anúarios de propaganda pelo
mundo afora.
Fala que eu te
escuto:
:: 10:03
::
Comentários dos comentários - Parte II Passei o fim de semana
fora e quando chego na segunda-feira, vejo que os comentários do
Brainstorm #9 estão bombando.
Eu que comecei esse blog sem
maiores pretensões, apenas querendo expor algumas opiniões, hoje olho para
tudo isso e penso: "Putz, criei um monstro!". Hehehe :)
Mas
fico muito feliz com isso, e agradeço todos vocês que entram aqui e
participam do blog. Espero que cada vez mais pessoas continuem deixando
também suas opiniões aí nos comentários. Sempre que possível tentarei
responder, como farei agora. Para não ficar um texto cansativo, dividirei
em tópicos.
Mas antes, peço desculpas as pessoas que não
conseguiram fazer o download do anúncio da Bauducco, prometo que
nunca mais hospedarei nada no Geocities para evitar esses transtornos.
- Comerciais das Forças Armadas
Como bem lembrou o
Felix, os anúncios das Forças Armadas são medonhos. Produção ruim,
texto ruim e atores amadores. Tudo bem, vamos compreender que o baixo
orçamento é a causa disso, mas já que o Lula é o nosso presidente,
deveriam deixar todos esses comerciais do governo a cargo do Duda
Mendonça e sua equipe.
- Campanha da Nova Schin
Algumas pessoas tem me perguntado sobre o que acho da campanha da
Nova Schin e, sinceramente, não existe muito o que se opinar neste
caso.
Não é um peça publicitária que vai ser premiada e nem
elogiada por sua criatividade mas, sem sombra de dúvidas, é uma campanha
que funciona, ou melhor, está funcionando. É isso o que interessa para a
Schincariol e para a Fischer America, agência responsável
pela conta da cervejaria.
Mercadologicamente, tenho a absoluta
convicção de que o tal "Experimenta! Experimenta!", caiu como uma
luva. Celebridades, gente bonita e o Zeca Pagodinho, um bebum de primeira
que só bebe uma marca de cerveja experimentando a Nova Schin.
É só
ouvir os comentários das pessoas que você conhece. Tudo mundo já assistiu
o comercial e se você disser por aí: "Experimenta! Experimenta!",
qualquer um vai lembrar: "Ah, é aquele comercial da nova
Schincariol".
Apesar de eu gostar de ver a publicidade como
uma forma de arte, nunca me esqueço que a função dela é vender, adequar
linguagens e falar com um público definido. E quanto a isso, não há o que
se criticar a campanha da Nova Schin.
- A desmistificação da
publicidade
Este texto eu publiquei originalmente aqui no
Brainstorm #9 no dia 21 de Abril deste ano. Porém, perante aos comentários
de algumas pessoas que insistem em dizer que a publicidade é o cancêr do
mundo, que as pessoas são manipuladas e todo aquele velho blábláblá, vou
repetí-lo aqui.
Podem não concordar a vontade, logicamente, mas
essa é a minha visão do que é a publicidade:
Acho incrível essa
gente que insiste em discutir a ética na publicidade, e o pior, grande
parte desta gente está dentro da própria publicidade.
Detesto
aquela balela dirigida ao grande público de que: "a propaganda é feita
para ajudar você a viver melhor". Como disse Roberto Menna Barreto já na
década de 1980, isso é uma conversa fiada que poucos homens de criação,
realmente competentes reconhecem como verdadeira.
A propaganda só
ajuda os "donos" da propaganda a viverem melhor (anunciantes, agências e
veículos), nínguem mais. E o que há de absurdo nisso?
Nós vivemos
num determinado sistema econômico, político e cultural, que é o de
economia de mercado. Se ele é bom ou mau, cabe a cada um julgar. Agora, o
que todos concordarão sem dificuldades, é que todas as atividades e
profissões dentro desse sistema estão condicionadas por ele. A engenharia,
a medicina, o jornalismo, a religião e tantas outras...
Somente a
propaganda comercial não está condicionada pelo sistema. Ela é o sistema!
E o é abertamente, confessamente, como matéria paga.
Sendo mais
claro, a publicidade está abertamente dizendo a todos, que veio apenas
para ganhar dinheiro, dar lucros, sem maiores pretensões humanitárias. A
função da propaganda é vender, fazer circular mercadorias. Que escândalo
há nisso?
As pessoas precisam colocar de uma vez por todas na
cabeça, que a propaganda não esta aí pensando em ajudar você. Se a
Coca-Cola gastou milhões em um único anúncio de televisão ou revista, é
preciso ter convicção de que aquilo - abertamente, caracterizadamente -
não foi feito com a intenção de matar a sede de nínguem. Tudo foi criado
única e exclusivamente para fazer você abrir a tampinha da garrafa, e
assim, gerar dividendos para a empresa.
Portanto, não adianta
viver na lenda de que a Coca-Cola Company, ou qualquer outra grande
multinacional, veio para o Brasil antes de tudo para ajudar a nos
transformar em potência e, em segundo lugar, para proporcionar a todo
brasileiro o melhor acompanhamento possível para seus pratos típicos, como
um Big Mac ou uma Pizza Hut.
Chega de insistir no caráter
"benemérito" da propaganda.
Fala que eu te
escuto:
::.. Quinta-feira, Setembro 18, 2003
..::
:: 13:01
::
O Natal chega com ele Ainda faltam três meses para o Natal,
mas como todo ano, lá pela metade de Novembro começam surgir as campanhas
publicitárias pensando em aproveitar o espiríto natalino que floresce nas
pessoas.
E além daqueles comerciais estilo varejão que oferecem os
mais variados produtos financiados em 12 meses, temos também a
oportunidade de conferir excelentes e criativos anúncios nesta época do
ano.
Um exemplo é este filme da Bauducco que foi exibido no
final de 2001. Talvez vocês até se lembrem dele, já que é uma peça
relativamente recente. Criado pela AlmapBBDO, o anúncio
inicialmente parece ser mais um daqueles típicos conceitos de Natal, onde
pessoas felizes se cumprimentam, comem ao redor de uma farta mesa,
distribuem presentes e por aí vai. Mas, neste caso, felizmente temos mais
que isso.
Intitulado de "Abraços", o anúncio começa mostrando pessoas
se abraçando, parecem parentes, uma família desejando feliz natal. Uma
velhinha abraça uma criança, o homem mais novo abraça o mais velho, um
casal se cumprimenta. Tudo com bastante emoção e aquela trilha sonora de
sempre usada pela Bauducco em suas campanhas.
Até que em meio toda
aquela confraternização alguém chama: "Pessoal, pessoal!". E aí se
revela a surpresa. Vou parar minha descrição por aqui, pois senão acabarei
com a graça do comercial. Veja você mesmo.
É um
anúncio que conta com uma grande dose de humor e foge do lugar-comum
utilizado nas campanhas natalinas. Além disso, temos um elemento surpresa
bastante inesperado e espirituoso. Vale a pena conferir e dar boas risadas
com o que os Panettones Bauducco fazem com as pessoas.
O
filme em formato .mpeg está compactado em um arquivo .zip de 4.96 MB.
Descompacte utilizando um WinZip da vida e divirta-se.
Clique
aqui com o botão direito e vá em "Salvar destino como..."
para fazer o download, ou se preferirem, utilizem gerenciadores como o
GetRight. Ah, lembrando a todos que hospedei o anúncio no Geocities
e, como eles são meio chatos, não sei por quanto tempo o arquivo ficará no
ar. Qualquer problema me avisem, que tentarei disponibilizar o filme em
outro lugar.
Fala que eu te
escuto:
::.. Quarta-feira, Setembro 17, 2003
..::
:: 09:33
::
Memória Brainstormiana

Estou
vendo que o pessoal que visita o Brainstorm #9 está mandando ver
nos comentários. Valeu galera, pelos elogios e pelas opiniões de vocês.
Porém, estou aqui para lembrar a todos que o blog tem a seção Arquivo,
com o link permanente aí na barra lateral. Estou dizendo isso pois algumas
pessoas estão pedindo anúncios que já foram publicados aqui, como "A
Semana" da Revista Época, alguns da Disney, BMW, Pepsi, Audi, Nike e
etc.
Principalmente do mês de Abril em diante, vocês poderão
encontrar a maioria dos comerciais comentados aqui. Portanto, quem der uma
passadinha na seção Arquivo
vai poder se divertir com alguns dos melhores anúncios do mundo.
Clique
aqui para visitar o Arquivo.
Fala que eu te
escuto:
::.. Segunda-feira, Setembro 15, 2003
..::
:: 11:22
::
Mentiras com verdades Qualquer brasileiro que queira ser
publicitário, já é um cara de sorte desde que nasceu. Tem sorte porque
nasceu na terceira maior "potência" em publicidade do planeta. O Brasil
sem dúvida alguma é um dos melhores países para se fazer publicidade,
sendo uma das mais criativas e premiadas do mundo, ficando atrás apenas de
Inglaterra e Estados Unidos.
Infelizmente o mercado aqui é
pequeno, a publicidade brasileira é um ovo onde todo mundo se conhece. Se
você faz alguma coisa legal, rapidamente todos ficarão sabendo e se você
fizer alguma besteira, não tenha dúvidas, ficará queimado em todas as
agências. Portanto, é preciso ter talento, contatos e muita sorte para se
dar bem nessa profissão.
Por isso mesmo, tenha certeza, quando
após muita insistência e trabalho você conseguir entrar em uma (boa)
agência brasileira, você estará dentro do que há de melhor na publicidade
mundial. Exemplos disso, são as zilhões de peças brasileiras que se
tornaram memoráveis e exaustivamente premiadas mundo afora. Se alguém me
perguntar qual anúncio tupiniquim considero o melhor, confesso, não
saberia responder.
Porém, se tem um comercial brasileiro que me
vem a cabeça sempre que penso nos melhores, nos tops, é o "Hitler"
da Folha de São Paulo. Criado pela W/Brasil, o anúncio foi
ao ar no final de 1987 e se tornou um marco da publicidade.

Isso porque além
de uma idéia maravilhosa, o filme carrega um elemento surpresa que
poderiamos chamar de assustador. Quando visto pela primeira vez, o
espectador não espera que o fechamento seja aquele e chega a se perguntar:
"Como isso é possível?".
O anúncio tem um forte conteúdo
político e começa mostrando apenas pontos pretos, as retículas do jornal.
Essa imagem vai se afastando enquanto o narrador exalta feitos de uma
pessoa até então desconhecida:
"Este homem pegou uma nação
destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho a seu povo. Em seus
quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6
milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto
crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou os lucros das empresas
de 175 milhões para 5 bilhões de marcos. E reduziu uma hiper-inflação a no
máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura, e quando jovem
imaginava seguir a carreira astística."

No final da
narração, a imagem da retícula enfim se revela: é Hitler, o ditador
nazista alemão. É como um tapa na cara e você diz: "Caramba, eles me
pegaram!". E a conclusão com o narrador dizendo: "É possível contar
um monte de mentiras, dizendo só a verdade."
E eu te pergunto:
que mentiras são essas? O comercial não diz, a gente é que pensa. Nós
ouvimos a narração e pensamos logo em uma pessoa boa, um político honesto
e competente. Essas são as mentiras que o próprio texto do anúncio cita
mas não especifica quais são, o espectador é que chega sozinho a uma
conclusão errada antes de ver quem é.
Aventura visual, elemento
surpresa e um texto arrebetador escrito pelo Nizan Guanaes e Washington
Olliveto, sem contar os efeitos sonoros que se encaixam perfeitamente no
conceito, tornaram este filme um clássico, ganhador de inúmeros prêmios,
inclusive o Leão de Ouro no Festival de Cannes de 1988.
Além disso, é um dos dois únicos comerciais brasileiros e
ibero-americanos na lista dos cem melhores de todos os tempos, publicada
em 2000 por Berneci Kanner. (Lista da qual discordo, pois só duas peças
brasileiras é uma piada.)

"Hitler" é um
comercial tão bom pois causa impacto, prende a atenção e faz o próprio
espectador repensar tudo aquilo que ouviu e o que já sabia. É por isso
mesmo que se tornou uma peça tão lembrada e premiada até os dias de hoje.
Clique aqui para fazer o download do anúncio em
formato .mov. O arquivo tem 1.92 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Sábado, Setembro 13, 2003 ..::
:: 00:08
::
11 de Septiembre O segundo aniversário do fatídico dia 11
de Setembro aconteceu nesta semana que passou. Na quinta-feira muitas
pessoas relembraram e a imprensa fez questão de cutucar ainda mais o
assunto.
Eu liguei a TV de manhã antes de ir para agência, e o que
vi foi praticamente todos os canais falando sobre o ataque ao World
Trade Center. Chegaram inclusive a colocar repórteres ao vivo em New
York, como se estivessem esperando por um novo trágico acontecimento.
Como já disse nesse blog há algum tempo, não sou anti-americano.
Inclusive causei bastante polêmica aqui quando disse que era a favor da
Guerra do Iraque. Porém, acho que fazem tanto estardalhaço com o 11 de
Setembro, que todo o mundo se esquece do resto.
Logicamente um erro
não justifica o outro. Aliás, nada justifica esse genocídio. Mas não custa
lembrar que vários lugares no mundo estão passando por problemas ainda
mais graves do que a queda de dois prédios faraônicos.
Sim, muitas
pessoas morreram, mas como bem lembrou a organização Médecins du
Monde (Médicos do Mundo), não é só em New York que morrem milhares de
pessoas.
Com um anúncio bem impactante criado pela agência
espanhola The Farm
Creative Factory, vemos o World Trade Center caindo em todos os
dias da semana: "Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira,
Quinta-feira..."
E logo em seguida o
texto: "Para alguns países, todos os dias são 11 de setembro. Na África
Subsahariana morrem diariamente mais de 3.000 pessoas por falta de
assistência médica."
É realmente um tapa na orelha de quem
acha o dia 11 de Setembro de 2001 a grande tragédia da humanidade e se
esquece de olhar o resto do mundo. O comercial se refere apenas as pessoas
que morrem por falta de assistência médica, sem contar quem morre de fome,
em guerras civis e etc, todos os dias.
Intitulado de "September
11th", o filme ganhou o Sol de Bronze no Festival
Publicitário Iberoamericano 2003, que aconteceu na cidade de San
Sebastián na Espanha.
Clique aqui para fazer o download do comercial em
formato .mov. O arquivo tem 1.03 MB.
E para descontrair um pouco,
deixando esse assunto sério de lado, aproveite para brincar na seção Interativa do site da agência The Farm Creative
Factory. Lá você vai poder prender seu mouse em uma ratoeira e caçar
tantos outros.
Fala que eu te
escuto:
::.. Sexta-feira, Setembro 12, 2003
..::
:: 13:11
::
Prevenção Gosto muito de anúncios institucionais bem feitos
que defendem uma causa e nos incitam a reflexão. Geralmente, os bons
comerciais deste tipo são impactantes e pegam o espectador de surpresa.
Um exemplo são os filmes do CVV - Centro de Valorização da
Vida criados pela agência Leo Burnett. Inclusive, eu estou
desesperadamente a procura de um deles para publicar aqui no Brainstorm
#9. Aquele em que uma garota vai andando até o fundo do mar enquanto
toca a música Glory Box do Portishead. Quem souber onde
posso encontrá-lo, ficarei muito agradecido.
Bom, mas como por
enquanto eu não tenho esse filme ele fica para outra ocasião. Por isso,
vou falar agora sobre um anúncio espanhol de 1994 que também aborda um
assunto importante e conta com um grande impacto.

Intitulado de
"Two Breast", este filme foi criado pela agência Delvico Bates
Barcelona para a AECC - Associação Espanhola Contra o Cancêr.
Ele começa nos mostrando cenas de mulheres nuas que, pegas desprevenidas,
escondem os seios.
Até então não sabemos qual o sentido dessas
várias cenas em seqüência, apenas vemos moças se enrolando em toalhas e se
trocando. Porém, no final vemos a mensagem que nos pega de surpresa:
"Se você sente vergonha em mostrar seus dois peitos. Imagine mostrar um
só.". E logo em seguida: "Visite seu ginecologista pelo menos 1 vez
por ano."
É simples, curto e direto. Um tipo de comercial sem
produção hollywoodiana, que chama atenção apenas pela sua mensagem muito
bem elaborada. Existe muita coisa para se falar sobre o cancêr de mama e o
porque a doença deve ser prevenida, atualmente muitas campanhas são feitas
nas mais diversas mídias, quase sempre usando gente famosa e celebridades.

Mas o filme da AECC
se foca apenas naquilo que pode causar mais trauma nas mulheres. Fala
pouco, com simplicidade, mas com eficiência e objetividade. Não tenho
dúvidas de que o conceito deste comercial tenha conseguido atingir em
cheio o seu público-alvo.
O anúncio ganhou o Leão de Ouro
no Festival de Cannes de 1994, e a produção ficou por conta da
brasileira JODAF. Clique aqui para fazer o download do filme em
formato .mov. O arquivo tem 2.19 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Quinta-feira, Setembro 11, 2003
..::
:: 14:08
::
Brainstorm #9 no CCSP

Ao contrário do que disse a Juliana nos
comentários do post abaixo, eu respondo e visito os sites das pessoas que
passam por aqui sim. É só procurar nos comments que você vai achar uma ou
outra palavrinha minha por lá. Inclusive tem um post logo aí abaixo que se
chama: "Comentários dos comentários". :)
Um exemplo de como
eu estou sempre de olho nos comentários, foi o alerta que o Carlos
Felipe me deu no post abaixo. Graças a ele descobri que o Bruno
Porto, da Porto+Martinez Design, indicou o Brainstorm
#9 no Clube de
Criação de São Paulo.
Eu que comecei com esse blog bem
despretensiosamente, e ainda estou apenas iniciando na área, nem imaginava
que teria uma indicação no meio dos grandes e renomados profissionais da
publicidade e do design. Agradeço ao Bruno Porto e a todos os visitantes
deste blog. Muito obrigado pelas indicações e pelo prestígio de vocês.
Segue o que disse o Bruno no CCSP:
Bruno Porto, da
Porto+ Martinez, indica o blog Brainstorm #9. De quebra, confira o The
Evil Twin, da Ford...
Produto do 'cérebro' do jovem estudante de
design Carlos Roberto Merigo Filho, o Brainstorm #9 é realmente supimpa.
O cara é um fuçador-antenado-descolado que resgata diversas
referências e campanhas que rolam mundo a fora. Seu toque mais recente diz
respeito ao site The Evil Twin, da Ford (link abaixo) que reposiciona o
Ford SportKa e, de fato, também vale a visita. Divirta-se.
Clique aqui para acessar diretamente o link do
comentário do Bruno Porto no CCSP.
Fala que eu te
escuto:
::.. Quarta-feira, Setembro 10, 2003
..::
:: 11:23
::
The Triumph Of Evil Over Good Vocês certamente conhecem o
Ford KA, um carro popular não muito bonito e que aqui no Brasil é
odiado por muita gente. Muitas pessoas o chamam de Ford KU: feio por fora
e apertado por dentro.
Mas parece que a Ford quer começar a
mudar essa história. A montadora lançou no Reino Unido uma nova versão do
carro, chamada SportKA. Apelidado de Evil Twin, o veículo
foi concebido para ser a versão "má" do velho Ka. Porém, o que seria dessa
intenção sem uma grande estratégia de marketing? Nada.

É por isso mesmo
que a filial britânica da agência Ogilvy & Mather, preparou uma grandiosa
campanha para o lançamento do SportKA. O que mais me chamou atenção na
linha de comunicação adotada pela Ogilvy, foi o conceito de "irmão gemêo
diabólico".
Além de um anúncio que já está sendo veiculado na
Europa, a agência colocou no ar um excelente site como
se fosse uma página de um filme de terror. Com animações em flash e uma
exemplar direção de arte, o site é muito envolvente e tem ótimas sacadas e
um desenvolvimento criativo muito forte.
A página apresenta
histórias, depoimentos de "vitímas inocentes" e todo um conceito baseado
em filme. Tem até um policial que investiga os "crimes" e declara: "É
difícil entender como um carro de sucesso, muito popular, pode ser tão
perigoso".
No anúncio feito para televisão, que certamente
deve causar polêmica com alguma organização de defesa dos animais, o Evil
Twin não permite que um pássaro pouse em sua capota, mandando-o para
longe. É um filme com uma dose de humor negro, uma brincadeira lógico, mas
que vai fazer muita gente chata reclamar.

E porque eu digo
que o conceito dessa campanha é maravilhoso? Simplesmente porque ele se
encaixa perfeitamente com a proposta da Ford. É ideal para a nova imagem
que a empresa quer dar ao Ford KA. Não me espantaria se eu soubesse que a
idéia desta linha de comunicação surgiu no próprio briefing.
Pense
você no Ford KA que temos aqui no Brasil, o que lhe vem a cabeça? Talvez
um carro frágil, com pouca potência, um veículo popular sem muitos
atrativos. Muitos o consideram "carro de mulher", e juro que não é
machismo de minha parte.
Já o SportKA é um carro mais robusto que
sua versão original. Tem motor 1.6, rodas aro 16, suspensões esportivas e
toda uma série de filuras que o tornam um veículo sport. Logo, era preciso
mostrar ao mundo que o novo KA é um carro agressivo, diferente de seu
"irmão bonzinho".

E a forma
criativa encontrada pela agência de fazer isso, foi montar uma estrutura
de comunicação que passe a imagem de um carro forte. Tudo isso com um
conceito de terror e maldade. Uma brincadeira muito legal e uma bela
sacada do pessoal da Ogilvy.
Vale muito a pena conhecer o site. Lá
estão disponíveis papéis de parede, filmes e screen savers para download.
Entre e perceba como cada detalhe é mostrado como se fosse um filme. Clique aqui para
acessar o site
Não deixe também de conferir o anúncio do
SportKA. Clique aqui para fazer o download do filme em
formato .mpg. O arquivo tem 1.04 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Segunda-feira, Setembro 08, 2003
..::
:: 11:05
::
Audi A2 não enferruja O que vocês acham de produzir uma placa
com um anúncio que apenas será visível após algumas semanas, quando toda a
mídia já estiver sido corroída pela ferrugem? Pois é, foi exatamente isso
que a filial alemã da agência Saatchi&Saatchi fez.
Para divulgar o
novo Audi A2 que é todo fabricado em alumínio, a agência criou um
anúncio que inicialmente não passava de uma placa de metal lisa, sem nada
inscrito. Porém, no tempo úmido da primavera da Dinamarca (onde a placa
foi instalada), o metal não durou muito tempo.

Em apenas uma semana a ferrugem começou a revelar o
anúncio, já que a parte da placa que não era feita de alumínio foi sendo
corroída.

No final de um mês, toda a placa já tinha sido atacada
pela ferrugem e o anúncio ficou então totalmente visível. A imagem do
carro e o título: "All Aluminium Audi A2", protegidos pelo
alumínio, permaneceram intactos.

Toda essa produção para dizer: Alumínio não enferruja,
logo, o Audi A2 também não. Simples, mas uma idéia fantástica não é mesmo?
A peça foi premiada com o Leão de Ouro no Festival de Cannes
2003 e com o Lápis de Ouro no One Show 2003.
Aliás, aproveito para lembrar que a Exposição One Show 2003
está rolando na Escola Panamericana de Arte e vai até o dia 18 de
Setembro. Tem muita coisa legal, incluindo uma porrada de peças
brasileiras. Vale a pena conferir.
Fala que eu te
escuto:
::.. Domingo, Setembro 07, 2003 ..::
:: 11:24
::
Comentários dos comentários Como diria Jack, vamos por partes.
Devido a indicação do Bloggerman, muita gente anda deixando
comentários aqui no blog.
Valeu galera. Agradeço muito a
participação de vocês e fico feliz em saber que estão curtindo o
Brainstorm #9.
Concordo com o que o Anderson falou,
apesar do comercial das "Formiguinhas" ser um clássico, acho que a
fixação da marca não foi boa. Eu mesmo me confundi uma vez aqui no blog
quando citei esse anúncio. Eu disse que era da Gradiente, mas uma leitora
me mandou um e-mail me corrigindo. Senão fosse isso, nem lembraria da
Philco.
O Todesco me perguntou qual comercial brasileiro eu
considero melhor, em termos de criatividade. Sinceramente, não sei cara.
Acho muito difícil eleger apenas um no meio de tanta coisa boa.
Eu
gosto muito do anúncio "A Semana" da revista Época, que inclusive
já publiquei ele aqui, e acho que é um dos "tops". Tem o "Hitler"
da Folha de São Paulo também, que acho fenomenal. Mas sinceramente, não
sei dizer se é o melhor.
Para finalizar esse post, vou esclarecer
uma "dúvida" do nosso amigo FRODO, que disse que eu não sou
humilde. Ele disse que sou prepotente por causa da frase: "E meu
objetivo é conquistar a América do Sul, a Oceania e mais um terceiro
continente a minha escolha.", que publiquei ai na barra lateral.
FRODO, isso é só uma brincadeira, uma ironia. Você nunca jogou
War na sua vida? :)
Quem já jogou esse clássico dos
tabuleiros sabe muito bem de onde vem essa frase. De resto, muito obrigado
pessoal. Continuem visitando e deixando seus comentários.
Fala que eu te
escuto:
::.. Sábado, Setembro 06, 2003 ..::
:: 00:15
::
Um tapa na orelha Já que o BloggerMan indicou o
Brainstorm #9 no What's Up deste dia 5 de Setembro, não poderei
deixar os novos visitantes e os velhos amigos deste blog sem uma novidade
para o fim de semana.
Bom, não é bem uma novidade. Na verdade, é
um clássico da publicidade brasileira. Acho que qualquer pessoa que não
tenha vivido em uma caverna nos últimos 7 anos, deve ter assistido esse
comercial.
Trata-se do antológico "Formiguinhas", o anúncio
da Philco que foi exibido no ano de 1996 e desde então virou
referência quando o assunto é publicidade. Foi uma peça muito comentada
pelo público e, como não poderia ser diferente, premiada com o Leão de
Ouro no Festival de Cannes daquele ano.
Criado pela
agência F/Nazca, o filme usa uma aventura visual com
muito humor para mostrar a potência da linha de som Applause da
Philco. É uma idéia simples mas muito bem sacada. Um pequeno detalhe usado
para falar muito com muito pouco.
Além do mais, ainda conta com o
elemento surpresa, já que de início o espectador não sabe porque as tais
formigas estão sendo jogadas longe, e o pior, porque parecem estar
gostando daquilo.
Claro que bichos
sempre, ou quase sempre, dão certo em comerciais, principalmente se forem
cães e gatos. Porém, este anúncio mostra que nem só de bichos peludos e
felpudos vive a propaganda. Quem diria que minúsculas formigas brincando
num aparelho de som causariam tanta empatia com o público? Ainda mais num
anúncio produzido praticamente todo em computação gráfica.
Fez
tanto sucesso, que a campanha teve até continuação. A Philco lançou tempos
depois uma nova linha de som ainda mais potente, e o novo comercial
mostrava as mesmas formigas brincando nas caixas de som, só que desta vez
usando capacetes, já que batiam com a cabeça na parede.
Sem dúvida alguma
é um clássico, e vale muito a pena relembrar este anúncio que entrou para
história da publicidade brasileira.
Clique aqui para fazer o download do comercial em
formato .mov. O arquivo tem 2.83 MB.
Fala que eu te
escuto:
::.. Terça-feira, Setembro 02, 2003
..::
:: 09:55
::
Let's Motor Lembram daquele outdoor de Portugal que eu comentei aqui há algum
tempo atrás? Pois então, existe um frontlight da MINI, uma
fabricante de automóveis bastante conhecida nos EUA e Europa, que segue
basicamente o mesmo conceito: o de utilizar o ambiente real como parte
integrante da idéia.
Criado pela agência americana Crispin Porter +
Bogusky, a peça certamente devia chamar muita atenção aonde foi
colocada, se é que não está lá até hoje. O frontlight foi colocado no meio
do mato, próximo a uma estrada, e duas palmeiras foram presas inclinadas a
estrutura da mídia para passar a mensagem.
O resultado é esse que
você confere na imagem: "o carro passando muito veloz e levando tudo o que
está em seu caminho". Realmente uma ótima sacada, mas que deve ter exigido
um trabalho hérculeo por parte de quem teve que prender as duas árvores no
frontlight.

Fala que eu te
escuto:
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