O paradoxo do “novo que já tenha histórico de bons resultados”
Há alguns dias, o Daniel Sollero avisou sobre uma apresentação que ele havia subido para o SlideShare, intitulada “The Fake Innovator’s Dilemma”. Trata-se da apresentação de um paradoxo que se encara diariamente: ao mesmo tempo que o falso inovador quer algo novo e original, ele procura uma solução segura, com um histórico de sucesso comprovável.
Vale a pena bater um pouco nesta tecla, já que muitos daqueles que querem inovar não parecem perceber quando o seu briefing pede um absurdo destes.
Afinal, o que define realizar algo novo? Seria a vontade de fazer como uma marca arrojada faz? Talvez. O problema é quando o briefing pede para fazermos exatamente o que uma marca arrojada realiza. Diferença sutil ao primeiro olhar, mas que é fácil de perceber quando a peça está na rua.
Se buscamos a novidade ou a forma de fazer da novidade um atributo da marca, não podemos oferecer como solução aquela que estão todos procurando, a não ser que efetivamente tenhamos algo de novo para contar. Se o Twitter é a bola da vez, vale a pena lançar uma conta na ferramenta apenas para constar? Se o site institucional de agência está com os dias contados, vale a pena lançar uma simulação de presença digital, com meia dúzia de fotos no Flickr, um vídeo no YouTube e um verbete apagado na Wikipedia? Só porque alguém já fez? Acho que não.
Também não parece que vale a pena ser o só o primeiro a usar determinada tecnologia. Cases como “o primeiro vídeo interativo publicitário no YouTube” ou “a primeira empresa brasileira a utilizar QR Codes” falam muito pouco se não estiverem bem amparados por uma boa idéia. Não é o caso de usar uma ferramenta nova por usar. Cairemos fatalmente no erro de apenas constar ali.
No fim das contas, a questão de inovar pode ter releituras do passado. Pode comportar até o que uma empresa mais descolada já fez por aí. Mas é o caso de ter algo novo para contar. Alguma outra faceta ainda não explorada, algum feature matador. Algo que transforme aquele esforço de comunicação em único, e não mais um numa ruidosa pilha de intervenções diárias que temos que agüentar.
Em suma, eu posso até considerar o que uma outra empresa já fez. Mas para fazer diferente, da concepção criativa às metas de sucesso, para estabelecer um diálogo ainda mais eficiente com os meus consumidores, para, enfim, fazer algo que seja pertinente.
Se eu fosse um cliente e precisasse “inovar”, talvez fosse isto o que eu pediria à minha agência. Mas enquanto eu sou agência, não custa sonhar.










Como a gente dizia no mercado de informática: “Ninguém nunca foi demitido por escolher usar Microsoft.”
[...] O paradoxo do “novo que já tenha histórico de bons resultados” continua em brainstorm9.com.br [...]
Se essa apresentação atingir os clientes e for o suficiente para que eles parem e pensem, já me sinto feliz.
É frustrante demais receber um briefing em busca de novas idéias e na hora H, o cliente dar para trás e ficar com o que é seguro.
Se as pessoas tiverem sempre medo de arriscar vão sempre manter o status quo e, eventualmente, serão atropeladas pela inovação.
E isso serve em qualquer segmento. Não apenas na publicidade.
Publicitátio há 27 anos… me deparei sempre com essa situação!
Hoje lutando para decolar minha própria agência,que tem como filosofia principal inverter os caminhos da comunicação tradicional, encaro essa situação sempre! Os clientes adoram nossos projetos e idéias novas e arrojadas, mas no final escolhem permanecer com a agência que atende a conta há anos!
Concordo com o Daniel Sollero, se o cliente passar a entender alguma coisa, já será um passo positivo. Isso me faz lembrar de um sonho antigo: criar uma “Faculdade para Clientes”, onde eles poderiam aprender a ser…clientes! É como uma frase que ouví no departamento de atendimento, após receber um desse maravilhosos briefings do cliente:- Existem 2 tipos de clientes. Os bons e os nossos.
E olha só o que me aparece nos intertubos: ‘Melhor emprego do Brasil’ paga R$ 100 mil para cuidar de ilha no Rio.
Inovador! Criativão!
Outro dia eu comentei, os clientes sempre vem com o mesmo discursso: “QUERO ALGO DIFERENTE”. Diferente nada… se eu fizer algo diferente vou ter que refazer, refazer, refazer novamente… O que ele quer é: O QUE O CONCORRENTE ESTÁ FAZENDO, MAS COM A CARA DELE!!! Ou seja, é preciso enxergar o concorrente, espremer o que ele está fazendo e o resultado está aparecendo e depois, PLIM PLIM… aparece o que o cliente pediu…
Se por acaso, você tentar fazer algo diferente… você vai ter que refazer, refazer, refazer novamente e quem sabe… depois de cansado, você faça o que ele pediu e ele aceita!!!
Merigo… estou usando GOOGLE CHROME e WINDOWS VISTA 64. Acho que o wordpress ou seu blog não está reconhecendo essa configuração.
Uma das coisas mais legais da palestra do Chuck Porter foi justamente nessa pegada.
Ele dizia sobre trabalhar com a 2a marca do ranking.
Por exemplo… se a pepsi quer concorrer com a coca, tudo o que ela deve fazer é seguir o caminho criativo oposto.
De nada vai adiantar ela se espelhar na líder e tentar chegar no posicionamento que a outra já chegou.
Principalmente com internet, a falta de cultura e de culhões dos clientes, e as vezes até da agência, arruinam projetos criados pra serem arrojados, ou nem saem do papel.
Juro que não vejo solução rápida pra isso não.
Os poucos que conseguem inovar no Brasil, só fazem isso porque vem criando cultura na cabeça do cliente por muitos anos. Um mini case atrás do outro, até conseguir colocar um projetão do cacete na rua.
Esse momento tá complicado.
Concordo Rodrigo…
Muito complicado aplicar a mesma solução do concorrente desejando êxito!!!
Algo muito cético para um concorrente… mas também, algo complicado de colocar na cabeça dele… principalmente se ele não tem condições de chegar perto do concorrente… algo muito comum… mas ele acha que tem total competência, produto e marketing para tal…
Infelizmente, na minha visão, hoje temos MUITOS CLIENTES ENTENDIDOS… QUE SE CLASSIFICAM COMO GRADUADOS E EXPERIENTES NA COMUNICAÇÃO…
Esse texto, ilustra um pouco do nosso dia-a-dia (com ou sem hífem) http://fabiolody.blogspot.com/2009/07/o-cliente-criativo.html
Em determinados momentos, somos uma simples prostituta no meio publicitário, estamos dispostos (ou pelo menos nos comportamos) a aceitar e fazer o que é solicitado por quem tem o budget na mão…
Não sou a favor, pelo contrário… acredito que o conhecimento adquirido por quem constantemente encontra situações, onde é necessário para pensar é muito maior do que um consumidor que explana: EU QUERO ASSIM!!!
Sim, muito importante lembrar que ficar dizendo “mimimi, meu cliente não deixa fazer o que eu quero” não é a solução. Muitas vezes a idéia morre dentro da própria agência. Na maioria das vezes na hora de fazer o orçamento.
Como diria um amigo meu: O MBA é o mal do homem. =)
Bem colocado. Afinal, se todo mundo fizesse uma comunição diferente e inovadora, não haveria espaço no na mente para “assentar” uma marca – e naturalemente o próprio processo de se fazer sempre algo novo seria obsoleto e qualquer inovadora comunicação se transformaria em paisagem.
Cliente pedindo pra inovar tem de monte, mas a maioria obviamente fala da boca pra fora porque não tem um cultura de inovação dentro da própria empresa.
Outra situação possível é o gerente de marketing cheio de boa vontade mas com uma diretoria retrógrada e conservadora. Aí não é só o caso de ter culhão pra apostar numa campanha inovadora, mas culhão pra botar o emprego em risco.
O que eu acho interessante é o que a TBWA faz com os prospects. Um workshop pra “catequisar” os clientes. Até comentei sobre isso nesse post [momento jabá] http://www.1ofakind.com.br/blog/?p=182
Acredito que esse seja um dos caminhos. Se não provocar o cliente fica complicado botar na rua campanhas realmente diferenciadas.
abraços
Gostei do termo “falso inovador”, tá cheio por aí….