The Long Tail

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Certamente você já deve ter lido ou ouvido falar algo sobre Long Tail (Cauda Longa). A idéia não é novidade, mas cada vez mais parece fazer sentido no atual cenário em que vivemos. E nós somos tão responsáveis por isso, que é impossível não ficar fascinado pelo assunto.

Termo cunhado por Chris Anderson, editor da Wired e ex-Economist, em 2002, Long Tail explica o poder dos nichos frente aos grandalhões da indústria e promete selar o fim da era dos blockbusters. Agora, são as pessoas que determinam o que merece sucesso. O nome “cauda longa” é devido do formato do gráfico gerado: os grandes ocupam o topo, mas um pequeno espaço, enquanto os nichos são pequenos e infinitos.

As grandes corporações – gravadoras, produtoras, estúdios, emissoras, varejistas – sempre dependeram amplamente de grandes sucessos para sobreviver. É o que Anderson chama de “tirania do topo”, a qual nós mesmos fomos condicionados.

Utilizamos a parada de sucessos, os números de bilheteria, da mesma maneira como acompanhamos uma tabela do campeonato de futebol – para separar os grandes vencedores dos perdedores óbvios. É assim que sempre funcionou a nossa e a visão do mercado: senão for um hit, foi um erro.

Acontece que a internet transformou esse modelo econômico em algo que não funciona mais. Os números estão aí para provar: queda nas vendas de discos, queda nas bilheterias, audiência da TV que caiu ao seu nível mais baixo da história.

Na última terça-feira, Anderson lançou seu livro totalmente dedicado ao tema, “The Long Tail: Why The Future of Business Is Selling Less Of More”, e ele usa exemplos claros e que todos nós testemunhamos nos últimos anos, ou melhor, estamos presenciando todos os dias.

Nunca uma geração teve tanto poder de escolha como nós temos hoje. Um número ilimitado de artistas, bandas, filmes, produções, fontes de informação e etc, que através do boca-a-boca virtual, redes sociais e indicações baseadas em similaridade, ganham notoriedade do dia pra noite.

Se antes existia um denominador comum, se todos precisavam ver e ouvir a mesma coisa, se éramos condicionados ao pop fabricado e aos blockbusters de verão, hoje temos acesso a tudo ao mesmo tempo agora. Cada nicho pode ter sua audiência, e na casa dos milhões. É o tal poder do consumidor que tanto alardeamos atualmente.

Quem precisa de um marketing milionário, quando se tem o MySpace com 61 milhões de usuários ávidos por novidades? Está aí o Arctic Monkeys que não nos deixa mentir. E é apenas um exemplo de sucesso construído na internet e, o melhor, quebrou as barreiras do mundo online e ganhou as ruas. Shows lotados, mídia cobrindo em massa e o disco de estréia mais vendido do Reino Unido.

Quem precisa ir numa loja comprar discos, quando se tem opções ilimitadas na Amazon? É tanto questão de estoque, de espaço físico que o mundo real não dispõe, quanto de mudança de hábitos. O consumidor perdeu o gosto pelo mainstream, ele quer explorar e descobrir coisas novas. É o fim da cultura do comum.

Esse blog (e tantos outros), por exemplo, é um produto da Long Tail. Frente a tantos veículos profissionais sobre publicidade, conquistou uma audiência específica. Vídeos produzidos pelas pessoas, que viralizam e tornam-se um fenômeno, estão na Long Tail. Um filme obscuro redescoberto na internet e que de repente volta a ser comentado, é Long Tail. Resumindo: aquilo que você produz, amadoristicamente, pode ter sua própria audiência. Aquilo que estava esquecido, pode ganhar vida nova.

Periodicamente surgem novas idéias e empresas, que preenchem um espaço e conquistam um público específico. Há poucos anos, corporações como Amazon, Google, eBay, NetFlix, iTunes, Google, Yahoo!, MySpace, YouTube, simplesmente não existiam, e hoje tornaram-se necessidade básica para muitas pessoas.

E qual o sentido de tudo isso? Que existe um mercado imenso inexplorado esperando por nossas idéias. Talvez levem décadas para a indústria do entretenimento se tocar disso, mas nós que vivemos o mundo online não podemos desperdiçar.

Anderson destaca que os blockbusters, os grandes hits, vão continuar existindo, mas que agora tem que obrigatoriamente disputar espaço com os pequenos, concorrem com quem vem de baixo. Não é mais a MTV, as rádios e Hollywood que vão definir que faz sucesso. Você vai.

Os blockbusters sempre existirão, pois essa miríade de opções não representa necessariamente uma fragmentação cultural. É uma questão social, todo mundo quer ver o que todo mundo está vendo, queremos saber do que todos estão falando. Pois mais do que um filme, as grandes produções são um evento midíatico. Alguém falou em “O Código da Vinci?

Só que a cada “O Código da Vinci”, temos 50 outros filmes menos populares e, certamente, muito melhores. A medida que construir um hit demanda cada vez mais dinheiro, mais artistas surgem catapultados pela internet e pelas facilidades de distribuição proporcionadas pela tecnologia.

Em um mundo real onde a seleção natural do mercado faz com que produtos populares tirem espaço na prateleira de produtos pouco vendidos, um mundo onde a indústria do entretenimento define o que você deve ver e ouvir, observar o desenvolvimento da Long Tail é confortante. Dizer onde isso vai parar, pode ser mero exercício de futurologia, mas que temos muito a pensar, isso eu não tenho dúvidas.

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COMENTE
  • Guilherme

    Essa tendência mundial vai demorar um pouco pra chegar no Brasil ainda. Por aqui só um grupo ainda muito pequeno é a voz da internet.

    Mas esperamos que logo mais pessoas tenham acesso a essa diversidade cultural.

    Te cuida, Zezédicamargo!

  • Sidney

    Tem como encontrar esse livro no Brasil?

  • arthur bispo

    tem, pela cauda longa!(nos sites de compra livros na internet. shazaaaan!!! – aliás, vc leu a matéria mesmo toda ou só o cabeçalho?)afffff!!! Concordo que no Brasil isso demorará, mas acontecerá e é bom estar prevenido, é como um armagedon ou coisas do tipo (pra quem acredita, lógico)mas num mesmo país onde pessoas não sabem operar DVD, desconfiguram ao comprar no mesmo dia e levam no outro pra assistência técnica já reclamando do fornecedor, xingando e etc (públicos variados de classe mais rica à pobre e de culturas diferentes viu!)a tecnologia chegará e terá de vir com um manual em letras corpo 40 bold e na lingua “Creisoniana” com echio pra rearfirmar e massificar.

  • nervous

    Excelente Merigo.

    Sem duvida, a questão eh muito mais cultural do que tecnologica. A tecnologia transformou sim a cultura mudial, proporcionando uma mudança de comportamento. Mas ao mesmo tempo, acredito que as sociedades atingiram um limite, onde buscam por uma mudança, movimentação, para sair de um sistema que se mostra ultrapassado.

    Uni-se esta vontade com a tecnologia, no caso a internet como pano de fundo deste movimento, temos uma “revolução” no comportamento das pessoas e mudanças profundas na sociedades. Antes, eramos todos condicionados ao movimento, hoje, uma era se iniciara, onde nós faremos e ditaremos o movimento como você bem escreveu e acredito ser esta a ideia principal discutida no “Long Tail”. Esta inversão de 180 graus no comportamento da sociedade moderna. Não deixa de ser um movimento de Democracia, nascido naturalmente. Por isso ser tão significativo.

    Parabens pelo texto.
    abcs

  • http://propagandainterativa.blogspot.com/ Raphael Vasconcellos

    Long Tail não é uma moda, e “nem vai demorar para chegar por aqui”. Isso é o poder que a internet tem (independente de onde for) de amplificar a voz do consumidor.

    Long Tail são as microaudiências, os blogs, os livros que nunca serão “best-sellers” pois não precisam ser para causar um efeito devastador em nossa cultura e no nosso dia-a-dia.

    Só para vocês terem uma idéia de como isso é forte, hoje mais de 50% do faturamento da Amazon já vem de produtos do Long Tail, da imensa quantidade de livros de vendem 5, 10, 15 exemplares no máximo, mas quando somados, extrapolam as estatísticas.

    Abs. a todos.

  • http://acompanhia.blogarium.net/ Grande Líder da Silva

    Ótima sugestão de leitura Merigo. A parte bizarra é que eu estava pensando em ler esse livro nessa semana mesmo.

    Aliás, ótimo comentário sobre ele também. Tá no nível da Economist.

  • Felipe

    Excelente artigo! A propósito, alguém viu o meio e mensagem dessa semana? De um lado, a capa envelopada vanglorizando mais uma aquisição do grupo YPY, e do outro, a entrevista com Paul Lavoie da taxi falando sobre os problemas dos grandes grupos e as vantagem de continuar pequeno.

  • http://www.wanderingabout.com alexandre van de sande

    Não vou comentar a resposta do arthur bispo, chamando todo o país de idiotas. O mundo que vemos é muito reflexo do que queremos ver.

  • Tulio

    Ótimo tema, ótimo artigo. Parabéns pelo texto, mesmo!

    As implicações culturais disto são muitas. Por mais cross-reference que seja, me faz pensar se um quadro social do tipo “V de Vingança” ainda é possível de acontecer, numa sociedade com a mente tão plural.

  • Bruno

    Texto excelente. Parabéns.

  • arthur bispo
  • Leonardo Correia

    Ou seja, não adianta correr que você está inserido no mundo capitalista do senso comum.

  • Leonardo Correia

    Ou seja, não adianta correr que você está inserido no mundo capitalista do senso comum.

  • Mané

    Muito bom o tema.
    Concordo com a corrente que entende que este fenômeno já se encontra presente na nossa sociedade, e acho também que a Internet faz mais um papel ferramental, do que de impulsionar por si própria este diversionismo da cultura.
    Antes da Internet estávamos muito mais aprisionados no poder da industria que sempre escolheu o que seria popular ou modo. Hoje a contra cultura é extremamente acessível via Internet e este movimento já extravasa o universo virtual, como podemos ver por selos independentes de CDs e outras mídias.
    Repito, muito bom o tema!!!

  • http://www.noiscubinho.cjb.net Marco Aurelio

    Merigondes, Parabéns pelo texo.

    Um dia eu T falo um pouco sobre a vida.

    abraço,

    e parabéns mesmo.

  • arthur bispo
  • Eduardo Paraiso

    A Tecnologia de comunicação mudou o Mundo, quebrou muitas barreiras.
    Hoje qq pessoa pode virar um cineasta, basta uma camera e uma conta no You tube, pronto temos um filme.
    QQ um pode virar musico, ator, comentarista, desgner, seja lá o que for.

    Toda aquela massa de pessoas avidas por mudar o mundo que não tinham espaço na sociedade, hoje conseguem mostrar seus trabalhos atráves da Internet.

    É um começo, aonde vai parar eu não sei, mas já tem muita gente assustada.

  • http://www.menina-flor.blogspot.com Karina

    confortante… é exatamente essa a palavra.

  • http://www.comodidade.com.br/descontos/ Pedro
  • http://www.orkut.com.br paulo joel santos da silva

    olá

  • http://allwww.info Randy

    Nice article. Resprect!

  • Danielle Barros

    Parabéns, adorei o tema! Eu como publicitária + trabalhando na área de moda,gosto de me atualizar, estou sempre na intenet, acredito que as pessoas q ainda não tem condições de ter um computador tem muita vontade, interesse e isso é sinal de mudanças!!! Em vez de ficar discordando vamos fazer nossa parte…um amigo meu disponibilizou alguns computadores e dá aulas à um grupo pequeno de jovens de baixa renda. Achei o máximo e também vou fazer o mesmo pois mesmo q não possa dar aula, os computadores eu tenho como conseguir de uma empresa que fechou. Vamos acreditar, vamos fazer cada um um pouco…tem tudo para virar uma cauda longa, não acham???

  • http://www.mountainbikebh.com.br/blog Ícaro Brito

    E já começamos a mudar a lógica do capitlismo e da mídia.

    O Thiago Beniccio que escreve o Apocalipse motorizado já lança um questionamento pertiente a essa nova tendência.

    Pirataria ou difusão cultural?

  • Camila KS

    Olá Merigo!
    Ótimo texto/ assunto/ comentários.
    Eu já tinha ouvido falar nessa história de cauda longa, segmentação, etc etc etc…
    O que acho bem interessante é como esse gráfico pode reprentar também – falando de forma metafórica – a nós mesmos. Nós, que somos seres sociais, temos a necessidade de pertencer a um grupo; ao mesmo tempo grita a necessidade de individuação – que a partir daí nos dipersa em nichos cujas diferenças são cada vez mais sutis, formando a cauda.
    Enquanto o ser humano funcionar assim, a cauda longa vai existir. Será que o ser humano vai ser assim para sempre?