EUA também estuda regulamentação de publicidade em blogs e mídias sociais
Depois do Reino Unido, é a vez dos Estados Unidos estudarem a criação de uma regulamentação de publicidade em blogs e redes sociais. Como não podia ser diferente, a decisão já começa envolta em polêmica.
Por conta da nova realidade midiática, a Federal Trade Commission (FTC) está revisando uma série de diretrizes pela primeira vez desde 1980. O objetivo é tentar controlar declarações e inserções a respeito de marcas e de produtos feitas por anunciantes e por usuários. A vigilância se estende também para blogueiros, que poderão ser penalizados e responder a processos pelos seus textos publicados.
Assim como no novo Código de Proteção ao Consumidor britânico, o alvo principal do FTC são as práticas de marketing online, como custos escondidos em “ofertas grátis”, resenhas positivas plantadas em sites, criação de blogs falsos (para campanhas publicitárias como se escritos por usuários comuns), e comentário editorial sem a indicação de ter sido pago por um anunciante: o polêmico post pago.

As recomendações do orgão americano também citam companhias distribuindo amostras grátis de seu produto a blogueiros e internautas que, em contrapartida, postam informações na internet criticando ou aprovando o produto.
A American Association of Advertising Agencies rapidamente declarou que considera uma atitude prematura essa tentativa de regulamentar blogs e novas mídias, já que a própria maneira de se trabalhar com esses meios ainda não foi plenamente estruturada.
Mais do que isso, é preciso lembrar da tenue separação entre regulamentação e censura. Tentei, mas ainda não consegui encontrar uma boa justificativa para proibir empresas de enviarem seus produtos para serem testados por blogueiros, twitteiros e afins.
Nesses momentos, faltam aos blogs aprenderem algumas das lições já ensinadas pelas mídias tradicionais há anos, de saber tratar conteúdo e publicidade de maneiras que sejam claras para o leitor. Obviamente, não dá para exigir da grande maioria dos blogs, feitos por pessoas (e não corporações), que sejam profissionais com o assédio de agências e marcas.
O que se espera é bom senso, pois não dá para colocar ações de relacionamento com blogs na mesma panela das resenhas positivas falsas e informações enganosas. Como disse a AAAA, a regulamentação tem que partir primeiro de agências e anunciantes, com ética e transparência vindo de quem cria e coloca em prática as estratégias de mídias sociais, bem antes de se falar em punições e processos.
Vale dizer ainda que, de acordo com a Word of Mouth Marketing Association, os investimento nos Estados Unidos com mídia de relacionamento (tanto a propaganda boca-a-boca como a divulgação de informações pela internet, via blog, Twitter, Orkut e demais redes sociais) atingiram o montante de US$ 1,35 bilhão em 2007, com previsão de aumento para US$ 3,7 bilhões até 2011.
| Via Meio & Mensagem e Financial Times










Isso só mostra que tanto lá fora quanto aqui, blogueiros, agências, anunciantes, órgãos reguladores, e legisladores, ninguém entende muita coisa ainda desse assunto (os dois últimos principalmente) e vivem metendo os pés pelas mãos.
Eu sou contra esse controle excessivo. Não vejo mal nenhum em um anunciante criar um blog pra viralizar uma campanha ou divulgar um produto.
O que um projeto de controle desse faz, é assumir que todos os leitores/consumidores são burros e se sentiriam “enganados”. Censurar a criatividade de agência, anunciantes e publishers não é bom pra ninguém, todos saem perdendo, inclusive consumidores, que verão cada vez mais ações publicitárias padronizadas e sem graça.
AAAA – Parece tipo de Pilha.
Regulamentar é uma boa sim, porém não pode ter censura prévia.
Porque eu sou a favor de regulamentar? Para não virar uma bagunça, repito, regulamentar não pode significar censura.
Acredito que o principal argumento nessa discussão é o da AAAA. Ainda há muitas possibilidades para serem exploradas nas redes sociais, aplicativos e outras ferramentas.
Regulamentar e colocar empecilhos agora, pode resultar em diversas iniciativas relevantes e oportunidades de negócios limadas no médio/longo prazo.
Além disso, com a participação, velocidade e acesso à informação não é possível que um produto ou serviço perdure apenas com posts pagos, jabás e afins. Dá pra enganar alguns de vez em quando; mas não todos, sempre. Diria Bob Marley.
Do ponto de vista do processo de comunicação, não há muita diferença entre uma empresa fazer um sampling, enviar para alguma celebridade, ou enviar para um blogueiro influente. Antigamente, novos produtos eram sampleados em supermercados, shoppings, eventos, etc. As pessoas experimentavam e acabavam comentando com outras. Hoje acontece o mesmo, mas de forma mais direta – apenas alguns poucos recebem os samplings – e mais efetiva – esses poucos são pessoas com algum alcance. Mas se, antes da internet, uma empresa enviasse um produto a uma celebridade e ela resolvesse falar bem, sem receber por isso, quem poderia regulamentar? Quando forem pessoas falando, não cabe regulamentação, mesmo que essa pessoa seja um blogueiro de alcance nacional como o nosso Merigo aqui. É uma pessoa que gosta ou não gosta de um produto falando dele. Concordo em regulamentar e inclusive punir empresas que fazem blogs como se fossem de “pessoas comuns” – embora possa ser difícil encontrar a ligação algumas vezes. Mas acho, como o Marcão, que esse novo mercado encontrará uma forma de se auto-regular. Não há tantos blogs influentes assim, e está cada vez mais fácil identificar um post-pago que tenta se fingir de espontâneo.
Como isso veio da AAAA, só posso dizer que é um sinal claro de que eles estão “sentindo a água bater na bunda”…
Regulamentar não é ruim. O ruim é restringir e apropriar-se de discursos “politicamente corretos” para fazer censura.
Acho interessante definir critérios para que anunciantes e agências se relacionem de forma mais profissionais com os blogs, digo com os blogs de verdade, os que são criados por meros mortais. Isso pode até mesmo valorizar os blogs como veículo/meio e abrir as portas para que muitas outras empresas passem a anunciar em blogs.
Reitero que o meu grande receio é que a linha que separa a censura da crítica é tênue não deve ser ultrapassada. Afinal críticas a gente aceita, absorve e, sendo resiliente, converte em algo bom. A censura é apoiada em pré-julgamentos e vai de encontro com a liberdade de expressão. Disso a gente não precisa.
Espero que eles consigam desenvolver uma regulamentação clara e precisa, que venha para ajudar os blogs, anunciantes e agências, e não para atrapalhar.
Marcão, você já pensou que justamente a falta de regulamentação pode estar limando oportunidades de negócios. Que todos estes atrifícios são apenas tentativas de aumentar a exposição em mídia de forma mais barata. Essa história de auto-regulamentação é que nem puteiro sem cafetina… se não souber se cuidar alguém enfia no seu……(Ps.enfia a mão no seu dinheiro)
Não acredito em bom senso, meu caro.
Ou a área se profissionaliza com ética e transparência, como pedem há alguns anos,
ou aguenta ser profissionalizada na marra.
Eu vejo uma oportunidade, não uma censura.
Abraços. Depois me apresente aquela gostosa da Cris Dias, ok?
Cara, eu acho que se isso acontecer, os blogs deixarão de ser pessoais e passarão a ser um veículo. O que acaba com toda a lógica e proposta de um blog pessoal. Os usuários também não poderão publicar suas opiniões sinceras sobre as marcas e produtos, pois poderão ser processados.
Fora que o marketing viral e boca-a-boca deixará de ser espontâneo e passará a ter um monte de regras.
Resumindo, vai ficar um saco.
Caramba, tem alguma mão dos Democratas nisso aí? Eles que são partidários do intervencionismo. Eu só acho válida a parte do “custos escondidos em ‘ofertas grátis’”.
Carlos, gostaria muito que você conferisse um post no meu blog, “MySpace compra campanha publicitária no eBay (!?)” http://migre.me/kjZ
Pois o Brain#9, desde quando eu estava na faculdade, sempre foi uma fonte de novidades no mundo da propaganda e mkt. Pela primeira vez, sinto que talvez eu tenha algo que você ainda não tenha visto! Rs…
Aguardo seu comentário! Um abraço.
Será que eu deveria aprender a camuflar IP ?
Acho que alguém sabe que está perdendo muito dinheiro com tudo isso, mudar seria uma alternativa. Liberdade de expressão!
Não importa aonde e nem como, tudo e todos tem o direito de ir, vir e dizer, o que bem entender sem denegrir a imagem de inocentes.
Não é a mente que controla as ações, e sim as ações que controlam a mente!
Sou contra.
Acredito que a maior consequência que a WEB trará para a sociedade ainda está por vir e é a REINVENÇÃO do Estado. Porque a WEB não tem fronteiras. Os EUA regulamentam, mas eu faço um blog daqui do Brasil em inglês e é lido por lá. OU eu faço um blog aqui hospedado nos EUA lido aqui (mas também lido no mundo inteiro), porém a regulamentação não concorda com o quê ou COMO escrevo? Como regulamentar? O quê regulamentar? A quem reclamar? E não acredito que ondinhas de “corta o sinal do Youtube”(juiz no caso Cicarelli) funcionem.
vejo que os blogs [os blogs sérios] tem a preocupação de esclarecer seus leitores sobre posts pagos, produtos e etc…
a regulamentação precisa acontecer com base nessa prática!
ah dificil isso hein.. eu ainda vejo a internet como uma terra sem lei. Como controlar isso?
Vão controlar os posts dos blogs então? assim vai virar censura, não?
Sou a favor de uma regulamentação, vejo isso de maneira positiva.
Assim se acaba a parte artistíca da da coisa. A publicidade inventada e assim muitas idéias vão por água abaixo.
Igual em sp com a Cidade Limpa, precisa regulamentar mas não proibir.
Tava na hora, algumas empresas estão pegando pesado com o, grátis mesmo. E bom também porque talvez diminua essa porcariada na rede.
Se a regulamentação for feita com bom senso vai ser uma coisa boa. Acabaria com grande parte dos picaretas que tem por aí.
Parece que o ponto mais polêmico dessa medida sugeria que os blogueiros também fossem responsabilizados por alguma informação falsa passada a respeito do produto.
Ou seja: quem faz as coisas com transparência, dentro dos conformes, não seria afetado.
Blogueiros com credibilidade influenciam pessoas, certo?
Como um ser influente e que recebe brindes e mais brindes de uma marca, pode manter sua imparcialidade.
Impossível, temos diversos exemplos para citar, inclusive aqui no Brainstorm9.
Merigo, obrigado por levantar este assunto. São questões que abordam transparência e ética. Os blogs ficam numa área cinzenta entre assessoria de imprensa, jornalismo e publicidade.
Minha opinião é que posts pagos deveriam aparecer como publicidade, em outras palavras, deixar claro para os leitores que se trata de publicidade e não de um editorial.
Sobre o envio de produtos por empresas que desejam que seus produtos sejam avaliados, nada contra, mas de novo, o blogueiro deve citar isso claramente no texto e devolver os produtos assim que os tiverem avaliados.
No que diz respeito a regulamentação, acho que deveria acontecer para julgar abusos. Apesar de que eu não acredito nisso na internet.
Mas uma pergunta permanece, existe conflitos de interesse muito difíceis de arbitrar. Se o blogueiro que nos hospeda aqui, trabalha numa agência para uma conta específica, e divulga este trabalho aqui, existe um conflito de interesse?
Eu vou citar algumas outras coisas que são meios de veiculação:
- Cinemas
- Teatros
- Ônibus
- Bares
- Boates
- Restaurantes
- Pontos de ônibus
- Banners de internet
- Canetas
- Camisetas
- Calendários
- Outdoor
- Cartaz
- Comercial de TV
- Réguas
- Revistas
- Jornais
- Jogos e outros aplicativos para celulares
- Sacolas de lojas
- Sacolas de supermercado
- Bonés
- Adesivos
- Cartões de visita
- Blocos de anotações
Ah, enfim. Eu poderia ficar o dia inteiro escrevendo sobre mídias. Tudo praticamente é lugar para se fazer propaganda, como a gente bem sabe. Somos bombardeados quase que literalmente por milhares de marcas e propagandas todos os dias. E isso tornou-se uma coisa normal. Por que os blogs não poderiam ser meios de propagação de mensagem e publicidade? Claro que podem. E acredito que é irreversível. Assim como ainda não conseguiram resolver a pirataria pelos mp3.
O que eu acho, é que a publicidade deveria ser clara, e não camuflada dentro dos blogs. Mas pra falar a verdade. A maioria da publicidade que a gente vê é meio oculta.