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AntiCast 144 – William Morris e o Arts & Crafts

com Ivan Mizanzuk, Marcos Beccari, Daniel Portugal e Ricardo Cunha Lima

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Olá, antidesigners e brainstormers!
Neste programa, Ivan Mizanzuk, Marcos Beccari, Daniel Portugal e Ricardo Cunha Lima discutem e se aprofundam na história e ideias de William Morris, fundador do movimento Arts & Crafts no século XIX, na Inglaterra. Buscando reviver os métodos de produção artesanal medievais, Morris ficou marcado na história do design como um severo crítico da industrialização e seus métodos de produção de produtos. Aliando ideologia, literatura e design, tornou-se assim uma das figuras mais curiosas e contraditórias de seu tempo. Vamos ver se conseguimos dar conta de tudo o que esse pensador tem a nos oferecer. De quebra, como sabemos que vocês adoram, a leitura de comentários do programa anterior virou praticamente um programa extra. Divirtam-se!

>> 0h14min00seg Pauta Principal
>> 1h34min54seg Leitura de comentários
>> 2h23min37seg Música de encerramento: “Hunting High and Low”, da banda Stratovarius

Baixe aqui

Links
Workshop “História da Arte para Criativos” do Ivan
São Paulo – 14 de Setembro

Palestra do Ancara e do Beccari no Singura, semana acadêmica de design na UniBrasil (Curitiba-PR)

Enquete CAMISETA DO ANTICAST: participe na escolha da estampa!

Site da Humanus, loja de camisetas que está por trás de tudo
lojahumanus.iluria.com

Texto de Daniel Portugal sobre William Morris

Prefiro Baudrillard #13 – Vampirotheutis Infernalis

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  • Filipe Mota

    Caras gostei do programa, e não tenho nada a complementar muito. só queria saber, por quê o programa entra no feed 14 horas antes de entrar no site.
    Pelo menos o B9 ganha vários page pageviews de minha pessoa vendo se o programa foi ao ar para poder comentar e votar.
    Ainda não vi se tem, mas gostaria de sugerir um programa sobre motion graphic. (embora eu ache que é um assunto que foge muito dos anticast normais )

    No mais isso forte abraço a todos

  • Filipe Mota

    Só pra comentar, sobre a cultura da Inglaterra, se bem me lembro primeiro Havia os celtas, depois vieram os Romanos, Depois os anglo-saxões Essa invasão pode ser exemplificada na trilogia Do Senhores da Guerra ou As Crônicas de Artur, logo após ocorreu as invasões Vikings, que pode ser vista em outra obra de Cornwell que é; As Crônicas Saxônicas ou no seme-excelente manga só que mal desenhado segundo criticas de Beccari; vinland saga que mostra ate perto da unificação dessa zona de povos no que hoje conhecemos como Inglaterra.
    bom esse comentário não ajuda nada sobre o assunto mais informação nunca é de mais, abraço novamente

  • Alfredo Cavalcanti Segundo

    Engenharia da Computação presente! o

  • Giusepe Bergo

    Posso comentar rasamente que a publicidade que o ocidente conhece hj vem basicamente do conceito propragandistico da América do Norte do inicio do século XIX (onde havia muito blá para vender xarope e pouca arte) e da estética visual de cartazes ( russos e arte nova francesa) que se prestavam a vender política ou cultura e é parte essencial da corrente de transformação social e política da Europa e que pouco tinha a ver com vender produtos?
    A idéia de que “propaganda não é arte” vem basicamente de se refutar a idéia americana.

  • Henry Rodriguez

    Ótimo cast! Quase chorei com Stratovarius ao fim desse episódio.

  • Matthews Camargos

    Então as camisetas estarão mais baratas que o c* da sua mãe?
    PS: por um segundo pensei que a estampa teria -prefiro Baudrillard Beccari atende esse interfone agora.

  • Elaine Rodrigues

    Não sei se vcs conheciam o texto “Utopia e Distopia do Ornamento”, do Gilberto Paim, mas vou jogar aqui só para complementar o assunto:

    http://www.agitprop.com.br/index.cfm?pag=ensaios_det&id=101&titulo=ensaios

  • Mario Lacerda

    Engenharia de Produção: presente! o

  • Victor Hugo

    Engenharia Elétrica presente! o

  • Carlos E

    Ensino médio, presente!

    Estranhamente eu compreendi a maioria do programa, será que impedir o Beccari de falar sobre comunismo e design ajudou ? (…)

    Quando será lançado o próximo Não Obstante?

  • Daniel Ishigaki

    Gostaria muito das opções das camisetas, mas não me acho digno de vestir Baudrillard, de verdade.

  • reilisam

    Pessoal, que bom que finalmente conseguiram alguém pra lançar a camiseta. Não sei quase nada sobre Baudrillard e, como disse o amigo Daniel por aqui, “não me acho digno de vestir Baudrillard” rsrsrs.

    Lancem logo mais estampas. O Beccari já tem ótimos desenhos nas vitrines que dariam excelentes camisetas.

    Excelente programa, embora eu não seja da área de Design (nem de Engenharia, sou de Direito). Gostei de aprender mais sobre visões de mundo e história da arte.

    Ah! Gostaria de sugerir um cast sobre Iniciação científica. Estou correndo atrás de uma agora e vejo que a maioria exige que não se tenha vínculo empregatício. Fico barrado, em todas que encontrei, justamente nesse quesito, pois trabalho durante o dia e faço faculdade à noite. Gostaria de saber mais sobre esse tema e creio que vcs, por vivenciarem o mundo acadêmico, tenham bastante a dizer a respeito.

    Por fim, aproveito para cobrar novamente o Dossiê Olavo de Carvalho!!

    Abraços!

  • Denis

    Engenharia de Produção presente (2)!
    Mas trabalho em banco, com riscos.
    Ouço o programa pois tem uma abordagem diferente de outros podcasts, muito pela formação e atuação dos participantes. Só quando o Becari voa longe demais que perco um pouco o interesse.
    Mas parabéns pelo ótimo trabalho.
    No aguardo do Anticast de engenharia.

  • http://notasurbanas.blog.com gabriel

    Parabéns pelo programa: Morris é um personagem e um tema fascinante, justamente por suas contradições e ambiguidades.

    Desculpem pelo longo texto abaixo, mas o assunto realmente fascina.

    Permitam-me alguns comentários:

    Sobre John Ruskin: embora o sujeito seja usualmente representando como um defensor do retorno ao artesanato e do combate às máquinas — e mesmo alguém como Richard Sennet pinta este retrato dele no livro ‘O artífice’ —, Ruskin estava muito mais interessado no desenvolvimento industrial capitalista capitaneado pela realização de bons e belos produtos industriais do que propriamente pela sua negação. Tudo indica que Ruskin estava bastante distante de qualquer posição ludista: chegou mesmo a defender o ensino popular de desenho como um instrumento de educação estética para aprimorar as capacidades industriais do povo (em uma perspectiva, aliás, que nada tinha de “socialista”, tendendo mais para uma espécie de reformismo burguês). Uma abordagem interessante e recente de sua obra está no livro ‘John Ruskin e o ensino de desenho no Brasil’ (com download gratuito pela editora unesp: http://www.editoraunesp.com.br/catalogo/8539302048,john-ruskin-e-o-ensino-do-desenho-no-brasil)
    Ainda sobre ele, acho que Beccari comentou algo sobre a relação de Ruskin com o restauro de bens culturais. Ao contrário, porém, Ruskin tinha uma posição bastante interessante, considerada “anti-conservacionista”: ele defendia a manutenção do estado de arruinamento dos edifícios, pois entendia que restaurá-los não só poderia significar a constituição de uma falsidade histórica como impediria a fruição de sua condição pitoresca. Para Ruskin, o maior crime que se poderia cometer a um “patrimônio” seria preservá-lo por meio do restauro, pois isto acabaria com sua autenticidade histórica. Sua oposição às propostas de Viollet le Duc ficou bastante conhecida na história: Ruskin era bastante crítico às obras de restauro do arquiteto francês, que entendia que restaurar um edifício significava convertê-lo a uma condição ideal que poderia nunca ter existido.
    Ainda que Morris não fosse propriamente marxista, sua definição de uma sociedade destituída de Estado e de propriedade privada (e na qual não há troca de mercadorias, mas sua fruição de acordo com a necessidade e o desejo de todos) não está muito distante dos programas marxistas usuais que defendem a construção da sociedade comunista. Normalmente o comunismo é entendido a partir de uma concepção etapista: dadas as condições, produz-se primeiro, em teoria, uma revolução proletária que instaura a assim chamada ditadura do proletariado (no qual se institui a hegemonia popular no Estado, que passa a controlar todos os meios de produção). Após esta revolução, constitui-se uma sociedade em que gradativamente são abolidas todas as formas de controle privado das propriedades. Esta etapa é normalmente chamada de socialismo. Quando esta abolição está completa, o Estado deixa de ser necessário e se constitui uma sociedade baseada na livre associação de produtores igualmente livres, sem Estado e sem qualquer instituição de poder. Esta etapa, necessariamente anarquista, é normalmente chamada de comunismo (dada a livre fruição por todos de todos os bens comuns). É justamente está suposta necessidade de uma etapa intermediária entre o capitalismo e o comunismo (chamada de socialismo) que foi criticada pelos grupos anarquistas expulsos pelos marxistas da 2ª Internacional: se o objetivo final é o fim do Estado e da propriedade privada, não faz sentido fortalecer o Estado e torná-lo o único proprietário de todas as propriedades. O interessante do livro ‘Notícias de lugar nenhum’ é que ele justamente antecipa, curiosamente, o desastre das experiências socialistas do século XX quando o velho conta a história daquilo que teria sido um período intermediário entre a sociedade de 1890 e aquela sociedade dos anos 2000 (após a primeira revolução e antes da segunda, que instituiu a sociedade na qual circula o protagonista). O didatismo do livro, portanto, não tinha apenas como intenção servir de propaganda do comunismo mas também de um alerta de Morris aos seus colegas comunistas a respeito dos problemas de seu etapismo.
    Quanto à relação do marxismo com a tecnologia: de fato, Marx sempre foi um entusiasta do desenvolvimento tecnológico como potencial instrumento de liberação dos trabalhadores para que eles se dedicassem, em uma sociedade baseada na livre associação, a atividades mais “enobrecedoras”. Claro que isto só aconteceria em uma sociedade baseada na livre associação, pois no interior do modo de produção capitalista, o desenvolvimento tecnológico produzia apenas a ampliação da extração de mais-valia relativa, gerando mais exploração. Morris parece fazer uma crítica desta concepção (da tecnologia como forma de “liberar” o homem para exercer atividades mais nobres) na medida em que considera o próprio trabalho como a atividade mais nobre possível. Sua formulação clássica é a de que “a arte é a expressão da alegria do homem na realização de seu trabalho” (https://www.marxists.org/archive/morris/works/1883/pluto.htm). Em uma sociedade livre, o trabalho seria igualmente livre, portanto alegre e artístico: daí o papel do ornamento, “signo do trabalho livre”, como sugere o arquiteto Sérgio Ferro. A utopia de Morris (lembrando que “utopia” significa justamente “lugar nenhum”) sugere justamente uma sociedade movida pelo desejo de expressão dos sujeitos (materializados em seus produtos que não assumem a forma de mercadorias) e não de produção de valores. Morris está preocupado justamente com a superação do fetichismo da mercadoria e com a reificação do trabalho: para Marx, o fetichismo opera na medida em que naturalizamos os valores atribuídos às mercadorias e às suas equivalências, ignorando seu processo de produção. No caso de Morris, trata-se não de priorizar o valor-de-uso sobre o valor-de-troca, mas de subverter a raiz da lógica de naturalização do valor das mercadorias.
    Finalmente, sobre o Renascimento: a afirmação da posição social do artista no Renascimento como um sujeito ligado às elites daquele período se deu, entre outras coisas, pela sua afirmação como intelectual, como vocês apontaram: tratava-se de elevar as “belas artes” (desenho, pintura, escultura, arquitetura) ao mesmo status intelectual e social que possuíam as artes liberais medievais (do trivium e do quadrivium: dialética, retórica, aritmética, geometria, etc). Daí a famosa frase de Leonardo: “Pintura é coisa mental.” No entanto, esta afirmação social não estava preocupada em elevar a esta mesma condição as artes ditas “decorativas” ou secundárias (como aquelas teoricamente defendidas por Morris, como a carpintaria, a tapeçaria, etc), que mantiveram sua condição de ofício (“craft”). A “inovação” de Morris estaria justamente na negação desta hierarquia entre “arts” e “crafts” definida desde o Renascimento e na afirmação de qualquer trabalho como atividade artística, desde que alegre e autônoma.

    • Daniel Portugal

      Muito bom, Gabriel. Obrigado por contribuir com a conversa!

    • http://filosofiadodesign.com/ Marcos Beccari

      Gabriel, talvez meu comentário sobre a relação de Ruskin com a restauração de bens culturais tenha soado superficial, mas ele defendia sim um tipo peculiar de “restauro” que consiste, como você bem observou, na destruição daquilo que não se pode salvar. Vale pontuar que essa integração entre esquecimento deliberado e uma instauração ativa de uma “nova origem” abarca, a meu ver, boa parte da mentalidade romântica. Não é meramente um desejo de destruir tudo o que veio antes, mas sobretudo a esperança de finalmente chegar a um “presente verdadeiro”, um novo ponto de partida.

      Também é interessante observar como tal mentalidade está associada a um projeto de visão primordial ou “inocente”. Na página 27 do volume XV de The works of John Ruskin (http://www.gutenberg.org/files/15200/15200-h/15200-h.htm), encontramos o seguinte trecho: “Todo o poder técnico de pintar depende de recuperarmos aquilo que pode ser chamado de inocência do olho, ou seja, recuperarmos uma espécie de percepção infantil dessas manchas lisas de cor, meramente como tais, sem consciência do que significam, como um cego as veria se subitamente lhe fosse restituída a visão”. Acho que esta percepção pura, elevada, é um dos aspectos mais marcantes do modernismo no século XIX, que em Ruskin aparece sob a insígnia da infância inocente, da ausência de um passado que possibilite uma visão subjetiva purificada, como um sentido privilegiado.

      Ademais, arrisco-me a dizer que este privilégio de uma visão inocente (reivindicado por Ruskin) é tão contraditória quanto a superação do fetichismo da mercadoria (reivindicada por Marx) — e talvez seja nesta contradição que ambos se alinham com William Morris. Em seus Economic and Philosophic Manuscripts (New York, 1968, p. 140), Marx afirma que “A natureza específica de cada força essencial é precisamente sua essência específica e, portanto, também o modo específico de sua objetificação”, ou seja, ele denuncia uma lógica de naturalização (do valor e do trabalho) partindo justamente de outra lógica essencialista como pressuposto natural. Assim como Marx, Ruskin sugere que uma visão especializada e elevada (a dos artistas) é condição irrevogável para que as forças produtivas do homem sejam realizadas em sua plenitude — ou seja, a divisão da visão em detrimentos dos demais sentidos acabaria com outra divisão, a do trabalho (?!). E finalmente em William Morris, essa mesma contradição aparece em seu elogio a uma percepção desiteressada: em seu mundo mundo desprovido de valores de troca, seríamos capazes de delitarmo-nos com nossos sentidos e vontades.

      É verdade que Morris diferenciava-se dos renascentistas ao reivindicar uma arte alcançada a duras penas, sem o peso das convenções e dos códigos históricos tradicionalmente herdados. Mas este lugar privilegiado e não reificado pelos imperativos clássicos, a meu ver, resulta da busca romântica por uma inconsciência “inocente” do olhar, coisa que as ciências experimentais já incorporavam desde as décadas de 1830-40 na busca por uma pretensa neutralidade da observação humana em detrimentos das demais funções “secundárias” do corpo. Este tipo de imperativo romântico, portanto, pode ser visto paradoxalmente como ponto de partida para os modelos de normatização quantificável da percepção, que atualmente convergem nas chamadas “tecnologias da atenção” (?!?!), nas quais sequências de estímulos ou imagens supostamente produziriam o mesmo efeito repetidamente, como se fosse a primeira vez — eis o sonho de Ruskin, Marx e Morris finalmente materializado.

  • http://randomcast.com.br/ Tiago De Lima Castro (Especial

    Muito bom o programa. Como não sou da área de design, não conhecia praticamente nada do Wiliam Morris.

    Obrigado pela leitura do meu comentário! Fiquei empolgado e comecei a fazer algumas relações.

    Entendo a falta de tempo com a leitura ao final, senão vira outro programa mesmo.

    Parabéns pelo trabalho!

    Tiago

  • Ary Aires

    Mene do podcast de design que every once in awhile fala sobre design. Eu, pessoalmente, fico perdido com esses episódios. Sou de outra parte do campus de humanas.

  • Guilherme Cozer Webster

    Pra variar eu e minha insignificância não temos nada a nada a acrescer sobre o assunto, só queria dizer que votei na estampa. Prefiro Fiodóro.

    E quando sai a camiseta AntiCast Romero Britto? Podia ser um retrato do Ivan neste magistral estilo neo-pop pernambucano.

    Ótimo cast, abraço!