Fechar [X]
Dragon

“Como Treinar Seu Dragão 2” reforça a maior realização cinematográfica da DreamWorks

Com uma série de decisões corajosas, o estúdio mantém a qualidade estabelecida na primeira aventura de Soluço e Banguela

15
notas
0
likes
0
Tweets
0
Pin it
15
notas
0
likes
0
Tweets
0
pin it

Uma das perguntas mais recorrentes de leitores e ouvintes dos podcasts dos quais participo é: o que falta à DreamWorks para alcançar a Pixar em qualidade?

A resposta imediata é a universalidade dos temas, porém, isso vem mudando ao longo dos últimos 5 anos, pois essa separação vem diminuindo absurdamente por conta de filmes como “Kung Fu Panda”, “A Lenda dos Guardiões” e, claro, a trilogia “Como Treinar Seu Dragão,” que ostenta o título de melhor realização cinematográfica do estúdio de Jeffrey Katzenberg. Depois de um primeiro filme impressionante, o canadense Dean DeBlois volta à carga repleto de decisões difíceis, reviravoltas audaciosas e mantém a qualidade estabelecida na primeira aventura de Soluço e Banguela.

“Como Treinar Seu Dragão” é uma das principais histórias de crescimento do cinema atual. A trama esconde todos os elementos da jornada do herói, das dificuldades da vida, do conflito familiar, da busca pela identidade, da amizade e da confiança sob a manta do relacionamento de vikings com dragões. Os paralelos sempre foram claros, mas, no segundo filme, a evolução é gritante. Cinco anos no futuro, DeBlois resolveu trazer uma ameaça externa para quebrar o balanço estabelecido por Soluço (Jay Baruchel) e impulsionar seu crescimento.

Diretor e roteirisita Dean DeBlois

Diretor e roteirisita Dean DeBlois

Dragon

“Soluço está testando limites, vagando à procura de respostas, para perguntas que ele nem sabe; ele apenas sabe que precisa procurar”, explica Dean DeBlois, que assina o roteiro e dirige a animação, em entrevista exclusiva ao B9.

“Eles estão ‘independentemente juntos’, por assim dizer. Aquela relação é tão simbólica e pura que, mesmo com as deficiências de cada um, eles encontraram um balanço e um modo de viverem suas vidas sem que a ausência de um limitasse o outro”.

A busca de Soluço ecoa profundamente dentro da DreamWorks. Tanto os protagonistas do último “Shrek” quanto do subestimado “A Lenda dos Guardiões” compartilham da necessidade de encontrar um lugar no mundo, seja transformando a realidade à sua volta ou alterando sua própria percepção de quem é ou o que faz.

É uma espécie de chacoalhão psicológico defendido por Katzenberg, que viveu sua cota de reinvenções pessoais e profissionais antes de ver a DreamWorks brilhar. E, claro, reflete inevitavelmente a necessidade de uma geração norte-americana norteada pelo trivial e óbvio no quesito heróis e heroínas modernos.

“Como Treinar Seu Dragão” é uma das principais histórias de crescimento do cinema atual

Ele se encaixa perfeitamente por atingir diversos públicos e, além de tudo, ter um dos aliados mais charmosos do cinema de animação. O dragão Banguela – criados por uma equipe apaixonada por cachorros, gatos e cavalos – mistura grandes qualidades de animais companheiros, tem personalidade humana e jornada própria, além de homenagear Hayao Miyasaki com uma referência a Totoro. Esse é um dos grandes diferenciais dessa franquia: Banguela é co-protagonista, mesmo sem dizer uma palavra.

Dragon
Dragon

Essa dinâmica permite que Soluço viva o drama familiar sem que a história fique arrastada, afinal, Banguela aparece para manter o bom ritmo. Numa das mais belas cenas do primeiro ato, a dupla promove um voo fantástico, cheio de significado e riscos que vão ameaçar a segurança dos personagens ao longo da trama.

Há liberdade por todos os lados e ela, inevitavelmente, provoca a discussão sobre controle, escolhas e força de vontade. É fácil ser livre, mas quais são as consequências das decisões unilaterais, por mais bem intencionadas que possam ser? Ação e reação andam juntas em “Como Treinar Seu Dragão 2” e daí vem o grande amadurecimento do texto do apaixonado DeBlois, um diretor extremamente efetivo em momentos dramáticos e grandioso quando necessário.

Família (SPOILERS! a partir desse ponto)

Como mostrado em vários trailers e comerciais, um dos grandes momentos é o reencontro de Soluço com sua mãe, Valka, que todos davam como morta há 20 anos. Cate Blanchet foi uma bela adição ao elenco e, mesmo distantes fisicamente, o dueto com Gerard Butler é irresistível.

O reencontro do casal é maravilhoso, tocante e dirigido com uma delicadeza ímpar, tão impactante quanto o aperto de mão dos bonecos em direção à fornalha em “Toy Story 3”. “Pensei em como me comportaria nessa situação, escrevi várias opções; usei a que mais me emocionou”, comenta DeBlois, que conseguiu inserir uma micro-história de amor eterno dentro do filme. “Muitos de nós nunca deixam a adolescência; quero sempre me apaixonar desse jeito, sempre que tiver uma chance ou uma razão”.

Obama zoeirão no set da DreamWorks

Obama zoeirão no set da DreamWorks

Dragon

O resultado é a reformação do núcleo familiar, com Soluço, Stoick e Valka. Seria simples e confortável apostar nisso, afinal, Stoick é a força bruta e a aventura, Valka é a sensibilidade e o carinho pelos dragões e Soluço fica no meio, aproveitdo o melhor de dois mundos. Mas é hora de amadurecer e como estamos falando da jornada do herói, o bastão precisa ser passado para a nova geração. Curiosamente, Stoick passa parte do filme tentando transformar Soluço no Chefe de Burke, mas ele recusa.

A transição acontece quer ele queira, quer não.

E aí a coragem de “Como Treinar Seu Dragão 2” surge como muito mais força que seu vilão, em boa atuação de Djimon Honsou – uma das pessoas mais belas e intensas que já pisaram nesse planeta. DeBlois forçou o rito de passagem de Soluço por meio do sacrifício supremo. Cada um entende a cena como pode: pais e mães sabem que se sacrificariam pelos filhos, filhos encaram seus pais como super-heróis, sempre prontos para o salvamento. Essa morte cai com a força do martelo de Thor e o ódio de Odin na história, com direito a um funeral épico e tocante.

Esse rompante de decisões difíceis é plenamente justificado e mostra a razão dessa franquia ser tão relevante. Ela emula a vida, respeita o passado e mostra o futuro como uma gigantesca porta aberta que cabe a cada um atravessar por meio das próprias realizações. E não há mensagem mais direta que o desfecho da história, com Banguela se transformando num Rei entre os dragões, enquanto Soluço assume sua própria liderança.

Soluço e Banguela já perderam muito em dois filmes, mas ganharam muito mais. O terceiro capítulo vai testá-los pela última vez, sabe-se lá a qual custo. Mas, com dois acertos, só é possível esperar uma conclusão fantástica para “Como Treinar Seu Dragão”! O tema é eterno. A execução é primorosa. E é bom saber que as próximas gerações terão um exemplo tão fantástico a seguir.

—————-
Fábio M. Barreto é cineasta, autor de “Filhos do Fim do Mundo” e visitou a DreamWorks para a realização dessa matéria.

LEIA TAMBÉM
COMENTE
  • SouoMaia .

    Se chorei em toy story 3, neste minhas lagrimas foram ao chão, em 3 momentos marcantes, o primeiro a ação, o segundo reação e o terceiro a conclusão do jovem guerreiro viking.
    Ótimo texto sr Barretão!

  • http://pipocamusical.com.br/ Raquel Moritz

    E seguimos com os filmes que ajudam a construir uma família melhor. Eu gosto <3

  • Igor Navarro Rabelo

    Estou assustado com a quantidade de spoilers que existem neste trailer, ele destruiria o filme para mim se eu o tivesse visto antes da estréia, assustador como tem gente que aceita isso e chama de trailer

    • Ed Junior

      Pensei a mesma coisa aqui. Bom que eu vi o filme antes ^^

      • Rodrigo Piasecki

        Nãããããão! Eu vi o trailer agora! E agora li esses comentários….. nãããããão!

    • http://be.net/thiagolima84 Thiago Luiz Ferreira Lima

      Engraçado como a Internet tá cheia de gente chorosa…

  • Saulete! Saulão!

    O primeiro é fantástico e entendi q perdeu o Oscar pra ToyStory3, pq TS foi o precursor das animações q tanto amamos. Mas essa continuação merece mais do q nunca um Oscar. Tão foda quanto o primeiro. Já ansioso pelo terceiro. Roteiro perfeito, de fato DreamWorks ganhou meu respeito com essa franquia.

  • Henrique Celote

    Muito bom o filme, realmente é uma das melhores animações que eu já assisti. Achei muito melhor que o 1° (Não desmerecendo o 1°, porém achei superior). A história em si, os personagens, os novos dragões, e uma determinada cena que é emocionante, por mostrar que existe sentimentos nesse tipo de filme, e acabei enchendo os olhos de lágrimas.

    Gostei do que comentou sobre o filme.

  • Mônica Ribeiro Marques

    Acho que a quantidade de spoilers incomodou apenas os grandinhos,pois nas crianças o trailer aguçou ainda mais a vontade de assistir ao filme,meus 3 filhos e todas as crianças que conheço surtaram rsrsrs,acho que a DreamWorks sabia muito bem o que estava fazendo quando direcionou o trailer para as crianças(baseado no que estudei em Psicologia da criança se não foi,pareceu muitoooo rsrsrs)afinal de contas mesmo sendo uma bela pedida para toda a família,em suma o publico é infantil.

  • Rauni Gonçalves

    Eh verdade , ainda bem que vi antes ! O filme é tao bom quanto o primeiro … Gostei Muito !

  • Alisson Ribeiro

    Melhor filme da DreamWorks!!! roteiro bem escrito, direção excelente, história muito madura e muito humana, design dos personagens e da ambientação geral… perfeitos! melhor a cada filme, trilha sonora espetacular, o 3D é lindo de se ver…. e se um filme como este, não for merecedor de um oscar…. então nem sei qual filme será!

  • Gabriel Silva

    Ótimo texto, Barreto! O filme também é ótimo, espetacular eu diria. Apesar dos outros muitos personagens, o Banguela foi o que mais me chamou atenção e me agradou. A relação dele com o Soluço é genuína! De longe o melhor filme do estúdio, com o melhor visual também. O fato de eu ter visto em IMAX ajudou MUITO e tornou o filme um tanto quanto mais frenético pra mim, o que é bom :)

  • Silvio Domingues

    Adorei a matéria, pois amo esse filme!!!
    to pensando de ir ver amanhã^^

  • Eduardo Leopold

    Ótimo texto!

  • Gustavo Carvalho

    O nome do vilarejo é Berk e não Burke