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A cancerosa prática das concorrências no mundo da publicidade e do design

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Se você fosse jantar em um restaurante, pediria para o chef preparar três pratos diferentes e só pagaria por aquele que gostasse mais?

Isso resume basicamente como funcionam concorrências no mundo da publicidade e do design, além dos tais concursos que pedem seu trabalho grátis para então escolher um vencedor e pagar duas mariolas como prêmio.

A campanha Antispec (de anti trabalho especulativo) foi lançada há 1 ano, “denunciando” essa prática realizada por grandes marcas e pedindo para que os criativos e designers boicotem esse tipo de iniciativa. Recentemente, um novo vídeo criado pela TopicSimple explica bem a ideia.

Se a publicidade mundial fosse guiada em definições à lá “concílios de Niceia”, certamente esta seria uma questão na pauta do papado criativo. Afinal, se trata de uma praxe comum em todos os países. Derivada, certamente, de um mercado canibal. Onde (muitas vezes) quem dá mais, quem suporta mais ou quem esfola mais, leva.

Muitos clientes abusam.
Muitas agências cedem.

E cá estamos: Investindo milhares de idéias, tempo, dinheiro, saúde e paciência em quase-jobs, para quase-clientes, que podem chutar sua bunda amanhã, sem te dever um centavo – e quiçá, ainda tirar proveito de alguma de suas criações.

E, por mais que seja uma discussão antiga (e que provavelmente nunca dê em nada), ainda assim é importante mostrarmos indignação. E torcer para que um dia as coisas tenham um formato mais coerente do que o atual.

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23 respostas para “A cancerosa prática das concorrências no mundo da publicidade e do design”

  1. Mateos Tschá disse:

    Sabe por que as concorrências existem?
    Porque as agências aceitam.

    E só por isso.

  2. Rodrigo Dimenstain disse:

    Até nisso a AlmapBBDO está na frente das outras agências brasileiras. Não é à toa que é melhor agência do Brasil.

    A relação entre cliente-agência deve ser construída com base na confiança. E essas concorrências são justamente o contrário disso.

  3. Alexandre van Beeck disse:

    e sabe quando vai deixar de existir?
    Nunca.

    Pelo mesmo motivo que elas existem.

  4. Marcelo Pacheco disse:

    E isso faz parte daquela cultura de "é meu filho, publicidade é assim mesmo" que você começa a ouvir desde o primeiro ano de faculdade, por algum professor que acha que é artista pq é diretor de criação. Junte isso a lenda de que comer pizza de madrugada na agência é a coisa mais foda que existe, e pronto, temos a escravidão do ofício.

    Não é a toa que a quantidade de formandos nos cursos de PP que (inteligentemente) desiste de ir pra agência pra tentar ter o mínimo de qualidade de vida é tão grande ultimamente.

  5. @arthurgc disse:

    Acho que é prudente separar a concorrência para ganhar uma conta, da situação de apresentar 3 layouts para um job.
    Partimos do princípio que a agência vai ler (e entender) o briefing antes de executar um job, fato que muita vezes não acontece. Acaba sobrando pro estagiário fazer.
    Se for para as agências apresentarem somente uma opção sempre, vai começar valer a pena ter uma house dentro de cada empresa!

  6. victor disse:

    As concorrencias existem para garantir economia para as empresas. Eu ja trabalhei com licitacao, e no Brasil temos leis que garantem a maior transparencia possivel.

    Mas vejam que, mesmo no setor público burocrático, quando se trata de trabalho intelectual e de profissional com técnica singular, podemos dispensar a concorrencia.

    Eu ja fiz trabalho para uma grande empresa, que disse que iria investir no nosso produto , mas queria testar antes. Ela testou, grátis, quando estava com a água na bunda, e depois, quando chegamos para conversar sobre trabalhos futuros, ela nem atendia mais a gente.

    Isso mostra uma realidade em que o diretor, quando não manda na grana, fica mendigando trabalhos gratuitos, porque assim ele fica bem na fita, fazendo o trabalho sem custo.

  7. Ricardo disse:

    É necessário enxergar os dois lados dessa moeda. Infelizmente essa modalidade de concorrência surgiu com a propagação de muita agência "meia-boca" se baseando nos valores praticados por spoilers como a AlmapBBDO e entregando para o cliente animação de movie maker como arte-final desenvolvida " por uma equipe de profissionais sagazes e com as ferramentas mais modernas do mercado". Discussão complicada.

  8. nelson P disse:

    A Agência ALMAP pode ser uma das melhores, mais será que as pessoas que trabalham lá são "descentes", se SIm não teria sido processada nessa quinta feira junto com a GNT e O Boticário. Eles deixaram "vazar"informação :

    GNT é processada por plágio no seu novo programa "Desafio da Beleza"

    A GNT, O Boticário, Almap BBDO e a produtora paulista Moonshot são rés e respondem por plágio e prática de concorrência desleal na ação ajuizada pela produtora audiovisual Paula Lemes

    Paula Lemes, produtora de TV radicada nos Estados Unidos, criou o programa de televisão “O Maquiador”, cuja produção vinha em avançadas negociações com vários canais de TV e patrocinadores, inclusive O BOTICARIO, que já havia indicado o maquiador Fernando Torquatto.

    Porém, para sua surpresa, as rés resolveram alijá-la, passando, então, a produzir a obra sem a sua verdadeira criadora. Agora, o programa, idêntico ao seu, chama-se “Desafio da Beleza”, também com a participação de Fernando Torquatto.

    A ação, ajuizada pelo advogado Dr. Helder Galvão, é baseada justamente na tese que a GLOBOSAT sempre alegou e venceu. Segundo o advogado: “A produtora vinha tendo diversas reuniões com as rés, com o projeto robusto e todos os detalhes definidos. De uma hora para outra, resolvem produzi-lo, só que com o titulo diferente. Aliás, esquecerem de trocar o garoto propaganda, o mesmo que havia sido oferecido pelo O Boticário. A violação é dupla: pelo direito autoral e pela má-fé, concorrência desleal”.

    Agora, e se valer os casos iguais de “Big Brother x Casa dos Artistas”, “Got Talent x Qual o seu talento”, e outros, tudo leva a crer que Paula ganhará a ação.

  9. Nunca aceitei participar de um leilão de layouts. Poderia pensar no assunto se a idéia descartada recebesse pelo tempo, pesquisas e materiais despendidos…

  10. Abri um estúdio no início deste ano. Meu maior cliente é um banco que me deu a oportunidade de fazer um trabalho de teste para eles. Ninguém deixou claro que existia mais gente participando, mas eu tenho quase certeza que sim. Mas diferente do que acontece nas agências, combinamos antecipadamente um valor se o job fosse aprovado e outro se não fosse aprovado. O meu acabou nem sendo o aprovado, mas me pagaram direitinho e um tempo depois me ligaram pedindo serviços. Achei bacana o processo.

    • Sebastião Melo disse:

      O problema é achar que eles estão te dando uma "oportunidade" como vc mesmo disse….
      Oportunidade doq? de fazer o seu trabalho? de fazer aquilo que vc passou anos estudando? passou anos investindo?
      Pq não da essa oportunidade ao banco? pede dinheiro sem taxa alguma a eles… dê a oportunidade de eles trabalharem pra vc…

      • Era uma seleção, uma espécie de concorrência paga. Todo mundo que participou do processo recebeu alguma coisa. E quem sugeriu os valores fomos nós. Perto da prática das agências, de virar noite fazendo concorrência de graça, achei ótimo.
        Eles me pediram um trabalho e pagaram por ele.

      • Gabriela disse:

        muito bom!!!!!!

  11. Bruno disse:

    Já trabalhei em agência e hj trabalho em uma grande empresa. Há uns 3 anos fiz uma licitação para escolher duas agências. Foi só preço, apareceram quase 10 agências, as maiores nem tiveram chance, seus preços eram bem maiores. Todos reclamaram no meu ouvido, não era justo. No final fiquei com uma agência menor que me atendeu relativamente bem e uma segunda média, premiada e tudo, que me atendeu tão mal que tive que romper o contrato. E o dono da agencia ainda falou na minha cara que minha conta não gerava grana pra ele, por isso não podia me dar as melhores duplas. Aí perguntou, por que entrou na concorrência? Quem deu o preço foi ele!

    Recentemente fiz uma nova concorrência, desta vez com técnica. Das oito convidadas apenas três entregaram propostas. Fechamos com as duas melhores. Os preços foram dados por elas e depois negociados, pois tínhamos um teto para contratação. Estou muito satisfeito com o trabalho que recebo hj, e estas agencias nunca teriam ganho se não fosse na técnica, poiso preço delas era mais alto que outras concorrentes.

    Não respondo pelos outros, mas no meu caso garanto que as agências preferiram desta forma.

  12. mario disse:

    ah… para de chororo. funciona assim em TODOS os mecados. leva aquele com o menor preço ou o melhor serviço ou o que vende melhor.

    e sempre vai ser assim. parem de se achar "superiores"

  13. fabio lopes disse:

    veio…não sei o que te falar! vc disse exatamente o que eu penso sobre essa de vida imunda de agência!!! mandou bem.

  14. É complicado, mas sempre que eu tive o poder de decidir, sempre neguei. Como eu costumo dizer. "Comunicação, Design e afins não são profissões filantrópicas e custa bem caro fazer parte delas"

    Cada um define o que é justo e o que quer para sí.

  15. arinelli disse:

    Muito bom o texto Saulo, mas acho que o que resume bem o texto inteiro é:
    - Muitos clientes abusam.
    - Muitas agências cedem.

    Acredito que essa mudança deve vir das agências para os clientes. Necessitamos uma mudança de postura profissional, as agências precisam começar a doutrinar os clientes, entendendo que nossos concorrentes são outras agências de Design, e não o sobrinho do dono da empresa que sabe mexer em Corel, ou seja, precisamos profissionalizar e "desprostitualizar".

    Segue um video que acho fantástico sobre o assunto:
    [youtube LamFJLrBx5g&feature=share http://www.youtube.com/watch?v=LamFJLrBx5g&feature=share youtube]

  16. Gabriela disse:

    Estas coisas só acontecem porque é permitido.