O Neymarketing veio pra ficar?
Você pode até tentar, mas parece quase impossível fugir do neymarketing: Essa onda inevitável que afoga mais e mais as ideias e o bom gosto num dos terrenos mais bem explorados nas últimas décadas no país: A comunicação.
Faça um teste: Ligue a televisão em casa e conte quantas vezes o atacante santista aparece vendendo algum produto ou serviço. E não pensem que é exagero meu. Só em julho deste ano foram mais de mil inserções com o camisa 11. Volume estrondoso, bancado por seis diferentes anunciantes.
Se imaginarmos que são filmes de 15” (um chute baixo, já que os anunciantes pagam uma fortuna pra ter o craque e o aproveitam ao máximo em produções maiores), são horas e mais horas veiculando um único garoto-propaganda em rede nacional.
Mas as agências não são bobas. E muito menos os anunciantes. O fato é que o neymarketing está aí por uma simples razão: Vende.

E (queira você ou não) um badge como este representa a massa como nunca representou. Não há o que discutir. Em tempos de “eu quero tchu eu quero tcha” o Neymar é (vai ser duro escrever isso, mas vamos lá)… o “nosso” melhor.
Percebem?
Não se trata de criticar agências, anunciantes ou mesmo o próprio jogador. Até porque não é “O NEYMAR” (ele é só o ícone mais evidente dessa maré). Trata-se, sim, de refletirmos (como comunicadores) sobre o tamanho da nossa responsabilidade nisso. Afinal, sabemos que a publicidade tem papel importantíssimo como (parte do) molde cultural da sociedade. E provavelmente a degradação do critério e a putrefação do gene criativo são sintomas decorrentes do monstro que nós mesmos ajudamos a criar lá atrás, promovendo uma publicidade burra como melhor (e mais fácil) opção para bater metas.
E isso amplia ainda mais esse problema. Pois a questão não é se “o Neymar está vendendo muito”, mas sim “o que aconteceu para chegarmos a este nível?”, onde os referenciais estão tão distorcidos e a comunicação (que precisa atingir resultados) é obrigada a abrir mão de boas idéias e ótimos personagens (com conteúdo) para envelopar tudo no “tche tche rere tche tche”.

Portanto, mais do que neymarizar a comunicação, é neymarizar nosso talento mais importante: A capacidade de raciocinar, avaliar e ceder espaço para aquilo que realmente merece ser ouvido. Cresci assistindo comerciais com artistas, esportistas e celebridades que realmente formavam opiniões (como o Ayrton Senna, por exemplo). E claro, haviam os fúteis também: Mas esses não eram a maioria.
Fazer algo inteligente de forma simples (o que é extremamente difícil) era um padrão no passado. Mas a impressão que tenho hoje é que basta fazer algo ligeiramente idiota, usando as conexões de um bom empresário, mais um excelente investimento em marketing, e pronto. Você é a nova sensação da mídia / do país / da comunicação.
Ronaldinho Gaúcho ontem. Neymar hoje. E sabe-se lá o que amanhã.

"Ceder", com C.
Mas grande texto.
Por melhor que seja o texto sempre tem um chato para pontuar qualquer deslize. Enfim, ótima crítica por parte do autor.
Curti demais esse texto, comentei isso com a minha mãe esses dias, creio que o problema das agências brasileiras é a "onda", galera usa a mesma formula até cansar!
Padrão Nizan de qualidade. Neymar desbancou a Ivete Sangalo e logo será desbancado por outra suposta celebridade qualquer, isso é fato. Tem muita coisa boa sendo feita, mas o que há de ruim ninguém está fazendo nada pra mudar.
Bom texto mas acho que um pouco passional. É comum olharmos pro passado e pensarmos que hoje só se faz merda mas essa estratégia de comunicação é a mais batida de todas e sempre funcionou.
Você citou vários ícones da geração mais nova, eles se espelham nesses garotos, acreditam no que eles falam ou fazem e, então, consomem. A verdade é que estamos ficando velhos, nossos ídolos são outros. Querendo ou não, por mais doído que seja, esses moleques são formadores de opiniões da garotada.
Mas esse é exatamente o ponto. Esses são os formadores de opinião. E isso é assustador, pois é inevitável pensar: o que virá a seguir?
E quanto a ser passional ou não, esse é um padrão do B9. Os autores tem liberdade para escrever do jeito que acreditam. Não somos um núcleo jornalistico. Somos pessoas falando com pessoas. Mais do que um blog ou um site, o B9 é uma comunidade. E está aberta para discussões de idéias e opiniões.
Como este texto, por exemplo, que está na categoria OPINIÃO. :)
Abs.
Também acho que celebridade-merda sempre existiu e a gente tende a lembrar o passado com carinho. (eu não, pra mim Os Bons Tempos são agora)
Tinha propaganda com Gretchen, Serginho Mallandro, Viola, Vampeta… Acho que o Neymar evidencia só uma falta de ídolos, intelectuais ou não. Só tem o cara.
Sem dúvida. Mas como falei: Eles existiam, mas nunca foram a maioria. Já hoje em dia é difícil encontrar alguém que realmente tenha algo interessante a dizer na mídia pra massa.
E só piora. :)
Ou poderia dizer: Já hoje em dia é difícil encontrar comunicadores que busquem alguém que realmente tenha algo interessante a dizer na mídia pra massa.
Afinal, quem têm senso crítico? O que o povo,ou público-alvo, quer?
Hoje em dia a Inteligência é careta.
E o conteúdo da campanha? É só pegar a bola da vez, junta com umas referências visuais ou uma ideia chula e pronto.
Propaganda é arte. Assim como na pintura, na música, na literatura, também nos comerciais existem as jóias e as merdas. Assim como tivemos comerciais maravilhosos como "aquarela" (Johann Faber) "primeiro soutien" (Valisere), "A Rosa" (Boticário), "já é hora de dormir…"(Cobertores Parahyba), todas da Bom-Brill, da Gelol e mais uma infinidade que encantaram os intervalos para propaganda na tv. E nem precisaram de contratar "famosos".
ótima resposta crisdias, como nosso camarada Saulo meio que cutuca o sertanejo pois não deve ser o gosto musical dele, mas para pensar…hà tempos escutamos raimundos com a musica selim e outras diversas bandas tocando letras de merda, por que criticar o sertanejo? afinal gosto é que nem c.. cada um tem o seu.
"A verdade é que estamos ficando velhos, nossos ídolos são outros." Não creio que este seja o problema, eu tenho só 17 anos ( vai dizer que eu também estou velha) e ainda consigo perceber claramente a podridão que anda as campanhas de marketing e a mídia. E como foi bem explorado no artigo o problema não está somente na midia está no povo que a apoia, pois se hoje temos um excesso de propagandas mal elaboradas ou ao menos sem nenhum conteúdo útil isso se deve ao povo, o povo que compra, que aceita essas informações e geram lucros exorbitantes para quem as promove. Basta a nós aceitarmos ou não essa " ditadura", compramos ou não, divulgarmos ou não.
Muito bom o texto, apenas acho que Neymar e quero tchu não tem uma ligação, tudo isso é passageiro, eu quero tchu, ai se eu te pego, o brasil gosta mesmo de músicas chiclete, a uns anos atrás era a festa no apê e sempre vai ser assim, já Neymar é uma maquina de marketing, tudo que anuncia vende e muito, são propagandas coxinhas ok, mas vende, o fato é que as marcas sabem jogar esse "jogo" a VW faz aqui campanhas do Neymar, e na Alemanha faz campanhas de “chorar”, essa é a arte da publicidade, se adaptar ao publico.
Só uma correção: essa música "é do Neymar". Pelo menos aparece o nome dele no meio ~ não me olhe assim, eu estava um dia numa loja de apelo popular e a música tocou inteira…
Olha a pérola: http://letras.mus.br/joao-lucas-marcelo/eu-quero-…
O cara é tão chiclete que está presente até na música-chiclete do momento!
"O Neymar me chamou, e disse "faz um tchu tcha tcha",
Perguntei o que é isso, ele disse " vou te ensinar".
É uma dança sensual, em goiânia já pegou,
Em minas explodiu, em Santos já bombou,
No nordeste as mina faz, no verão vai pegar,
Então faz o tchu tcha tcha, o Brasil inteiro vai cantar."
"Faça um teste: Ligue a televisão em casa e conte quantas vezes o atacante santista aparece vendendo algum produto ou serviço."
Posso propor outro teste? NÃO ligue a televisão e seja feliz :)
Youtube, History Channel e NatGeo, escolho vocês!
Aliás, ninguém dá ouvidos ao canal Cultura, mas é a melhor coisa que existe na TV aberta.
E é mesmo. Assisto direto.
Aliás, hoje de noite terá filme do Hitchcock. "Janela Indiscreta"!
Olha, fiquei um tempo sem os canais "bons" da tv a cabo e descobri que a TV Câmara está mandando muito bem também.
E a TV Escola está sempre passando programas e documentários sensacionais.
Acho que seremos bombardeados com o Neymarketing até o momento em que ele começar a declinar, se perdermos a Copa de 2014 talvez tudo isso mude, mas é mesmo difícil suportar tanta repetição e ver que os "formadores de opinião" de hoje se quer tem opinião, o que vivemos hoje talvez tenha influência da internet… O imediatismo pelo re$ultado rápido e mensagem fácil de ser consumida.
Show o texto. Claro e óbvio que eu já tinha percebido esse movimento. Mas como publicitário, remar contra a maré nem sempre é a melhor estratégia. Afinal, publicitário é praticamente um vendedor.
Então se vende, use.
Como o texto diz, o problema não está no Neymar em si (aliás odeio, renego, fico puto, acho um inferno o tal do futebol) mas na cultura do Brasileiro em idolatrar os tais jogadores de futebol.
Não é só vendendo algum produto ou serviço não, os próprios meio de comunicação enchem a bola do garoto, se o cara coça a bunda já vira noticia em portais como Globo e UOL, alguém deve se lembrar que a própria revista VEJA já estampou na capa uma foto dele com uma coroa na cabeça e o titulo "Reiymar" enfatizando justamente a ausência de ídolos nacionais ao longo desse últimos anos e enchendo a bola do dele, tão querendo moldar o garoto para se tornar um ídolo nacional isso já é fato, e parece haver uma certa pressa pra isso, não me lembro de ver um jogador tão em alta e receber tanto dinheiro igual a ele na idade que ele tem. Na minha opinião se o Neymar for o cara, ele tem que conquistar o brasil fazendo jus ao que ele sabe, que é jogando bola, ganhar títulos e mexer com sentimentos de uma nação, só assim vai ter o merecido respeito, como fez, Romario, Ronaldo, Pelé, Ayrton Senna dentre outros, pois realmente hoje pra mim é irrelevante ver alguma marca com o Neymar e sem Neymar.
Não aguento mais ver a cara do neymar!
Preguiça eterna dessas campanhas com o Neymar, quando vejo algo não vejo a marca, mas a figura do jogados. :~
Pois é, Yassuda-san. Mas como acabei de dizer (pro nosso amigo Cris), existir sempre existiu. Mas ao menos antes não era "só o que tínhamos", né?
Hoje é só o que vemos. QQ vadia com silicone já ganha a atenção da mídia. E por aí vai. :)
"Neymarketing" é ótimo
Há cerca de quinze anos era praticamente insuportável viver no Brasil. TVs a cabo era pra poucos, internet ainda engatinhava, o que restava era a programação aberta com Gugu e sua banheira, João Kleber, Faustão também apelando pra baixaria total, e tome É O Tchan e boquinha da garrafa dominando as rádios e a TV. Era um inferno, aliado a um insuportável clima oba-oba causado pelo tetra, que deixou tudo ainda mais claustrofóbico. As coisas não pioraram, continua a mesma merda, só com (alguns) nomes diferentes.
Incrível, né Eduardo? Mas sabe o que é mais incrível do que um cara vir até aqui e comentar (anonimamente) algo como você acabou de fazê-lo? É ele me chamar de corinthiano.
O que só prova que, além de ser um troll, você ainda não sabe nem com quem está falando: Já que todos os ouvintes do Braincast e leitores do B9 sabem que uma das maiores paixões da minha é o Palmeiras. E que uma das coisas que eu mais gosto de sacanear é o Corinthians.
Não sou idiota. Não faço o que você acaba de fazer – entrar em sites escrevendo QQ merda. Isso é uma crítica de mercado. E focada em quem está afim de questionar, pensar, levantar pontos, opinar… enfim.
Quer me atacar? Faça isso diretamente por e-mail ou coisa do tipo.
Pelo menos assim você goza no teto da mesma forma, sem passar vergonha pública, de falar uma merda desse tamanho.
E parabéns! Não é sempre que encontro um idiota tão corajoso como você.
Estou esperando um comercial de Corega estrelado por ele em breve.
Questão de tendência. O que antes era bonito e correto, hoje já não é mais. Estamos ficando igual nossos avós com o repúdio as modas atuais, e não é diferente no marketing. É preciso modernizar constantemente!
Coloca o Pelé nas propagandas e vê se o impacto vai ser o mesmo de 30, 40 anos atrás. Parem de querer deixar o mundo "chato".
VEIO PRA FICAR???
nenhuma onda nunca veio pra ficar … é só uma onda , e vai passar como tds as outras !!!!
não estamos falando de um mito… só de um fenômeno …
mas pelo menos uma imagem ligada a um atleta é bem mais vantagem cultural, q uma ligada a música chata ou bacanal como já vimos …
Neymar tem talento … o resto é mídia , eo q vende é da/pra massa…
Não vejo nda de idiota nele … no texto sim …!
Ulisses, meu e-mail é saulo@brainstorm9.com.br. Por favor, escreva sobre o que você quiser e me envie, que eu publico no B9. Será uma honra compartilhar um texto (indiscutivelmente genial e brilhante) seu.
Fico te esperando.
O negócio é que comerciais de televisão estão perdendo a sua relevância. Afinal, cada vez mais seremos engolidos pela internet e pela programação "customizada" onde (talvez) não seremos obrigados a ver esse tipo de anuncio.
Na internet pelo menos existem estratégias de marketing muito mais criativas e interessantes. A verdade é que a televisão hoje em dia é pro povão.
Não compro nada que o Neymar anuncia. Simples assim.
Saulo, eu já te curtia, agora sou seu fã.
Precisamos Saulomiletizar a comunicação.
Ótimo texto, me fez pensar. É o primeiro texto do B9 que eu leio mais de uma vez, não que os outros sejam ruins, é só porque eu não tinha o hábito de me envolver na discussão.
Parabéns pelo texto Saulo, e como você disse ali em cima, que o B9 continue sendo essa comunidade de incentivo à discussão e ao raciocínio.
Sou mais um no bando de loucos. PUBLICITÁRIO.
E pra mim o mais impressionante é ver um modinha, seja lá quem for, estrelar inúmeros comerciais. Em 30 anos, NENHUM comercial me fez ir buscar o produto por causa da "personalidade propaganda" e muito menos parar para ver o que essa tal tinha a me oferecer.
Me fez ver pq eu tava disposto a ver a TV. E não: – Há deixa ai que o Neymar ta falando.
O engraçado é que a cada 10 pessoas que pergunto se existe algum tipo de incentivo de ver ou comprar o produto por causa desta celebridade modinha (entende que modinha é relativo para o tempo de cada um), 9 dizem não. Então pq insistimos tanto em botar essas pessoas na mídia?….Uma campanha bem executada, criativa e honesta seria mais ideal não acham?…Ou será que o Neymar com uma fala digna de um Oscar de interpretação, realmente usa o produto que eles está oferecendo?…….
Pagamos rios de dinheiro para essas celebridades. E todos esquecem na verdade que o que deve vender é o produto. Fixar marca ou produto na mente do consumidor?…Isso tb faz parte de uma campanha criativa.
Por exemplo: Eu sempre compro um desodorante X. E não é pela campanha ou pelo garoto propaganda que compro. Mas sim pelo fato de acreditar em um característica que foi demonstrado no comercial. Comprei. Gostei e continuo usando.
Menos é mais. Menos gente modinha, mais simplicidade e bom gosto na campanha.