A interface computacional de “Homem de Ferro” e “Os Vingadores”
Mais do que simplesmente desenhar qualquer coisa que pareça tecnológica na tela, quem cria as interfaces computacionais em filmes tenta representar uma época ou prever tendências de futuro. Com o passar dos anos, o trabalho se tornou mais complicado.
O acesso a tecnologia de todo tipo e tamanho foi democratizado, e torná-la verossímil nas telas de cinema requer muito mais que mero exercício de futurologia. É preciso parecer incrível, mas sempre perto do possível.
É exatamente isso o que fez o designer de motion graphics Jayse Hansen para a Marvel, nos filmes do “Homem de Ferro” e “Os Vingadores”. Ele foi o responsável por criar os elementos e animações do visor do Mark VII, construído por Tony Stark.
Hansen explorou anéis que se dividem em diversos pedaços de informação – sempre numa paleta de preto e cinza, com vermelhos, laranjas e azuis – tudo como se fosse controlado pelos olhos.
Junto com o estúdio Cantina Creative, Jayse Hansen desenhou também as telas de vidro touch da Helicarrier de “os Vingadores”, depois de estudos painéis e instrumentos de caças A-10. O trabalho chega ao detalhe de possuir diferentes “modos” de tela, alterando os elementos caso a nave esteja parada, em batalha ou avariada.
Além do velho e bom rascunho no papel, o trabalho do designer segue o fluxo de Illustrator, After Effects e Cinema 4D. Além das várias imagens nesse post, você pode ver outras em tamanho ampliado no portfolio de Hansen.
Sempre presto atenção na tecnologia apresentada no cinema, ainda mais quando brinca com previsões para um futuro próximo.
O trabalho do cara tem um resultado bem bonito, sem dúvida chamou minha atenção desde o primeiro Homem de Ferro. E é sempre bacana ver rascunhos iniciais.
Sensacional. Chego nesse nível um dia.
Fato, um belíssimo trabalho e que sempre me chamou a atenção.
Achei o filme incrível, roteiro benfeito, efeitos criativos. Rola uma especulação que a tecnologia presente "geralmente em filmes de ficção" são uma prévia do que há por vir, visto que os diretores tem contato com empresas de desenvolvimento tecnológico. O celular Samsung em Matrix, ou o holograma de Star trek, o próprio touch screen. De certa forma a impressão que tenho é que "espiamos o futuro" nos filmes. Imagine essa essa interface do Homem de Ferro no capacete do motociclista, ou no vidro do seu carro em alguns anos.
Muito legal e claro muito bonito, mas ainda acho muito fantasioso e distante da prática. Basta ver o tamanho daqueles pequenos textos no visor do Ironman, na parte de "Environmentals", ao lado das porcentagens. Agora imaginem ele voando a milhão e dando tiro em meio mundo: um ser humano jamais vai ler aquilo… Eu iria por um caminho muito mais clean e minimal, falando principalmente na interface do Homem de Ferro. As interfaces militares que conheço estão muito mais pra Atari/8 bits que isso aí… valeu!
as informações que um piloto de caça tem que ler enquanto quebra a barreira do som são tão complexas quanto… só não é futurista e totalmente digital (e com comando de voz!). Ao invez disso nós temos o bom e velho painel com botões que não acabam mais… http://4alldevices.com.br/wp-content/uploads/2011…
eu acho que os visores tendem a permanecer por muito tempo nessa linha do F-16 (http://static.electro-tech-online.com/imgcache/9607-0.jpg), mas claro que um avião tem visor + instrumentos (numa área bem mais ampla), e o IronMan teria que ter tudo junto. Pela relação tamanho da tela/informação, continuo achando que muita coisa ali é mancha gráfica ao invés de informação inteligível ou interpretável. Claro, não vi o filme, talvez tenha alguma interação que aumente/diminua as áreas, facilitando a leitura. Valeu!
Acho que é para comentar sobre o trabalho de ilustração e motion computacional do artista e não do filme em si. Nesse caso o trabalho está lindo, futurista e interessante o uso do bom e velho After Effects até mesmo nas produções hollywoodianas.
A palavra mais certa p/descrever o que eu senti desse cara é inveja! O cara fez a interface de nada mais e nada menos que o Mark VII do Homem de Ferro. Putz, jobs bons garantidos por um bom tempo!
A riqueza de detalhes é surpreendente!
Muito legal, mas tenho certeza de que foi inspirado no Distrito 9..
Muito bom trabalho…
Lembra também o Evangellion phone que lançaram lá no Japão.
Adoro esse tipo de interface futurista, cores muito bem pensadas pra monitores transparentes ou holográficos.
Do ponto de vista prático vc está certo. Mas isso é um filme que está longe da proposta de ser realista. Acredito que a escolha de design correta para esse filme em particular é essa mesmo. Tem que ser fantasioso, bonito, parecer futurista e ser extravagante. Um interface atari 8 bits, mesmo que mais realista, acredito que não teria nem de longe o mesmo impacto visual. E para um filme dos Vingadores, impacto visual tem um peso muito maior do que realismo.
Genial!
sabe aquele velho truque cenográfico de fazer luzes piscando em painéis sem sentido … apenas para dar um ar tecnológico-futurista
isso tudo faz sentido quando o diretor (e toda equipe de produção do filme) era capaz de te colocar realmente num mundo desconhecido da maneira certa … ou seja, tinha a capacidade de te fazer acreditar que tudo que você vê realmente está "fora do alcance do seu entendimento" …
a partir do momento que você consegue assimilar as coisas, parte dessa experiência de distânciamento se perde …
o problema é que, as vezes, o cientificismo era tão aleatório e mal colocado que chegava a ser risível … e não conseguia te envolver …
a saída é ir no caminho oposto … como fez o designer … partir de coisas assimiláveis
gostei do carinho com esses detalhes são pontos para o filme …
E ainda acham Windows 8 bonito….
Um detalhe sobre o design dessa interface que não deve passar despercebido por nós: a tipografia utilizada foi desenvolvida pelo designer brasileiro Dimitri Lima, (dmtr.org) a fonte se chama Arame. Procurem no myfonts. Ainda em Avengers, vale o crédito do trabalho primoroso de outro designer brasileiro, Krishnamurti Costa (antropus). Tenho orgulho de conhecer e ter estudado com eles, somos conterrâneos, lá de Santa Maria/RS. O trabalho deles é um claro demontrativo de que se pode sim atingir níveis altíssimos mesmo com a valorização precária que se faz ao trabalho de design ( e artes em geral ) em nosso país. Grande abraço e parabéns pelo site. R.