Morte ao compartilhamento automático

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Recentemente os sites de notícias, portais (surpreendente, né?) e a velha mídia descobriram o poder das redes sociais. Mas ainda assim, continuam a ter a mesma postura de sempre: Eu sei o que é melhor para você.
O último exemplo dessa maneira de pensar são os malditos aplicativos de notícias em que, magicamente, você pode descobrir novas notícias que seus amigos estão lendo.

O aplicativos de notícias no Facebook têm sido mais úteis para os veículos do que para o público.

Na teoria, isso é bom. Na prática, não tanto. Eu entendo a vontade de tirar qualquer fricção na hora do compartilhamento mas me parece que a maneira que isso está sendo feito é falha. Compartilhar sem fricção é não ter que pagar um ingresso para ler. E ter que aceitar um aplicativo as vezes soa exatamente como isso.

Estou tendo que pagar para te dar audiência. Apenas um lembrete. Não existe compartilhar sem fricção. Sabe por que? Porque a vida tem fricção. Não é um favor inventar esse tipo de funcionalidade. É, na verdade, forçar um comportamento que não é natural.

Compartilhar ou não compartilhar é uma opção e não algo obrigatório. Você compartilha o que é importante para você, o que acha que será importante para as pessoas com quem você está compartilhando e etc.

O compartilhamento de conhecimento e conexões é uma maneira de fazer com que você seja reconhecido, que a sua relevância para esse público seja notada. Ao vulgarizar o ato de compartilhar, esses apps simplesmente tiram do leitor a opção de usar esse conhecimento como uma maneira de se destacar e isso desequilibra toda a cadeia das redes sociais.

Se a maior parte das notícias que as pessoas lêem são de amenidades e fofocas e o que parte dessas pessoas quer ser reconhecida por seu conhecimento em outras áreas, esses apps são um desfavor a essas pessoas.

Enquanto os apps estimularem um compartilhamento anêmico, estarão usando premissas erradas.

Compartilhar é algo que deve ser estimulado através de outros métodos e não imposto por outros tipos de recursos. O Twitter faz isso muito bem. Se eu compartilhar que eu adoro Jailbreak 74 do AC/DC e que eu acho que a fase com o Bon Scott é bem melhor que a do Brian Johnson, isso é um endosso real de que aquilo é a minha opinião. Agora, se um aplicativo compartilha que eu estou ouvindo um disco no Spotify ou no Rdio, a única coisa que está fazendo é exatamente isso. Informando o que estou fazendo.

Claro que isso pode ser apenas uma maneira de começar a gerar novas conversas de como esse artista é bom ou ruim. Outro dia eu vi que o Asian Dub Foundation tinha um disco novo e resolvi o ouvir no Rdio. Esse dado foi compartilhado com a minha timeline no Facebook antes de eu ter uma opinião sobre o disco. Ao tentar facilitar a geração de assuntos e contato entre as pessoas, esses apps tiram o que é de mais importante do compartilhamento: a opinião.

Eu poderia ouvir o disco e achar que é fraco, pior que o Rafi’s Revenge e nem falar nada para a minha timeline. Aquele fato é irrelevante para mim. Se eu amo eu compartilho, se eu odeio, eu também compartilho mas se aquele assunto não me causa nenhuma reação, eu simplesmente o ignoro.

Enquanto os apps estimularem esse compartilhamento anêmico, acho que estão usando premissas erradas. É legal descobrir novos assuntos mas é bem mais legal quando isso é associado ao que eu gosto e ao que meus amigos têm feito.

Eu não quero saber que alguém leu um artigo sobre quem está pegando a ex-BBB que vai sair pelada em alguma revista ou que a economia no Cazaquistão não está bem das pernas, esses assuntos não me interessam. Agora se eu notar que meus amigos que também gostam do tipo de música que eu gosto, leram um artigo e recomendaram para mim, aí sim eu vejo vantagem. E esse tipo de compartilhamento está sendo trocado pelo tipo automático simplesmente por comodidade. Será que isso é um reflexo ou a causa do excesso de conteúdo compartilhado?

Ou seja, da maneira que as coisas estão sendo conduzidas, esses aplicativos de notícias, na minha opinião, têm sido mais úteis para os veículos do que para o público.

Uma pergunta: você acha que se esses apps fossem realmente legais, eles condicionariam a leitura de seu conteúdo no Facebook a aceitação de um app ou simplesmente te levariam ao conteúdo e perguntariam depois se você gostaria de usar o app?

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  • Jota Marin

    Só lembrando que quase sempre há a opção de negar o app a "post to facebook as me".
    Ou, pelo menos, você pode ocultar as publicações daquele app e torná-las visíveis só para você.

    Mesmo asism é um pé no saco.

    • Regina

      Como eu oculto no Face?

  • Marcus Brum

    vc escreveu o q vinha pensando nesses ultimos dias… perfeito !!

    o pior disso tudo é ver as besteiras (na minha humilde opiniao) que pessoas leem… realmente, nao me acrescenta nada ver que meus contatos leem todas as noticias do ultimo BBB ou da vida social das panicats !

  • http://www.facebook.com/edsonpavoni Edson Pavoni

    Reflexão importantíssima.

  • adsonbarbosa

    O app do G1 é o menos chato. Além de quando você estar lendo a notícia ter a opção de compartilhar ou não, os amigos que clicarem para ver a notícia compartilhada vão diretamente para o site, e não para apps a serem instalados no Facebook – como ocorre no caso do Yahoo! e Terra.

    • Jonas Jael

      você está equivocado, meu caro. 1) o Yahoo! também dá a opção de o usuário não compartilhar determinada atividade. 2) tanto as atividades do Terra quanto do Yahoo! publicadas no FB trazem link para o artigo dentro do site correspondente. Os apps do G1, do Terra e do Yahoo!, têm exatamente as mesmas funcinalidades.

  • Marvin Sandom

    É mesmo!
    Toda vez que eu ler um artigo da Playboy, todo mundo tem que saber?

  • https://www.facebook.com/lthomazini Lara Thomazini

    Pra mim, o grande problema é quando não é opcional. Eu não tenho o app do Yahoo no Facebook (deletei) e entrei em uma notícia através do site. Não é que 5 segundos depois estava lá, publicado em minha timeline? E, de outra vez, que também através do site, cliquei sem querer em um link e parei imediatamente e, de novo, lá no meu Facebook!

    Quem perde é o veículo. Não abro mais o Yahoo e me recuso a ler qualquer coisa do site, logada ou não no Facebook. Ainda não achei uma forma de bloquear o aplicativo, mas assim que conseguir, não quero nem mais ver o que meus amigos estão lendo.

    Acho que o erro também é do Facebook, que permite que isso seja feito. Como assim não tenho controle das informações que aparecem na minha página?

    • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001480642950 Ivan Bezerra

      Também fiz o mesmo…

  • https://www.facebook.com/pedropra Pedro Prá

    Ótimo texto, já estava percebendo esse comportamento e isso realmente estava irritando. Obrigar o usuário a compartilhar é completamente FAIL.

  • http://www.murilocampos.com/blog Murilo Campos

    Esse treco é extremamente desagradavel ! :(

    não uso apps de notícias, e quando vejo na timeline que um amigo leu a notícia X com o app, eu copio o titulo da noticia e jogo no google e entro sem o app, mas :///

    esse tipo de mecanismo é escroto, mas o pior é que dá resultado :/
    eu ando fazendo umas paradas desse nível com meus clientes

  • http://twitter.com/ikemoraes @ikemoraes

    é uma sacanagem com os desavisados, que são sempre maioria.

  • https://www.facebook.com/bydoug.sousa Doug' Sousa

    Provavelmente nem os próprios usuários perceberam isso ao instalarem, já peguei tantos "filósofos" na timeline com a mensagem: "fulano leu matéria do eliminado do BBB"
    Nada contra, mas acaba com a falsa reputação destes, é.

    • Flá

      hauihaiuhiua,exatamente,vi vários desses! Mas o pior foi meu amigo que viu no face da priminha que ela leu o artigo "maneiras de apimentar o sexo"…hauhauhuiaiua,tenso.

  • Fabio Caires

    Imagina se o Xvideos tivesse app!

  • http://www.cristianocensoni.com cris

    eu concordo, e qdo acontece esse tipo de compartilhamento (já me aconteceu de a opção de compartilhar no facebook já vir marcada), eu apago na timeline. É um exemplo de que nem tudo oque vc lê, você deseja propagar…

  • http://twitter.com/_Bauducco_ @_Bauducco_

    Esses dias apareceu no Facebook que meu chefe tinha lido um artigo. "Sou gay e sou feliz" diz apresentador.

    Foi bem engraçado e mostra bem os inconvenientes que esse esquema pode causar.

  • Marcelo Galvão

    Por este motivo nunca aceitei este aplicativo. :)

  • Carlos Vargas

    Eu já venho evitando esses aplicativos desde quando "caí no conto do vigário" do Guardian há alguns meses… Fiquei surpreso ao ver que o artigo tinha sido compartilhado automaticamente por mim. Desde então eu nem clico mais nesses artigos… Prefiro buscar o headline na internet.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=1539853201 Karin Janz

    Na minha opinião, essa é mais uma estratégia de divulgação passando por cima da opinião do leitor e se aproveitando dele. É o capitalismo selvagem da publicidade.

  • http://twitter.com/FernandaBas @FernandaBas

    E viva ao filtro na hora de compartilhar, seja no automático OU não.

  • http://www.facebook.com/wesleymacente Wesley Macente

    Assino em baixo! Sem falar que esses aplicativos expõe a vida sombria das pessoas que derivam na internet haha

  • http://boechat.com jean boechat

    mais um caso de estelionato social. estamos de olho.

  • http://twitter.com/funxo @funxo

    penso da mesma maneira.
    e isso, às vezes, pode soar meio arrogante: "tudo que leio é relevante" etc.

    estão estragando mais uma coisa útil :/

  • conhecimentohomeopatico

    poe no google seu bando de preguiçoso!!

    sai do FB um pouco bando de acomodado

  • http://www.facebook.com/rafael.alvez Rafael Alvez

    a reflexão é importante. eu também acho que os compartilhamentos automáticos anulam a opinião. não é porque eu li sobre BBB, que eu acho BBB bacana. mas também acho um saco esse tipo post que parte de uma polarização mocinho-vilão, onde as mídias são escrotas e os leitores os coitadinhos.

    o ponto é que todas essas atividades são pre-determinadas (ou deveriam) com o consentimento do usuário. quando alguém autoriza a instalação de alguma app, deveria estar ciente sobre como ela funciona e quais são os níveis de privacidade que tem à disposição. no caso do app do Yahoo!, que me parece ser o alvo principal da crítica, os disclamers estão bem à mão do usuário no momento do set up da ferramenta.

    depois de instalada a aplicação, ainda há vários níveis de moderação das atividades que estão a um clique do usuário em qualquer página de artigo do Yahoo!: a) após ler um artigo e ver a notificação, o usuário pode clicar em 'apagar esta atividade' (o post é deletado do seu perfil); b) o usuário pode desabilitar a funcionalidade, desconectando a integração Yahoo!-FB; c) o usuário pode simplesmente clicar em 'opções-remover experiência.

    ou seja, nego usa porque quer, se expõe com ciência e têm à mão mecanismos para se dissociar daquilo que o incomoda. ninguém está obrigando ninguém a fazer nada. os usuários não são os coitadinhos da história. o que tá faltando mesmo é um pouco mais de interesse, de conhecimento, de disposição.

  • http://www.raphaelfiga.com/ Raphael Figa

    Eles unem o útil ao agradavel do ponto de vista deles. Olhando a timeline de amigos vejo e marco que somente para trazer as atualizações mais importantes, partindo da premissa que de cada 4 postagens apenas uma vale ser lida, poucos se importam com o que vai para seu mural, já não se importam no fator que a linha do tempo diz muito sobre uma pessoa.
    Então o útil para eles é o fator que gerar pageview site de noticia que tem refresh para trocar os banners e gerar pageview quer mais e exposição, pageview é o que conta, e para quem programa comodidade que não precisa implementar complexas regras de negócios que podem mudar a qualquer momento.

  • http://twitter.com/zerrenner @zerrenner
  • http://www.twitter.com/larissabarbosa Larissa Barbosa

    Tem que ter o cuidado mesmo em aplicativos de Facebook. Muitos não l6eem que neles tem a opção: "Posso publicar a qualquer hora do dia e da noite em sua timeline" e acbaam postando esses artigos que de alguma maneira voce nao quer compartilhar.

    Importante reflexão, para todos!

  • http://www.cutedrop.com.br Letícia Motta

    Acho chato também. Fora que acho invasivo. Vira um feed nada democrático. Quando vejo um link de uma matéria que alguém leu e tenho que aceitar um app desses, vou no Google e busco pelo título que me interessou. Uma forma pessoal de me manifestar contra. =/

    Letícia Motta, editora do Cutedrop. http://www.cutedrop.com.br

  • http://fb.me/magiozal/ MaGioZal

    “Uma pergunta: você acha que se esses apps fossem realmente legais, eles condicionariam a leitura de seu conteúdo no Facebook a aceitação de um app ou simplesmente te levariam ao conteúdo e perguntariam depois se você gostaria de usar o app?”

    A questão é justamente essa aí. Até que a princípio nada muito contra esse “compartilhamento sem fricção”, contanto que o usuário concorde com o sistema. Mas pô, É MUITO CHATO ver a o link da notícia e ser forçosamente levado ao APP, e não à NOTÍCIA em si! Isso é uma forçação de barra.