O CCO da AKQA não entendeu o SxSWi

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Meu segundo ano de SxSW Interactive e meu segundo ano de promessas de uma cobertura apavorante que acaba não acontecendo. Vou jogar as desculpinhas da conexão wifi cai-não-cai, da vontade de refletir sobre cada assunto, do cansaço… Mas a real é que na semana de SxSWi eu não quero perder um segundo. Eu gosto de escrever com calma, revisando, deixando o texto marinar alguns dias e é isso que vou começar a fazer com este texto aqui, que lanço fora da ordem cronológica ou algo que o valha em edição extraordinária. Lá eu fico andando de um lado pro outro, ouvindo muito e conversando com desconhecidos de vez em quando.

No último dia de SxSW, já no estágio pó da rabiola da barrinha de energia, fui na palestra do CCO da (badalada) AKQA, Rei Inamoto. O título, “Why Ad Agencies Should Act More Like Tech Startups” me lembrava diretamente do painel que mais explodiu minha cabeça ano passado, “Do Agencies Need to Think Like Software Companies?“.

Cannes é a Enciclopédia Brittanica. SxSW é a Wikipedia.

Inamoto abordou tema sozinho, mas com a ajuda de seis especialistas que entrevistou em vídeo, usando trechos da entrevista no telão e discorrendo em cima. Não foi uma palestra definitiva, afirmando se uma agência deve ou não deve se comportar como uma startup (ainda bem). Mas foi ótima para mostrar as diferenças claras entre as duas filosofias, para o bem e para o mal de cada lado. Foi uma das minhas preferidas do evento todo por falar diretamente sobre um assunto que esbarro todo dia no trabalho.

Eis que hoje, depois de 24 horas entre aviões e salas de conexão, no recôncavo do meu lar, vejo galera da publicitariosfera twittando (com um ar de chupa!) um artigo do japinha para a AdAge: SXSW Reminds Why Cannes Is Still King. Vai lá ler, eu espero.

Nas palavras twittadas do próprio:


Enquanto isso, diz ele, Cannes Lions é focada, celebra a inovação e a criatividade. Cannes tem meia dúzia de painéis e o SxSW tem 6 mil.

Até aí concordamos. O problema é ele dizer que, com isto, Cannes é a melhor e devemos deixar o SxSW pra lá. Aí ele mostra que não só não entendeu a pegada do festival texano como periga também não estar entendendo muito para onde nosso barco está indo.

Em primeiro lugar, o SxSW não é um evento de publicidade, não é um evento para publicitários e não existe para celebrar nada relacionado ao mundo da publicidade. O evento interativo teve um tema (entre mais de 20) chamado “Branding and Marketing”, que tinha umas 4 ou 5 salas dedicadas e é onde a maioria dos publicitários circulava. (eu mesmo fui em umas 5 palestras deste núcleo) Mas, só para termos uma ideia, estas salas (ao contrário do ano passado) não ficavam no principal centro do SxSW, o gigantesco Austin Convention Center. (o número total de palestras aumentou do ano passado para este e alguns temas tiveram que se mudar) De repente ele ficou chateado justamente por ver seu painel limitado a uma salinha com uns 100 ou 200 mulambos. (eu entre eles)

Além disso ele mesmo explicou a diferença, só que achou a diferença ruim: SxSW is the live version of the Internet.

É aí, amigo, que mora a diferença. Cannes é a Enciclopédia Brittanica, SxSW é a Wikipedia. Quem faz Cannes é a organização, quem faz o SxSW é você. Eu mesmo saí de lá com a sensação de que não fui tão feliz na minha escolha de palestras quanto o ano passado. Cannes te entrega as coisas de bandeja. O SxSW dá a responsabilidade nas suas mãos. No SxSW qualquer zé mané tem chance de palestrar. Qualquer um mesmo.

Cannes é onde se celebra o que foi feito. SxSW é onde se escreve o futuro.

De certa maneira o CCO reconhece seu erro de expectativa lá pelo meio do texto quando diz “For marketers attending for their own education, it’s best that you have a well-versed guide who can show you around.” Que foi exatamente o que o ECD da minha agência fez: usou as dicas de todo mundo da comitiva (incluindo a minha) para saber onde ir.

Eu ouvi essa opinião de que “Cannes é mais focada, SxSW é mais cachorro louco” de vários publicitários lá mesmo em Austin. Com a diferença: todo mundo já combinando de voltar ano que vem.

No fim das contas é o famoso cada um com seu cada um. Cannes tem sua finalidade e SxSW tem outra. O que não vale é tentar desqualificar um ou outro evento porque sua classe profissional não teve o destaque que você achou que deveria ter.

PS caso não tenha ficado claro: este texto foi escrito por um cara que nunca foi a um Cannes Lions. Quem quiser pagar minha ida este ano é só entrar em contato!

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7 respostas para “O CCO da AKQA não entendeu o SxSWi”

  1. Phodido, Cris.
    Foi a primeira vez que vim e, confesso, fugi de todas os painéis mais focados em publicidade para correr atrás de histórias que poderiam me inspirar mais do que adquirir técnica.
    E vamos orkutizar mais no ano que vem!
    Parabéns pelo artigo.

  2. O que sinto, e acho que muita gente vá dividir esta angústia é: Onde diabos está o golden pot, a fórumla de como fazer, o caminho lógico, o passo-a-passo pra efetivamente trabalhar publicidade no meio digital?

    Existem tantas variáveis e tantas opções nascendo a cada 3 meses que quando você entende o agora, ele já virou passado.

    Eu entendo a frustração do Rei quando ele diz que em Cannes o pessoal já vem mais preparado, é lógico, a publicidade (filmes / print) usa a mesma fórmula fáz séculos, e o improve destes meios é só a expertise e a criatividade em inovar as jogadas, mas não as regras. É como analisar a NBA de Dr. J e depois compará-la a de Michael Jordan, há diferenças no estilo gritantes, mas as regras são as mesmas.

    Já o meio digital me lembra muito um calvin ball constante.

    Aí eu me pergunto, #comofaz? E me pego me perguntando isso o tempo todo, e recordo que me perguntava isso a centos anos atrás quando comecei a trabalhar nisso…

    Talvez aí esteja o grande trunfo, em uma análise mais otimista.

    Porém, o meio do caldo acaba absorvendo um monte de gente incompetente porque não consegue sequer validar a capacidade do indivíduo devido ao caos generalizado, e isso acaba se tornando um câncer, onde um nego ruim sobe, passa isso pro debaixo que chegou sem saber como era pra fazer e só reproduz a merda toda, seguindo assim por diante…

    Deixando o otimismo de lado e sendo mais realista, vejo um mercado cada vez mais amador, cheio de iniciativas patéticas que não conseguem absorver o potencial de interatividade que o meio é capaz de produzir.

    A luta diária é para agradar o cliente, que paga 20 reais por like no Facebook e acha isso uma métrica sensacional, sendo que qualquer "não gosta de mim deita na br" consegue zilhões de shares e likes com qualquer quadrinho de meme imbecil.

    E do outro lado, temos geeks brilhantes lançando produtos e projetos bem sacados, que vão de encontro com o usuário, ou seja, eu e você. Era tudo o que eu queria fazer po, coisas bem sacadas para o cliente E usuário.

    Então, aí vai a grande pergunta que não me deixa dormir por mais de 10 anos… #COMOFAZ?

  3. Joyce disse:

    Curioso vc comparar Cannes a Encoclopedia Britânica, que segundo eu vi, vai deixar de ser editada em papel. Ou seja, teve que se reenventar =)

    • diogo batalha disse:

      Cannes começou apenas como festival de filmes. Hoje tem até categoria Mobile e Geração de Conteúdo.

      O festival está sempre se reinventando (e arrecadando mais dinheiro com inscrições)

  4. Walter Romano disse:

    Boa, Cris.
    Realmente queria entender melhor em que ponto o Inamoto se frustrou com o evento. Durante a apresentação, ele parecia bem entusiasmado.

    A verdade é que o ponto alto do SXSWi é essa multiplicidade de combinações possíveis de apresentações. Não vi nenhum brasileiro que tenha seguido o mesmo roteiro que outro. Cada um monta sua agenda, cria suas conexões e leva um punhado de insights e inspirações pra casa.

    E em alguns momentos a gente acaba errando na escolha, mas a vida é assim mesmo, não? Como uma startup: embrace failure! Porque isso também é aprendizado e na próxima você acerta. :-)

  5. Ai publicitários…ele perdeu uma ótima chance de ficar calado. Enfim. Eu já fui a 3 SXSWs e esse ano não pude ir por causa do bebê, e fiquei me chutando lendo os comentários do pessoal sobre as palestras, porque eu queria estar lá. Rola sempre o fator sorte – com trocentas palestras, você conseguir escolher uma que vai ser super inspiradora PRA VOCÊ – não é tarefa fácil. O que eu acho muito bacana é ver que não tem "o" assunto do SXSW, tem vários assuntos importantes a cada ano, que são importantes para diversos grupos por motivos variados.

    Mas vale falar: se você escolhe palestras que são muito dentro do seu dia-a-dia ou área de domínio, acho que você acaba se decepcionando, porque aí fica difícil ver alguma coisa inovadora. O mais legal é justamente escolher palestras fora da sua área de expertise, e abrir os horizontes. Não sei se dá pra fazer isso em Cannes, mas no SXSW tem muitas oportunidades pra isso.

    Tipo o bate-papo que eu tive com uma matemática que estava divulgando a sua startup, ela desenvolveu um algoritmo pra fazer "match" de pessoas através do perfil do Facebook. Antes de ter essa empresa ela analisava padrões de uso do sistema de saúde americano pra detectar fraudes no sistema. Só na conversa com essa mulher rolaram trocentas idéias bacanas de como esse tipo de algoritmo poderá ser usado pra um monte de coisas diferentes. Todo ano eu saio do SXSW com alguma coisa pra pensar. Esse ano não foi diferente, mesmo tendo ido só um dia e meio.

  6. Só tenho uma coisa a dizer: O debate é muito bom! Enquanto isso todo mundo fica meio perdido uns são digitais outros são on-line.