Oscar 2012: Só faltou gritar “Comprem ingressos, por favor!”

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Tornou-se comum dizer que a cerimônia do Oscar em 2012 seria um olhar nostálgico para o cinema, depois de a Academia de Hollywood muito tentar, em vão, rejuvenescer a sua audiência com apresentadores, atrações e indicados mais aptos ao paladar jovem adulto nos últimos anos. A mudança na categoria mais importante, que aumentou de 5 para 10 indicados (9 nesse ano) com o intuito de incluir alguns blockbusters na salada dramática, marca o movimento maior nessa direção.

A nostalgia desse ano foi representada principalmente pelos filmes indicados: obras tradicionais e/ou homenagens ao cinema em si, alguns praticamente uma metalinguagem. Os 5 merecidos prêmios para “O Artista” comprovam isso, e mesmo “Hugo” de Scorsese, com o melhor 3D que já vi no cinema e seu punhado de prêmios técnicos, também é uma ode ao passado.

Sem nenhuma surpresa, a distribuição dos homenzinhos de ouro foi bem feita. “O Artista” mereceria primeiramente pela ideia audaciosa e coragem de fazer – o próprio diretor Michel Hazanavicius admite que enfrentou risos e piadas quando falou em fazer um filme mudo e preto e branco. E as escolhas para atores, atrizes e categorias técnicas também foram barbadas – exceto pela boa surpresa de ver “The Girl with the Dragon Tattoo” levar o prêmio de Montagem.

Mas o problema da Academia não foi com justiça, e começou bem antes da noite de ontem: Nenhum dos indicados a Melhor Filme conquistou o público. Apenas “Histórias Cruzadas” (The Help) – baseado num livro já best-seller – ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em bilheteria.

Isso pôde ser visto até aqui no Brasil na semana passada. Com uma porção de filmes indicados ao Oscar nas salas de cinema – teoricamente a seleção daquilo que teve de melhor no ano – as pessoas preferiram assistir “O Motoqueiro Fantasma 2″ ou mais uma bobagem do Adam Sandler. Esse tipo de situação escancara a sempre gritante diferença de “gosto” dos votantes da academia – brancos com mais de 60 anos em sua maioria – com o público.

Não estou dizendo que a mediocridade precisa vencer, mas alguma teimosia precisa acabar. Achei que estava se resolvendo quando indicaram “O Cavaleiro das Trevas”, “A Origem” e, mesmo detestando, “Avatar” em categorias principais – óbvios chamarizes de público para a cerimônia – mas cadê o Andy Serkis indicado por “Rise of the Planet of the Apes”, por exemplo? O TOP 10 de bilheteria de 2011 é sim rídiculo, mas o único que merecia algum reconhecimento foi completamente esnobado.

A situação então está instalada: O filmes que Hollywood quer premiar não tem apelo popular; A competição pela atenção das pessoas é cada vez mais brutal na indústria do entretenimento, e, com tantas opções, é natural que os números passado não se repitam mais; E se falarmos em pirataria aí é que a indústria chora de vez.

Com esse quadro pintado, eu não me espantei quando comecei a notar em cada movimento da cerimônia do Oscar, um quase desespero para nos mostrar como o cinema e toda o mercado é importante. No momento mais óbvio, vinhetas com atores dizendo qual o primeiro filme que se lembram de ter assistido promoviam, quase num tom choroso de despedida, como aquela experiência na sala escura era única e marcante.

Eu concordo – assistir filme no celular é uma babaquice sem tamanho – mas o problema vai bem além da tela em que se vê, e passa a ser simplesmente não ver. Dessa forma, passaram as 3 horas e 8 minutos da premiação gritando para o mundo – inclusive com a Sandra Bullock arriscando um mandarim – porque você deveria gastar o seu dinheirinho com ingresso de cinema.

E teve até a política da pena, com a valorização e holofotes para os profissionais da indústria, principalmente daqueles que nunca aparecem. No anúncio dos indicados, víamos cenas e depoimentos de cada um em relação ao processo criativo daquele trabalho em si. Algo sempre mostrado, é verdade, mas com um tom ainda mais sóbrio e centrado no talento artístico que você não verá em mais lugar nenhum.

Eu vou no cinema praticamente toda semana, e apesar da distribuição brasileira não colaborar em nada me empenhei para assistir todos os filmes indicados. E, ainda assim, não consigo ser tocado por esse apelo. O trabalho criativo deve ser valorizado e premiado sempre, mas a indústria que o comercializa patina para tentar se adaptar.

A audiência da cerimônia em si é outro problema para a Academia, mas isso é algo que eu me importo bem menos. A ironia do Oscar nesse ano é que, mesmo sendo um dos mais curtos da última década, faltou ritmo, e praticamente nada que o Billy Crystal tenha feito funcionou – o retorno dele aliás foi outra nostalgia da noite.

A única luz de que tudo poderia ser melhor foi quando Chris Rock pegou no microfone e, se a Academia for um mínimo esperta, já o fez sair dali com o contrato assinado para apresentar a festa em 2013. Em 2005 poucos gostaram dele como host, mas já que esses parecem tempos de medidas desesperadas, eu não me surpreenderia. Uma coisa é certa: a perna da Angelina Jolie deveria voltar.

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  • https://www.facebook.com/profile.php?id=100001051222068 Micael Mendes

    Como sempre, o Oscar foi como todo mundo esperou, acho que vai ser muito difícila academia mudar… na minha opinião o público deveria ter mais influência na hora da escolha dos filmes do Oscar!

    • Vinícius

      Eu acho interessante esse critério que eles levam mais em consideração para premiar os vencedores, dando mais enfoque ao valor artístico da obra e não ao seu rendimento ou aceitação do público. É lógico que muitas vezes eu discordo de alguns premiados, porém a academia tem uma experiencia e um conhecimento que não temos para poder avaliar e decidir um vencedor entre tantos filmes bons. E se o público pudesse interferir na escolha dos melhores, logo teriamos Justin Bieber 3D ganhando estatuetas… :S

  • http://www.facebook.com/samuel.grolli Samuel Grolli

    Concordo em relação a várias opniões que você deu, mas não acho absolutamente que só porque filmes bem feitos não são os mais assistidos eles devem dar espaço a alguns extremamente assistidos apoiados unicamente em bilheterias e gostos duvidosos de quem os assiste. Eu vi que você disse que não acha que a mediocridade precisa vencer, mas será que ela precisa mesmo ser indicada? Será que não é a própria industria de filmes mundial que continua a investir mais tempo e mais dinheiro em comédias do Adam Sandler ao invés de filmes com histórias envolventes e bons atores? Eu acho que você apontou diversos problemas sem nenhuma ponta de ideia pra solução e convenhamos.. isso é bem facil.

    • http://www.facebook.com/edugabao Eduardo Gabão

      Bem colocado Samuel. Concordo com o Carlos quando ele diz que alguns filmes mais "populares" merecem participar da cerimônia. A indicação é um reflexo do reconhecimento da Academia com filmes de maior apelo popular. Porém os próprios exemplos citados pelo Carlos mostram que para estar la dentro é preciso ser mais do que bom. Batman é um filme fantástico. Avatar, além de um ótimo filme, trouxe revoluções técnicas que estavam décadas a frente e A Origem (assim como Nolan) pode sim reclamar que a popularidade atrapalhou, pois se tivessem o nível de "cult" de um Malick da vida provavelmente levariam a estatueta em 2010.

      De toda forma eu vejo como muito prejudicial essa tendência de popularizar o Oscar. Eu vejo a academia exatamente como o oposto disto. Sua fução é de valorizar, premiar e promover as boas produções. Não quero ver verbas gigantes gastas em mais um filme do Michal Bay (apesar de bumblubee/camaro terem me conquistado) enquanto boas produções não recebem o devido incentivo.

      E novamente, como disse o Samuel, qual a "solução" para isso. Quais filmes mereciam então uma indicação? Planet of the Apes é sim um filme fantástico. Concordo que merecia talvez um indicação, mas não acho absurda sua ausencia. Será que valeu a pena indicarem operação madrinhas de casamento para melhor roteiro? Essa é uma obvia indicação apra atrair audiencia, mas convenhamos. Eu me senti ofendido ao ver essa aberração ser considerada um dos melhores roteiros do ano.

      Enfi, esse assunto é muito bacana, renderia horas de um bom papo.

      Abraços a todos!

      • http://www.facebook.com/samuel.grolli Samuel Grolli

        Temos um claro exemplo de popularização de premiação. Hoje tendo muita audiencia, mas que todo mundo odeia: VMB. O VMB hoje em dia premia apenas o que vende, não ta nem aí se foi produzido por algum sintetizador de vozes ou se a música tem melodia e letras fenomenais. Aí vemos uma porção de coloridos todos os anos ganharem diversos premios e muitos Cd's espetaculares nem serem lembrados. Chegamos a ver absurdos como brasileiros que ganham o Grammy latino não ganharem um premio brasileiro.

        Vem daí a pergunta, realmente é necessário irmos para o caminho popular, ou é muito melhor premiarmos quem realmente faz bem seu trabalho independente de quantas pessoas gostam?

  • Fernando

    Eu diria que isso beira quase o patético; com o passar do tempo, nós estamos vivenciando uma cena de total decadência não só na indústria cinematográfica, que fica cada vez mais livre de títulos ao qual podemos atribuir o termo “filme inteligente”, mas também ao do processo de “emburrecimento” das massas, o que pouco a pouco, está transformando o senso crítico do cidadão, de uma forma geral, na mesma sede de sangue de um populacho ensandecido sentado as arquibancadas de um teatro bebericando vinho e mordiscando pão enquanto aguarda que os dois homens no centro da arena sobrevivam ao confronto com as bestas famintas.

    • Felipe

      eeeeita!

    • https://www.facebook.com/dcortezi Daniel Cortezi

      Fernando, participo de um grupo que fala sobre mídias sociais e a discussão de sexta-feira passada era exatamente sobre isso. Conteúdo de marca e quão "burro" ele tem de ser algumas vezes para receber audiência.
      A preocupação é que, cada vez mais, isso se torne um processo irreversível e não só o cinema mas todas as outras mídias sejam atingidas e cada vez mais um conteúdo que exija cérebro, seja deixado de lado.
      Parece que estamos partindo para os extremos. Ou o produto é extremamente complexo e para poucos ou ele é descartável demais e fácil de ser consumido.

  • Vinicius

    De que adianta premiar filmes que não foram premiados pelo público e sua presença? Seria um mero, porém renomado prêmio de consolação aos saudosistas da 7ª arte?

    • https://www.facebook.com/severogarcia Alessandro Garcia

      O prêmio é para o produto artístico, não para o mercado proporcionado por ele.

  • Caio

    Eu acho que arte é arte, pra mim o filme pode ter 100 telespectadores, mas se for bem produzido, com uma boa historia vale mais do que um Vovó Zona com 1 milhão de telespectadores.
    O público não tem capacidade para avaliar um filme, basta ver o que o Merigo disse, preferem assistir bobeiras, filmes de sessão da tarde do que filmes do Oscar.
    Eu adoro cinema dou meus pitacos mas não sei avaliar com justiça qual diretor foi melhor, qual atriz foi melhor, ou até mesmo qual filme, são milhares de coisas por traz, não é a toa que o gosto popular muitas vezes não se encaixa com o Oscar.

  • https://www.facebook.com/bydoug.sousa Doug' Sousa

    Existe sim uma 'aversão' por parte da Academia aos filmes sucesso de bilheteria, mas alguns destes ela não pode ignorar, que foi o caso da trilogia do Senhor dos Anéis, O Cavaleiro das Trevas, e Inception, por exemplo.

  • Fabricio Araujo

    Duas opiniões:
    1 – O Billy Crystal voltar a apresentar o Oscar foi uma ação de segurança, já que o Eddie Murphy, que estava confirmado como apresentador, saiu depois de tirarem o Bret Ratner da direção do espetáculo. Tiveram que colocar em ação um plano B e chamaram um cara que já ganhou dois Emmys por apresentar a cerimônia do Oscar. Ele é um lugar comum, é verdade. Mas a decisão de trazê-lo de volta não foi uma questão de pura nostalgia.
    2 – Sobre filmes que não conquistam o público, acho que o último filme a ganhar Oscar e que foi blockbuster mundial, que atingiu a grande maioria, foi O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. É muito complicado avaliar isso num país onde a distribuição e exibição de filmes "menores" é péssima, como bem comentado no post.

    Tem outras que discordo, mas teria que escrever um outro post pra colocar ponto por ponto.

    • http://www.brainstorm9.com.br/ Carlos Merigo

      Boa
      Escreve e manda pra gente Fabricio :)

      Valeu!

  • Murillo

    Concordo com cada virgula mas o decote da Jennifer Lopez também pode voltar! rsrsrs

  • João Calhado

    Um sonho meu mas que por motivos óbvios nunca se tornará realidade, seria acabar com a categoria “Melhor Filme Estrangeiro”, e fazer com todas as categorias fossem pleiteadas pelos melhores filmes do ano de verdade, não apenas os melhores filmes americanos do ano, sei bem dos motivos para não se fazer isso, mas se a Academia quer renovação, isso seria muito além, seria uma revolução que traria ainda mais olhares para a cerimonia e quebraria a nescessidade de “encher linguiça” com filmes POP. Por esta lógica meu sonho faria sentido, não? O que vocês acham?

  • https://www.facebook.com/severogarcia Alessandro Garcia

    O grande motivo do Oscar continuar premiando alguns filmes que não são considerados representativos do gosto médio, é o grupo de membros da Academia.

    Como apontado por Merigo, quem faz parte dela é, em sua maioria, brancos com mais de 60 anos.

    Ao não ter, entre seus membros, pessoas que representem outras possibilidades de gostos, que não os calcados por pessoas nesta faixa etária e raça, fica difícil eleger filmes que possam agradar ao gosto médio – feitos por pessoas muito diversas de caucasianos sessentistas.

    Em minha opinião, é assim que o público se sentiria mais representado: se houvesse uma maior diversidade entre os membros da Academia. Não é empurrando, por conveniência, alguns filmes populares "mas não tão ruins quanto um Adam Sandler". Estes, se realmente relevantes, apareceriam constantemente, não de forma rara como os já citados "Cavaleiro das Trevas", "Avatar" e "A Origem".

    E o que nunca podemos esquecer: o prêmio é da Academia. Premia os produtos artísticos, não suas consequencias mercadológicas. Não é por ser o mais popular entre as premiações cinematográficas, que ele vai virar o mais popularesco, oferecendo possibilidade do público votar através de site, por exemplo.

  • Guilherme Carvalho

    Concordo em parte, mas ainda acredito que os melhores merecem sim continuar sendo premiados, independente de serem ou não reis de bilheteria. Essa história de premiar os vendedores não me agrada em nada, acho que é o nivelar por baixo que mais me deixa com medo.
    Mas a própria distribuição e a logística de programação dos cinemas nacionais também deu um tiro no pé. Não consegui assistir nem 1/4 dos filmes que estavam concorrendo ao oscar simplesmente porque colocavam os filmes nos piores horários possíveis. Os dois maiores ganhadores do prêmio essa ano só estavam passando nas sessões que começavam até as 17h ou 18h enquanto que em um único cinema ele competia com um filme infantil com 4 salas enquanto que os outros tinham apenas 1 sala cada, mesmo sendo esses os principais concorrentes ao oscar.

  • http://www.dabsdesign.com.br JuanHB

    Não se esqueçam da "Angelina’s Leg Pose"…
    A perna dela ja tem até twitter =P

  • http://twitter.com/rafagros @rafagros

    A academia tem seus criterios para premiar, nem sempre o valor arrecado com a bilheteria é um deles. Os critérios não mudam ano a ano, mas sofrem forte influencias dependendo de qual direção a academia quer dar ao mercado. Não podemos esquecer quem são os idealizadores e defensores do SOPA e PiPA, homens brancos com mais de 60 donos dos estudios. Difícil imagina-los liderando as mudanças.
    O Oscar é o premio mais importante do cinema, pois celebra a industria cinematográfica mais importante de todas. A americana.
    A cerimonia de ontem me pareceu um clamor ao romantismo que o cinema tem e sempre terá, mas com uma pitada de medo do futuro sombrio onde o lucro não vem mais da exploração das janelas.

  • rafamn

    Lembro daquele ano em que concorreram Distrito 9 e Bastardos Inglórios, aquele foi um bom ano. Este ano já foi mais difícil, 2011 foi um ano bem ruim pra ''indústria'', não digo de dinheiro, não sei, mas como produtor de estórias.

    Mas, pra mim, ficou claro que eles entendem o contexto, dá pra ver isso nos filmes que concorreram, praticamente todos sobre a mesma coisa, ode ao passado e mudança para tornar o futuro tão bom quanto já foi. Funcionou assim no The Artist com o som, foi assim no Hugo, na história e no uso exemplar do 3D, foi assim com MoneyBall (aqui, se fica preso no orgulho, mas também se tenta algo novo), foi assim em Os descendentes (resolver nossos problemas e os que herdamos), Meia Noite em Paris (o culto ao passado é legal, mas temos que resolver o agora), etc.

    • http://www.brainstorm9.com.br/ Carlos Merigo

      Pois é Rafa,

      Essa atmosfera monotemática também me incomodou, e a festa também foi pro mesmo caminho.

  • Vinícius

    Mto bom o artigo, em relação ao momento em que Chris Rock apareceu, também tivemos outro momento cômico com a Emma Stone, que poderia ter sido ainda mais divertido se o Ben Stiller tivesse entrado na mesma onda, e não ter interrompido tantas vezes.. Achei o Oscar 2012 mais interessante que o do ano passado, e na categoria 'Efeitos Visuais' eles poderiam levar mais em consideração a parte técnica, eu tenho a impressão que o enredo do filme influênciou na escolha do vencedor. A categoria de melhor atriz, na minha opinião, estava a mais disputada de todas, fiquei feliz com a vitória da Meryl Streep, porém me pareceu que as "não-vitórias" anteriores pesaram nessa decisão. Tipo assim: Agora é a vez dela!

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100002247275616 Leandro Oliveira

    O fêmor da Angelina, você quis dizer, não é Merigo?!

    Billy Cristal só não me causou constrangimento alheio e sim graça, quando ao entrar no palco um livro enorme trabalhado em madeira, com a interação de uma projeção e ao som épico de Hans Zimmer, a câmera volta pra cara dele e ele faz um som gutural de deboche, algo como Nhhé… e dá de ombros, haha, muita graça por sinal, foi muito feliz na escolha da gag.

    De uma maneira mais macro, no final das contas é exatamente o que parece, o Oscar foi uma campanha de conscientização, porém os que talvez precisem dessa "lição", em sua maioria, não assistiram a cerimonia, isso se quiça já assistiram alguma vez.

    Só eu achei absurdamente xenofóbica e injusta a escolha de melhor canção para o filme dos muppets, o sujeito que criou a canção, tentando não desmerecer o que por ventura ele já tenha feito, foi de um desmantelo na explicação e execução de sua obra, ao falar que o que fez foi pegar um monte de referências de refrães pops, colocar num liquidificador e Voilà, em 20 minutos estava pronta.
    Em detrimento disso ficou trabalho artístico de pesquisa e empenho digno de uma grande produção cinematográfica que empregou uma porrada de gente capacitada, no caso do Rio, não teve o mínimo de reconhecimento a não ser pelos cofres que superaram e muito os do Muppets, tanto nos EUA como mundialmente.
    A academia perdeu aí uma bela oportunidade de ratificar pelo menos um dos arrasa quarteirões que sua indústria produziu.

  • http://www.murilocampos.com/blog Murilo Campos

    Bom, vou dar meu pitaco:

    1. Vejo o Oscar mais como politica do que arte.
    2. Se Cuba fizer o melhor filme do mundo, jamais será indicada
    3. Brasil só é indicado quando geramos $ para interesses da academia
    4. Assim como a arte, não existe "melhor maneira" de fazer cinema. No Oscar só são premiados os filmes que estão dentro de fazer cinema da Academia.
    5. Nivelar por baixo é cagada (podiam fazer um premio comercial, ou uma categoria comercial dentro do oscar).

    abs

  • https://www.facebook.com/karina.iaraujo Karina Araujo

    Oi? Oscar não deveria ter nada a ver com popularidade. Não entendi essa colocação do Merigo. As pessoas que deveriam estar mais preparadas para assistir a certos tipos de filmes. A grande maioria está acostumada a histórias açucaradas, ou explosões ou conteúdo mastigado que não as obriga a pensar muito. Infelizmente é assim, e muito disso graças a Hollywood e à indústria Cultural. Eu gosto de indicações como a de Meia-Noite em Paris, A arvore da vida e Os Descendentes que fazem as pessoas irem ao cinema só pra ver o filme do Oscar e, mesmo que a maioria saia decepcionada, um ou outro é tocado e toma gosto por filmes com essência, poética, política… Para mim a única surpresa da noite foi o iraniano Separação ganhar como melhor filme estrangeiro. As palavras do diretor foram tocantes, finalmente seu país seria comentado não por guerras, conflitos, mas pela arte que ali floresce. O artista? Filme fofo, audacioso sim, mas não era o melhor ali, o enredo era fraquinho, amei assistí-lo mas não foi de longe um filme marcante. A árvore da Vida sim, me tocou, Wood Allen tocou, e Scorcese conseguiu homenagear o cinema de forma linda com o 3D de Hugo que acabou virando um blockbuster mas com essencia de arte. Eu assisto o Oscar só para ter surpresas como tive vendo Separação ganhar a estatueta ou qd os Coen levaram por Onde os Fracos não tem vez. De 5 em 5 anos algo assim acontece e eu quero mais é que seja mais frequente e não que coloquem mais blockbusters na parada.

    • http://www.brainstorm9.com.br/ Carlos Merigo

      Karina,

      Concordo totalmente com a sua frase: "As pessoas que deveriam estar mais preparadas para assistir a certos tipos de filmes. "

      Não querem que tornem o Oscar popularesco indicando somente blockbusters, não era essa a impressão que eu queria deixar no texto.

      O que me deixou incomodado foi esse tom choroso para fazer com que as pessoas saiam de casa para ir ao cinema, e a esnobada que a Academia deu para alguns bons filmes e a opção por uma festa completamente quadrada e sem graça.

      • https://www.facebook.com/karina.iaraujo Karina Araujo

        Nisso eu concordo com você Merigo, a festa foi "completamente quadrada e sem graça". Não sou fã do Oscar, mas assisto todo ano, e esse ano foi sem dúvida uma das piores cerimonias que já assisti. Totalmente sem graça, até as pessoas que recebiam os prêmios pareciam menos emocionadas. Billy Crystal não empolgou – prefiro muito mais a Anne Hathaway e sua performance super criticada ano passado. Não houve cirque du Soleil que ajudasse. As indicações estavam fracas, com exceção de Melhor Atriz onde todas arrasaram em suas atuações, e muitos filmes que deveriam entrar, como em todos os anos, ficaram de fora, e já outros você olhava e pensava: o que esse filme está fazendo ali?

        Tirando a perna da Angelina, não houve grandes atrações.

  • Delandro

    O problema não é a "popularização" do oscar em si. É o péssimo marketing político da premiação. O oscar é uma premiação excludente por natureza, mas levar isso a níveis viscerais é um porre.
    Reparem bem, quantas produções ruins ficaram dentro. Cavalo de Guerra é uma novela mexicana feita por Spielberg, mas foi indicado. E PQ? Política.
    Drive ganhou premio em Cannes em direção, e a atuação de Ryan Goslin é sensacional, mas foi indicado? Não. PQ? Faltou política.
    Cadê Melancolia? Arvore da Vida(esse só entrou pra academia não ser taxada de preconceituosa nesta altura do campeonato)?
    O mesmo eu posso dizer de Harry Potter, Planeta dos Macacos, e tantos outros "populares", que foram realmente bons mas a academia nem deu tchum! (oscar) pra eles.
    Uma premiação séria premia quem merece, quem se esforça, não quem mais puxou o saco, ou homenagiou não sei o quem ou o que e porque isso e aquilo outro.
    Estamos só começando o séc. XXI, mas se continuarem com esse tradicionalismo e saudosismo o cinema (que já apresenta sinais de crise) pode estagnar. Não estou aqui afirmando que O Artista não merecia, ou Hugo. O que não pode é ignorarem o que há de bom além desses.

  • http://www.facebook.com/profile.php?id=100001296872928 Leonardo Sabino

    Vou contribuir com minha humilde opinião: O Oscar e suas premiações são baseadas em apuro técnico, não é isso? Não é uma premiação comparada à por exemplo, um concurso de misses, onde quem ganha não é exatamente uma garota com formas bem curvilínieas, mas aquela que atende à os requisitos de cada pontuação.

    Portanto, acho que, dificilmente veremos um filme que agrade bastante a audiência, ganhando o prêmio, ou mesmo, sendo indicado para, por exemplo, melhor roteiro, simplesmente porque, filmes populares são divertidos e diversão geralmente não está apegada a tantas regras técnicas assim.

    Resumindo: A garota que vence um concurso de Miss, nem sempre é a mais "gostosa". Que acham?