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Campus Party 5: Diário de Campo

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Segunda, 06.02.12

Primeiro dia, chego curiosa para conhecer as novas instalações, este ano foi no Anhembi. Como já aprendi em outras edições, melhor chegar à noite, assim não demora tanto para registrar o equipamento e ocupar minha barraca. Apesar da chegada tranquila, parece quase impossível achar um lugar com cabo de rede vago na bancada, e olha que estamos apenas no primeiro dia.

Ao dar meu check-in do Foursquare sou avisada por um campuseiro que a latinha de refrigerante custa R$5,00. Só falta agora ter que trazer comida e bebida para a Campus. Dentro da arena, além de dois quiosques de alimentação bem improvisados, tem algumas vending machine de energético, dois carrinhos de açaí e dois de sorvete.

Os gritos de “Ooooooohhhhhh” não são mais novidade, também já não era nas últimas duas edições. Aliás, pelo que parece não tem novidade alguma, não sei se isso é pessimismo, mas acho melhor deixar a semana rolar para saber se terá algo de diferente. Até amanhã.

Terça, 07.02.12

Primeiro dia de palestras, oficinas e debates. Minha agenda está lotada mas não sei bem por onde começar então resolvo seguir meus instintos. A escolha é começar pela palestra de Andreu Veà no palco principal às 13:00. Faço meu check-in do Foursquare e libero o badge Super Duper Swarm, correspondente a 500 pessoas checked-in de uma só vez. Fico sabendo que o desafio é conseguir o badge de 1.000 pessoas (Epic Swarm), estão comentando que para isso temos que fazer um checked-in na sexta-feira dia 10 às 21:00.

O calor aumenta exponencialmente, sentada na plateia do palco principal, me arrependo de estar com meu note ligado no colo. A palestra é um tanto estranha um tanto interessante, Andreu diz que muita coisa sobre a história do surgimento da internet é lenda. Ele fala de sua pesquisa em Stanford. Não sei como está aguentando o calor vestindo seu terno abotoado e gravata. No final vou falar com ele, o cara é uma figura e muito simpático. A disputa por vagas na bancada é acirrada, nunca foi tão difícil conseguir uma tomada e um cabo de rede.

Cai um temporal e cai também a divisória da área dos stands, mas o vento frio veio como um alívio então nem me abalei com o ocorrido. Finalmente consegui um lugar perto e longe o suficiente do palco principal. Quero assistir a palestra de Sugata Mitra, mas graças a transmissão ao vivo resolvo fazer isso de lá mesmo. O cara tem uma proposta interessante, experimentos em favelas com um computador e câmeras registrando a reação das crianças em contato com a máquina. Ele chega comentar que os professores podem ser substituídos pelas máquinas, claro com acesso a internet. É para se pensar no assunto.

Quarta, 08.02.12

Sigo com a minha fiel escudeira Carol Higo, companheira de longa data e das minhas quatro edições na Campus. Ela é super sociável e basta um segundo para estar conversando com alguém diferente. Neste momento ela conheceu o Campuseiro de credencial Nº 01 do evento. Ele diz que os kits do evento serão distribuídos a partir de amanhã, o pessoal estava estranhando bastante não ter recebido nada na chegada. Além disso outra informação deixa todo mundo preocupado, barracas estão sendo rasgadas e roubadas na área do camping. A segurança este ano realmente não é um ponto forte do evento.

Sou vencida pelo cansaço e pelo calor e resolvo passar o dia em casa. Já em casa e muito bem instalada assisto a palestra que seria de longe a melhor do evento. Neil Harbisson, o 1º Ciborgue reconhecido por um governo. Esse artista audiovisual e presidente da Fundação Cyborg tem um defeito na visão chamado acromatopsia  que faz com que ele só enxergue as cores preto, branco e cinza.

Ele tem um equipamento acoplado em sua cabeça chamado eyeborg que registra as cores e transmite sons, assim ele pode “enxergar colorido”, através dos sentidos. A colocação mais interessante que ele fez foi dizer, que nós somos laranja, que brancos são laranja claro e negros laranja escuro. A apresentação foi brilhante e sua  visão única é uma aula de magia e perseverança.

Quinta, 09.02.12

Nesta noite a área de camping foi invadida por um bando de gente sem noção, fazendo barulho sem deixar as pessoas descansarem em paz. A organização se ateve a enviar um email pedindo silêncio na área de camping. A boa notícia é que a Sabesp irá disponibilizar um caminhão para entregar água de graça na frente do pavilhão.

A organização poderia também distribuir mais ventiladores pela arena e avaliar se não seria melhor realizar o evento no mês de junho. Hoje estou bem dispersa, acho que é o efeito de ficar fechada no mesmo lugar. Começo então a reparar mais nos participantes, tentando avaliar se mudou alguma coisa da edição anterior.

O número de mulheres aumentou, mas isso tem acontecido no decorrer dos anos. Os grupos parecem maiores e as pessoas cada vez mais novas, tem até uma menina de 11 anos. Todo o momento, vemos pessoas correndo atrás de brinde, na sua maioria promoções relâmpago divulgadas via Twitter. A camiseta mais usada na arena tem os dizeres: “Nerd sim, e daí?”

A luta por um cabo de rede e uma tomada está cada vez mais demorada.

Sexta, 10.02.12

Mais um dia como sobrevivente no deserto do Sahara!

Pelo menos, tenho me divertido com o Tumblr que criaram aqui na CP o cpbraovivo.tumblr.com. O fato de estar por aqui, ver as pessoas e os palestrantes retratados fica bem mais engraçado. Por causa do problema de lugar nas bancadas o meu grupo se dividiu, estamos cada um em um canto torcendo para que mais tarde o número de pessoas diminua.

Hoje teve um debate com web-celebridades. Participaram Rafinha Bastos, Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela), PC Siqueira, Maurício Cid (Não Salve) e Rosana Hermann (Querido Leitor). O ponto mais importante que eles ressaltaram foi o fato de que os comediantes não podem sofrer censura, seria um risco muito grande de suas piadas perderem a graça. Até aí nenhuma novidade.

A tarde acompanhei a curta apresentação de Leila Nachawati, blogueira sírio-espanhola.  Esta corajosa mulher é defensora dos direitos-humanos, e ressaltou a importância da internet como fonte de informação e também o poder das câmeras de celulares registrando fatos reais para alertar o mundo.

Para finalizar o ciclo de palestras de hoje assisti a apresentação de Julien Forgeau, executivo da Rovio responsável pelo aclamado jogo “Angry Birds”. Ele é um cara do bem, nada egocêntrico, que valoriza muito mais o companheirismo do que simplesmente uma carreira de sucesso. Quando perguntado se tivesse que dar um único conselho, qual seria ele disse: “fracasse, quantas vezes você puder, fracassar é a melhor lição que você pode levar”.

Fico por aqui, mas espero voltar em breve pois minha tradição na Campus é tentar passar a noite de sexta para sábado acordada, veremos se conseguirei desta vez.

Sábado, 11.02.12

O sábado começa e estou aqui acordada firme e forte. A movimentação do momento fica por conta do flashmob da maior festa do pijama de todos os tempos. O pessoal está em fila vestindo os pijamas que vieram no kit do evento, enquanto de fundo toca AC/DC.

A mocinha da pizza delivery passa gritando “muzzarela quem vai querer?”, aí não tem como não pensar que estou no meio de uma feira livre. Agora são 2:40 e a trolada da madrugada é de um grupo de pessoas em fila brincando de sombra. Às 5:00 sou vencida pelo cansaço e vou dormir.

Acordo com aquela sensação de maresia nos olhos e pronta para uma palestra da área de astronomia e descubro que ela foi cancelada. Tomo café me instalo na bancada para esperar a palestra de Michio Kaku no palco principal. Considerado o “físico do impossível”, sua tarefa é transmitir para o mundo grandes teorias na área. Hoje ele se ateve a falar sobre suas previsões sobre o futuro, por exemplo que daqui a dez anos não existirão computadores e sim óculos e lentes com acesso a internet fornecendo qualquer tipo de informação.

Game over, decidi ir para minha casa, porque a última noite na Campus costuma ser terra de ninguém. Todos os anos eu penso: I’m too old for this, mas no primeiro dia de inscrição lá vou eu comprar o meu pacote para a próxima edição.

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  • Leo

    É o que pensaremos no próximo ano também :)

    • ana

      Porque eu sempre acredito que algumas coisas por lá podem piorar, mas também melhorar e este ano aproveitei bem mais as palestras do que o ano passado.

  • Miguel

    Pô, nem um comentário sobre o torneio de Starcraft? Foi o primeiro torneio internacional de e-sports no Brasil e o que mais atraía a galera na área aberta.

    • ana

      Meu relato foi de só algumas coisas que aconteceram por lá. Mas gostaria de ter falamo de muito mais.

  • Adriano

    Ao ler este artigo me veio a vontade de participar no proximo ano, sempre achei a CP tão Nerd e chat, mas este olhar antropológico me faz pensar diferente.

    • ana

      Na verdade o público está bem mais diversificado. A noite por exemplo nem todos ficavam só no computador, tinha muita gente conversando, jogando baralho e até tocando violão.

  • marcelo araujo

    nada contra, mas isso é muito nerd pra mim. minha opinião: tem que trabalhar na área ou estar muito à toa para participar disso. é pra quem está em SP mesmo. tem uma pesquisa do público, por exemplo, x% por UFs?

    • ana

      Algumas palestras, de assuntos bem variados do meio, podem ser vistas pela internet ao vivo também.