Fechar [X]


Luiza no Canadá, o meme que morreu cedo demais

Hoje é sexta, e me parece ainda cedo para decretar que é o fim de uma das semanas mais bizarras da internet. Luiza, Canadá, SOPA/PIPA, discussões infindáveis sobre sexo sonolento, fim do Megaupload, Anonymous que tirou as calças, pisou em cima e atacou um monte de sites e, agora, algo a ver com suruba que eu ainda não me dignei a descobrir o que é (talvez o único tópico que eu não deveria perder).

E não querendo ter a empáfia de analisar e procurar uma explicação filosófica pra tudo, discordo do que disse o Nicolas nesse post, ontem. A Luiza no Canadá cansou sim, e eu não sou ranzinza por isso. É mais um sintoma gritante e atual da nossa neurose causada pelo excesso de informação.

Adoro memes e como as redes sociais colaboram para a criação e compartilhamento de conteúdo instantâneo, onde pessoas de toda parte podem fazer suas piadas (ou demonstrar talentos de todo tipo), mas o exagero de repercussão e o circo gigantesco da cobertura da imprensa praticamente tornaram os meios inúteis nos últimos dias.

Com essa corrida e circo para ver quem consegue espremer mais a piada, o mistério acabou.

Não, eu não sou contra a popularização e alcance da rede, como se a internet devesse ser um clubinho fechado dominado pelos “analistas de mídias sociais” e frequentadores de fóruns obscuros, pelo contrário – também não me acho um imbecil por nunca ter ouvido Michel Teló, mas esse é outro assunto – só que todo excesso torna-se insuportável. Eu não consegui ler ou aproveitar nada do que foi dito em português no Twitter e Facebook essa semana, plataformas que justamente deveriam ajudar a me manter conectado com amigos e pessoas/marcas/veículos que julgo importantes para o meu conhecimento e entretenimento.

Por exemplo, mal descobrimos que a Luiza estava no Canadá, e a mídia (que tem poder e acesso pra isso) já tinha falado com ela, com o pai dela e com família toda, já tinha descoberto seu paradeiro, comprado passagem de volta, e tão logo pisasse no Brasil – com direito a transmissão ao vivo de sua chegada tal qual um papa ou presidente – a adolescente de 17 anos tinha participação marcada em telejornais, comerciais, entrevistas, já sabíamos tudo sobre a sua vida, tinha vendido seis apartamentos e certamente já tinha combinado de preparar alguma receita culinária no programa da Ana Maria Braga ou algo que o valha.

Não só ferramentas sociais, mas grandes portais, jornais e toda a sorte de sites tinha sido invadido pelo efeito Luiza. Quem não entrava na onda era bobo, feio e chato. A moça se tornou celebridade da noite pro dia, e agora é garota propaganda da Vivo (seu pai também vai ser) e da Fiat, por enquanto.

“É muito estranho…”

Não existe problema nisso. Um dos grandes trunfos da imprensa e da publicidade é aproveitar oportunidades para gerar audiência e atenção. A diferença é que antes o universo da internet não fazia parte desse radar. Um fato global ou um bordão de novela era capaz de gerar essas reações, mas uma piada ou uma bobagem qualquer surgida na internet dificilmente ultrapassava o cabo azul do computador – ou o sinal do wi-fi, para os mais modernos.

É bonito e revolucionário ver que agora isso acontece, mas com essa corrida para ver quem consegue espremer mais a piada, o mistério acabou. Não deu tempo nem de gostar da Luiza, e eu já estava odiando a coitada e jurado nunca pisar no Canadá. A brincadeira é saudável e diverte, mas precisamos mesmo dispensar tanto esforço por isso?

A televisão dedicou blocos inteiros pra história, com equipe na rua e helicóptero do comandante Hamilton, em uma extensão daqueles quadros dominicais que exibem vídeos engraçados do YouTube. Uma exibição completa da TV tentando acompanhar o timming da web.

No começo de 2011, nos EUA, aconteceu quase a mesma coisa. Alguém encontrou um mendigo com uma voz radiofônica, gravou, publicou no YouTube e em 15 minutos o mundo inteiro conhecia Ted Williams. A imprensa americana caiu em cima querendo fazer todo tipo de atração com o cara, agências e empresas correndo para ver quem chegava nele primeiro, e todo o mesmo freak-show que acabamos de ver.

A diferença é que, pelo menos, Ted Williams realizou seu sonho: Ter um emprego e uma casa.

Sim, eu sei que pra fazer meme e humor não precisa ser solidário ou edificante. Que não temos que ser profundos e complexos o tempo todo. Como falei lá em cima, eu adoro o nonsense que a internet cria com tudo, todos os vídeos de bebês e filhotes fofos, todas as imagens de memeface, LOLcat, todos os double-rainbow, rickroll, arvores somos nozes e outros bordões repetidos nas redes sociais desde os primórdios do bebê dançarino. Mas quando aparecer uma outra Luiza vamos apreciar com moderação, senão o barato acaba rápido demais.

Se atualmente reclamamos da angústia de viver com excesso de informação – a dor de nunca saber o bastante – jamais saberemos mais, pelo menos um pouco mais, se insistirmos na repetição ad aeternum daquilo que pouco importa.

57 Responses to “Luiza no Canadá, o meme que morreu cedo demais”

  1. Railuane disse:

    Louvável sua colocação.

  2. Concordo em tudo. Moderação, eis uma coisa que está faltando na internet.

    Acho que o grande problema é que os meios tradicionais não sabem trabalhar com internet.

    Um bordão da novela das 8 não vai aparecer todo hora na sua frente, mas todo dia aparece pra reforçar um pouco.

    O que não descobriram é que a internet é muito dinâmica e por isso, já era, perdeu a graça!

    Post genial, sem mais.

  3. Diana Lee disse:

    Concordo! Quando eu vim saber quem era Luíza, todo mundo já tinha até as coordenadas do local do nascimento da garota. Perdeu a graça tão rápido quanto a difusão da piada.

  4. @kikaribeiro disse:

    Parabénsssss pelo texto!!!! Realmente a velocidade com que a mídia e imprensa digerem os memes, não temos tempo nem de terminar a risada… já se torna cansativo e maçante!!! Chega a assustar, e para usar na publicidade, as vezes pode até ter um resultado oposto ao esperado!! Eu mesma já cansei de ouvir falar na Luiza, e na porra da viagem pro Canadá.. acho q ela nem aproveitou o lugar… teve até que excluir o perfil dela do fb.. coitada!!!
    PARABENSSSS novamente pelo texto e modo de expor suas idéias!!!

  5. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores posts que li nos últimos tempos. Expressa exatamente o sentimento que venho tendo como profissional em marketing digital, usuário e apaixonado pela rede.

    Acho absolutamente correto este pensamento que a internet é sim de todos, e não apenas de uma patota. Mas será que não esta na hora de todo mundo começar a pensar em utilizar este poder de gerar conteúdo com moderação.

  6. @lelira disse:

    Você disse tudo. Nem dá tempo de curtirmos ou entendermos uma viralização ou meme, que já tem outro nos engolindo. Se não tivesse uma editora de redes sociais e uma estagiária me atualizando de tudo, só saberia depois da onda. Afinal, eu tenho outros compromissos e não posso me dar ao luxo de ficar 24 horas conectada nas novidades das redes (TG!). Hoje mesmo cheguei aqui no trabalho e me perguntaram: "você soube da suruba da estudante tal da faculdade tal que aconteceu ontem de noite? ainda não?!" e lá fui eu conhecer toda a história pela visão dela. Sem nenhum mistério ou aquele tesão em descobrir. Nem tenho comentários para a mídia se envolvendo nisso, como se fosse realmente notícia. Tudo muito sem graça. :-/

    Obs.: pelo chrome não está autorizando a conexão via twitter.

  7. Almeida dos Santos disse:

    Percebe-se no anúncio publicitário que gerou toda essa polêmica um déficit criativo gritante. Reconheço isso, mas, é preciso também reconhecer e aceitar que temos essa tal "liberdade" de postar, gostando ou não de determinados assuntos (memes) lançados na rede, a exemplo desse texto. Sua morte prematura já era fato esperado. A velocidade com que giram as informações nos fazem exergar (e não ver) o resultado desse tipo de episódio. Enfim, na rede também é assim, não somos obrigados a "engolir" toda e qualquer informação, é um problema de fácil solução, vista grossa ou simplesmente desconectar-se.

  8. Parabéns Merigo! Melhor post dos últimos meses.

  9. Acho que tudo é válido. Apenas não levar muito a sério. É só uma brincadeira espontânea. O ruim é que tem sempre gente querendo levar a melhor com isso. Tornando a brincadeira um saco. Um verdadeiro pé na bunda. O que falta é a grande massa frequentadora das redes sociais, volta os seus interesses para assuntos relevantes e propagar com mesma ênfase que é dado a essas banalidades (engraçadas). Nada de criar teorias sobre isso e aquilo. É questão de consciência de educação. Tem espaço pra tudo e todos.

  10. Belo texto.

    "Se atualmente reclamamos da angústia de viver com excesso de informação – a dor de nunca saber o bastante – jamais saberemos mais, pelo menos um pouco mais, se insistirmos na repetição ad aeternum daquilo que pouco importa."

    A gente vive em uma época em que conseguimos saber de muita coisa ao mesmo tempo, mas nada com profundidade. E gastamos muita energia com o que é fácil e superficial.

    Difícil não viver com aquela sensação de que estamos em um show de mágica e sempre tem alguém nos distraindo para que o mágico faça o seu truque…

  11. Carlos disse:

    Acho engraçado o fato de condenar todo o assédio e teatro que foi criado sobre um fato que repercutiu o país inteiro, que não aguenta mais ver o assunto bombando nas redes sociais e ao mesmo tempo o site dedicar 2 POSTS ao assunto?!?!

  12. Pedro Maia disse:

    Merigo, o problema não é a Luiza que está no Canadá. E sim a TV que se tornou uma mídia complementar da Internet. É tão legal ver a Luiza se popularizar como foi o Pedro cade meu Chipe e os Mamilos polemicos, cada um em seu tempo.

    O grande problema é que hoje vemos o Jornal Hoje repercutindo a Luiza, quando deveria mostrar acidentes em estrada, chuvas.. whatever

    A quatidade de programas na TV com quadros "os videos mais engraçados da internet", então a culpa não são dos Memes, nem das rede sociais e sim da falta de pauta que torna a TV cada dia mais desinteressante.

    • Larissa disse:

      "O grande problema é que hoje vemos o Jornal Hoje repercutindo a Luiza, quando deveria mostrar acidentes em estrada, chuvas."

      É engraçada essa ideia que os jornais "devem" mostrar o conteúdo que vc citou. Jornais são novelas, que mostram o que eles imaginam que vai dar audiência.

      A TV se desespera em ver seu mercado escorrendo para a internet, e no desespero tenta imita-la.

      • Sobre isso por coincidência assisti essa semana o "The Network" do Sidney Lumet, de 1976. É uma sátira dos bastidores de um telejornal. Rola um diálogo dizendo que a responsabilidade é com a venda de anúncios, não com a informação.

        Aliás recomendo o filme, é um diálogo mais sensacional que o outro sobre a TV e o mundo de hoje, mesmo tendo sido feito há 35 anos.

    • Rosana disse:

      Quem quer saber de chuva ou desgraça? Nós queremos nos divertir, e essa história da Luiza foi bem divertida. Aliás se não fosse a Luiza nem estaria lendo seu post que provavelmente seria sobre chuva…affff Até vc tá ganhando com a Luiza, nunca li sequer um post seu e agora estou preocupada em responder isso.

  13. Guh Federico disse:

    Meme mesmo é o pai dela! Bonzão metido a criativo / diretor de comercial!
    Sinceramente….

  14. Feco disse:

    A internet é um dos únicos meios em que ainda somos livres para falar o que pensamos. A liberdade de expressão fora dela é utopia desde sempre. E estão querendo invadir a internet com moderações do que é postado.

    Viu alguma coisa que achou sem graça, chata e insistente? O segredo é simples: "unsubscribe" ou "unfollow".

  15. Emanoel Melo disse:

    Essa imprensa de hoje me lembra muito as descrições da imprensa de 100 anos atrás, ou as bizarrices mais antigas como os "freak shows". O nome disso é desespero.

  16. joilson disse:

    o problema é o brazzzil, que utiliza exageradamente as midias sociais e nao tem do que falar, logo fala besteira.
    ainda tem uns guris que frequentam mais foruns e jogos que criam umas coisas legais tipo aqueles tenso e outros do genero. mas no mais um bando de gente qeu nao trabalha e nao faz porra nenhuma da vida comentando sessão da tarde se nao tiver mais nada para falar.
    brasil: um país de desocupados. que nem um gif que eu vi outro dia: enquanto estão falando de teló e luiza tem um chines trabalhando e um japones estudando.
    mas eu quero saber mesmo é desse negocio da suruba.

  17. Duas coisas que me chamam a atenção:

    * O Ted Williams arrumou vários trampos de locução, reencontrou a família e… voltou a usar drogas, brigou com os filhos, e protagonizou alguns episódios com intervenção da polícia. É só especulação mas é inevitável: Será que ele não tava preparado pro assédio que sofreu?

    * A Luiza – e a família, globo e etc – não percebe é que jamais foi DELA que todo mundo tava falando. A gente tava se divertindo com uma certa "Luiza que está no Canadá". A graça era exatamente essa: A ausência dela no anúncio brega, e a explicação pedante. Ninguém conhece a família do cara, ninguém tá nem aí se faltou alguém, o fato dele dar essa satisfação estilo "too much information" era a piada inteira. A Luiza em si nem vem ao caso, como ela e sua família possivelmente descobrirão a seguir.

    PS.: Vide caso do Gary Brolsma, o gordinho figura que dublou a versão original de "Festa no Apê", explodindo de views no youtube. Contrataram pra fazer umas publicidades na web e ninguém nem viu.

    • Larissa disse:

      Talvez a família tenha sido mais inocente nesse quesito. Eu sempre carrego um certo "anti-globismo" nas minha falas… acho que eles não são burros de não perceber isso que vc comentou. Mas como eles iriam ganhar dinheiro simplesmente com essa "ausência"? Pegaram a piada e distorceram de modo que pudessem vendê-la o máximo enquanto fosse tempo.

      • Tiberio disse:

        Adiantou de nada…… depois da entrevista do JH, cadê Luíza? E depois do novo comercial que eles fizeram com ela, ficou pior e muito egocêntrico!

      • Concordo, acho que foi isso mesmo que eles pensaram, "vamos faturar e botar nossa filha na TV". E aí interrompe-se a viagem da menina de 17 anos que provavelmente foi pro Canadá aprender uma nova língua e ter experiências multiculturais (Não é essa a justificativa clássica de viagem de intercâmbio?).

        …E essa é a imagem perfeita da prioridade que se dá à educação no nosso combalido patropi

    • Fernanda disse:

      "A Luiza – e a família, globo e etc – não percebe é que jamais foi DELA que todo mundo tava falando. A gente tava se divertindo com uma certa "Luiza que está no Canadá". A graça era exatamente essa: A ausência dela no anúncio brega, e a explicação pedante. Ninguém conhece a família do cara, ninguém tá nem aí se faltou alguém, o fato dele dar essa satisfação estilo "too much information" era a piada inteira. A Luiza em si nem vem ao caso, como ela e sua família possivelmente descobrirão a seguir."

      Falou tudo, concordo absolutamente.

  18. Felippi disse:

    A culpa não é da internet, a culpa é da TV. Se isso não tivesse ido parar nos jornais, ia estar rindo até agora da Luiza.

  19. Realmente ótimo post, Merigo. Infelizmente a sociedade digital já está afundada em devaneios sem sentindo.

  20. @_Bauducco_ disse:

    Uma vez o Rivelino criticou o time do Flamengo dizendo que "todo jogador quer dar seu dibriznho". Acho que o grande problema é esse: quando se trata de humor, o brasileiro não tem moderação. Todo mundo quer fazer a sua graça, dar sua "contribuição" à causa.

    Nem dá pra criticar muito as emissoras de TV. Essa cobertura exagerada faz parte do jogo. Até acho que se não fosse assim, ia ter gente criticando os "antigos meios de comunicação alienados" que não prestam atenção no que mobiliza a internet.

    O melhor de tudo é que no fim a conta fecha. A piada aparece em tudo quanto é lugar, mas vai embora com a mesma velocidade.

  21. Marcos Tulio disse:

    A verdade é que a internet está reinventando muita coisa, essa discussão (que aliás acho bem relevante, principalmente pra quem é de comunicação) só está acontecendo porque fenômenos com a LUIZA, o ESTUPRO DO BBB e outros memes vão ganhando cada vez mais relevância nas mídias e ditando a maneira como as pessoas vão criando, como os assuntos de botecos e debates acadêmicos, intelectuais e tantos outros vão se formando.
    Eu particularmente adoro tudo isso, e acredito que cada vez mais será preciso se reinventar para acompanhar essa velocidade que a internet impôs as informações.
    Isso é o dinamismo da nossa profissão, o que faz ela ser gostosa, não é estática e nunca será.

  22. Ana Cláudia Ferretti disse:

    Melhor post sobre o tema até agora, Muito bom Merigo!

  23. @aguering disse:

    É até bacana o posicionamento, de fato mais próximo do meu do que o de ontem, mas infelizmente ainda é irrelevante do ponto de vista macro da coisa. Apesar de eu entender que é uma opinião pessoal e tudo, é uma utópia tentar moldar a cultura de todo um país, a não ser que se tenha nas mãos o maior dos veículos de comunicação (familia Marinho, anyone?), ou algo do tipo. A internet cultiva monocultura como nenhuma outra mídia, tá ai o Bêbebeh, a Luisa, e seus parentes malditos pôneis, que por sí só dispensam a necessidade do meu comentário sequer existir. Cabe a nós mortais essa rebelião apática (afinal não tem como ser de outra forma): ou nos revoltamos sentadinhos em nossas cadeiras, ou fazemos como o bom e clássico "burro", abaixando as orelhas. Estou aos poucos aprendendo a ignorar, tentando me afastar dessas coisas, pois já deu pra perceber que é uma situação que não tem volta. De qualquer forma preciso confessar: por dentro, o sentimento é um imenso misto de desilusão e desespero. É como guardar seu carro na garagem todo dia na certeza de que lá ele está seguro, e acordar no dia seguinte e descobrir demoliram sua garagem com o carro e tudo dentro. É a "parábola do cidadão que não tinha pra onde correr".

    • @aguering disse:

      Nossa velho "utópia" .. parabéns pra mim. Posso editar Merigo ?

    • Larissa disse:

      Nâo se desespere, tem saída. Lenta e gradual. Eu não me apoquento mais com a tv. Tirei da tomada, e essas coisas de Luisa e tal deixo vir a mim o suficiente pra não me tornar uma extraterrestre.

      • edugiansante disse:

        Estou na Irlanda e nao fazia idéia do que era o meme da Luiza. Comecei a procurar, achei que tinha visto o vídeo errado, pois nao vi nada que pudesse gerar tanto buzz! Mas era aquilo mesmo!

        Aí vi o video do Nascimento, concordei sim e postei no Facebook. Fui alvo de 43209 críticas de que "nao tenho humor" que "até parece q eu nunca gostei de nada bobo". Sim, claro que já!

        Da mesma forma que eu goste de uma piada, se eu nao gosto tb tenho direito de expressar.
        Acontece que, como a LArissa falou e concordo (razao pelo qual estou respondendo aqui) é que virou um vicio de compartilhar qualquer coisa ridicula sem pensar, sem ler, sem ouver, sem ver.
        Um exemplo ridículo foi a "teoria de consipiracao" criada entre Titanic e o Concorde que sao dois navios de grande porte que..hmmm, um bateu num iceberg, matou quase toda populacao, afundou, etc etc. O outro bateu proximo a costa, apenas 9 morreram (nao querendo comparar algo negativo, mas como a teoria foi criada…), e datas totalmente distintas…
        O post tinha erro de portugues ("conscidencia"), datas erradas, e FOI COMPARTILHADO POR MILHARES de usuarios. Isso prova que estamos agindo cegamente, iguais idiotas que só sabem clicar no "share". Luiza é isso pra mim e se alguem gostou, parabéns.

        Parece que o "futuro" que era a internet, promissora, fonte de informacoes valiosas que nao tinhamos facil acesso, regrediu. Agora se eu quero informacao eu compro livros, vou visitar bibliotecas, museus, etc.

        Parece que saimos de 1990, sem internet, pra 2010 com a internet-burra, e agora voltamos pra 1990. Estamos andando em circulos?

      • @aguering disse:

        Poe lenta e gradual nisso. Não quero nem imaginar como será possivel colocar na cabeça dessa molecada que tweetar a mesma #hashtag 500 vezes por minuto só pra ajudar a colocar algo nos trends não é uma prática legal. Que isso vai destruir a timeline dos seus seguidores.

  24. SIm, concordo, mas tem um problema.

    O Brasil está cheio de "formadores de opinião da internet". Todos querem ter razão e agora todos podem dar opinião!

    Fica difícil pedir "moderação", pois é como a bebida alcoolica, beba com moderação, mas todos têm que mostrar que sabe "beber".

    Ainda não cansei da Luiza, pq essa história é engraçada, e eu tenho um filtro mental, se alguém escreve algo dela, eu pulo, para não ter essa sensação de cansaço instantâneo de algo tão legal.

    Eeeee, temos problemas maiores agora: maldita SOPA! rsrsrs

    Belo texto Merigo =D

  25. Tintin disse:

    Vcs pararam pra pensar que isso só deu certo pq ela é gata? Se ela fosse uma mega baranga será que chamariam ela pra todos esse comerciais etc?

  26. @walteen disse:

    Excelente texto, Merigo.
    Meme com moderação é uma boa receita para uma vida saudável.

  27. Monique disse:

    Excelente texto. Captou o excesso e melhor, a falta de jeito da mídia em lidar com o que a web gera.

  28. Marcos Tulio disse:

    A verdade é que a internet está reinventando muita coisa, essa discussão (que aliás acho bem relevante, principalmente pra quem é de comunicação) só está acontecendo porque fenômenos com a LUIZA, o ESTUPRO DO BBB e outros memes vão ganhando cada vez mais relevância nas mídias e ditando a maneira como as pessoas vão criando, como os assuntos de botecos e debates acadêmicos, intelectuais e tantos outros vão se formando.

  29. Douglas disse:

    O que acontece é que coma democratização da internet , masi pessoas estão connectadas e bebendo da mesma fonte de informação , nesses casos o inconsciente coletivo age ,fazendo com que todos compartilhem da mesma informação na mesma velocidade com que receberam .

    E Moderação ? quem pode moderar algo que foi lançado para milhares de pessoas ? que tem o direito de moderar alguma coisa ? teremos que ''nomear pessoas pessoas certas para fazer graça na internet'' ?
    É justamente aí aonde o discurso de DEMOCRATIZAÇÃO DA INTERNET que muitos dizem ser a favor , se perde.É muito egocentrista querendo ter A piada exclusiva pra ele e seu pequeno grupo que ficam bravos quando começa a ser engraçado para os meros mortais.

    RESUMINDO : Um bando de hispter da informação.

  30. walmyrcarvalho disse:

    É complicado ver alguns veículos de comunicação tentando tirar leite de pedra desses memes. Já vi gente com opiniões do tipo: "NOSSA, VAI DAR PRA GENTE TIRAR DINHEIRO DESSE VIRAL DA LUIZA" e coisas do tipo.

    Quando os virais são impostos de forma forçada, já se perde todo o sentido, a pesquisa, a diversão de se existir esse tipo de "meme" (nem sei se virou um meme em si, eu particularmente não vejo graça, talvez só no comercial veiculado lá na Paraíba, mais pela forma que foi feito do que pela Luiza em si.

  31. Tonico disse:

    Égua! Acho muita discursão por um assunto rídiculo.

  32. Saulo Mileti disse:

    Matador, Merigo: Clap. Clap. Clap.

  33. mika disse:

    la quero saber de luiza dane-se

  34. fulvioramos disse:

    como dito por aí, ninguém dá a mínima pra quem é a guria nem pra família dela…

    a zuação era exatamente em torno da pedância da propaganda, da tentativa de ostentação da classe média (o novo lugar da sociedade sei lá de onde é a loca)…

    ficou nojento e ridículo, em tempo de mulheres ricas a imprensa burra e lenta não captou que a intenção era ridicularizar a louca e foi atingida

  35. Mauro disse:

    Acho que a questão toda é que ninguém é dono da internet.. E ao mesmo tempo todos são. Isso é superbacana. Mas ao mesmo tempo tem desvantagens como tudo.

    A maioria vence. E aqui a maioria são as pessoas com menos bom senso e menos feeling pra perceber o que realmente conta e o que é dispensável. Aquilo que é uma simples piada ou zoeira ganha importância e espaço.

    O mesmo acontece com qualquer outro tipo de informação. Com tantos blogs e oportunidades para todos opinarem, a gente ve uma enxurrada de comentários sem importância que não esclarecem nem contribuem muito.

    E ninguém vai segurar isso. Acho que a partir de agora vai vigorar o nonsense mesmo.

    Às vezes, uma notícia na net nem é tão interessante assim. Mas os comentário são hilários de tão debochados e criativos.

    Ninguém vai determinar com que velocidade as coisas vão acontecer na net ou fora dela.

    Get used to it. Or get very angry about the new world. :)

  36. Mauro disse:

    E outra — fala sério. Num mundo em que jogar um game em que vc simula tocar um instrumento na frente de uma tela ou imita os movimentos de um jogador de tênis e isso é levado a sério, até que fica coerente toda essa bagunça e auê com o nome da Luiza.

    O que a indústria de games lucra com isso é o mesmo que a indústria da informação e a mídia acabam embolsando com a personagem instantânea Luiza.

    O mundo está estranho para quem pensa e usa um pouco mais os neurônios. E está de boa para os outros.
    :)

    And it's pointless to complain.

  37. pedroamadei disse:

    O problema esta na pessima formação dos jornalistas.
    Como disse alguns amigos aqui em cima, a TV tenta entrar no mundo da Internet.

    Fico indignado quando vejo videos do Youtube virando notícia!!!
    Porra onde estão os velhos jornalistas? Pq não estão nas ruas procurando notícias reais?
    Porque não vemos mais furos de notícias? Denuncias? Investigacões!!

    Eu ficoooo puto!!! Eu prefiro um filho blogueiro do que um porra de Jornalista!!

  38. Andresa disse:

    ô falta de assunto

  39. Paulo disse:

    "Houve um tempo em que os idiotas se recolhiam a sua insignificância. Um dia eles sacaram que eram maioria e aí fudeu…" (Nelsão)

    Não é por outra que BBBs e Luízas viram pautas nacionais. Também, com os manés que nós temos lendo 1,8 livros por ano, dá pra esperar o quê?

    Alguém arrisca dizer qual foi a última geração letrada nesse país?

  40. fad disse:

    Primeiro, parabéns Merigo pelo ótimo post, gostei muito mesmo
    O problema que eu vejo nas coisas que acontecem no Brasil é que a imprensa fica excitadissima com novidades da "Rede mundial de computadores". Quando ligamos a tv, o que mais se vê hoje são programas de videos da internet.
    O mesmo que aconteceu com a Luíza aconteceu com o garoto de Russas que cantou a famosa música do Pintinho Piu. Chegou a um ponto que festas, baladas, seja la o que for, começaram a tocar essa música. O muleque foi no Ratinho e o pai dele estava totalmente orgulhoso e que ia investir na carreira do garoto… Enfim. Alguns memes la de fora como "A garota irritante do Facebook" que usa de uma pessoa normal, padrão, não foi endeusado pela mídia, por isso existe até hoje. Troll, Fuck Yeah, FUUU, nada disso pode ser veículado na TV, pois não usa de uma pessoa normal, e não faria sentido se usassem.

Leave a Reply