Internet censurada contra o SOPA/PIPA
Um monte de gente descobriu o que é o SOPA/PIPA hoje, ao tentar copiar pesquisar algo na Wikipedia e dar de cara com uma página preta. Já tratamos do tema aqui e aqui, assim como a grande maioria dos blogs de respeito, porém, apenas com a onda de protestos do dia é que o tema se tornou mainstream.
Além da Wikipedia, outros grandes sites estão protestando. O Google colocou uma faixa preta no logo na versão US, o Flickr criou uma ferramenta que permite deixar a foto apagada com apenas um clique, o reddit também está fora, e esses são apenas alguns exemplos.
Mas o protesto mais criativo até agora foi da Wired, que continua no ar, mas censurou os textos e imagens com um layer preto por cima.
Outra ação legal vem da Engine Advocacy, que ao invés de ficar reclamando muito no Twitter criou uma ferramenta para facilitar que as pessoas entrem em contato com o senador do seu estado. É a stopthewall.us.
Existia o rumor de que o Facebook também protestaria hoje, mas tirar a rede social do ar por 24 horas representaria uma perda de 11.7 milhões de dólares, levando em consideração a receita de 4.27 bilhões em 2011.
Você pode argumentar que não faz sentido protestar contra uma lei que vai tirar os sites do ar simplesmente tirando os sites do ar – algo como cortar o galho da árvore estando sentado nele – mas os congressistas americanos já estão amarelando, e apesar de essa não ser uma proposta brasileira, não se engane, vai afetar a sua vida também caso seja aprovada.
/dica do vídeo: Marcelo Plioplis










Engana-se quem acha que essa PIPA de SOPA só vai afetar a Internet nos EUA. Em primeiro lugar, a maior parte dos sites são americanos, inclusive os usados por brasileiros, e que não se iludam por eles estarem em nossa língua. Em segundo lugar, acho improvável que essas medidas acabem com a pirataria, já que os sites piratas vivem mudando de endereço, e cada um que a Justiça derruba, surgem pelo menos outros dez em seu lugar. Derrubar os provedores, como o Megaupload, não impedirá que outros surjam para hospedar os arquivos clandestinos, que cada vez mais recorrem a títulos bizarros para ocultar o conteúdo.
A maior vítima dessas leis devem ser as redes sociais. Um fã que poste uma foto, um vídeo ou uma música de seu astro predileto pode ter seu perfil deletado, isso se o site inteiro não for derrubado, como fez Daniela Cicarelli com o Youtube alguns anos atrás, no Brasil.
Nada contra o combate à pirataria, embora eu mesmo baixe conteúdo ilegal. É um direito do titular do material. O problema está na forma unilateral que o processo está sendo conduzido, dando amplos poderes ao titular do direito autoral e nenhum direito de defesa por parte do infrator. Lembra o mccartismo dos anos 60 e o ato patriótico pós 11 de setembro, violando direitos civis em nome da "segurança nacional".
Não é muito diferente da lei aprovada mas vetada pela Justiça na Europa, onde punia-se não o site, mas o cidadão que baixava conteúdo ilegal pela Internet. É como prender o usuário da droga mas deixar o traficante livre e impune.