Crianças aprendendo a ver o mundo em preto e branco
Crianças. Você sabe o que dizem: São como esponjas, páginas em branco e pelo menos mais uma dezena de analogias que você deve estar lembrando neste exato momento. Tudo para dizer que elas nascem zeradas, sem julgamentos morais e tudo que vem daí pra frente é culpa nossa.
Até aí nada de novo. O assunto de reproduzir padrões de comportamento é amplamente conhecido, aceito e já rendeu muitos momentos memoráveis na propaganda, como “Children see, Children Do”.
Dia desses, fuçando na internet, me deparei com mais um. Desta vez para falar de racismo.
Fora o óbvio, duas coisas me chamaram a atenção.
A 1ª é que apesar do video fazer parte de uma campanha de propaganda, ele foi tirado de um experimento real. (O experimento em si já renderia tratados e mais tratados de psicologia. Aliás, não por acaso, ele é baseado no estudo de um casal de psicólogos de verdade, Kenneth e Mammie Clark, lá na década de 40).
A 2ª aparece lá no final. Como não existiam bonecas negras a venda na Cidade do México, eles tiveram que comprar uma branca de olhos azuis e pintar por cima.
Pois é.
A criação foi da 11:11 Cambio Social.










tem um outro vído muito bom tb http://www.youtube.com/watch?v=w543cJBOubk
Isso dá é tristeza. Quem fala que vivemos em uma sociedade pós-racista não sabe mesmo o que está falando. O menino no final até preferiu se identificar como branco para que não fosse encaixado no que ele mesmo chamou de "feio" e "mau". Triste mesmo. A ideia do anúncio não é nova, mas não deixa de ser poderoso.
Genial.
É interessante notar o conceito de Aprendizagem Significativa de Ausubel atuando. A informação questionada às crianças encontram conceitos já preexistentes na cognição das mesmas. Esses conceitos vem da experiência individual de cada criança, porém todas estão inseridas dentro de uma estrutura cultural que determina essas experiências sensoriais.
Quando são questionados do porque da resposta, muitas não entendem porque pensam assim, e usam as pré-concepções como justificativa. A partir daí há espaço para reconstruir o conceito, dando novos significados para aquilo que já é pré-conceito.
Para mudar isso em larga escala seria preciso redefinir as próprias estruturas simbólicas da sociedade. E começar pelas crianças seria uma boa.
Ótimo post. Já assisti a programas que fizeram o mesmo teste, mas utilizaram inclusive crianças negras, que viam as bonecas negras como "feias". Não há a identificação, o auto-reconhecimento na "realidade" mostrada pela mídia. Imagine a cabeça desta criança quando crescer…
Esse experimento não é novo. Se foi apresentado como tal, erraram.
Eu acho um pouco equivocada a conclusao de racismo, pra mim isso tem haver mais com a sensação de cor, claro e escuro. Se fossem dois cubos acho que o resultado nao mudaria.