Retrospectiva 9 anos: projetos, tirinhas, fases e moscas

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Acontece quando você tem ideias. No chuveiro, no carro, na balada, não tem onde escrever. Você esquece, depois lembra, depois esquece. Às vezes elas se acumulam, muitas vezes faltam, às vezes as vontades esfriam e ficam aquelas coceiras, que de vez em quando nos lembram – eu tive uma ideia. Pra escrever sobre a retrospectiva do B9, eu tenho que falar sobre projetos pessoais.

As ideias nascem de uma inquietação. Pois bem, sempre fui inquieto com a Propaganda. Um mundo cheio de caricaturas e de profissionais criativos que quebram regras, ou acham que quebram, sempre presos às regras de como quebrar regras. Um universo à parte, com cacoetes muito específicos, briefings, reuniões, brainstormings, o glamour ou a falta de.

Mas só a ideia não faz verão. Um projeto significa um empreendimento, alguma coisa real. Comecei a por no papel essas caricaturas e a imaginar situações. Lembrei de um amigo publicitário, o Mário (sim, ele existe) a quem sempre disse que faria uma homenagem às poucas e boas do trabalho em agência. Fiz um teste, mostrei pros mais chegados por algumas semanas. Agradou, na maior parte das vezes. Criei uma rotina que disfarçasse a falta de tempo e de técnica. E foi assim que fiz aquela ideia não se tornar só uma coceira. As tirinhas do “Mário, o publicitário” tinham agora uma sequência lógica.

Um projeto significa um empreendimento, alguma coisa real.

Lá pros idos de 2007, decidi entrar em contato com o Carlos Merigo, que gostou, e seguiram-se as publicações no Brainstorm9. Vou dizer, um dos maiores desafios de um projeto meu. Entre críticas boas e ruins, as tirinhas eram um conteúdo alternativo, pelo menos essa era a proposta. Eu estou pra ver público mais crítico que o do B9, aliás, uma das marcas daqui. Isso é fantástico, é que o faz valer o esforço. No começo balancei, mas o Merigo me animou a continuar. Posso arriscar que ele passou por algumas dessas situações e soube continuar. É por isso que hoje o site tem o tamanho e o reconhecimento que tem. Esse meu pequeno projeto pessoal tomou impulso. Depois, fui convidado a escrever no site, que considero uma puta responsabilidade.

A publicidade mudou bastante desde o começo das tirinhas. Mas nada comparado ao que vai mudar. Esse é o recado que eu mesmo entendi depois de um tempo. Esse é o motivo da inquietação lá do começo, o motivo pelo qual o personagem é uma autocrítica e não simplesmente um sarro com o dia-a-dia do publicitário.

É incrível como uma ideia, uma aposta, pode evoluir com você e te ensinar.

Entre outras coisas, aprendi a aceitar que muitas pessoas não gostem do que faço. Pode parecer bobagem, mas é um golpe forte. Elas julgam por elas mesmas, não existe espaço para justificativas. Aprendi que existe muito mais de um motivo para gostar ou não, para rir ou não, para se identificar ou não. Ouça as críticas, decida quais são relevantes. Aprendi que todo projeto tem fases, assim como o B9 teve as suas. E que se você tem aquela ideia, ponha no papel. Não precisa mostrar pra ninguém agora. Ponha no papel e visite bastante seu pequeno templo para aprimorá-la. Ela vai crescer, e você também, esteja preparado para as alegrias e as tristezas. Toda empreitada é um investimento de tempo e energia. Pense se você está disposto a dar continuidade. Mas não perca tempo pensando. Vai lá e faz.

Em tempo:

Meus posts favoritos: qualquer tirinha.

Meu post nem tão favorito: Esse aqui sobre uma ação usando moscas (!). Nem tanto porque, na ocasião, era notícia velha (um ano, segundo comentários; eu não tinha visto, e a ação tinha acabado de ganhar outro prêmio) mas porque realmente não era o meu estilo de artigo. Depois dele, mudei a abordagem.

PS.: O Mário tem andado sumido, muito por fata de tempo e um pouco daquela história das fases. Mas quando posso, faço um conteúdo light do Mário, o publicitário nas redes sociais, quem quiser pode acompanhar: Facebook e twitter.

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