Lições de Steve Jobs, o monstro
Quando eu era criança, meu avô era um verdadeiro aficionado por tecnologia. Logo que tinha algum lançamento, ele já ia atrás. Telefone sem fio, video-cassete, fax, DVD, celular e computadores. Ah, os computadores. O primeiro que ele comprou foi um compatível nacional do Apple II, no começo dos anos 80. Os netos disputavam a tapa a chance de brincar com algum joguinho na tela negra com cursor verde e nem sonhavam com o que Steve Jobs ainda poderia fazer. Pior: a gente nem fazia ideia de que existia um Steve Jobs.
Provavelmente você está cansado de saber quem é o Steve Jobs. Que ele foi adotado, que não concluiu a faculdade, que foi demitido de sua própria empresa e aproveitou o tempo livre para montar outra empresa. E que, hoje em dia, ele é sinônimo de sucesso. Tudo isso ele contou em um discurso para os formandos da Universidade de Stanford em 2005. Discurso que correu a internet e todo mundo leu, viu e ouviu.
Hoje, um dia após a renúncia de Jobs ao comando da Apple, todo mundo está falando da importância dele para a tecnologia. E isso, todo mundo, inclusive você, também já está cansado de saber. Então, por que este post? Porque tão importante para tecnologia, Jobs também deixou sua marca na comunicação e no mundo dos negócios.
Quando alguém compra um produto da Apple, por exemplo, não compra um celular, um MP3, um computador ou um tablet. Ele compra um iPhone, um iPod, um Mac, um iPad. E se torna um evangelizador da marca. A satisfação é tão grande que ele recomenda aos amigos e faz piada daqueles que ainda estão “travados” na era Windows. E isso, poucas marcas conseguem. Ou você vê algum fanático por Coca-cola recomendando que você beba refrigerante todos os dias?!
Steve Jobs liderou uma revolução que combinou o que o design tem de melhor a oferecer. Beleza, utilidade, praticidade. E fazia questão de mostrar isso na apresentação dos produtos, sempre aguardadas com ansiedade pelo mundo. Basta ver todo o zum-zum-zum em torno do lançamento do iPhone 5 ou o que o iPad 3 vai trazer de novidades. Mídia espontânea. Mas, não pense você que ele não desembolsou um tostão para isso.
Foram milhões de dólares gastos em uma assessoria de comunicação eficiente, o que inclui uma presença maciça em filmes produzidos por Hollywood, que serão vistos e revistos no mundo inteiro, por anos a fio. E o cuidado quase que nazista com a imagem, policiando cada passo dado não só pela empresa, mas por todos os seus funcionários? Tente imaginar quanto isso custa em termos de estratégia?! Muito mais que um punhado de milhões de dólares
A Apple também nos envolve com storytelling. E não é uma história qualquer, que eles inventam para vender seus produtos. É tudo baseado no produto, porque eles têm uma confiança única de que o que eles estão produzindo não é só bom, é o melhor. E nós, consumidores, achamos isso foda, porque sabemos que não foi um produtinho qualquer, entregue do jeito que deu, com uma usabilidade em 80% e uma economia porca de recursos. A gente sabe que determinada tecnologia só não entrou naquela versão porque ela ainda não está 100%. Ainda. Estamos evangelizados para acreditar nisso. E acreditamos.
Daí, conversando com o Gui Boucault, da Royalpixel, e que foi fundamental para a elaboração deste texto, ele contou o seguinte: quando tinha 7 anos, André Agassi era obrigado a rebater mais de 2 mil bolas por dia. Apesar de absurdo, foi exatamente essa obsessão que o levou a chegar próximo da perfeição. Mais ou menos o que acontece com Jobs: sua dedicação obsessiva, que ultrapassa os padrões sociais, é o que fez dele quem é. E da Apple o que a Apple é.
E como o Gui disse, não adianta querer separar o Jobs sucesso do Jobs monstro, porque eles são a mesma pessoa. O sucesso existe porque o monstro não se importa de demitir um executivo 5 minutos depois de ele começar a trabalhar, que quase enlouquece seus funcionários obrigando todos a trabalhar dia e noite, tendo que se internar depois de cada projeto. Isso não é receita de sucesso. Isso é o que ele é e faz: acredita no projeto e vai até o fim com isso, até chegar próximo da perfeição.
Agora começa a era Tim Cook. É o primeiro a chegar e o último a sair do trabalho. Começa a responder seus e-mails às 4 da manhã e manda os executivos para a China de última hora, sem dar tempo para o cara fazer a mala. Talvez ele seja um monstro em formação, talvez seja apenas um cara que sabe a responsabilidade que tem, apesar de dividir com outros executivos decisões que Steve Jobs tomava sozinho.
A Apple tem como desafio, agora, continuar oferecendo soluções para problemas e necessidades que, às vezes, a gente nem imagina que tem. E, se não houver tecnologia para isso, criar.
A lição de Steve Jobs é que todo mundo erra. Todo mundo faz merda. Não existe uma receita para o sucesso. O que existe é trabalho, é dedicação. É a busca pela perfeição. É errar muito antes de, enfim, conseguir acertar. É o que faz de Steve Jobs quem ele é.










otimo post!
Fantástico!
ÓTIMA matéria. Parabéns!!
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Sensacional!
Fantástico, parabéns!
steve jobs fan!
[youtube Hd_ptbiPoXM http://www.youtube.com/watch?v=Hd_ptbiPoXM youtube]
Putz, será que é tão difícil separar o elogio da devoção?
Texto simples e assertivo! Perfect!
Me foge o adjetivo certo pra definir esse texto, na falta de um melhor… vai um "SENSACIONAL ²". Parabéns!!!!!!!! Orgulhosa demais de você…
Excelente texto. Jobs só demonstrou neste período que nada se cria, tudo se transforma, quando se procura a perfeição.
o cara é um genio sim, de várias maneiras, mas ainda (sempre) achei ridiculo a postura dos fanboys da apple. Fanboy tem até de river raid, mas os da apple são tipo os xiitas de extrema esquerda rs.. é aquela galera que amarra explosivo no corpo e explode na palestina (gizmodo) ^_^
Melhor matéria lida até agora sobre o Steve Jobs. PARABÉNS, sensacional!
Eu tenho pena do cara que discursou depois do Jobs.
o fim de uma era!
Muito, muito bom o melhor que li de ontem pra hoje, parabéns
Muito bom ! O cara definitivamente marcou a forma de olharmos a tecnologia: simples, funcional e amplamente difundida. (thiago.branco@telefonica.com).
Belíssimo texto. Até que enfim leio algo elaborado por alguém que não só entende do assunto, como também sabe expressar textualmente a genialidade de Jobs.
Parabéns
Errar mais para acertar melhor. É o que diferencia o Steve Jobs do Bill Gates.
A conta bancária do Bill Gates acha diferente.
A palavra certa é: Motivador.
Isso sim!
O que a Apple faz é satisfazer as nossas necessidades como nenhuma outra marca faz. A marca pensa da maneira certa e se preocupa realmente com o cliente. Você só descobre que era infeliz quando começa a usar algum produto da Apple.
Quem usa entende o que estou falando, não conheço outra marca de tecnologia tão legal e que se iguale aos produtos, serviços e modo de usar que esta marca proporciona.
Eu quero design, facilidade de uso, coisas novas e legais, produtos e serviços que realmente funcionem e que tragam melhorias e satisfação na minha vida. É por isso que eu uso, curto e recomendo a Apple.
Parabéns pelo texto, concordo com o que disse e acho que toda marca deve seguir as boas atitudes desta marca, que está a frente do seu tempo.
Ótimo texto…
Meu deus, é só mais um CEO se aposentando….. parem de puxar o saco do cara, até parece que o ccara morreu.
Você é usuário de Windows, né?! É preferível reconhecer o trabalho de um cara como o Jobs – para o bem e para o mal – enquanto ele está vivo do que transformá-lo em santo depois que ele estiver morto.
Trabalho com Windows, MAC e Linux, e conheço as vantagens e desvantagens de cada um. Mas nem por isso sou puxa saco de um ou de outro.
Belo texto.
Só tenho uma crítica pontual e dura quanto a frase a seguir: "E o cuidado quase que nazista com a imagem…".
Dá a entender que é bom ter um cuidado nazista, o que convenhamos ser uma ignorância.
Oi, Gustavo. Entendo o seu ponto, mas gostaria de deixar claro que a palavra nazista traz, sozinha, conotação negativa o suficiente para que as pessoas entendam que algumas das atitudes da Apple em relação a seus funcionários são condenáveis. Acredito que os leitores do B9, inclusive você, conseguem discernir isso e entender o contexto. De qualquer maneira, obrigada pela observação. Ficarei mais atenta no futuro!
O cara é tipo um Muricy Ramalho… ISSO É TRABALHO MEU FILHOOOO!
Como quase todo mundo, sou fã de Steve Jobs e ainda mais fã da empresa que ele inventou e permanece reinventando há 35 anos. Contudo, fica a pergunta: o câncer que hoje o afasta de seu principal propósito é o (alto) preço a pagar por esse temperamento genial mas obsessivo que menospreza a importância das boas relações humanas em favor da perfeição a qualquer preço? Vale a reflexão.
Qual é a relação entre o aparecimento do cancer e o comportamento do Steve?
A ciência vem comprovando que comportamentos como o de Jobs sao o gatilho perfeito para o aparecimento e desenvolvimento do câncer.
Puxa, que texto bonito, gente!
Good Jobs, Steve !
belíssimo texto! tão inspirador, quanto a própria apple, acredite!
Muito bom! Tiro uma lição desse texto: a Apple só é a melhor porque o Jobs acredita que ela seja a melhor. Sendo assim, ele toma todas as decisões se basendo nesse pensamento.
Palmas em pé
Parabéns pelo texto… disse tudo e mais um pouco ainda, rs. E pros que dizem que o texto é pra puxar o saco do cara, estão enganados ou simplesmente com inveja. Quantos textos não são produzidos diariamente sobre Bill Gates, Mark Zukerfacebook, e entre varios outros famosos, apenas para mostrar para todos nós o que fizeram e quem foram, servindo de exemplo e para que possamos batalhar como tal.
Ótimo texto! Péssima idéia de gestão, relacionamento…………………..Câncer. Que todos tenham um steve Jobs em suas carreiras.