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GUEST9: Meu norte é a Publicidade?

O GUEST9 apresenta toda semana um post desenvolvido por um leitor do B9. Um espaço para você falar sobre o que pensa, defender ideias e trazer novos pontos de vista para todos nós. Também quer escrever? Fique atento as chamadas no @brains9.

Elias Figueiroa é publicitário por vocação e formação, pós-graduado em criação publicitária e marketing de varejo. Redator em tudo o que faz, trabalhou no Brasil e no exterior. Campanhas veiculadas pelo mundo, mas o coração sempre em casa.

 

Para alguns, esta é uma pergunta retórica. Para outros, uma pergunta incisiva, que reforça o sentimento de mudança. “Se existisse uma bússola de rumo profissional, para onde ela me levaria?” Sempre ouvi a lamúria de muitos colegas de profissão ao me confessarem o desejo de chutar o pau da barraca e pular fora. Neste circuito, vi muitos talentos desistirem da labuta. Muita gente que admiro pediu as contas.

Destes autoexilados, poucos saíram por reconhecer que ali não era o seu lugar, muitos foram motivados pela realidade da profissão. Ser publicitário num mercado que ainda não cresceu o suficiente para abraçar a todos é penoso. Sim, sei que vários profissionais acharam seu espaço, fizeram seu nome, são parte de uma agência grande e a vida segue. Mas para uma esmagadora maioria, a realidade é bem diferente. Afinal, ano após ano um exército de novos profissionais são lançados onde não há espaço para todos. Existe o conjunto dos que, apesar da certeza de estarem onde o coração quer, não foram abençoados por uma estabilidade empregatícia.

Demitidos, muitos perderam a chance de continuar fazendo o que amam. Neste cenário surgem aqueles que sabem seu norte, mas são obrigados a refazer a rota. Este exercício de recriar a vida quase sempre é uma oportunidade de responder um chamado, de descobrir que há muito além dos outdoors.

No documentário Lemonade (2009), vemos relatos cativantes de publicitários que tomaram o rumo do prazer de viver ao descobrir que a demissão foi, ao contrário do que pensavam, uma dádiva. No site do filme você pode conferir mais histórias e, se for o caso, fazer o upload da sua. Ainda citando referências, o livro autobiográfico de Michael Gates Gill, nos apresenta, através de um linguagem simples, a história de um ex-publicitário que saiu do luxo para viver o prazer do cotidiano simples após perder o emprego numa das maiores agências do mundo.

Certo, eles foram demitidos. Mas e os que simplesmente não sabem? Os que descobriram que podem estar onde não gostariam? Ou seja, os que pensam no divórcio profissional. Neste caso, com o perdão do cliché, como num relacionamento amoroso, muitas vezes só descobrimos o que tínhamos ao perder. Na dúvida, o melhor é perder. É contraditório o conceito de perder para ganhar. É sim, mas funciona. Sei disso, pois vivenciei esta experiência. Se seu norte nunca nunca foi a publicidade, é a chance de ir atrás do seu futuro. Mas, se for, não adianta lutar. Pois você pode até sair da publicidade, mas a publicidade não sai de você. Se você, assim como eu, é apaixonado por esta profissão, mas está cansado de ser publicitário, esta frase fará todo sentido quando você der o primeiro passo para fora da agência.

Já o fiz, confesso, mas logo voltei.

Quem aqui não paquerou outro ofício ao comer pizza na agência enquanto o sarcástico relógio sonorizava a madrugada? Motivos é o que não faltam quando avaliamos as razões para sair desta vida. Entretanto, quando somos envoltos pelos motivos para ficar, sentimos que há motivos para lutar. E este prazer da redescoberta, é sensacional, é como um insight divino mostrando que estamos onde pertencemos. E o trabalho dos sonhos? Não duvido que exista, mas desconheço o emprego utópico. Independente da intangível concepção do “faço o que gosto”, estamos todos a mercê de fatores externos que quase sempre nos motivam a ficar ou sair: Um cliente que adora refações, um diretor que sabe menos que o seu cachorro, o ego do cara que senta ao seu lado, poucos fins de semana com a família, enfim, variáveis não faltam.

Mas, aqui uma certeza: ninguém fará sua parte no que for preciso para melhorar sua vida profissional. Somos os principais responsáveis por esta mudança. Neste barco só há você. Se pular, quem rema? Se o seu norte for publicidade, reme, reme e reme como se não houvesse amanhã. Você pode não chegar ao emprego que sonhava, mas estará bem perto. Voltei. Sou publicitário. Hoje faço o que gosto embora viva momentos recheados de desprazeres. C’est la vie, com dizem.

Aprendi a valorizar meu espaço e a lidar com as “variáveis” inerentes à profissão. O importante mesmo é saber que a dúvida sobre “Quem sou eu?” faz parte de reflexões positivas, é um sinal de que amadurecemos e buscamos por melhorias. É importante evoluir, mudar e se adaptar, mesmo que seja para descobrir o óbvio. Acredite, só a mudança é permanente.

Nenhuma linha foi escrita baseada em um pesquisa ou estudo científico, mas em experiência pessoal oriunda da profissão. Não tenho a intenção de generalizar nem criar uma verdade, até porque, “sou coração, não cardiologista”. Este texto, amigos, não passa de uma tentativa de reflexão coletiva. :)

27 Responses to “GUEST9: Meu norte é a Publicidade?”

  1. Thamiris disse:

    São esses tipos de reflexão coletiva que me dão medo de prosseguir nessa carreira.. rs

  2. Engraçado. Vivo exatamente esse momento em minha vida. Estou na casa dos 30 e reflito todos os dias se é isso que farei pelo resto da vida. Não é fácil, é uma luta de você contra você mesmo.
    Recentemente participei do Young Bloods, da Lew'Lara. Enquanto esperava, para análise do meu portifa, minha mente viajava por outros lugares e situações e, quando voltei, pensei no velho clichê "o que estou fazendo aqui?". Não passei e acho que nem queria passar.

  3. Carlos disse:

    É isso aí, remem, remem, remem! Enquanto seus patrões-celebridade chegam no trabalho de Ferrari, ao meio dia e com aquela ressaquinha de Veuve Cliquot!

    • Elias Figueiroa disse:

      Eles usufruem de carros importados, é verdade. Mas, assumem riscos maiores. Porém, como disse, reme se seu rumo/norte for publicidade. Há sempre a opção de não remar. Ou mudar de rota. Ou remar em outra praia, longe da publicidade, como o freelancer que rema seu próprio barco ou o funcionário público que navega em águas (geralmente) mais calmas. Se o seu norte for publicidade, reme. Se não, não. :D

  4. Renato disse:

    Me identifiquei muito com esse texto. Apesar de conhecer muito bem os desprazeres da profissão, sinto que, como em qualquer outro trabalho, o desafio sempre será "segurar o barco para ele não virar". Posso afirmar também: meu norte é a publicidade.

  5. huda disse:

    Olá, parece que este texto foi feito para mim, rsrs
    trabalho a dez anos com varejo, inclusive era diretora de criação de onde trabalhava, larguei tudo, num divórcio profissional, estou a dois meses em sp procurando um rumo e descobrindo que gosto do caos, que gosto do desafio e também descobrindo que o mundo é maior, que existem diversas possibilidades.
    Mas de uma coisa tenho certeza, eu sinto falta, do caos do varejo, descobrindo que tudo isso faz parte de mim.
    Queria agradecer a este post e dizer que ainda estou em busca deste norte.

  6. Ótimo post Elias. Acho que você soube expressar exatamente o que passa na cabeça de cada um em nossa profissão. Tanto pra quem está começando, ou pra quem já tem anos de carreira, a publicidade será sempre uma incógnita. =D

  7. @marina_o disse:

    Nossa, muito bom! Ler palavras como essas sempre são um incentivo :)

  8. Talles Pontes disse:

    Acho que é uma pergunta que deve ser feita todos os dias. Assim como diz o texto: "só a mudança é permanente", se você parar de perguntar, então significa que abriu mão da mudança.

  9. @MariliaGilP disse:

    "Na dúvida, o melhor é perder." Fato. Só quem já passou por uma experiência assim pode dizer se este é ou não o melhor caminho. Se não é, ótimo, siga em frente e busque seu norte, mas se você tinha o norte desejado, só não deu o devido valor… Bom, você já esteva lá uma vez, sabe como voltar ao mesmo ponto

  10. Daniel disse:

    Opção 1. – Trabalhar com publicidade em certas agências que viram várias madrugadas;
    Opção 2. – Ser funcionário público com horários regulares.

    Fico com a opção 2.

    Algumas agências fazem uso do "glamour" publicitário para mascarar um horário de trabalho escravocrata.

    Meu norte é publicidade, mas minha família vem em primeiro lugar.

    Graças a Deus hoje sou DA numa agência que respeita os horários regulares e valoriza o funcionário.

  11. marocs disse:

    Se me permite, digo mais: podemos trocar publicidade por várias outras profissões e teremos um pensamento recorrente em nossas vidas: a mudança é um norte?

  12. Suzete Santos disse:

    Texto lindooo!

  13. Marcel Leal disse:

    Não precisamos mudar o norte, precisamos deixar o caminho mais fácil.

    Ser publicitário (ou designer, ou chefe de cozinha) não quer dizer aguentar chilique de chefe ou ego de coleguinha pra ficar na agência que foi grandprix em cannes. O caminho é trabalhar muito e duro pra se tornar cada vez melhor no que faz, seja numa motherfucker world agency ou freelando em casa pra quitanda da esquina. Sucesso não é ganhar fama… é o contrário de fracasso.

    Como você se sente na maior parte do seu dia?

    Belo texto Elias! =)

  14. @carvalhotoni disse:

    Já fui empregado, já fui empresário, hoje sou parceiro, mas sempre fui PUBLICITÁRIO, para a PUBLICIDADE, pra nós do mercado não tem hora. Eu sou + Publicitário apaixonado pelo que faz e, de bem com a vida!

  15. @carvalhotoni disse:

    Já fui empregado, já fui empresário, hoje sou parceiro, mas sempre fui PUBLICITÁRIO, para a PUBLICIDADE, pra nós do mercado não tem hora. Eu sou + Publicitário apaixonado pelo que faz e, de bem com a vida! Texto muito bem construído.

  16. @brunocmn disse:

    Sem mais. Trabalho juntamente com o Elias, ele tem personalidade e fala o que pensa, e geralmente me agrada e concordo com suas teorias e ideias. Apesar da vida de publicitário ser difícil, é muito prazerosa. Parabéns pelo texto!

  17. vinicius disse:

    enghaw na veia, hein!

  18. Leonardo Leite disse:

    Vários cometários de publicitários… mas o meu é de uma pessoa de 17 anos, que estuda igual um louco pra passar no vestibular de publicidade! Por mais que eu veja que a publicidade é uma roubada ( muito trabalho e pouca garantia ) eu fico mais certo da minha escolha!
    Podia muito bem fazer uma engenharia da vida e ter emprego garantido, mas a publicidade me pegou de um jeito, que qualquer coisa que eu veja é publicidade ( uma visão torta, é claro, pois só no trabalho que eu vou sentir o que vc sente).
    Mas resumindo, acho que meu norte é publicidade e a culpa é de vcs publicitários, por suas ideias geniais, a culpa é do pessoal do B9, que fazem meus olhos brilharem a cada post!
    A culpa é de vcs e agradeço muito!
    E peço boa sorte pra mim!

  19. @yuminagatomo disse:

    É engraçado como um texto consegue atingir tantas pessoas e de maneiras tão diferentes.
    Para mim seu texto foi muito bom, e representa muitas das minhas angústias como recém-formada.
    Os objetivos muito curtos da profissão às vezes parecem como uma falta de norte para o profissional. E entre diversas coisas faz pensar: É agora?! É isso para sempre?
    Mas saber que até um profissional já consolidado sente coisas parecidas só posso concluir que ou a profissão é realmente assim, ou é uma característica dos que a escolhem (convenhamos, como é possível tantos diretoras de arte serem distraídos e atrapalhados?).
    É sempre bom saber que não estamos sozinhos, né?!
    E obrigada pela luz!

  20. Fala Elias, velho conhecido… hehe… surpresa boa ler um texto seu aqui no B9. Bom enfim, não sou publicitário, e para falar a verdade nem formado ainda sou. Curso o 3° ano do Ensino Médio, mas já sei desde sempre o que quero se na vida. Pretendo me formar em design, trabalhar naquilo que tanto amo e sabendo que há bastante desvantagens na profissão. Eu poderia ser qualquer outra coisa: Administrador, Psicologo ou até mesmo Publicitário, sei que sou bom nesses ramos e gosto deles, mas preferir fazer aquilo que mais me agrada e que mais me deixa feliz.

    Me formarei, e vou trabalhar como designer. Passou-se um tempo, vi que não é isso que quero da vida, simples, buscarei inspiração em outro ramos. não vou me formar em design e parar por ai, quero continuar estudando, sair de uma faculdade entrar em outra, quero ser multi-tarefas, quero ter vários norte. Amo aprender, e amo ainda mais enfrentar desafios e novas aventuras.

    Bom, é isso. Acho que devemos fazer aquilo que nos deixa feliz, que nos agrada, aquilo que queremos. O importante é tentar e não desisti no primeiro obstáculo.

    Abraços Elias, e ótimo textos.

  21. Felipe disse:

    Publicitários, principalmente os que atuam em criação, tendem a colocar a paixão pela profissão a frente de tudo, e com isso, acabam se deixando levar pela emoção, deixando a razão em segundo plano. É preciso sim ter um sentimento pela profissão que escolhemos, um sentido, mas não podemos deixar essa paixão se tornar obsessão.

  22. Lucas disse:

    Cara!

    Achei o máximo seu texto e leio ele após ter conversado com um amigo sobre esse mesmo assunto ontem enquanto bebia uma cerveja. Trabalho com propaganda a quase uma década e com um agravante, moro no interior do Paraná, onde o mercado absorve uma fatia ainda menor de novos profissionais.

    Me atrevo a listar 2 perfis de profissionais de criação (inclusive já fiz parte de um deles) muito característicos do mercado local.

    De um lado profissionais que reclamam por que não são valorizados, mas que estão parados no tempo e oferecem um nível de trabalho medianos (pra não dizer medíocres)…

    E do outro profissionais que possuem um talento nato mas que infelizmente não conseguem se desvincular do se ego artístico e exageradamente inflado a ponto de não conseguem adequar seu talento visando atender o mercado.

    Assim um lado de mim se sente desesperado e ao mesmo tempo com pena desse pessoal enquanto o outro lado enxerga uma lacuna, uma oportunidade para que cada vez mais se destaque nesse mercado.

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