GUEST9: Como é trabalhar na propaganda do mundo real
O GUEST9 apresenta toda semana um post desenvolvido por um leitor do B9. Um espaço para você falar sobre o que pensa, defender ideias e trazer novos pontos de vista para todos nós. Também quer escrever? Fique atento as chamadas no @brains9.
Diego De Mathia é publicitário, pós-graduado em comunicação empresarial, é redator por gosto e natureza, de vez em quando é redator de arte mas, gosta mesmo é de planejamento. Está escrevendo um livro que nunca termina e tem uma pequena agência no sul do mundo.
Sempre que passeio aqui pelo B9 me pergunto onde diabos 95% das agências e profissionais se encaixam nesse universo com cifras enormes, liberdade criativa, VTs maravilhosos e uma equipe inteira de planejamento e criação dedicada a um, dois, ou três clientes? Vejo, constantemente, novos profissionais sendo desestimulados pelo mercado. Universidades brasileiras de publicidade e propaganda, fora do eixo das grandes contas, estão formando profissionais despreparados para o mercado em que esses alunos estão sendo despejados.
Não meu caro amigo, não que eu esteja dizendo que as universidades não devam nivelar por cima, claro que sim. O fato é que no interior ou até mesmo nas capitais existem agências pequenas, trabalhando para clientes com verbas pequenas e tendo que bater escanteio e cabecear ao mesmo tempo.
Se você trabalha em uma agência grande, sabe o que tem que fazer, quando fazer e sabe que as outras pessoas também estão fazendo sua parte. As coisas tendem a ser mais fáceis. Sua obrigação é criar, ou planejar ou tocar a mídia para frente, mas cada “macaco no seu galho”. Claro, nem tudo é perfeito e, algumas vezes você acaba quebrando o galho do outro. Em agência pequena, com estrutura enxuta, o “cara da criação” também é o cara que vai planejar o cliente, vai lá apresentar e ainda dar uma mão na mídia e, se bobear ainda ajudar o “dono” a decidir o valor a ser cobrado. Não, isso não é ruim mas, como eu disse anteriormente, nossas universidades estão preparando alunos para Cannes quando na verdade deveriam estar preparando para tapinha nas costas e olhe lá.
Falo isso de cadeira: me formei há diversos anos por uma universidade aqui de Santa Catarina que me ensinou tudo sobre a Coca-Cola, a Ford, o OMO, o Pão de Açúcar, a Apple, mas jamais me falaram sobre o motel da minha cidade, a rede de supermercados do bairro ou a revenda de carros mais próxima.
Uma mudança é necessária na forma como os cursos estão preparando os alunos de propaganda. É preciso que professores ensinem sobre os grandes cases de mercado mas não percam o foco do lado de cá da cerca: como pensa o mercado da sua região, como é a relação das agências com seus clientes e de que forma esse novo profissional que está saindo do forno pode contribuir. Lembro de um professor que eu tive que sempre me falava: “A propaganda tem que estar adequada ao mercado, ao público…” e eu pergunto agora: “E o profissional de propaganda está sendo preparado para o seu mercado?”.
Acredito que nem todos nós tenhamos condições de estudar em grandes universidades da nossa área, mas a criatividade da propaganda não é aprendida em sala de aula. Você aprende técnicas, conhece as mais diferentes áreas, analisa o que os outros fizeram mas, ser criativo é um passo que só você mesmo pode dar e, independente de onde estudou, você pode fazer parte dos melhores times de criação. Então, porque diabos nossos cursos não nos falam sobre o acúmulo de função, sobre não ter verba para produzir uma foto, sobre como a palavra cartão é o sobrenome de VT? Sobre como é possível criar e veicular uma campanha gastando menos de R$20.000,00?
Nossas instituições de ensino estão olhando para cima e esquecendo de baixo. Tenho uma agência aqui na minha cidade e a dificuldade sempre é essa; encontrar estagiários que tenham a real noção de como é a publicidade aqui, onde a gente vive e, acreditem: eles não tem e não conseguem entender a realidade, já que ela é bem diferente do que é dito nas universidades.
Então um recado para você que está se formando agora: provavelmente seu primeiro emprego será em uma pequena agência do interior. Então, aprenda sobre o seu mercado, converse com clientes e agências e descubra a realidade por trás da cortina de fumaça criada por professores e cursos por aí. Assim você vai se dar bem, vai criar peças maravilhosas com pouco dinheiro e ter atenção daquele diretor de criação modafoca que você tanto admira lá em São Paulo ou no Rio. Se você não fizer isso, vai penar muito até aprender como convencer um cliente que diz para você que não quer apenas uma frase no meio de uma página em branco. Já que ele pagou um anúncio inteiro, tem que usar a página toda.
Toca ficha e aumenta o logo do cliente.
Não sei se você concorda mas essa é a visão que eu tenho aqui de baixo.










Exatamente isso. Infelizemente algumas instituições de ensino estão cegas diate desta fato.
Concordo que temos que aprender com os grandes cases, mas temos também que ter a noção de como atender pequenos e médios clientes. Vejo estudantes saíndo das universidades loucos para revolucionar em grandes campanhas, mas se deparando com uma realidade bem diferente.
Conheço grandes professores que já pensam e agem de forma diferente, mas de contra ponto ainda vemos o contrário. Acho que estes se encontram em uma zona de conforto, pois é muito mais fácil ensinar com um case pronto, já deveramente discutido, pois com verba é muito mais fácil colocar em prática todas as teorias que aprendemos. Mas e se não tem verba? Como faz? As vezes penso que deveria exestir uma premiação para campanhas com verba mínima, pois é nestas "campanhas" que temos que botar a nossa criatividade a prova. O famoso rebola para fazer o que dá. Enfim, um comentário com um quê de desabafo.
Ótimo post!
Caro colega, é um prazer comentar esse texto e partilhar da mesma realidade. Aqui não se mata um leão por dia, se mata vários. E, profissionalmente falando isso pode parecer, mas não é algo negativo. Trabalhar com grandes verbas, dispor de possibilidades mil, nem sempre faz o grande publicitário. O grande publicitário, na verdade é o pequeno; que faz contorcionismo para adequar a verba à necessidade do cliente, que cria soluções alternativas para anunciar e obter o melhor resultado e cujo trabalho está pautado em esforço contínuo na busca da melhor solução com o menor custo possível. E isso é prática, não há universidade que crie o cara das soluções, que seja capaz de trazer a realidade pra dentro da sala de aula; até pq a ilusão de que tudo é possível em pp é bem melhor do que um curso falido. Muito boa a contribuição.
Absurdamente realista e atual, Diego você conseguiu sintetizar o Brasil e o que se ensina nos cursos da área realmente não se adequa a 95% dos ciientes que encontramos no mercado.
Nada como uma visão real de mercado, e me deixa mais feliz que o autor desse post em questão é daqui do Sul. Estou me formando na PUCRS em Porto Alegre e, de fato, falta a noção de realidade por parte da maioria dos universitários, vivendo num mundo de grandes cases e contas que, na realidade, é a minoria do cotidiano profissional. Há um mundo de pequenas empresas aí nesse Brasilzão que estão sendo injustamente ignoradas e oferecem um desafio pro cara tão ou até mais legal do que uma Coca-Cola da vida.
Bom texto, guri.
É bem realista seu texto parabéns! Quando se fala em educação para formar profissionais, temos que levar em conta que hoje a cada seis meses são jogados no mercado várias pessoas com sonhos de que fazer um curso superior de publicidade é poder fazer um comercial de TV ou um anúncio de pg dupla com aplique… pois educação de nível superior se tornou uma indústria sem controle de qualidade visando apenas volume (volume = alunos). A realidade de pequenas verbas e olhar para o perto faz com que chegamos mais longe, porém o mercado publicitário em geral (pequenas, médias e grandes) não podem sempre abrir as pernas para pouco dinheiro investido e grande retorno. Hoje a verba de comunicação investida no Brasil está se nivelando para baixo, pois a maioria das ações estão caminhando para internet e internet aqui é "mulher da vida" faz baratinho a qualquer hora e traz muito seguidores, views e vizibilidade para sua marca. Precisamos nos unir mesmo levar mais textos como esses para os diretores de mkt, para os donos de univercidades e para os CEOs de agências de comunicação..
Parabéns pelo post realista.
Tbm me formei em uma universidade de SC e tbm passei pelo mesmo problema.
Mas tomei uma voadora nos peitos qnd fui estagiar numa agênica no 2º período. Aí acordei.
Hj vivo a realidade.
Um post fantástico, muito bem colocado o argumento. Essa é a real crítica. O marcado brasileiro de publicidade não é o das grandes marcas, que trazem alinhamento de campanhas de fora. Isso é 10% – claro que corresponde a 90% do bolo de mídia, ou seja da visibilidade –, mas a questão é como desbestificar essa noção de qua nossa propaganda é grande. Se dermos algum crédito, ela já foi grande. O verdadeiro mercado é e sempre foi dos pequenos e médios. Parabéns.
Oi Diego, meu nome é Thiago e eu não estou há muito tempo no mercado, porém já tive a oportunidade de passar um bom tempo em agências pequenas e hoje trabalho em uma dessas grandes agências do eixo Rio/ SP. Então, eu não concordei muito com o seu texto, acho até que em certos pontos rolaram algumas contradições.
Vamos lá ao o que eu acho…
Eu vejo essa "auto adequação" do profissional de propaganda como um filtro natural e benéfico ao mercado. Acredito que essa adequação do estudante não é uma responsabilidade das instituições de ensino, mas sim algo que o próprio estudante deve procurar. Acho que seria uma total falta de responsabilidade uma faculdade tomar essa postura, buscando transformar o estudante em algo que ele ainda não conhece. Também acredito que seria um erro mostrar apenas como ele deve se virar no mercado local, isso seria como limitar a criatividade e subestimar o poder de adequação dessa pessoa.
O mercado de comunicação não se resume apenas as agências, ou seja, as faculdades têm responsabilidades com o mercado (empresas, indústrias, governos, etc) e não apenas com as agências. Acredito também que a responsabilidade de moldar/ criar senso crítico nesses futuros profissionais é nossa (atuais profissionais). Aqui na agência, por exemplo, criamos projetos que possam integrar estudantes e mostrar como funciona o nosso dia-a-dia e como trabalhamos. Não podemos exigir das faculdades pessoas interessadas em agências, precisamos fazer com que essas pessoas se interessem.
Outro ponto. Já trabalhei com o motel da esquina e hoje trabalho com clientes bem grandes… acredite, ambos têm bastante pontos em comum e "menos de R$20.000,00" é muita grana em qualquer lugar.
Opa Thiago. bom ver uma opinião contrária. Eu tenho alguns amigos que trabalham em grandes agências também e eles me passam a mesma visão que tu tens. Concordo quando tu diz que as universidades tem um compromisso e, como eu coloquei, as universidades tem que nivelar por cima sim. Só penso que quando vc ensina planejamento por exemplo, porque não ter também exemplos mais próximos a realidade regional, pq não ensinar como planejar uma campanha com R$20.000,00 e avaliar como o aluno se vira do ponto estratégico, é apenas essa a crítica.
E valeu pelo ponto de vista
que bom saber que não estou sozinho. Pelos comentários vejo que essa é mesmo a realidade da grande maioria das pessoas, em uma próxima oportunidade eu vou escrever sobre o que eu chamo de "mídia social de suvaco – ccomo é vender para a classe C". ahahahaha. Acha que é mentira? não é não….
Adorei seu post! É bem isso mesmo.
Parei pra pensar enquanto lia e acho que durante a graduação nenhum trabalho teve custo total abaixo de alguns poucos milhões, algo que só quem trabalha com clientes grandes vai fazer. Sempre trabalhei em agências pequenas e valor é sempre um ponto delicado, você precisar mostrar que o cliente necessita mesmo de todo e qualquer investimento.
Acredito que trabalhar em agência grande seja algo incrível, que agregue bastante, é tipo viver o sonho, mas sempre achei que todo mundo devia passar um tempinho em agência pequena, fazer de tudo um pouco e exercitar a criatividade (pq sim, é difícil, você precisa pensar no que o cliente precisa e o que é viável, um desafio que nunca termina).
Aumenta o logo e um preço mais um pouquinho. Haha…
parabéns pelo texto. Bom ver essas expressões em canais relevantes.
Parabéns ótimo texto. Publicidade é esse glamour aí, "segura esse abacaxi que é seu", isso que nos faz correr na frente, mais uma vez, parabéns!!
Caro Diego e demais amigos do blog,
Entendo e respeito o seu ponto de vista, mas discordo categoricamente de alguns pontos.
Tenho 28 anos e pelo menos 6 anos de experiência no mercado (sempre em agências multinacionais do eixo Rio-Sampa), sempre como planejador.
Creio que uma das grandes qualidades do profissional de comunicação seja exatamente a capacidade rápida de adaptação aos mais diversos cenários – dinamicidade e proatividade (palavra que não existe na língua portuguesa e as empresas adoram utilizar). Por falar em cenários, este profissional tem que ter em mente um fator-chave: o mercado muda com uma velocidade absurda. Os cenários marketing e a comunicação da semana passada, não são os mesmos dessa semana.
Uma boa faculdade de comunicação irá te preparar para sobreviver no mercado, e isso quer dizer que você, como profissional de comunicação (ou comunicacão e marketing, caso prefira), deverá estar apto a buscar oportunidades nos mais diversos campos – da comunicação corporativa à gerência de produto, agências de publicidade grandes, pequenas, médias, do interior ou dos grandes centros comerciais do Brasil e do mundo.
Se você, profissional de comunicação, não entender que vivemos em um mundo de contrastes, onde as pessoas são diferentes – compram de maneira diferentes, reagem a estímulos diferentes, etc., então é melhor rever os seus conceitos. E rápido!
Para ser um bom profissional de comunicação, esqueça por um momento o produto final. A criatividade é parte do nosso personagem, mas até chegar lá, precisamos entender que uma marca ou um produto passa por diferentes estágios antes de chegar na prateleira do supermercado, assim como o consumidor tem a sua transformação e suas características infinitas de comportamento.
Para fechar, reforço o comentário do nosso colega Thiago: R$ 20K é muita grana para um cliente "grande" e para um cliente "pequeno". Aliás, já trabalhei para clientes "pequenos" que foram incrivelmente mais lucrativos que os "grandes". Existe uma certa empresa que produz um líquido preto famoso que é referência em pagar mal as agências e deixar a conta "no vermelho", mas no fim acaba sendo estratégica por conta da força da marca no portfolio.
Um abraço
"Se você, profissional de comunicação, não entender que vivemos em um mundo de contrastes, onde as pessoas são diferentes – compram de maneira diferentes, reagem a estímulos diferentes, etc., então é melhor rever os seus conceitos. E rápido! "
Era essa a discussão que eu queria, uma visão mais ampla da propaganda, mkt. ou como vc queira chamar para nossos futuros profissionais.
Você não concorda com o texto, mas conseguiu dizer neste parágrafo algo que eu gostaria muito que nossos estudantes descobrissem, a propaganda tem várias facetas, e você precisa se adequar a cada uma delas mas, da mesma maneira não vejo algo que possa dar um empurrãnzinho nesse estalo na cabeça dos jovens na grade curricular das universidades.
Sad but true.
Eu estou no último ano da faculdade de PP, estudo na PUC-PR. Trabalho em uma agência pequena em Curitiba. Quando li este post, foi a tradução exata do que sinto neste momento. Com toda a cobrança, dos familiares, com a clássica pergunta: "E ai o que vc vai fazer agora? Eu já cheguei a me perguntar se eu tinha feito a escolha certa, pensei "cara, cade as incríveis locações de TV, as mega produções de fotos, um planejamento realmente planejado, onde está tudo isso?" Cheguei a conclusão que a faculdade ilude a todos, ninguém conta que, na maioria das vezes, o publicitário trabalha muito, ganha pouco, e todo mundo pensa que pode fazer nosso trabalho. E outra questão importante para vc atender a Coca, Nike, Axe, não é bem assim; e que a padaria do "Seu Zé" não vai topar fazer uma super ação de flash mob na cidade. Mas, apesar dos pesares, a paixão que essa profissão provoca é avassaladora, é um ciclo vicioso!
Olà,
Meu nome é Alexandre Ferreira Nunes, sou publicitario formado e atuo como criação, design e direção de arte.
Importante lembrar: Me formei e moro Em Belo Horizonte – MG.
Minha visão é:
Atualmente estou parado, não estou trabalhando em uma grande agência, tenho feito freelas.
O que tenho visto na busca das vaga é que o mercado, pelo menos aqui em BH, busca um profissional " faz tudo", pois até entendo, que a grande maioria das empresas de comunicação são médias, e não podem se dar ao luxo de contratar especializados, e ai surge a idéia de pegar caras que sao multidisciplinados. O problema é: na maioria das vezes os salários pagos chegam a ser ridículos, com uma carga horaria alta.
Na minha opinião o problema está nos dois lados da balança: o mercado que exige muito e nao prepara os jovens em seus estagios. E o das instituições de ensino que fantasiam demais o mercado. Acho que deveria haver uma reformulação em tudo, pois as faculdades devem dar conhecimento e orientar o jovem de forma a ele perceber dentro de que área ele vai querer atuar, e o mercado por sua vez, de fato, ajudar o estagiário. Vejo que o estagio em um certo ponto denigre a imagem do mercado, pois os jovens nem sempre aprendem o suficiente, fazem a parte chata da coisa, e ganham pouco, no fim ganham um tapinha nas costas! O resultado é uma experiêcia superficial, que não atende a demanda do mercado. O estágio virou uma forma de contratar mão de obra barata, e com tempo de validade. Todos nós sabemos o tanto que o mercado de comunicação vem crescendo no Brasil, a internet etc…Isso vem chamando a atenção dos jovens que cada vez mais se inscrevem em instituições públicas e privadas nas áreas de comunicação e afins. O mercado por sua vez sabe dos desejos desses jovens so vem contratando estagiários. Sei que existem pessoas que fizeram por merecer, e hoje se encontram em uma grande empresa, onde um dia começaram estagiários, mas na maioria que tenho visto, fizeram muitos estágios que nao deram em nada.
Particularmente em relação a minha experiência não tenho do que reclamar! ja passei por alguns estagios e em dois deles posso dizer que aprendi muito! Mas na minha forma de ver acho que o objetivo geral do estagio é gerar a contratação, coisa que em nenhum deles nao rolou! E procurei saber, na mesma vaga que ocupei, nao parava ninguém!
Por uma parte é um desabafo! mas por outra um alerta, afinal, o que pretendemos do mercado de comunicação no Brasil?
Por isso ecrevo aqui, porque concordo o Diego De Mathia. É preciso aprender no mercado, por sua vez ele mesmo não dá a oportunidade ao estudante, pois até para quem está estudando o nível de exigência é alto. Fico confuso, pois exigir experiência sem dar oportunidade não faz sentido!
No meu caso resolvi me especializar em impresso, nao domino as ferramentas de web, e vejo que vai ser muito difícil de conseguir me recolocar no mercado de trabalho, pois em muitos casos o cara da web da conta do arroz com feijão da criação impressa. Ou seja, o mercado exige um cara que faz criação e web. Sinceramente para médias empresas até faz sentido, pensando no lado do financeiro. Talvez eu estaeja errado e deva me adaptar, entao quer dizer que eu devo aprender web? Sim! Não estou despresando minha experiência adiquirida té aqui…mas sim pensando afundo, será mesmo que foi feita e trabalhada de forma a ser bom para as duas partes? digo, do estagiário de aprender, e do empresário de formar um bom profissionla onde ele mesmo vai poder absorver. Aí ja teria que entrar em uma questão de de estrutura de cargos, pois mem sempre aquele supervisor da empresa tem aquele preparo para subordinar um trabalhador em início de carreira!
Não sou dono da verdade, só estou expondo minha opiniao de acordo com minha vivência! Estou aberto a uma visão diferente! Obrigado pelo espaço!
Um bom texto que chamou para uma discussão saudável.
Como sempre trabalhei em pequenas e médias agências, me identifiquei muito com diversos pontos do texto. Mas como professor em cursos de Publicidade só queria deixar registrado que busco em minhas aulas deixar bem claro que é muito bacana criar para marcas consagradas, verbas milionárias e clientes de sonho, mas isso é a realidade de poucos profissionais. É a F1 da propaganda e não tem espaço pra todo mundo no grid. O que não significa que a F-Indy, a F3, a Stock, e até o encontro de fusquinhas regional não tenham valor. Tento mostrar para os alunos que independente do tamanho do cliente ou do seu ego, o legal é criar, o tesão que move a comunicação é justamente elevar o nível da conversa. Não é tarefa fácil, uma vez que muitos alunos ainda vem para a sala de aula com aquela ilusão de que o mundo da propaganda é a terra prometida de pura criatividade e diversão, de que sou pago pra pensar em coisas legais e nada mais, de trabalhar de jeans e camisetas e que ir pra balada faz parte do ofício. Vamos que vamos, porque no final, a gente tem conta pra pagar e não me importa se quem assina o cheque é a Nike ou a padaria do Joaquim.
super pertinente.. e por falar em mercado do Rio..já não está com essa bola toda há uns 20 anos! Trust me!
Olá Diego!
Li o artigo e os diversos comentários aqui expostos e me senti a vontade de falar um pouco do meu ponto de vista.
Eu sou formado em TI, entretanto estou fazendo minha segunda faculdade que é PP. Me descobri um PP um pouco tarde(25 anos), quero entrar na área, mas ainda trabalho com TI em uma multinacional coordenando uma equipe de 40 analistas.
E lendo seu artigo, percebi que esse problema de trazer a realidade para a universidade não é apenas em PP, mas em TI também e pelo visto em diversas áreas de atuação. Vejo em meu trabalho a dificuldade de encontrar um profissional que deveria ter uma noção básica de algumas coisas e acabamos tendo que escolher os menos piores e qualifica-lo. As vezes encontramos grandes talentos. Sinto esse despreparo das instituições de ensino e alguns funcionários novos dando um feedback dizendo que aprenderam em 3 meses na empresa o que levaram anos para conseguir compreender na Universidade.
Eu como aluno de PP, com um pouco mais de bagagem e maturidade profissional que alguns da minha turma, vejo claramente essa dificuldade enorme de conseguir absorver e transportar para a realidade o que os professores passam. Um fato ocorrido um dia, foi quando eu questionei um professor de Planejamento Estratégico sobre o motivo pelo qual ele apenas dava como case a Coca-Cola e se ele não teria exemplos de clientes pequenos. Para minha surpresa ele disse que com a Coca-Cola ficaria mais fácil de explicar e que ele esperava que eu não trabalhasse com clientes pequenos. Esse professor é uma das referências em Planejamento pelo seu currículo e publicações.
Minha postura foi de não discutir, mas não me contentei e corri atrás para compreender melhor o tema. Ai entra outro ponto que é a falta de vontade de estudantes em correr atrás das coisas e se aperfeiçoarem. Juntando a fome com a vontade de comer temos universidades com ensino superficial e alunos que não estão muito ai aceitando passivamente. Claro que não gosto de falar que todos os alunos são assim, mas em uma turma de 50 alunos 5 devem se destacar.
É isso. Sei que o cenário não vai mudar e busco um conhecimento mais apurado, lendo muito e praticando em algumas situações.
[]´s
"Se você, profissional de comunicação, não entender que vivemos em um mundo de contrastes, onde as pessoas são diferentes – compram de maneira diferentes, reagem a estímulos diferentes, etc., então é melhor rever os seus conceitos. E rápido! "
Caro xará, ressalto a importância dessa discussão saudável e o parabenizo pelo excelente tema abordado.
Sim, embora haja discordantes sobre seu post, é fato: o currículo 'propagandesco" é arqueado por valores defasados e referências aquém da realidade e do cotidiano dos profissionais. Concordo em número e grau que talvez, assim como o chacoalho que procede no mercado (como o Social Media e o Mobile), haja necessidade de um upgrade das grades curriculares para que mais profissionais entendam e saibam aplicar seus conhecimentos in loco e de forma efetiva. Sim, as faculdades particulares participativas-integrantes desse novo momento mercadológico vêm acompanhando esse processo. Porém vejo ainda o Interior dependente de procedimentos e visões retrógradas e pouco funcionais.
No entanto, meu caro writer-planner, lembre-se da máxima: "Pensar global, agir local". Cabe a cada estudante e profissional levantar a popa da cadeira e usar as referências "apogéticas" para refletir sobre elas, adaptando-as à sua realidade.
Um abraço,
D.
A faculdade é apenas um manual de instruções que você só aprende realmente na prática. Mas, se um dia, a padaria do "Seu Zé" me pedir para fazer uma "logomarca (¬¬')" não vou deixar de lado as habilidades que
eu adquiri do meu ponto de vista das aulas de branding, para elaborar um desenho e não um conceito!
Concordo, e muito. Sou formado há apenas 3 anos e vejo como ainda temos uma saturação do pensamento dos "antigos" sobre o atual e a forma antiga e "grandiosa" de fazer publicidade, tentando ser "uptodate". Mas o que mais pesa, no meu ver, é o fato de que ficamos aqui babando sobre campanhas absrudamente legais e repassando conteúdo de ações estrangeiras que não cabem na nossa realidade tupiniquim. Redes sociais, mídia online, blablabla num país onde menos de 30% da população tem acesso à internet em casa. É muita projeção e idealização e pouca preocupação de como as coisas realmente funcionam no mundo real. O "terceiro mundo" real.
Essa questão das mídias sociais é um dos temas de um outro artigo q estou escrevendo, existem os clientes offline que apesar de terem acesso a internet não são "atacados" pelas ações online. concordo com o que tu levantou, não que eu ache que não deva ser feito, só acho que é preciso falar com esse mar de gente que vive off de maneiras tradicionais também, Obrigado pelo comentário cara.
Sou Vitória – ES. Concordo e discordo. Acho que a faculdade de PP forma clientes também, muito colegas meus e e muitos clientes da agência que trabalho são formados em PP, e se for passado a eles o pensamento pequeno dos 20.000 eles vão ficar pensando nos 20.000. É impressionante como os estudantes (falo isso por que minha dupla é professora em duas faculdades aqui) são preguiçosos, a maioria nem sabe o que é Brainstorm9, nem brainstorm. Acredito que mostrar que existem clientes pequenos, que eles são importantes e podem fazer parte do dia-a-dia de um criativo bem conceituado é legal, mas uma pessoa que está indecisa e meio perdida na faculdade (porque acredito que ninguém tem 100% de certeza do que quer na vida com 18 anos) ficar ouvindo que vai ser difícil, que não tem verba, que o cliente é burro e etc vai ser mais um ponto de interrogação quanto a carreita. Um estudante de medicina não tem a realidade de um plantão na emergência de uma hospital público da zona norte, um engenheiro não fica sabendo como é lidar com peão na faculdade. Acho que a discussão é totalmente válida e um pouquinho de realidade não faz mal a ninguém mas, existem coisas que só vivendo pra aprender.
É Rafael, tem coisas que só vivendo para aprender….mas um pouquinho de realidade não faz mal a ngm…valeu pelo comentário
Sou de BH e entendo exatamente do que você está falando. Na verdade meu comentário é só para parabenizar pelo melhor post de propaganda para fora do eixo que li recentemente.
Falou e disse. Talvez as universidades ainda glamourizem muito a profissão. A hora que essa molecada é despejada no mercado é que realmente sentem a broca que vão ter que encarar. Talvez por isso o curso de publicidade atraia tanta gente, imaginam festas…Cannes.
Pra cada agência grande existem um trilhão de pequenas, onde você vai trabalhar que nem jumento e ganhar pouco e, para entrar no seleto e fechado mundinho das grandes, você vai ter que concorrer com um trilhão e ser r o melhor, caso contrário, vá vender cachorro quente na porta da faculdade, te garanto que vai faturar mais.
Olá Diego e todo mundo por aqui!
Também vivo fora do eixo Rio-São Paulo, e em toda a minha carreira trabalhei com clientes pequenos, em assessorias de comunicação de empresas e em agências do interior. Pouca coisa que vi na faculdade apliquei na realidade. Descobri tudo na prática, aos trancos e barrancos.
É incrível como publicitário gosta de ser vaidoso e ver com má vontade quem não trabalha em agências grandes ou até quem envereda para outros caminhos da comunicação. Poxa, gente, que visão pequena pensar que nos formamos publicitários para nos mandarmos direto pra uma big agência lá de cima.
No meu caso, sempre procurei experimentar um pouco de tudo, já que a realidade de um profissional de comunicação não é nada fácil, pelo menos aqui no RS… Tem tanta coisa que podemos fazer, tem tanto potencial cliente pequeno, tem tanta gente formada sem trabalhar. E aí? Legal seria se todos encarassem isso desde a faculdade mesmo, porque sinceramente, tenho pena dessa galerinha sem noção que se forma todo ano.
Um abraço e sucesso aí, Diego!
Muito bom mesmo o post! Parabéns!
A verdade, nua e crua!
Muito bom o seu post. depois de ler agradeço novamente aos meus pais por estarem bancando uma faculdade particular pra realizar um sonho profissional meu. Tenho orgulho em dizer que a minha Universidade oferece todos seus recursos para formar profissionais, primeiramente, para o mercado local. Que todos os trabalhos que eu fiz são clientes locais e que eu como estudante de publicidade tenho a consciência de que não vou começar um estágio na maior agencia aqui do Ceará, muito menos no eixo Rio-São Paulo. Tenho ciência é que no começo vai ser difícil, tanto pela 'exploração' que ouço falar sobre os estagiários quanto a falta de experiência, mas eu também acho que o negocio é aproveitar OPORTUNIDADES!
E porque você acha que Publicitário é chamado de criativo? Só porque faz propagandas geniais? Não senhor! Minha concepção do trabalho de um publicitário é usar a criatividade pessoal do cotidiano pra fazer propaganda!
E se a agencia é pequena e o cliente tem pouca verba, porque você não usa de sua criatividade para fazer propaganda, pra resolver os problemas da agência! Todo mundo faz o que pode meu amigo, Publicitário e estudante. Agora tem uns que não fazem nada pra sair do lugar e outros que correm atras, né?!
Finalmente alguém sem papas na língua pra falar o que é a realidade publicitária.
Pô, paguei um pau do caceta. Vem palestrar na semana de moda e comunicação da minha faculdade, vem!
Tem muito aluno aqui que nunca trabalhou com publicidade e tá extra iludido com as coisas que nos 'vendem' em sala de aula.
Guria, ngm me contrata pra palestra nessa vida, tô precisando enriquecer, manda para o coordenador do teu curto…faz uma prece pra ele me chamar…ahahahaha
Diego, parabéns pelo texto. Bom mesmo.
Vou falar um pouquinho….
Sou estudante de publicidade, e não é de nenhuma faculdade "de grife" nem é a perfeição. Mas é a que em dá bagagem pra eu ser o profissional que quero ser. Desde o primeiro semestre de curso me dei conta de que a a poética imagem do publicitário que eu imaginava tinha ido por água abaixo. Comecei a conhecer a propaganda como negócio e gostei, mais que isso, tive a certeza que tinha feito a escolha certa. Mais acho que meus colegas de classe não.
Não sou dono da verdade, nem mais que ninguém, mas toda vez que olho pro lado vejo muita gente que tá perdendo tempo e dinheiro indo (ou não) pras aulas. Nunca fui playboy e tenho que batalhar pelo que eu quero, e desestimula saber que mais da metade da minha sala não sabe o que é o B9 (exemplo hipotético).
Nesse semestre que passou, o grande projeto era atender um cliente local com uma verba bem reduzida, e foi um puta desafio, pois não tínhamos parâmetros nem conhecimento que como começar. A faculdade teve uma boa proposta em apresentar "clientes mais reais" mas não tinha dado nenhum embasamento antes, ai fica difícil.
Sei que quando começar meu primeiro estágio em uma agência (atualmente sou estagiário de comunicação em uma ong), terei em 1 mês oq a faculdade me ensinou em 2 anos, mas fazê o que, é a vida. Infelizmente.
Bom é isso. Abraço a todos!
P.S: Se alguém tiver procurando em cara esforçado pra um estágio bacana maurilio.filho@hotmail.com
Parabéns pelo texto e pelo alerta. Moro em Atibaia e já havia percebido essa realidade no universo da propaganda em contextos-mini.
Fazia tempo que não lia um post desse gabarito. Parabéns
Tem que colocar no iTunes [2]