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Ego: Um grave sintoma na publicidade

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Humildade não é questão de educação, mas fruto da consciência de que ainda há muito para aprender. E se você pensar um pouco, perceberá que as pessoas mais extraordinárias que já conheceu – capazes de reconhecer seu próprio talento sem arrotar isso na sua cara – não eram egocêntricas.

Ahn, o ego: um dos maiores inimigos do homem?

Sempre acreditei que (de certa forma) criar faz parte de um processo no qual você analisa e amadurece tudo aquilo que seu radar captou, desenvolvendo conexões, inserindo peças que faltam naquele puzzle e apresentando um resultado num contexto proprietário: o seu jeito de enxergar / defender / representar um determinado assunto. Por isso é tão importante refinar seus sentidos, procurando por coisas novas, sem deixar para trás as coisas velhas.

Isso faz com que este mercado seja único. Um dos poucos que refina todos os seus sentidos e te dá possibilidades únicas, capazes de transformar uma fabriqueta de quintal em uma multinacional com meia dúzia de campanhas inteligentes.

Mas esse é um processo muito perigoso. Onde alguns perdem o senso e começam a se enxergar com superioridade perante outros. Seja por ter visto mais, viajado mais ou até mesmo por ganhar melhor, depois de (quiçá?) revolucionar uma ou duas fabriquetas. E infelizmente a maior parte das pessoas que trabalham (ou já trabalharam) em uma agência já levaram coice de gente assim.

Leio muitas críticas sobre a qualidade (ou a falta de) das campanhas de hoje em dia. E é bem verdade que existem idéias de merda forrando os intervalos das novelas. Mas também temos boas sacadas por aí, e isso DEVE ser reconhecido. Por isso, para mim essa é uma questão pequena se comparada ao egocentrísmo de alguns criativos, que preferem rir e satirizar as idéias dos outros, insistindo na “fórmula-x” que… segundo eles, é a genial.

Gente que se preocupa mais em mostrar onde joga golfe, qual carro dirige e qual câmera fotográfica comprou na última viagem pra gringolândia. E se esquecem da coisa mais importante que um criador de histórias deve saber: todo mundo – de um mendigo até um astronauta – tem algo para compartilhar.

E não se trata de ter ou não ter: acho fundamental o reconhecimento do sucesso de gente competente. Pelo carro, pela salinha de vidro, pelo passaporte cheio de carimbos ou pela carteira de couro fiorentino. Todos buscam seu espólio. Mas não é necessário usar isso como badges, para mostrar para o mundo o “quão fodão se é” e moer a idéia dos seus parceiros de trabalho. :)

Lembro que há uns anos fui discutir um job na casa do meu diretor de criação. Em um determinado momento ele abriu o armário do escritório para pegar o caderno e eu acabei vendo dúzias de troféus, literalmente largados ali. Óbvio que questionei a razão daquilo ficar jogado lá ao invés de exposto na agência. A resposta? “- Não quero ser reconhecido por vocês pelas aparências, mas pela qualidade do meu trabalho.”

Got it? Menos gogó. Mais pau na mesa. :)

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38 respostas para “Ego: Um grave sintoma na publicidade”

  1. Rodi Cruz disse:

    Infelismente vemos isso quase que diariamente nesse mundo publicihumilde. O pior eh não conseguir se enxergar entre estas pessoas. Você consegue?

  2. Gabriel disse:

    Acredito que compartilhar seja a palavra da vez. É como aqueles filmes de ficção que mostram a evolução da espécie por saberem compartilhar um senso comum: o de aprender e evoluir. Talvez isso faça os "fodões" fora do contexto, hoje em dia, onde sua genialidade, agora é tragada pela ideia coletiva. Essa coletividade tem mostrado a eficiência na inovação como nunca antes. Ou não.

  3. christyans disse:

    Infelizmente esse fenômeno egocêntrico também ocorre em pessoas com menos bagagem. Conhecem o famoso "Diretor de Criação Estagiário"? Acontece, né?

  4. @manuelafc83 disse:

    Mew!! post perfeito!!

  5. jotaerre disse:

    É uma bosta, rs. Infelizmente nossa profissão atrai gente de todo tipo.

  6. Deborah Cardoso disse:

    Sensacional! Say no to the badges!

  7. Álvaro Maciel disse:

    Párabéns pelo post.

  8. Priscila disse:

    E não é só na publicidade, não! Com jornalistas o mesmo acontece. E muito.

  9. Naya disse:

    E isso acontece mais com novatos do que com um pessoal antigo…
    Dão certo uma vez e já acha que estão no topo da cadeia alimentar. Por mais que existam certos famosos e senior por aí que não são humildes

  10. Pedro Xudré disse:

    Muito bom o texto, infelizmente nessa área deparamos com mais pessoas assim, do que no dia-a-dia de qualquer outra profissão.

  11. Larissa disse:

    Cão que ladra, não morde.

    Talvez as pessoas extraordinárias, sejam extraordinárias por não perderem tempo fazendo autopromoções e criticando o trabalho alheio. (Talvez essa lição seja para mim também)

    Mas também… espere o reconhecimento dos extraordinários e não daqueles que tem o rei na barriga. Esperar que as pessoas mudem e te reconheçam pode lhe trazer frustrações…

  12. Larissa disse:

    Esqueci de perguntar uma coisa! De quem é o quadro do (suponho) Narciso ali em cima?

  13. Rodrigo Jácome disse:

    Vocês não perceberam que isso acontece muuuito mais na área da medicina, não? Pô, vocês tem o ego meio inflado, não?

    • smileti disse:

      hahahahaha Bom, deixando o ego de lado das comparações, a publicidade tem a vantagem da refação. Já na medicina… errou, fodeu! Valeu, Rodrigo. :)

  14. @dayannek disse:

    Oh My God! Mto ótimo o texto, Sr. Mileti!

  15. Eduardo Marcel disse:

    Sensacional

  16. Pelayo Garcia disse:

    Seu chefe roubou esses troféus? Sempre me foi dito que troféu se ganha quando você faz algo de qualidade/destaque em uma área. Ohhhh wait esqueci que é publicidade, onde cada ano que passa, um festival é criado pra dar conta do ego das agencias.

    • smileti disse:

      É, Pelayo. Como diz um amigo meu: "- Na publicidade, muitas vezes você tem que se esquivar para não ser atingido por um prêmio que você de verdade não merece." :)

  17. Gravena disse:

    Puta texto Saulo! Muito bom, mesmo. Eu acredito muitos dos problemas da nossa profissão tem uma só origem. O Ego! Digo mais, quem tem Ego, tem medo! Pq se é uma maneira fácil de mascarar seu verdadeiro potencial criativo! Grande texto, grande Saulo!!

    • smileti disse:

      Gravena, mestre dos magos! Um elogio seu é justamente o que me faz correr o risco de ficar com o MEU ego inflamado. hahahahahaha :)

      Você é um baita cara. Em um baita lugar – merecido – de destaque, colocando altas idéias na web, e no entanto, nunca deixa o ego super. É um cara querido por todos, gente finíssima, educadíssimo e sempre de portas abertas para os que te procuram. Eu queria que tivessem dois de você no planeta! O mundo seria um lugar completamente diferente. :)

      Obrigado pelo comentário!

  18. Grande Saulo! Tive o prazer de trabalhar com vc na Fala! e como intruso na publicidade (sou engenheiro, metido a marqueteiro) nunca me sensibilizei muito pelos apelos egocêntricos da turminha dos short lists. Nesse sentido, teu post foi na veia!

    Mas uma coisa não conectou bem: ao considerar que a publicidade tem o ‘pudê’ de transformar uma “fabriqueta em multinacional” a despeito do produto, de vendas, da logística é mostra que esse ego tem além da dimensão pessoal, uma dimensão de classe. Aí que mora o perigo. Publicidade é ferramenta estratégica não função estratégica.

    Em tempo: tem fabriquetas que já são internacionais sem publicidade. Vendem bikinis, cachaça, softwares…

    • smileti disse:

      E aí, cara! Antes de tudo, é uma honra receber seu comentário por aqui. :)
      Não sabia que você é engenheiro por formação. Me lembra o caso do Ênio Padilha. Que também é engenheiro e escreveu livros incríveis sobre marketing. Um mega especialista do assunto.

      Mas, falando sobre o post:

      Você tem toda razão. Temos inúmeros casos de "fabriquetas" que, sem investir em publicidade, foram até a Lua. Me lembro de um caso: Sorvetes Rochinha. Antes de começarem a investir em mídia, já tinham tomado uma dimensão inacreditável.

      Meu caso não é muito diferente do seu: também não sou publicitário por formação. Sou designer. E no design, quando falamos de criação de identidades, sabemos que não é um belo logo, com uma defesa inteligente e uma sacada envolvente que fará com que um negócio dê certo ou não. O design não tem essa importância. Esse é um ponto que será definido única e exclusivamente pelo serviço prestado (ou produto desenvolvido) pela empresa e outros 'N' fatores. E sabemos que na prática acontece o mesmo com a PP. Você tem toda razão.

      Nenhuma campanha inteligente fará (sozinha) com que um cliente vá à Lua, por meio de um filme + anúncio + web + qq-outra-ferramenta-x.

      No texto acima, escrevi isso partindo do pressuposto que 'determinada' fabriqueta já faz toda a lição de casa, e que (sem dúvida) a agência entra como ferramenta estratégica, com a função de informar ao público, de forma inteligente, sobre determinado produto/serviço. E nesse aspecto (com toda a parte do freguês sendo feita, pensada e dimensionada) acho que é possível acreditar no 'pudê' de uma campanha. :)

      Me lembro de um caso antigo, em que a W/Brasil fez uma campanha tão incrível para uma pequena indústria de pomadas, que os caras não tiveram condição de atender toda a demanda, consecutivamente não marcaram presença no PDV, queimaram o filme com o mercado e (segundo a lenda) foram a falência!

      É o caso oposto: quando a idéia é inteligente, mas os outros 90% (na mão do cliente), não são realizados.

      Obrigadíssimo pelo comentário!
      E vamos marcar um poker qualquer hora.

  19. Felipe Caroé disse:

    Publicitário adora entrar em crise depois de Cannes…

    EGO move a publicidade. Sem EGO, nego não ia criar algo melhor toda vez.
    E não falo apenas de criar algo melhor que o outro. Se tu foi elogiado hoje, amanhã tu quer fazer algo melhor e ser elogiado novamente.

    E é isso que move, que traz coisas novas. De cada 100 pessoas querendo se renovar, uma consegue. Ai a publicidade se ergue a outro patamar.

    Sem esse EGO, não tinha nada.

    E eu detesto isso, mas não tem pra onde correr, né?

    • smileti disse:

      Fala Felipe! Antes de tudo, obrigado pelo comentário.

      Tem razão: esse pós-Cannes move o mundo por aí. Alguns gozando no teto porque "ganharam um monte". Outros putos porque "roubaram um monte".

      Mas, sobre o ponto chave que você tocou: discordo que o ego mova a publicidade. Eu não quero parecer patético falando isso, mas… acho que o amor move a publicidade. Não o ego. :)

      Outro dia, conversando com um amigo (diretor de criação de uma grande agência aqui de SP), ele me disse que decidiu entrar para esse mercado quando, ainda garotão, percebeu que uma propaganda na TV tinha o poder de fazer a mãe dele decidir se compraria a margarina A ou a B. E ele pirou. Me falou que quando percebeu que poderia influenciar as pessoas, ajudando elas a decidirem o que fazer, pra onde ir, o que consumir… ele pirou.

      E é um cara que respira isso. Mesmo quando não está na agência, só falamos de idéias, livros, tipos, referências, fotógrafos e por aí vai. Um completo apaixonado pelo mercado.

      O que te faz aguentar fritada de cliente, refação desnecessária, verba de merda, prazo apertado, noite virada, etc… não é um Leão. Nem o elogio de que você é foda fazendo tal coisa. Saca? É o amor que você tem pela parada. :)

      Vou te dar outro exemplo ainda, mudando de alhos pra bugalhos. Eu tenho uma paixão: música. Comecei a estudar bateria em 96. Cheguei a me profissionalizar, tocando com uns caras grandes. Gravei CD, DVD, essas merdas todas. Mas em um determinado momento, tive que me dedicar ao design, e a música virou curtição de fim de semana.

      Hoje, 10 anos depois, eu toco bateria de segunda a segunda, 1 hora por dia pelo menos. Em casa. E nunca mais sai pra tocar em lugar nenhum. Pegou o que quis dizer? :)

      Eu não toco por aí.
      Ninguém me vê no instrumento.
      E consecutivamente não recebo elogios e carinhos no ego

      Mas ainda assim estudo religiosamente. Coloco meu fone de ouvido e tiro a maior onda diariamente em casa. Pois no fundo, não preciso alimentar o ego com pessoas falando que tô tocando bem, que tô fazendo e acontecendo. Me basta o amor que eu tenho pela parada. Capisce? :)

      Em comunicação é a mesma coisa. É o tesão, o amor, o frenesi que você tem por criar, que te faz mover e ir além todos os dias.

      E é bom receber elogios? Claro que é. Mas o ponto principal da minha critica no texto do post é: quando ela sobe na cabeça do sujeito… e ele começa a acreditar que é o Mr. Fodão of the World. :)

      Mais uma vez obrigado, Felipe! Um abraço!

    • smileti disse:

      Felipe, antes de tudo obrigado pelo comentário. :)

      Sobre o que você disse, eu discordo no seguinte: sem querer parecer clichê, não acho que o EGO move a publicidade. Acho que quem faz isso é o AMOR. Explico…

      Só o fato de você amar o que faz, amar criar, amar provocar e apresentar idéias, defender conceitos e vender sacadas, te faz suportar tudo o que a publicidade faz conosco. Noites viradas, refações idiotas, clientes cansativos, falta de verba… nenhum elogio pode fazer com que seu ego suporte isto. Saca?

      Vou te dar outro exemplo bobo: na década de 90 eu comecei a estudar música. Cheguei a me profissionalizar, gravar CDs, DVDs, fazer shows com alguns artistas… mas quando a 'água bateu na bunda', tive que largar tudo isso e me dedicar ao que realmente me daria um futuro mais "certo": o Design.

      E hoje, 11 anos depois, eu continuo tocando todo santo dia………… em casa. Estudando, levando a sério, sabe? Mas não toco mais com ninguém. Não gravo. Não faço nada. Só toco em casa. Ou seja: meu ego não existe, pois não mostro meu "som" para ninguém me elogiar.

      Então… o que me faz tocar todos os dias? Investir tempo? Grana? Paciência? O amor que eu tenho pela música. Got my point? :)

      Eu acho importante o nosso ego receber um cafuné de vez em quando. Mas efetivamente não acho que isso mova você a ir além. Pelo contrário: acho que muito carinho nele acaba estacionando o sujeito, sabe? "Já tô bonzão…"

      Obrigado, cara! Abs!!

  20. Diego Curvêlo disse:

    Só por curiosidade… Quem era o dir. de criação?

    • smileti disse:

      Fala Diego. :)

      Por respeito ao cara, prefiro não falar por aqui, abertamente. Tenho certeza de que ele ficaria puto comigo, pois é um cara que não gosta de holofotes. Mas se quiser, me manda um e-mail, que eu te respondo e fica apenas entre nós.

      Abs!!!

  21. Leo Landy disse:

    Esse fato não acontece somente no ramo da comunicação, em outros nichos também ocorre o esse acontecimento que chamo de “instinto de auto promoção.” como se fosse preciso “twittar” seus grandes feitos. Grandes campanhas falam por se próprias, pequenos publicitários também (y), prefiro deixar a parte do feedback para os clientes.

    Ótimo artigo, aquele abraço.

  22. Janu Schwab disse:

    Aí, Mileti, você disse uma meia verdade que, somada a tantas outras de mesmo teor e vivência, pode se tornar uma verdade absoluta. É fato que o egos exarcerbados deixaram de ser monopólio dos Criativos.

    Hoje em dia temos uma gama diversificada de egos para além adiante. Criativos, sim. Mas também atendimentos, planejadores, mídias e, não esqueçamos deles, que "reduzidos" a sua imensa capacidade de fazer contatos e conchavos, acabam influenciando no processo seja das fabriquetas, seja das multinacionais, os nossos colegas lobistas. ;)

  23. angelicasegui disse:

    Demais. infelizmente esse comportamento acontece um outras tantas areas da comunicação.

  24. Nakaza disse:

    Boas palavras, compartilho desse mesmo pensamento.
    Dificil mesmo é sobreviver entre esses egocêntricos, muitas pessoas desistem antes mesmo de conhcer uma pessoa humilde e competente no deslumbrante mundo da propaganda, acaba largando a profissão com uma só visão “Todos os publicitários são escrotos e um bando de pau no cú”.

    Vamo bora que atrá vem gente…só toma cuidade que tem gente pensando que tem a caceta maior que a sua…rs

  25. Lê Scalia disse:

    Excelente texto. :)

  26. A luta com o EGO é uma batalha épica que dura toda a eternidade. Ou pelo menos até enquanto durar o espírito criativo. Sou redator aspirante e já tenho verdadeiras histórias de disputa territorial com meu ego. No final, acabo vencendo, ou melhor, principalmente por ser iniciante tenho que vencer. Conseguir fama de “chorão” por que um título não foi aprovado, não é algo que gostaria de carregar. Mas admito que a cada centímetro que consigo recuperar de meu inimigo fantasma, sinto a dor de ter que matar um filho.

  27. VeronicaG. disse:

    Minha opinião: ninguém é desprovido de ego. O grande problema é quando se deixa o ego ofuscar o talento que temos dentro da gente. É uma equação básica na minha opinião.
    Existe tb outro personagem nessaa história: a humildade, que ultimamente anda um pouquinho esquecida nesse "mundão da propaganda" em que vivemos. Essa sim, somada ao talento, pode fazer com que sejamos admirados como ser humano e, quiça, como publicitários! Na minha visão é meio que um clico mesmo (talento – ego + humildade =(gera)= talento – ego + humildade). No dia que as pessoas (não só os publicitários) perceberem isso, vamos evoluir para uma outra dimensão das relações!

  28. Simplesmente #FODA !!!! Parabéns pelo POST cara…

    #issovira