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TREMAM! A democracia digital está REALMENTE chegando.

A FGV divulgou hoje uma pesquisa sobre o mercado brasileiro de tecnologia de informação que abriga um prognóstico já esperado: até 2012 haverá um computador para cada dois brasileiros.

É máquina pra cacete. Pensa comigo: hoje são 85 milhões de computadores em uso no Brasil, em 2010 eram 78,2 milhões. Sacou a deslanchada? Em 2012 a coisa vai pras cabeças, não tem mais volta. Aliás, já não tinha há tempos.

Segundo a fundação, são três os fatores pra esse crescimento: queda no preço, aumento do poder aquisitivo da população e, daí eu caí em mim, percepção das pessoas sobre a utilidade dos recursos disponíveis a partir do momento que você tem um computador.

Já imaginou o impacto desse fenômeno quando isso for devidamente aliado ao plano nacional da banda larga?

Fodaço.

Né?

Hm.

Nessa minha vida de comunicação, com as pesquisas a que tive acesso em anos mais recentes da carreira, algumas sigilosas, outras não, tenho razões pra me preocupar com a possibilidade de desperdício deste momento histórico. Você sabia que em tempos recentes só aumenta a audiência das homepages dos grandes portais? Sim, há uma repetição na web do consumo de televisão vigente há décadas no país, polarizada em no máximo três players gigantes.

Esse fenômeno ganha uma evidência ainda mais direta quando lemos os Trending Topics do Twitter. Enorme parte deles tem a ver com assuntos propagados na TV e, quase impreterivelmente, corroborando uma opinião que o veículo em questão, seja qual for o responsável pela hashtag, trouxe à baila. Fora que o cara mais influente de nossa amada ferramenta de microblogagem é uma figura da televisão.

Amo TV. Mas ver a web, ao menos no que concerne à massa recém convidada a essa bizarra e deliciosa festa digital que se instaura há cerca de 20 anos em progressão geométrica no mundo, como, na maior parte do tempo, mera ferramenta de repercussão e repetindo o filtro de informações e opiniões expressas na tela reverenciada em nossas salas de estar, dá um frio na espinha.

Sim, existem fenômenos, ainda que alguns meio despropositados, como o recente combate às linhas de produtos com peles de raposa da Arezzo, ou os irados Cala a Boca Galvao, Sou Foda e puta falta de sacanagem, entre muitos outros. Ou mesmo blogs e sites, como esse aqui, que tem público cativo, opinião atuante e de aderência, além de informações quentes aliadas a entretenimento de qualidade.

Parece coisa pra caralho.

Mas é pouco. É muito pouco.

Pense em qualquer evento de xoxa media e interwebs, da Campus Party à YouPix. O grosso dos nomes nacionais de organizadores, curadores, convidados, indicados, jurados e palestrantes, salvo uma ou outra iluminada novidade, se repete há anos. Atentem, não entro aqui no mérito da qualificação, mas da redundância.

Precisamos multiplicar os Jovems Nerds, Interneys, Borbszs, Inagakis, Broguis, Omeletes, Lias, Crises Diases (achei legal assim), Bias Granjas, Merigos, Sakamotos, Ronalds Rios, Não Salvos, Chicos Barneys, Katylenes, Mussumzs, Jesuzes Maneros, Naires Bellos (esqueci uma porrada, mas os amo), afins e congêneres pra receber essa galere monstruosamente grande que já chegou ou tá chegando.

Opinião (sim, humor também é opinião) e informação de primeira (sim, humor também distribui informação) são os canais pra tornar a mídia mais interessante e, de um jeito gostoso, incômoda no Brasil. A hora é essa.

O que eu sugiro a quem aceitar esse desafio é dispor de justamente o que todos que citei acima têm em comum: apetite, cara de pau e, do seu jeito, ser profissional, desenvolver o negócio.

É o que tem pra hoje. Aliás, pra ontem.

17 Responses to “TREMAM! A democracia digital está REALMENTE chegando.”

  1. @davirocha disse:

    É o que temos pra ontem

  2. Carla Salles disse:

    Muito bom o texto! É de dar medo mesmo…pois os poderosos da comunicação vão tentar de todo modo não perder a "audiência" …mas o mundo dá voltas…quem sabe isso não revira também? Dá-lhe escola de frankfurt…

    Valeu!

  3. Carlos disse:

    Eu ia comentar justamente isso no artigo "Twitter e o fim".

    O Twitter no Brasil está servindo mais para a pasteurização da cultura e da opinião do que outra coisa.

    As pessoas estão deixando de pensar, de refletir sobre os assuntos para apenas comprar idéias e opiniões alheias e dar um RT.

    Outro me deparei com esse tweet: "Estou esperando o Arnaldo Jabour se pronunciar para eu dar minha opinião".

    Sad…

  4. Marcel disse:

    Esses numeros não dizem muito. 2 pra cada brasileiro, mas em casa tem 2 desktops, 2 notebooks e 2 iPad enquanto na casa de muitos por ai não tem nenhum. E também não adianta as pessoas terem computadores com acesso a internet se não sabem o que fazer com eles, se é só pra acessar Facebook pra subir fotos e cuidar da vida dos outros, não vai melhorar em nada o país.

    Não to dizendo que sou engajado politicamente nem nada, bem longe disso, mas esse aumento no acesso e na conexão das pessoas não me empolga, não vai tornar um país mais democrático, principalmente se a mentalidade das pessoas não mudar.

    • Marcel, sugiro que você leia o texto mais uma vez. Ele fala EXATAMENTE sobre uma "mudança de mentalidade", como você colocou. Este texto é um chamado àqueles que consideram a internet uma ferramenta importante para a promoção de mudanças.

  5. Lucas G. disse:

    Pois é, e isso abre muito espaço para novos empregos, novas empresas, novas formas de faturar $$$$

  6. Guilherme disse:

    Lucas, ou mesmo novas formas de governo. Vide o http://www.portoalegre.cc e o wikicrimes.

  7. Será que existe alguma forma de usarmos isso para tentarmos mudar pelo menos a consciência dos Brasileiro no que diz respeito à Política?

  8. Coca disse:

    Nícolas, eu concordo com o seu diagnóstico sobre a influência da TV sobre as redes sociais. Acho que o pode mudar o jogo é a própria TV. O dado chave (ao meu ver) é o crescimento da TV paga no Brasil. A sua oferta em canal muito maior e segmentada, além de possibilidade de decoder gravarem a programação, podem ser os grandes responsáveis pela diminuição da polarização da opinião pública em assuntos "televisionados" por, no máximo, 3 canais abertos. Abraço.

  9. Gustavo disse:

    Quando eu li o título do texto logo pensei: "se esse cara vier aqui falar bem de inclusão digital eu paro de ler." obviamente que tudo tem um lado bom e um lado ruim, mas pra mim, a inclusão digital caminhar acompanhando a educação e não simplesmente passando por cima de tudo.

    blogs como http://pga.blog.br/ mostram exatamente o que acontece em nichos que não estamos acostumados a visualizar. Mostram que no Brasil, as pessoas que não tem educação (nem critérios) se adaptam de uma maneira (tosca/inocente/medíocre) totalmente (tosca/inocente/medíocre) improdutiva ao fenômeno da inclusão digital.

    enfim…sou sempre a favor da educação e não adianta de nada termos zilhões de computadores por brasileiros, se esses brasileiros não conseguirem olhar além do que passam nas novelas.

  10. Cid disse:

    A hora é essa? A baixa nas vendas da Pepsi americana, que resolveu focar sua comunicação só em internet – e depois largou desesperadamente essa estratégia, serve de lição para mostrar que o mundo web nunca vai ter a força das telinhas. Afinal, a TV sempre reinou sem que a internet existisse, já a 2ª começa a mostrar que não sobrevive sem a 1ª. TV rules forever!

    • Marcel disse:

      Normal, vira e mexe saem pesquisas mostrando que mais de 90% dos usuarios sao consumidores e não produtores de conteúdo… e na web você tem que ir atrás desse conteúdo que vai consumir, além desse conteúdo geralmente é texto – chato pra maioria das pessoas, ainda mais quando são longos – ou se é multimidia normalmente é amador. Porque as pessoas se dariam ao trabalho de correr atrás de algo que é entregue mastigado nas telinhas?

      Um dia o PC vai substiuir a TV, quando o conteúdo for seletivo, interativo, etc., mas ainda vai demorar.

  11. @rafapellon disse:

    Legal, só fiquei na sede de ver a pesquisa inteira da GV pra poder me aprofundar… não é aberta ao público?

  12. Black disse:

    O problema é que as pessoas estão escravisadas pelas mídias, uns pela televisão, uns pela net, como eu que procuro e vejo o que me interessa no mundo só na internet, acho que faz uns bons 5 anos que eu não sento em frente a uma televisão, nem lembro a ultima vez que coloquei um filme em DVD em um DVD Player pra assistir…
    Você liga seu computador, liga o navegador e "voilà", "the world in your hands!"

    Pra mim casou perfeito: prazer e trabalho, diversão e profissão. Felizmente "tela" pra mim, só a de um monitor.

  13. JuanHB disse:

    Esse artigo realmente me ajudou a pensar que temos uma fórmula com ingredientes que podem ocasionar em algo bom para quem for rápido, os ingredientes são:
    1 – Pessoas q vivem pouco na internet ou que nunca se conectaram e que agora vão entrar na jogada
    2 – Procura por algum serviço que possa ser amplamente usado por esse tipo de pessoas, afinal eles em geral podem ser um publico alvo bem especifico

    Não sei se aplica ao caso, mas isso me faz lembrar bem a história das casas bahias, de como eles conseguiram atingir as grandes massas por oferecer produtos a preços populares e que somente os ricos tinham e também como eles inventaram o crediária a longo prazo para esse tipo publico.

    É ai que eu penso, que se alguém for rápido e tiver a "puta sacada" que cative esse publico novo é quem está feito na vida…

    Isso é apenas um devaneio, posso estar falando merda =P

  14. Uma coisa que sempre me pergunto ao ver esses números é:

    Como eles sabem quantos desses computadores estão realmente em condições de uso?

    Será que esses números são só projeções? Ou se baseiam em alguma contagem real?..

    enfim, são só curiosidades… rs.

  15. Zé Brocco disse:

    Sou muito mais da idéia de assistir uma televisão (não que vá trocar um pelo outro), ao qual pelo menos posso ter a percepção de quando estão manipulando ou não, e ainda posso saber quem está publicando a informação, do que na WEB em que qualquer pessoa pode se esconder por traz de user name FAKE e manipular a informação a sua maneira amadora ou muito “profissional”.

    Em um Pais em que pessoas tem dinheiro mas não sabem como gastar, um computador como é que vão usar? É fácil de manipular, quero ver na próxima campanha política, o que vão lançar de conteúdo falso para atingir os concorrentes ao posto.

    Não que eu seja contra um ou outro, mas temos que ter o bom senso. Na TV as coisas são editadas para intereçe de alguns. Já Na WEB podem ser editadas por qualquer um!

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