E o futuro da publicidade?

MinRepTT

Engraçado. Semana passada eu li o post do Cris Dias sobre o Google (e o Twitter) como ferramenta para previsão de futuro ilustrada com uma imagem de Minority Report e me lembrei de um texto que achei online em 2002 sobre o Think Tank que o Steven Spielberg fez na pré-produção do filme e que tinha uma parte pequena sobre como eles imaginaram a publicidade no futuro.

Com certeza já houve algum post aqui no Brainstorm #9 sobre o futuro da publicidade. A cada nova tecnologia lançada, a cada novo modelo de comunicação desenvolvido, a cada buzzword aparecem novos gurus prontos para assassinar o velho e exaltar o novo. Mas na real, de que publicidade estão falando? Da que vivemos naquele momento ou a de um futuro próximo e imaginário?

A idéia não é comentar sobre o impacto do digital na propaganda. Mas pensar em como a publicidade é exibida em filmes passados no futuro e como nós vemos a publicidade no futuro.

Nos filmes geralmente temos três cenários:

1- Tudo igual. As marcas interagem normalmente conosco sem dominar a nossa vida. Um exemplo seria “2001″.

2 – Exagero. Publicidade overload. As marcas dominam a nossa vida e invadem o nosso espaço pessoal. Exemplos seriam “Blade Runner”, “Minority Report” e diversos outros.

3 – Clean. Sem publicidade. O mundo é dominado ou por uma marca grande irmão ou por um governo hiper controlador. A comunicação é toda centralizada. “THX1138″, “Logan’s Run” entre outros.

Que as marcas continuarão interagindo conosco é fato. Mas como será essa interação? Será que a maneira que nós reagimos a essa interação é que ditará como a publicidade será no futuro?

O cenário do “Blade Runner”, embora quase seja real em vários locais do mundo, já vem sendo questionado e a lei Cidade Limpa é um indício disso, assim como o cenário Tudo limpo. As pessoas têm se cansado da publicidade exagerada. Quem está numa cidade em estado quase “Blade Runner” não nota mas qualquer pessoa que viva em São Paulo ou outras cidades com leis semelhantes se sentem agredidos ao visitarem locais em que a lei não existe.

“Minority Report” mostra a invasão das corporações na nossa vida. Você não tem escolha e continua sendo bombardeado com ofertas das lojas que passa. É o marketing direto e o CRM ao extremo.

Na transcrição das reuniões de pré-produção (abril de 1999) em que o Steven Spielberg chamou alguns futurologistas para pensarem com seria o mundo na época em que o filme se passa, a publicidade aparece assim:

Steven Spielberg: Eu quero fazer publicidade como um conceito nesse filme. “Blade Runner” é algo que nós temos que tomar cuidado ao utilizar como uma visão do futuro.

(…)


O futuro da publicidade como foi debatido.

Steve Barnett: 
É um símbolo passivo. Nós vemos as novas gerações resistindo à publicidade. Você pode usar a publicidade como entretenimento. A publicidade, de alguma forma, é tentadora. Quanto mais alto você sobe na sociedade, menos publicidade você tem. No futuro, se você é parte do Nike World você é parte de uma comunidade maior.

Neil Gershenfeld: Privacidade e identidade tornam-se importantes. Quanta publicidade você recebe se torna algo que tem um preço.



Kevin Kelly: Um anúncio sutil parece ser a tendência do futuro 


(…)


Kevin Kelly: Pense sobre vender o seu futuro. O Indivíduo tem mais coisas em jogo.



Stewart Brand: A publicidade por ajudar Anderton (o personagem de Tom Cruise). Enquanto ele está tentando sair da cidade, os anúncios podem oferecer para ele: “Quer sair da cidade rápido?”. Nas áreas mais pobres da cidade, a publicidade é mais explícita



Steven Spielberg: Seria bom entrar em uma loja de roupas e se ver virtualmente nas roupas.

Jay Ogilvy: O consumidor direcionará o produtor. O mistério é o que os consumidores vão querer no futuro. 

Steven Spielberg: As pessoas ainda vão querer jornais?



Kevin Kelly: O livro vai continuar existindo mas de uma maneira diferente. Talvez exista um jornal que tenha a sensação de papel mas que será digital.



Steven Spielberg: Isso é factível hoje?

Doug Glen: No futuro, os mais pobres poderão começar a usar publicidade e se tornarem outdoors/cartazes ambulantes

Mas se alguém te perguntasse qual é o futuro da publicidade o que você responderia?
Será que em 10 anos redes sociais, mashups, crowdsourcing, realidade aumentada teriam espaço definitivo assim como a TV e jornais têm hoje (e ontem)?

Se você ficou curioso sobre esse documento, pode baixar a versão original em inglês na íntegra.

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11 Responses to “E o futuro da publicidade?”

  1. Phezaun disse:

    Eu acho que será como listas de e-mails: vc seleciona os assuntos de seu interesse e a publicidade será ‘injetada’ na sua mente.
    Dá até medo de pensar.

  2. Legal,gostei do seu trabalho continue asim…

  3. Mariana Bueno disse:

    Daniel, seu post me lembrou de Wall-e. O filme traz uma crítica à publicidade mostrando como ela pode fazer uma lavagem cerebral nas pessoas, tornando-as consumistas e impondo modelos. Existe aquele momento em que um comercial avisa ao público que “o azul é o novo vermelho” e todos imediadamente compram roupas vermelhas, com apenas um toque na tela. Espero que não cheguemos a este extremo, não? ;)

  4. Olá brainstormers,

    Domenico Di Masi, em seu genial “Ócio Criativo”, prevê que num futuro automatizado, de valorização do trabalho intelectual, realizado remotamente, onde entretenimento e publicidade seriam completamente interativos, os pobres do mundo sobreviveriam da audiencia. Ou seja, seriam pagos para consumir e interagir com filmes, novelas, séries, videos, programas, ler jornais e revistas digitais e sites, onde a publicidade estaria integrada a diversão. É no mínimo interessante pensar num futuro, não muito distante, no qual ao invés de pagarmos pelo entretenimento, receberiamos para sermos impactados pela propaganda contida nele.

    Um abraço

  5. lsschutz disse:

    Penso que a publicidade vai se tornar cada vez mais fragmentada, cada vez mais meios surgirão para se anunciar. Creio, ainda, que haverá um aumento no número de ferramentas ‘da moda’ – Twitter, QR Code, Realidade Aumentada… Com o passar do tempo vão aparecer mais e mais ferramentas, dividindo mais e mais os consumidores. Vai chegar uma época em que a publicidade deixará de ser massiva, a internet usa publicidade mais ou menos assim, e será muito segmentada em meios e quem os usa. E, com o aumento do acesso a informação, as pessoas vão ir atrás da propaganda. Pesquisando, procurando, se informando sobre o que estão comprando, daí só as marcas fortes vão sobreviver, por que somente os produtos de qualidade vão ser consumidos. Ou não.

  6. Mariana Evangelista disse:

    Um vídeo veiculado sobre o futuro da mídia, nos dá uma prévia disso.
    Vale a pena visualizá-lo.
    http://www.youtube.com/watch?v=5SJup6CGiO4&feature=PlayList&p=D892D4DA44AD5F6F&playnext=1&playnext_from=PL&index=12

  7. [...] espontanea” , o twitter resume bem os novos ares do comportamento humano e de como nós da comunicação devemos olhar para o admirável mundo novo [...]

  8. A tecnologia trouxe mais e mais maneiras de se divulgar um negócio, mas pouca coisa tem sido feita no sentido de REALMENTE ajudar as pessoas a filtrarem o que querem receber.

    TAlvez o futuro seja esse. Independente da mídia ou da tecnologia pra entregar a mensagem, o filtro vai ter o papel principal.

    Parabéns pela estréia Daniel! Boa sorte =)

  9. [...] e ainda é preciso criar muitas bases para que esta novidade se consolide de fato. Vi até um post no Brainstorm#9 sobre o futuro da publicidade, então dá pra ver que é o assunto do [...]

  10. Eduardo disse:

    Acredito que o sistema como conhecemos hoje implodirá e princípios de comunicação simples como o boca-a-boca serão processos dominantes sustentados pela tecnologia e “valores” da internet.
    “Markets are Conversations” é uma boa referência e nos alguns indicativos de como poderá ser a publicidade daqui em tempo, recomendo http://www.cluetrain.com/...
    Talvez o futuro esteja na essência do passado só que agora com mais amplitude.

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