ESPN: “Nós não somos uma empresa de televisão”
Um dos exemplos que mais gosto de citar quando falo da adaptação e evolução da mídia tradicional em relação as novas tecnologias e mudanças radicais no consumo de informação, é o caso da ESPN. E não digo isso só porque sou fã deles, confesso, é uma das poucas coisas que assisto na televisão, mas pela demonstração de agilidade e modernidade.
Eles não são os únicos, é claro, mas são uma das poucas redes a abraçar o novo sem medo de perder audiência, encarando a tecnologia como aliada e não como inimiga. Melhor ainda, é que as iniciativas da ESPN nos Estados Unidos acabam se espalhando para os outros canais da rede no mundo, inclusive no Brasil.
No ano que vem, a Entertainment and Sports Programming Network completa 30 anos de existência, e serve hoje como exemplo para as concorrentes de como aproveitar as novas formas de se assistir televisão, respeitando o desejo dos espectadores.
Tem uma frase do John Skipper, vice-presidente de conteúdo da ESPN, que acho fundamental para o mercado, e que serve para explicar em uma linha a minha admiração por eles: “Nós não somos uma empresa de televisão. Nós queremos atingir os consumidores com mídia”.
Versão brasileira do ESPN 360. Quase toda a programação disponível online.Utilizando internet, impressos, rádios, celulares, videogames e o que mais for possível, a ESPN procura estar em todas as telas na vida das pessoas. Como já exemplificou John Skipper, os executivos da empresa não gostam que a chamem de emissora de TV, e sim de mídia interativa de esportes.
Integração é palavra de ordem dentro da ESPN, todo o conteúdo é levado aos mais diversos dispositivos e com total interação com sua audiência. O site da ESPN internacional recebe 16 milhões de visitantes por mês, são pessoas em busca da cobertura especial feita dias antes de um jogo importante, de vídeos de uma determinada jogada e etc.
Quem perde algum programa, pode assistir online no ESPN 360, serviço que recentemente a ESPN Brasil também trouxe aos espectadores brasileiros em parceria com o Terra. E a qualidade e velocidade é impressionante, dá só uma olhada (não é preciso ser assinante, mas o Terra exige um cadastro gratuito). Entenderam que não é mais possível prender uma pessoa diante de uma única mídia, com dias e horários marcados, é preciso dar alternativas.
Conteúdo mobile e games para diversos consolesOs profissionais da ESPN mantém videoblogs, dando informações exclusivas sobre esportes. O Primetime HQ é uma espécie de mesa redonda no site da emissora, onde comentaristas debatem sobre esportes com a participação dos internautas.
Além de integração, a rede investe em mobilidade. Durante um jogo por exemplo, o espectador recebe informações da partida no celular, avisando sobre gol, cestas, pontos e etc. Através de parcerias com as mais variadas empresas, oferecem um vasto conteúdo para dispositivos móveis.
ESPN Zone: a marca no mundo físicoO ESPN Zone, uma espécie de shopping e restaurante do canal, marca a presença da ESPN no mundo físico, com unidades em diversas cidades americanas, incluindo uma extensa área de jogos e games. Isso cria um tipo interação e relacionamento com os fãs de esporte que nenhuma mídia é capaz. Existe ainda a revista ESPN Magazine, estações de rádio e até jogos de videogame trazendo a chancela da emissora.
Já há algum tempo, a empresa começou a testar a transmissão simultânea entre televisão, internet e celular. No ano passado transmitiram edições do programa Monday Night Football em todos esses dispositivos, uma iniciativa que deve se ampliar futuramente.
ESPN MagazineComo eu disse anteriormente, são inovações que ao poucos são absorvidas também pelo canal brasileiro ESPN, com o 360, Scorecenter, parceria com a rádio Eldorado (que se transformou em ESPN Eldorado), organização dos X-Games no Brasil e por aí vai.
O exemplo da ESPN é um tipo de pensamento que deve se espalhar para outros segmentos: nós não somos um canal de televisão, nós não somos um jornal, nós não somos uma revista. Nada mais vai estar preso a uma única mídia. É preciso se libertar do formato e se dedicar a ser especialista em algo, em estar presente na vida das pessoas de todas as formas que ela quiser e precisar.
A ESPN escolheu ser o paraíso dos esportes na terra, não importa de que forma, algo que um comercial de 2006 criado pela Arnold Worldwide exemplifica bem. Assista abaixo:

Também sou fã da ESPN! É um dos poucos canais que assisto regularmente. A interação deles com o público é um exemplo a ser seguido, concordo.
Excelente post!
parafraseando um slogan que existe por aí… não dá pra não ver.
“Nada mais vai estar preso a uma única mídia. É preciso se libertar do formato e se dedicar a ser especialista em algo, em estar presente na vida das pessoas de todas as formas que ela quiser e precisar.”
Achei esse comentário fantástico, pq a tendência é justamente essa, sair do formato engessado e comunicar-SE de verdade, e isso significa repensar constantemente as ferramentas, os meios, para gerar uma comunicação eficiente com o receptor. Ou seja, não adianta eu querer falar grego com quem só entende português, é preciso entender o público, seu universo particular, saber o que cria circuitos com essas pessoas e aí adaptar a mensagem ao meio ideal.
“É preciso se libertar do formato e se dedicar a ser especialista em algo”.
Libertar-se do formato e tornar-se especialista em algo.
Acho que há uma contradição bem engraçada aí, e muitos caem nela.
A meu ver alguém pode apegar-se a um formato para se tornar especialista naquilo, naquela mídia, naquele formato. Sem negar o discurso multimídia blábláblá.
Cada dia se torna mais importante conhecer os hábitos do consumidor, estar onde ele está, mostrar nossa marca, onde ele tenha prazer de encontrá-la.
Ontem, tive a oportunidade de presenciar uma ação completamente descabida, mostrando total falta de feeling: Estava feliz entrando na Vila Belmiro, onde mais tarde teria o prazer de ver a vitória do Santos sobre o Corinthians, e na subida das arquibancadas, uma senhora entregava panfletos da rede de lojas de roupas sociais masculinas, Colombo. E apenas 30cm após a senhora que distribuía os panfletos, se formava um mar… com os mesmos jogados no chão, e logo pensei: – Quem vem a um estádio de futebol pensando em comprar um terno novo?
O panfleto nem pra ter uma arte que relaciona-se a loja com o mundo do futebol… resumindo: um monte de material de divulagação (papel, dinheiro etc) jogado fora. Uma lástima
Abraços
Foram a única emissora a passar a copa do mundo de rugby 2007, ninguém botava fé que alguem ia assistir. Resultado: 2º Lugar na audiência das emissoras a cabo no momento da transmissão da Copa!
ESPN é o canal, SporTV são amadores perto deles
Eles estão fazendo o que todas as emissoras devem fazer para continuar no mercado de informação. Disponibilidar informação de todas as formas. Isso é o que outras grandes empresas vem fazendo também como a BBC, o Times.
O mundo da informação está mudando, e não dá pra ficar parado.
Adorei o post.
conheço gente da espn que diz que em 2009 teremos uma espn zone aqui no brasil.
abraço merigo!
Do caralho o post Merigo.
Abs
[...] depois de ver o excelente post ESPN “Nós não somos uma empresa de Televisão”, do Brainstorm 9, li esse post do AdAge em que a MTV se posiciona como empresa multi-plataforma. O [...]
[...] ESPN: “Nós não somos uma empresa de televisão” – Carlos Merigo, em um dos poucos posts mais completos no Brainstorm9, mostra um exemplo muito interessante de comunicação integrada na web. A ESPN vai além dos canais de televisão e um sitezinho, mas procura estar na vida de todas as pessoas dos mais diversos modos. Entenderam que não é mais possível prender uma pessoa diante de uma única mídia, com dias e horários marcados, é preciso dar alternativas. Os profissionais da ESPN mantém videoblogs, dando informações exclusivas sobre esportes. O Primetime HQ é uma espécie de mesa redonda no site da emissora, onde comentaristas debatem sobre esportes com a participação dos internautas. [...]
espn o melhor canal de esporte do brasil mas fala pouco sobre o inter de porto alegre sera que e porque e gaucho ?
Gosto da Espn, mais gostaria mais ainda se publicassem materiais sobre o basquete para cadeirantes meu marido é jogador e é um dos melhores o nome dele é Glebe Candido A. da Silva joga na Andef em Niteroi
Um dos melhores posts seus Merigo, mandou bem!
Abraços..