Debate do Estadão: agora com mais calma…
Passadas pouco mais de 24 horas após o debate promovido pelo Estadão sobre “Responsabilidade e Conteúdo Digital”, incentivado pela polêmica iniciada principalmente por esse que vos fala, vamos as minhas impressões sobre o evento.
Nessa quinta, dia 30, acompanhei diversos posts e comentários em outros blogs sobre o encontro de ontem. O que pude perceber é, que em geral, as pessoas acharam o debate polido, político demais. Aliás, me diverti com os comentários do Brancaleone no blog do Pedro Doria, dizendo que os participantes deveriam ter levado flores, só faltou trocarem presentes.
E eu concordo com quem teve essa percepção. Até porque, isso foi propositado, adequado e educado. Eu, Bruna e Edney nos encontramos um dia antes do debate, e nos propomos a discutir realmente o tema conteúdo digital, ao invés de esbravejar e repetir tudo o que já foi falado sobre a campanha.
Eu não fui ao debate pensando em apontar o dedo na cara de ninguém, e sim para falar do que ficou claro: a maioria dos profissionais de comunicação ainda não sabe lidar com o poder de informação conquistado pelo cidadão não-especialista, portanto, vamos conversar sobre. Conversa que continuou de forma muito agradável depois, em um happy hour no lobby do hotel.
O próprio Estadão, representado pelos profissionais e jornalistas que lá estavam, admitiu em alto e bom som que a campanha passou uma mensagem equivocada e que ela não representa a opinião de todos. Marco Chiaretti, chefe do conteúdo digital do jornal, afirmou, para a platéia e para as câmeras: “Nós estamos aprendendo com vocês”.
Dito isso, pra que estimular uma discussão infrutífera que só iria dar voltas e não chegar a lugar nenhum? Pra que cair no você-disse-eu-não-disse? Sejamos adultos, e não os blogueiros-macacos-raivosos que um ou outro insiste em acreditar.
A proposta de um debate é cada um tenha seu tempo, e esse tempo é curto. Poderíamos passar a noite lá falando, eu mesmo tinha muito mais pra dizer. Mas o debate foi valido, saudável e atingiu o objetivo que eu esperava: colocar o tema em pauta na grande mídia. O Estadão reconheceu o erro, se dispôs a debater e abriu um canal para discussão. Alguns chamam isso de tentativa de “abafar” o caso, eu chamo de conquista.
Não existe uma guerra entre mídia tradicional contra novas mídias. Existe sim uma complementação entre elas, e cada uma cumprindo seu papel. Eu quero continuar sendo o Carlos Merigo, não quero ser uma instituição Brainstorm #9. O meu blog representa a pessoa física e profissional Carlos Merigo. Quero que quem entre nesse blog queira ler minha opinião e visão das coisas. Nenhum blog sério tem a pretensão de suprir a necessidade por alguma outra mídia, e a recíproca é verdadeira.
Acredito eu, que o ponto mais destoante do debate foi o pronunciamento arrogante e retrógrado do Prof. Gilson Schwartz da USP, o que deixou claro que ele é apenas mais um que está contaminado com o estigma que os blogs carregam. Tanto desconhece o assunto, que acreditou que todos estavam em volta daquela mesa para falar de blogs miguxos e fotologs.
Não tive tempo de entrar no assunto, mas gostaria de ter falado que o Second Life, onde o Prof. Gilson acaba de inaugurar a Cidade do Conhecimento virtual, reúne grande parte do lixo da internet, e onde o receptor tem qualidade abaixo da média. Será que a Cidade do Conhecimento virtual deixa de ser válida apenas porque está rodeada do que ele considera lixo?
Por fim, o Pedro Doria citou blogs internacionais, e disse que aqui no Brasil essa mídia colaborativa ainda não alcançou a mesma relevância que lá fora. Concordo. Mas para um dos maiores jornais do país resolver se manifestar, pedir desculpas e reunir blogueiros em um debate pós polêmica criada na blogosfera, significa que o primeiro passo já foi dado.
| Você pode assistir o debate aqui, no vídeo disponibilizado pelo Rodrigo Barba, ou no site do Estadão. Acompanhe também a cobertura do Jornalirismo.
19 Comentários para “Debate do Estadão: agora com mais calma…”
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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 8:51
Olá Carlos,
então a “operação abafa” foi um sucesso? Todos saíram felizes, o Estadão evitou uma reação em cadeia dos blogs e a propaganda continua!
[]s
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 8:54
Eu dou toda razão ao Estadão. Afinal a forma que todos os blogs que se acham alguma coisa, falaram, discutiram, etc, parece que atingiu o ego de muita gente. Afinal vocês são ou não o Fredão?? Que isso minha gente, vamos evoluir ! Blog é para estudo, principalmente esses de publicidade, marketing, comunicação. Que exemplo vocês estão dando para alunos que querem se formar nessa área? Vocês parecem um bando de petistas, querendo transformar um simples pingo d’agua em uma tempestade. A campanha do estadão não foi nada mais que chamar atenção desses blogs horríveis, péssimos de conteúdo, feito por “moleques”. Isso acontece no Second Life também. Tem muitos “moleques” lá dentro. E com isso fica uma corja de vagabundos, que pensa que é alguma coisa e só sabem falar mal. Então Carlos, e outros blogs que tem um público legal, de vez bater bater na mesma tecla, que tal olharmos de outro modo. Já que vocês estão tão preocupados, acho que vocês acham que o blog de vocês é parecido com blog de menininhas de 15 anos. Porque é esse tipo de blog que estraga a categoria dos blogs do Brasil. Por isso que empreendedores custam a acreditar em blogs corporativos. Portanto vamos mudar, vamos olhar diferente.
Grande Abraço
Alexandre
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 9:06
Excelente. A blogosfera brasileira precisa ser levada mais a sério e acredito que esse seja o primeiro passo pra isso.
Quanto à lamentável estupidez do professor da USP, isso me leva a pensar com ainda mais seriedade sobre o vídeo que vi ontem mesmo sobre o (des)preparo de nossas crianças de hoje em dia para a vida na sociedade do século 21. Vale dar uma assistida.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 10:34
Mordeu a chumbada, engoliu e só faltou dizer que gostou. Parabéns.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 10:41
ficou barato demais pro Estadão. o clima de cordialidade pessoal, necessário, parece ter superposto as motivações da própria mesa redonda. não é o caso de alimentar discussões infrutíferas, mas de examinar o que levou uma empresa desse porte a retratar os blogueiros daquela forma.
dizerem “nós amamos os blogs” é muita falta de vergonha na cara.
e discordo sobre a guerra. a mídia de massa, se pudesse, jogava uma pá de cal na produção de conteúdo independente. só não joga porque embaixo da terra há pessoas que gritam e esperneiam.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 10:49
Cada um continua escutando o que quer.
Eles concordaram, em parte, que a campanha generaliza e vocês concordaram que a grande maioria dos blogs são ruins.
O professor da USP não foi tão infeliz, ele tentou colocar um pouco de polêmica no debate. Não conseguiu, pois não teve retorno. Mas realmente ele anda na margem do preconceito e do jocoso.
Por outro lado, desculpe se é amiga, a fala da Bruna foi completamente infeliz. Pode ser que ela escreva bem, mas o “discurso” dela não fez muito bem ao mundo do Blog.
Também não foi a fundo aquele papo sobre blogs substituírem os jornais. Na verdade o assunto surgiu e passou rapidamente. O pessoal do Estadão colocou uns pontos importantes, pela realidade Brasileira, e ninguém contestou.
Do jeito que vcs estavam falando nos posts anteriores parece que todo mundo compra jornal pra ler somente o caderno2 e o caderno de informática.
Só pra constar, foi muito boa a participação do Interney.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 11:59
Olá Carlos!
não gostei do debate, acho que ficou um pouco vazio. Mas concordo com a postura tomada por ti e pelos outros blogueirros de não ficar apontando dedo na cara de ninguém, pois realmente não iriam chegar a lugar nenhum.
Uma coisa que tenho notado, também tenho um blog, o Portifólio Publicitário, e apesar do grande número de visitas tenho poucos comentários nos posts, e parece que o seu blog “sofre” um pouco disso tambem, afinal uma média de 30, 100 ou 200 comentários é pouco para um blog de uma média de 10 mil visitas diárias como deve ser o seu. Por isso acho que os blogs deveriam incentivar mais a participação dos seus receptores, pois isso vai fazer com que deles credibilidade aumente, se assim merecerem. Ao meu ver é a única forma de conquistarmos mais respeito não só dos leitores, mas também das mídias tradicionais.
abs.
Duda Pan
Portifólio Publicitário
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 14:11
Eu acho que os veículos tradicionais estão tentando agora se apoximar daqueles que têm experiência e credibilidade na internet, no caso os blogueiros. Eles notaram que mexeram num vespeiro e se impressionaram com a repercussão e a velocidade que a coisa se espalhou.
Notei muita ênfase na fala do último senhor quando ele dizia que esse encontro é o primeiro de muitos e etc, etc.
O grupo Estado está interessado nesse novo modelo e os blogs se transformarão em microEstados, cada um com sua especialidade.
Eles criticam, se aproximam e depois engolem e engessam.
já vi esse filme antes.
abs
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 14:31
ops.
desculpe pelo post triplicado…
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 15:09
Fico imaginando o que seria conteúdo relevante para o senhor Gilson Schwartz. Quantas invenções que revolucionaram o mundo não partiram de observações aparentemente banais ( aí entra o lixo digital que o senhor graduado cita na blogosfera). O que seria de Einsten e sua teoria da relatividade se não fosse a porcaria da maça? Quem garante que conteúdo considerado “relevante” gera novos conteúdos de mesma relevância? O que dizer do cidadão que se inspirou na novela da Globo pra montar sua rede de lojas de roupas? A novela não foi relevante para ele? O senhor Gilson Schwartz precisa repensar no conceito de lixo digital e passar a ver isso como matéria-prima que pode gerar grandes conteúdos relevantes. Alias, o que é relevante pra ele?
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 17:08
Só levantando a bola…
Pedro B., vc colocou esse “Eles criticam, se aproximam e depois engolem e engessam.” como algo problemático. Acredito que tendo consciência os blogueiros podem tirar muita vantagem disto, alguns já foram englobados pelas grandes mídias e continuam sua vida de blog só que agora de forma remunerada e “profissional”. O caminho inverso também deve ser a tendência.
Concordo com o Moscatelli, em que podemos utilizar muito o lixo digital, nem que seja para traçar uma analise de tendência. Só não devemos mistificar o lixo e sua relevância cultural.
Agora quanto ao Einsten, ele deve agredecer muito mais ao Newton do que a lenda da maça.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 19:04
“Nós estamos aprendendo com vocês”.
Em nenhum momento do debate os “dinossauros” do estadão mostraram estar interessado em APRENDER com os blogueiros e sim em ENSINAR.
Fiquei com a sensação que o estadão saiu do debate como os mocinhos.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 19:18
EU ESTAVA LÁ! (um cabeludo sozinho de óculos e malha vermelha)
Fui, comi uns salgados, tomei uma agua, assisti à mesa redonda, acabou fui embora meio reflexivo sobre o que acabara de ocorrer, o Estadão era “o dono da casa” e provavelmente estavam preparados para receber muitos ataques, concordo com o posicionamento do Merigo, Edney e Bruna em não baterem de frente e concordarem que existe muito mais lixo na internet do que coisas produtivas e inteligentes, o que é fato.Porém acho interessante levar em consideração que este lixo pode e deve ser utilizado como fonte de estudo sobre o comportamento dos bloguers que “sujam” esta imagem dos blogueiros “descentes” como Merigo, Edney, Bruna, Cris Dias e muitos outros.
Embora a Atitude arrogante do Professor Gilson esteja bastante retrógrada, a base em que ele se apoiou tem fundamento. Precisamos sim melhorar a qualidade dos Receptores, o problema é que muitas vezes os receptores só querem continuar a se relacionarem através de redes e discutirem assuntos que não levem nada a lugar algum, ou querem saber do papagaio do fulano. Provavelmente melhorando a qualidade dos receptores criaremos emissores de qualidade.
até escreveria isto num blog se tivesse tempo de fazer um(costumo dormir da meia noite as seis)
desculpas por ocupar tanto espaço nos comentários.
Sexta-feira, 31 de Agosto de 2007 - 20:03
Achei estranha a polêmica… Blogs versus Estadão? Apenas isso? E as agências de notícias online? Onde ficam? Mesmo na blogosfera norte-americana os blogs mais pop’s ainda estão longe do ótimo de trabalho de empresas como a CNET.
Sábado, 1 de Setembro de 2007 - 18:52
cada vez mais eu começo a concordar c/ quem falou que isso tudo ñ passou de uma puta jogada de mkt do estadão… =]
Domingo, 2 de Setembro de 2007 - 4:47
Concordo com o Felipe:
Armaram o circo, colocaram os melhores malabaristas e ainda chamaram os macacos para compor o picadeiro.
Hahuhauhauhaua, trocadalho do carilho. =]
Terça-feira, 4 de Setembro de 2007 - 1:41
Por favor, acorde…
O Estadão não chamou blogueiros para pedir desculpas de nada. A agência Talent não está revisando nenhuma campanha por conta de erros conceituais nas peças. Os blogueiros não saíram do debate mais reconhecidos por coisa nenhuma feita por quem quer que fosse. O jornal não está reconhecendo absolutamente nada além do que reconhecia antes de tudo começar.
O jornal fez somente o que quis do começo ao fim, usando os blogueiros de maneira suficientemente sofisticada para que os próprios nem sentissem a naba penetrando gentilmente…
Terça-feira, 4 de Setembro de 2007 - 10:33
Quando saiu a campanha, a maioria foi ferozmente contra o Estadão, houve revolta, chiliques e tudo mais.
Alguns poucos foram os que contrariaram, dizendo que estava havendo uma tempestade em copo d´água.
Após o debate, podemos concluir que aqueles poucos tinham razão.
Esperávamos certas atitudes daqueles até então revoltados, mas o que ocorreu ? Nada. Discussões burocráticas, educação exagerada para não haver provocação. Os ânimos dos bogueiros estavam bem diferentes de seus comentários que precederam o debate.
Acho que os blogueiros foram mal representados.
Mas não foi nada. Passou.
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007 - 17:19
Hoje João Livi, da Talent, criador do Fredão e de sua turma, estara na abertura do Ciclorama (www.ecajr.com.br/ciclorama), e falara justamente sobre novas ferramentas de comunicacão. To curioso…
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