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Não voe por Congonhas

Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 | 11:24 am

São devaneios, não ligue se achar esse post confuso:

Toda vez que viajo de avião, pego aquele cartão com instruções de segurança (”o assento pode ser usado como bóia”, “coloque a cabeça entre as pernas”) e acho graça, são situações um pouco estranhas de ter que explicar pras pessoas. Vendo aquelas bizarras ilustrações, fico imaginando que manobras de Indiana Jones eu faria caso realmente acontecesse alguma coisa com o avião. Coisa de maluco, eu sei.

Mas depois de ver tantos casos, e pior, ter que voar depois do acidente da Gol, impossível não pensar: será que tá tudo funcionando nessa joça? Agora, depois de terça-feira, vai ser mais uma questão para me preocupar: Será que esse treco vai pousar direito?

Se começar a chover então, é abrir a porta de segurança e se jogar segurando um lençol. O pouso certamente vai ser mais seguro. Ok. Estou exagerando.

Mas o que interessa mesmo é que esse ano já voei algumas vezes por Congonhas, TAM também, desci ali mesmo naquela fatídica pista, e quando acontece um acidente desses é impossível não pensar que podia ser eu, alguém da minha família, algum amigo. Quem está livre disso? Entrar, viajar, e descer de um avião deveria ser a coisa mais simples do mundo.

Por essas e outras que estou apoiando o movimento “Não voe por Congonhas”: “Pouco importa se a falha foi técnica ou erro humano. O fato é que Congonhas tornou-se inviável. Sem área de escape, com aviões cada vez maiores, é evidente que outras tragédias virão. Como está, não pode ficar. Se eu e você não voarmos mais por lá, quem sabe as coisas não começam a mudar?”

Uma vez esqueci o documento e perdi um vôo, tive que esperar quase quatro horas pelo próximo. Reclamei, me achei muito azarado de esquecer uma simples identidade. A minha reclamação mental durou 5 segundos. Olhei pra cafeteria ao lado, peguei uma revista e esperei. Nessa roleta russa, é melhor não reclamar do destino, ou seja lá o nome que você dê pra isso.

Dá próxima vez, como já disse o saudoso Douglas Adams, vou usar o gerador de improbabilidade infinita, “uma nova e maravilhosa invenção que possibilita atravessar imensas distâncias interestelares num simples zerézimo de segundo, sem toda aquela complicação e chatice de ter que passar pelo hiperespaço.”

Caregorias/Tags: Diversos
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15 Comentários para “Não voe por Congonhas”

  1. Matt:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 13:33

    Em NY temos um aeroporto MUITO parecido com o de Congonhas.

    Em Congonhas, atens do acidente, operava-se aproximadamente com 48 situações/hora. Em NY, opera-se com 68.

    O tamanho da pista não foi o que causou o acidente. Poderia ter evitado, mas não causou. No RJ temos um aeroporto menor ainda, e não tivemos acidentes assim.

    Voltando ao tamanho da pista, não é o tamanho da pista que causa o acidente. (ponto) Poderia ter evitado? Sim, mas se for pensar assim, então coloquem airbag de fábrica em todos os carros, abs, todos de capacete dentro do seu Ford Ka, além de instalar mais 2 camadas de para-choque no carro.

    Depois disso, se alguém morrer num acidente de carro, vão culpar o carro de não ter todos os itens acima? Ou vão culpar o motorista que errou, o freio que não funcionou, o óleo na pista, o destino, o diabo, sei lá mais o que.

    É cedo, e sempre vai ser, para dizer qual o motivo de um acidente, até o final das investigações.

    É inviável dizer a todos que viajam a negócios, lazer etc, para não voarem por Congonhas.

    Apesar de tudo, parabéns pelo Brainstorm #9, que sempre acompanho e nunca comento.

    um abraço


  2. CapEnt:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 14:16

    @Matt@

    Não acredito que você está tentando comparar LaGuardia em NY com Congonhas. LaGuardia deve ser uma 4 vezes maior, e uma brutal diferença de orçamento entre os dois.

    Sem contar que em volta de LaGuardia, só tem oceano, não casas, olha:


  3. Gabriel Castro:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 16:36

    Ganhou pontos comigo só por citar h2g2 no final… ;)


  4. Gabriel Castro:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 16:41

    Ganhou pontos comigo só por citar h2g2 no final… ;)


  5. victortorres:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 17:19

    Quando você falou do folder de instruções lembrei do filme clube da luta, onde o “Projeto Caos” faz uma intervenção nos mesmos.

    Um gerador de improbabilidade infinita seria a solução, mas até conseguirem fazer um, já bastava um guia do mochileiro explicando como não morrer em acidentes de avião ou como voar com péssimas condições.

    Abs


  6. José Freitas:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 17:21

    Merigo,

    Andou vendo Clube da Luta esses dias ou realmente lê aquelas ‘paradinhas’ de emergência nos aviões?

    Abs!


  7. victortorres:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 17:23

    Quando você falou do folder de instruções lembrei do filme clube da luta, onde o “Projeto Caos” faz uma intervenção nos mesmos.

    Um gerador de improbabilidade infinita seria a solução, mas até conseguirem fazer um, já bastava um guia do mochileiro explicando como não morrer em acidentes de avião ou como voar com péssimas condições.

    Abs


  8. cottonboy:
    Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 - 20:40

    este teu post me lembrou aquele cara que sempre viajava com uma bomba consigo

    afinal, a probabilidade de haverem DUAS bombas num mesmo avião, é bem menor

    hahahahahahahaha


  9. Esdras:
    Sábado, 21 de Julho de 2007 - 0:13

    É impossível não pensar que podia ser qualquer um de nós no vôo.

    As razões pro acidente podem ser várias, mas ainda aposto na falta de fiscalização - seja no avião, seja na pista.


  10. Wagner Nascimento:
    Sábado, 21 de Julho de 2007 - 4:09

  11. otávio rocha:
    Segunda-feira, 23 de Julho de 2007 - 8:57

    Merigo, apoio totalmente essa ação, não voarei por congonhas enquanto nada for feito, vi que um avião daqueles precisa de 2.000 e poucos metros pra pousar, e com chuva soma-se mais 300 metros pra segurança e a pista tem 1.940, portanto parem de falar que o aeroporto é seguro, que foi fatalidade, quando for com vc ou a sua família seus conceitos mudarão. Desculpe o desabafo, mas fico indignado ao ver que pessoas “estudadas” só abrem a boca pra falar besteira.


  12. Água...:
    Segunda-feira, 23 de Julho de 2007 - 10:33

    Sinceramente, acho um absurdo quererem fechar um aeroporto de 80 anos, que com o tempo foi rodeado pela cidade e que não causou nenhum acidente… nunca! Estamos falando de um dos aeroportos mais movimentados da América Latina!


  13. Heloisa:
    Segunda-feira, 23 de Julho de 2007 - 11:40

    Eu acho que poderíamos expandir esse movimento para “Não vôo mais no Brasil”. Ainda não sabemos qual a parcela de culpa de Congonhas no acidente, mas infelizmente já contamos com a certeza de que as atuações verdadeiramente vergonhosas da Anac e da Infraero têm grande porcentagem de culpa nessa tragédia. A nós só resta protestar e tentar desmascarar os reais culpados.

    Ê Brasil… um país onde cada vez menos coisas funcionam como deveriam. Uns dizem “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Mas se nem voar tranqüila eu posso mais, como irei deixá-lo? Fomos privados até dessa opção.

    Abraços e parabéns pelo blog!


  14. Tiago:
    Segunda-feira, 23 de Julho de 2007 - 15:21

    O que me intriga é o porquê de todos se tornarem entendidos no assunto e videntes sempre que algum acidente deste tipo acontece. No que se refere ao desastre em congonhas, pra que mandarmos caixas-pretas para analise? Analisar o que restou do avião para encontrar a causa do acidente? Pra que tudo isso se tantas pessoas já previram o acidente e já sabem exatamente todas as causas e consequencias futuras do ocorrido.


  15. André:
    Segunda-feira, 30 de Julho de 2007 - 11:07

    Penso assim…
    Congonhas veio primeiro, depois a população cresceu de forma desordenada em volta.
    Agora que teve o acidente todo mundo da seus pitacos. Sendo que antes tudo parecia passar desapercebido diante dos olhos.
    Quem já não passou no trânsito da Bandeirantes e se sentiu admirado com aqueles aviões passando tão perto. Ou ficou feliz por ter voado e chegado para onde quer que fosse mesmo saindo por congonhas.
    A verdade é que ninguém sabe de nada e reclama, reclama e reclama de um monte de coisas ineficazes. Nosso país já esta uma zona e cada um continua pensando apenas em reclamar de uma coisa.
    Eu aposto que na próxima eleição tudo continua na mesma, o povo despolitizado e sem conhecimento vai continuar apenas reclamando das mesmas coisas de sempre. Enquanto isso os políticos como Calheiros continuam sambando no congresso e isso tb todo mundo esquece.


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