Existe ética no marketing viral? [UPDATE]
| UPDATE: 30/03/2007 - 14:54
Como apontaram o DelRey e o leitor Fábio Scaico, o caso do senador pato virou notícia nacional. Saiu na Folha, no Terra e no G1.
O mico foi tanto, que o senador Arthur Virgílio foi convidado pela Ambev, proprietária da Guaraná Antarctica, para participar da segunda fase do ARG, segundo revelou uma nota oficial de sua assessoria.
Quanto a Agência Amazônia, que eu tinha dito ser falsa, me enganei. O site é realmente verdadeiro, mas não se sabe a relação deles com a ação.
O ARG, Zona Incerta, está sendo desenvolvido pela Editora Abril, sob encomenda da Ambev.
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Uma estratégia viral, com elementos de ARG (Alternate Reality Game), do Guaraná Antarctica, está causando polêmica não só na internet, como também na “vida real”.
Na última terça, motivou um discurso acalorado do senador Arthur Virgílio no plenário, que, sem saber tratar-se de uma ação publicitária, expôs o caso da Arkhos Biotech, uma suposta multinacional de biotecnologia que está propondo que a Amazônia seja internacionalizada e tenha proteção privada.
Arthur Virgílio informou que viu a notícia, publicada com grande destaque, no site Agência Amazônia, e classificou a proposta de “extremamente grave” e lamentou a “declaração ofensiva ao Brasil”.
Também como parte do ARG, o site Zona Incerta faz acusações contra a Arkhos Biotech, que entre outras coisas, está tentando “codificar a fórmula do Guaraná Antarctica, um segredo que hoje vale milhões.” Gastão Bittencourt, que “escreve” no Zona Incerta, pede ajuda para encontrar pistas, recuperar a fórmula e expor as reais intenções da Arkhos Biotech.
Vários vídeos sobre a Arkhos e os personagens do Zona Incerta podem ser encontrados no YouTube. Incluindo o polêmico “documentário” que pegou o senador.
Para quem é macaco velho desse tipo de iniciativa, a presença de uma marca em um site misterioso já entrega a intenção publicitária. A coisa piora quando os domínios arkhosbiotech.com e zonaincerta.com estão registrados pela mesma empresa, apesar de hospedados em servidores diferentes.

Mas algo a se admirar é o site, também falso, da Agência Amazônia. Meticulosamente criado para simular um portal de notícias, até com anunciantes e outras notícias genéricas. [update]: Ao contrário do que afirmei, a Agência Amazônia é real, não se sabe a relação deles com a ação.
A ação envolve mistérios e um tema que é tabu para os brasileiros, por isso mesmo pode ser que consiga engajar a participação de diversas pessoas na busca pelas pistas que propõe. Até porque, o Guaraná Antarctica veiculou um anúncio impresso misterioso em revistas.
Mas questões levantadas pela leitora carioca Vanessa Franquilino, que me indicou a campanha, expõe um aspecto que está sendo cada vez mais discutido toda vez que surge uma iniciativa como essa: Existe algum tipo de ética no marketing viral?
Eu sou sempre defensor das idéias ousadas, adoro investidas publicitárias que tentam engajar o consumidor de alguma maneira, como utilizando um ARG, por exemplo. Não sou partidário da corrente que diz que esse tipo de campanha engana o consumidor, que abusa da boa fé das pessoas para divulgar algum produto. Mas, temos que pensar nas conseqüências.
Se lembrarmos dos ARG’s mais recentes, eles eram declarados que envolviam algum tipo de marca. Como o do filme Interligência Artificial, o famoso Lost Experience, Fiat UnaPassione e MTV Instituto Purifica.
Nos casos do Guaraná Antarctica e do recente “The Uncles” da Nissan, as marcas são bem camufladas, e a proposta é realmente não revelar a intenção de cara. Algumas pessoas sacam, outras não.
Assim como o senador caiu na brincadeira, o próximo pode ser você. Sendo assim, fica a pergunta: Existe limite para o marketing viral?













Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 19:51
Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 19:53
Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 20:10
Desculpa Merigo. Mas o texto ficou muito confuso. Pra quem é da área pode até ser claro, mas pra alguns leitores leigos que frequentam aqui como eu por diversão - a idéia não ficou clara. Nem a confusão que isso envolveu.
Desculpa, se a compreensão do tópico deixou a desejar por falha minha - seja ela de atenção ou ignorância.
Obrigado e abraços
Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 20:42
Deve haver limites, sim. Daqui a pouco todos nós, profissionais da área, ficaremos desacreditados. Sabe quando o moleque mente tanto que quando diz a verdade ninguém acredita?
Pois é.
Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 22:43
É, Merigo, acho que os caras passaram do ponto… aquela famosa “linha tênue”.
Eu até entendo, mas acho que o pessoal aqui não tá preparado para esse tivo de coisa. Vide o senador.
Quinta-feira, 29 de Março de 2007 - 22:43
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 0:43
Como diria o poeta, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Todos os ARG lembrados, são ficção brincando com a realidade ou produtos reais que brincam com o descarado exagero e bom humor.
Não censuro, mas acho de gosto extremamente discutível brincar com problemas que a Amazônia encontra de verdade. Que é o roubo de nomes, patrimônio genético, flora, fauna e baralho a quatro.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 9:09
achei ducaralho… apesar dos principios éticos que envolvem e talvez a confusão que pode causar para quem criou a ação. Achei muito bom… pensa não ter sabido disso antes…
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 9:29
Como é que é? vcs estão discutindo se deve ter ética ou não? sem enrolação, vcs estão discutindo isso?
Parei…
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 9:49
O mundo é dos espertos. Trouxa de qm acredita em qquer informaçao q le na net. Ou vcs mandam correntes pra 10 amigos esperando q o grande amor caia em suas vidas nos proximos 10 minutos?
Parei tbem ….
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 10:04
ou seja, A., é melhor reconhecer que nós corremos o risco de não ter credibilidade nenhuma como profissionais? ahhh tá… agora vai.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 10:19
Eu não acho legal isso não. Acaba com a credibilidade desse tipo de ação e até da profissão….
“É tudo marketing isso” …
talvez iremos ouvir essa frase novamente, como sinônimo de mentira.
E correntes não envolvem nenhuma marca, nem nenhum produto, apenas a pessoa anônima que mandou e/ou inventou isso.
Muito sério o assunto para brincar, talvez outro tema seria mais apropriado.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 10:48
Merigo,
Eu concordo com o Henrique no ponto de que o The Uncles não era viral, mas um teaser (no computo geral é claro, havia ações da Riot de viralização do hit) mas a questão não é se existe ética no viral. Isso na verdade é um preconcieto de quem acha que viral é tudo aquilo que não parece propaganda. Essa percepção é enganosa. Viral é aquilo que é relevante para você e merece ser repassado. É uma bobagem esse negócio de que não precisa parecer propaganda alardeada até pelo Justos no Aprendiz numa prova envolvendo o Terra.
Tem que se discutir sim se há ética no marketing, na publicidade no que essa ação do guaraná Antarctica foi feita (que para mim foi muito legal apesar de ser cansativa e pouco divulgada).
Abs
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:15
Ogilvy foi o primeiro a dizer para que um publicitário não faça uma campanha em que ele não gostaria que sua mulher, ou filha, etc vissem.
Esse é o limite.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:16
Ogilvy foi o primeiro a dizer para que um publicitário não faça uma campanha em que ele não gostaria que sua mulher, ou filha, etc vissem.
Esse é o limite.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:20
Etíca e viral ñ combinam.
Do mesmo modo para as ações do Baixinho da Kaiser e a Caras, um acidente de Ferrari que estava rolando por ai, a distribuição de Red Bull no buraco do Alckmin, essa ação do guaraná, entre tantas outras, pra mim, o objetivo dos caras do marketing hj se resumem nisso; falem bem, ou falem até mal, mas falem do produto.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:20
Discutir ética na publicidade é complicado. Todo publicitário já “nasce anti-ético” quando promove milhares de produtos, cria mil e um dejesos de consumo. Afinal, todos esses produtos milagrosos divulgados é pra quem? 10% da população por que o restante vive na miséria e desemprego. O que faz um cidadão desse que está noss 90% com tantos sonhos despejados na sua casa diariamente? se suicida?
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:26
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 11:50
Caracas, acho que nem os próprios caras imaginaram que iria tão longe esse papo… se bem que, como disse o André e eu concordo, esse é um assunto muito sério para usá-lo numa ação de mkt, já que é sabido que na cabeça dos americanos a Amazônia deveria ser patrimonio do mundo, ou melhor, deles.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007 - 14:01
O importante é que o site da Agência Amazônia é *verdadeiro*. São jornalistas que não apuraram absolutamente nada a respeito e já foram soltando a notícia e mobilizando o senado! Pelo que dá para perceber o ARG em nenhum momento divulgou e espalhou notícias ou releases falsos, só jogou o factóide e esperou alguém morder a isca. Algo que revela muito sobre a imprensa e a política nesse país.
Sábado, 31 de Março de 2007 - 23:28
Achei genial. Ao meu ver a proposta de um ARG é se misturar com a realidade, a partir do momento que o limiar entre o que é real e o que não é ficou sutil, beirando o confuso, o ARG é então bem sucedido. Outros ARGs brasileiros não funcionaram justamente por declararem abertamente que se tratava de um “jogo”. Acredito que o problema todo está em outro aspecto da rede, a confiabilidade da informação. Uma organização, muito menos um Senador, podem sair discursando sem ter dados concretos sobre um assunto. Cabe a todos o bom humor de ter caído na brincadeira.
Lembro de algo do passado(alguém lembra aqui?), um scan de uma cartilha que rondava os e-mails por ai, onde mostrava o brasil sem a amazônia. Até hoje tem gente que acredita fielmente que era uma cartilha americana. Outro ato viral/guerrilha.
Terça-feira, 3 de Abril de 2007 - 11:23
Merigo,
vi num blog por aí o jornalista que divulgou a notícia levantando essa bandeira de que a campanha era anti-ética. O cara não teve a capacidade de olhar pro próprio umbigo e perceber como ele é negligente ao dar uma notícia sem a mínima checagem.
Sei que soa como discursos romântico ou lição de moral, mas prefiro mil vezes os riscos da liberdade do que a certeza do controle.
Abração!
Terça-feira, 3 de Abril de 2007 - 16:18
Uma coisa ficou clara com esses comentários. Precisamos definir ao certo o que é “viral”. Isso está se tornando um termo tão “modinha” que tudo que se faz está virando “viral”. Não considero o “The Uncles” um viral. Ao meu ver viral é o que se espalha voluntariamente pelos consumidores. A campanha do Nissan foi espalhada pela propria agencia. Eu, pelos menos, não recebi nenhum link de amigo me enviando o video do The Uncles, e nem enviei pra ninguem. Assim como não conheço ninguem q tenha tido essa atitude. Muita coisa classificada como “viral” por este blog, ao meu ver não possui as caracteristicas do que realmente se constitui esse tipo de ação.