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Minority Report: publicidade contextual

Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 | 6:37 pm

Se alguns filmes não tivessem existido, o mundo não seria o mesmo. Um exemplo básico: “Star Wars”. Já se passaram mais de três décadas desde que a saga imaginada por George Lucas chegou aos cinemas, mas já paramos pra pensar no quanto muitas das idéias apresentadas no filme influenciaram nossa vida?

Você pode detestar ficção científica, achar Skywalker, Darth Vader e sabres de luz uma bobagem sem fim. Porém, nunca vai poder negar o poder de revolução da Força. Em maio de 2005, a Wired traçou um mapa mostrando “como Star Wars mudou o mundo”, influenciando pessoas, empresas, a criação de novas tecnologias e, claro, toda a indústria de entretenimento.

Quando o primeiro capítulo de “Star Wars” estreou nos cinemas, eu nem nascido era. Mas em 2002, eu já estava no alto dos meus 21 anos. E você se pergunta agora: “mas o que diabos isso tem a ver, oras?”. Eu explico: tem a ver que eu (e provavelmente você) estava em algum dia de 2002, dentro de alguma sala de cinema, presenciando um filme que influenciaria nossas vidas para sempre e nem sabíamos disso: “Minority Report”.

Quando Steven Spielberg imaginou seu filme, baseado no conto de Philip K. Dick, publicado em 1956, o situou em 2054. Porém, o que talvez ele não imaginava, é que já em 2007 diversas idéias apresentadas em apenas duas horas se tornariam realidade.

Alguem falou em iPhone? Quando Steve Jobs demonstra, com touch-screen, o manuseio de imagens no mais novo gadget revolucionário da Apple, está usando o que chamam de “Minority Report Interface”. Você viu Tom Cruise mexendo coisas com as mãos em uma tela gigante, achou legal, mas não podia imaginar que aquilo se tornaria nome, sinônimo de uma tecnologia.

Em fevereiro do 2006, quando Jeff Han, cientista do Instituto de Ciências Matemáticas de Nova York, colocou esse sistema de manipulação intuitiva para funcionar de verdade, disse: “Minority Report tornou-se realidade”.

Não é preciso muito esforço para saber que isso vai se estender em muitos aspectos, mudando definitivamente a forma como iremos interagir com a tecnologia. Mas, como publicitário, o que “Minority Report” tem a ver com você? Tudo, é claro. Isso porque o filme de Spielberg faz uma demonstração futurista de publicidade contextual, que em breve estará nas ruas. Veja a cena abaixo:

Ontem você viu o outdoor da MINI, que reconhece os donos de um carro da marca e exibe mensagens personalizadas. A idéia é genial, mas acha que a execução ainda é arcaica para um “Minority Report”?

Então espere para ver as tecnologias inovadoras que estão sendo desenvolvidas pelo Google e pela Microsoft, e que certamente irão revolucionar a propaganda “out-of-home”, um mercado que movimentará cerca de 7.4 bilhões de dólares em 2007 só nos EUA.

O Google, que já transformou a publicidade online usando simplesmente texto, registrou a patente de um sistema de outdoor digital, capaz de atualizar em tempo real de acordo com o estoque das empresas e outros fatores. Exemplo simples: uma loja de DVDs faz um painel anunciando os últimos lançamentos, caso um dos produtos acabe no estoque, o anúncio no outdoor é automaticamente substituído por outro.

Também dotados de touch-screen, esses painéis irão mensurar o que podemos chamar de “taxa de toque”. O consumidor vê o produto na tela e pode conseguir mais informações tocando no anúncio. Além disso, com essa tecnologia, o Google quer fazer o AdSense funcionar nas ruas. Os anunciantes enviam suas peças para um servidor, que as exibe em painéis digitais de acordo com a localidade e tráfego.

Já a Microsoft, com sua divisão AdCenter, levou “Minority Report” ao pé da letra: equiparam painéis digitais com uma tecnologia de reconhecimento de face. Uma câmera “lê” 129 pontos no corpo de uma pessoa, identificando sua idade, sexo, altura e peso para exibir anúncios demograficamente e criativamente direcionados. Em testes feitos pela empresa de Bill Gates, o sistema teve 90% de eficácia, que vai permitir também interação com o usuário.

A miríade de possibilidades que se abre com essas tecnologias é inimaginável, seja na mídia exterior ou proporcionando uma experiência de compra dinâmica e intuitiva. Logicamente, levarão ainda alguns anos para que tudo isso esteja funcionando adequadamente, mas não há dúvidas de que é o fim da linha para o mundo da publicidade off-line estática.

Por essas e outras, tenha certeza, não é exagero dizer: se alguns filmes não tivessem existido, o mundo não seria o mesmo.

| Compre aqui “Minority Report” em DVD. R$ 19,90.
| Compre aqui a coletânea de contos “Minority Report: A Nova Lei” de Philip K. Dick.

Caregorias/Tags: Artigos, Cinema, Outdoor/Guerrilha
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21 Comentários para “Minority Report: publicidade contextual”

  1. Ana Paula:
    Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 20:00

    Olá!
    Sensacional o post. Gosto muito de mídias interativas, mídias digitais, tecnologia, etc. Juntando isso tudo então, melhor ainda!

    Em novembro rolou uma palestra no Festival Internacional de Publicidade no RJ com o Brian Crotty, diretor de mídias emergente da McCann América Latina, o título era “10 coisas que você precisa saber para sobreviver no ambiente da comunicação emergente”, e ele citou “Minority Report”, mostrando alguns trechos e pontuando exatamente como você fez, comparando com o presente, com as coisas que poderão surgir, etc. Eu já tinha assistido o filme, mas acabei comprando mesmo assim no dia seguinte pra poder observar com mais calma os detalhes, etc.
    Se interessar, procure saber sobre essa palestra, ele fez ótimas comparações e falou bastante sobre o assunto.

    Como estou no último ano da faculdade, quero fazer uma monografia com algo relacionado ao tema… muito interessante mesmo!

    Abraços, parabéns pelo blog!


  2. Eme:
    Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 20:41

    Boa Brow!

    Faça mais posts desses! Originais, completos, cheios de link e referências.

    Abrax,
    M


  3. Alexandre Cavalari:
    Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 21:45

    Merigo, completando as informações do seu post, o fenômeno “Minority Report se transforma em realidade” não ocorre por acaso…
    Foi um passo calculado pelo diretor. Steven Spielberg contratou uma equipe de especialistas que ele chamou de “futurólogos” e que foram atrás de protótipos e pesquisas nas empresas que se interessassem.
    O carro vermelho, por exemplo, é um protótipo da Lexus. As ruas com carros que não precisam ser guiados e até o desenho da cidade, foi tudo baseado em protótipos.

    Lembro de um site que listou os protótipos e as marcas que os criaram, mas não consegui encontrar agora…


  4. edu:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 4:18

    Ótimo post!! Philip K. Dick é muito bom, assim como vários escritores de ficção cientifica. Esses tipos de post originais são os melhores! Esses tipos de interfaces sempre me fascinaram. Sempre acessei o site, mas nunca comentei, mas esse valeu a pena.


  5. Renato Veiga:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 10:11

    Lí outro dia em algum lugar que algumas lojas já possuem espelhos onde o cliente “experimenta” um modelo de roupa e envia dali mesmo via celular uma foto para pedir a opinião de amigos, família e afins. Isso sem tirar ou colocar nenhuma peça de roupa no corpo, tipo uma sobreposição virtual.
    É, muitas vezes a ficção é um prelúdio, algo que provavelmente acontecerá, temos exemplos constantes disso…


  6. Eros:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 10:26

    A arte imita a vida ou a vida imita a arte?

    01 DE FEVEREIRO - DIA DO PUBLICITÁRIO
    Parabéns a todos os profissionais sérios e engajados em construir uma nova postura, voltada ao desenvolvimento sustentável, à responsabilidade social e à paz.
    Parabéns também aos péssimos profissionais, afinal, nos enchem de exemplos e eternizam nossa motivação.

    Eros Casabranca


  7. vinícius möller:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 10:27

    puta texto, cara. puta texto MESMO.


  8. ce:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 10:42

    Muito bom o texto de hoje.
    Sabe…esse assunto me assusta um pouco. Hoje em dia é tudo muito rápido, as coisas acontecem numa velocidade incrível.
    Faz um ano que me formei em publicidade e metade das coisas aprendidas e vistas na faculdade ficaram pra tras. Viraram história. E tudo muitas coisas que discutíamos em sala de aula, o futuro da propaganda e tal…está aí…ao nosso alcance…ou prestes à virar realidade.
    Muito bom saber que temos esse “poder” de inovação e de criatividade tecnológica. Mas tudo isso não deixa de me assustar….aonde será que o ser humano vai chegar?


  9. Junior Moretti:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 11:02

    No curso de comunicação em Multimeios que fiz na PUC-SP tinha uma aula chamada FUTUROLOGIA…

    O professor passou vários livros e referências que mostram que esse tipo de estudo já vem sido realizado a muito tempo. Coisas como “os caras quando colocaram o metrô em São Paulo sabiam que em 25 anos eles iam ter que ampliar as linhas… as prospecções tecnológicas que os caras fizeram a 25 anos atrás e que só chegaram no “usuário final” de 1997 pra frente… muita coisa que faz você parar pra pensar e vê que só nos desenvolvemos tanto pq pessoas anos atrás fizeram as contas de se tudo isso seria viável ou não!!! quantos projetos desses será que já não pararam antes de chegar até nós ou não deram certo???


  10. Diego:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 11:34

    Alguma vez, lendo ao Trend Watching, vi uma tecnologia em testes no Japão em que um feixe de luz vindo do teto emitia um som para quem passava por ele. Quem estava fora do feixe não ouvia nada, apenas quem estava nele mesmo.Li também sobre uma chuva de logos. Sâo luzes, que simulam uma chuva com o logo de alguma empresa. Minority Report nao está tão longe de ser alcançado. Muito bacana o texto.


  11. ivan:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 11:47

    Merigo,

    Não sei se vc conhece o livro “A condição humana”, da filósofa Hannah Arendt. Se não, procure. Logo na introdução ela disserta a respeito da importância das obras de ficção científica na nossa vida, obras por vezes menosprezadas pela dita crítica especializada. Não me lembro bem de tudo, pois faz muito tempo que li isso. Mas é na esteira desse teu post.

    No mais, parabéns pelo blog, que sempre consulto, mas nunca me manifesto.

    Abraço.


  12. ivan:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 11:48

    Merigo,

    Não sei se vc conhece o livro “A condição humana”, da filósofa Hannah Arendt. Se não, procure. Logo na introdução ela disserta a respeito da importância das obras de ficção científica na nossa vida, obras por vezes menosprezadas pela dita crítica especializada. Não me lembro bem de tudo, pois faz muito tempo que li isso. Mas é na esteira desse teu post.

    No mais, parabéns pelo blog, que sempre consulto, mas nunca me manifesto.

    Abraço.


  13. ivan:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 11:48

    Merigo,

    Não sei se vc conhece o livro “A condição humana”, da filósofa Hannah Arendt. Se não, procure. Logo na introdução ela disserta a respeito da importância das obras de ficção científica na nossa vida, obras por vezes menosprezadas pela dita crítica especializada. Não me lembro bem de tudo, pois faz muito tempo que li isso. Mas é na esteira desse teu post.

    No mais, parabéns pelo blog, que sempre consulto, mas nunca me manifesto.

    Abraço.


  14. Irineu Júnior:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 12:07

    Muito bom, véi.


  15. Vinicius:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 13:26

    Parabéns, muito bem colocado, é a tendencia o off-line acabar mesmo, mas acho que não estaremos vivos para ver isto, mas com certeza veremos muitas tecnologias inovadoras influenciarem nossa profissão. Alias, parabéns para nós publicitários.

    Abraço


  16. Vinicius:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 13:26

    Parabéns, muito bem colocado, é a tendencia o off-line acabar mesmo, mas acho que não estaremos vivos para ver isto, mas com certeza veremos muitas tecnologias inovadoras influenciarem nossa profissão. Alias, parabéns para nós publicitários.

    Abraço


  17. Xiscando.com:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 13:56

    01 de Fevereiro - Dia do Publicitario!

    parabens a todos!!


  18. ftrc:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 15:00

    esse filme é muito bom e a tecnologia usada nele é ainda melhor.


  19. Armando Alves:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 16:07

    e um novo video da aplicação.

    Quanto à extensão da publicidade contextual, creio que ela já está presente fora da web, como é o caso da tecnologia SpotRunner

    * Ah, um dos dilemas que o vídeo online actualmente enfrenta passa precisamente po encontrar uma solução para contextualizar a publicidade nessa media. Mas o reconhecimento de voz e identificação visual por software está aí bem próximo.

    Já agora, falando de mudança, é engraçado ver como a realidade do StarWars foi reinterpretada:


  20. johnatan franz:
    Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007 - 17:15

    CALMA CALMA !!! EU AINDA TO NOS ANUNCIOS DA LISTEL !!!

    HAHAHAHHA

    ….

    sem comentarios


  21. Farion:
    Sábado, 3 de Fevereiro de 2007 - 14:24

    Sensacional mesmo.
    O futuro já começou. (y)

    Abraço!



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