Cervejas e mulheres
Matéria no caderno Cotidiano da Folha de S.Paulo de hoje, aponta o descumprimento das cervejarias quanto ao uso de apelo sexual em suas propagandas. Segundo o jornal, nas campanhas de verão quase nenhuma marca escapa de utilizar mulheres semi-nuas e conotação que sugere “êxito profissional, social ou sexual”, justamente o que “não recomenda” o Conar desde 2003.
Uma declaração da doutora em sociologia e pesquisadora da Universidade de Brasília, Berenice Bento, generaliza: “Não há sutileza, as mulheres estão ali para serem consumidas. Os anúncios revelam que a mulher é algo para servir ao homem e mostram como estamos longe de uma sociedade com eqüidade de gêneros”.
Obviamente, não é preciso ter mais que um dos olhos funcionando para perceber que a cervejarias deixaram de cumprir a regulamentação, mas o Conar promete fiscalizar para verificar se está mesmo havendo falta de ética no uso de mulheres em comerciais.
A atriz Juliana Paes, a mais conhecida gostosa das cervejas atualmente, disse não ver nada de agressivo nas propagandas.
Eu não conheço nenhum dado científico que comprove o sucesso de uma cerveja devido a sua relação com sexualidade, mas um amigo que já trabalhou com a cerveja líder do país, após intensa pesquisa de campo, me disse: “se não tiver cartaz de mulher pelada no ponto-de-venda, vende menos.” Será?
29 Comentários para “Cervejas e mulheres”
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 8:58
Penso que apesar do apelo sexual, como disse a atriz Juliana Paes, não existe qualquer relação da mulher com a venda maior ou menor do produto. O uso da mulher em comerciais de cerveja vem justamente da natural sensualidade do brasileiro com seus carnavais de mulheres seminuas, calor e hormônios a flor da pele.
Talvez teriamos campanhas mais “inteligentes” se vivessemos em um país frio, onde nossa sensualidade não fosse tão flagrante. Porém tenho certeza que nessas condições o consumo de cerveja seria bem menor do que no Brasil tropical.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:14
Seu amigo tem razão. São as pesquisas que levam para esse lado. Na agência que eu trabalho atendemos uma grande marca de cerveja, e sempre que faço trabalhos onde a gostosa não é o destaque, o material não vai bem em pesquisa. Já tive caso de ter que tirar um homem que estava com a gostosa porque o carinha que frequenta o boteco não queria ficar vendo homem enquanto tomava sua cerveja… Antes de proibirem deveriam fazer uma pesquisa com o público de cerveja… O Conar iria se surpreender!
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:14
Acredito que existe uma falta de “Argumento” muito grande quando o assunto é vender cerveja. A maioria das propagandas saem com esse apelo pois não há (e me perdoem os amantes da loira gelada) o que discutir. Gosto? Espuma? BALÉLAS! O famoso teste cego prova isso! Utiliza-se a mulher como “produto” sim, até que se prove o contrario.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:38
sei lá. eu sempre peço a serramalte aqui em porto alegre, que acho que nunca botou nada nem na tv, nem no rádio, nem em revista, nem em outdoor, nem em cartaz nem em…
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:38
Edu. o produto é a cerveja. Nos botecos da vida o que se discute é qual cerveja agrada mais o paladar, e não qual a cerveja que tem a mulher mais gostosa no cartaz. Gostosas são uma tradição devido ao consumidor de cerveja predominante, um dia, já ter sido de tarados de buteco. Ou ainda é?
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:44
Argumentos não faltam. Mas o que fazer se o que a rapaziada quer ver é mulher semi-nua…
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 9:48
Nas proximas têm que mostrar as mulheres de fio dental!!
Eu gosto de mulher de fio dental.
Um grande abraço.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 10:09
Eu compro cerveja pela qualidade, e não peloa anúncio. Costumo beber Stella Artois, Sol mexicana, Serramalte, Patricia e Bohemia. Com exceção da ultima, não lembro de ter visto nada sendo veiculado há um bom tempo.
O problema é, creio eu, que o heavy user das grandes marcas nacionais tem outros hábitos, e essa coisa da gostosa já está vinculada.
E em resposta ao Edu, existem argumentos sim.. Um exemplo é a Polar, aqui do RS. Dá uma procurada na net se tu não conhece.
Abraço
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 10:51
Falta criatividade nas propagandas de cerveja isso sim.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 10:56
Talvez mulheres nao cresçam significativamente as vendas mas que a relação mulher/cerveja deixa am alguns casos marcas na memoria…quem nao se lembra do pingo e creveja descendono corpo daquele mulherao da branhma…inevitavel em roda de amigos a propaganda vira comentario e tai a jogada idependente do gsoto ou nao “elas” nos fizeram referencias de suas cervejas…claro que e um metodo pouco criativo mas eficaz e vamos ver centenas e milhares de mulheres sendo espoxtas ao lados de cervejas…ai que calor!!!!
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 10:57
A Dra. Berenice diz que “…as mulheres estão ali para serem consumidas…”.
Se uma mulher quer ser consumida, enfraquece a luta das mulheres pela “…sociedade com eqüidade de gêneros…”.
A grana sempre fala mais alto. Este é o mal do mundo.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 11:51
hum, a velha polêmica dos comerciais de cerveja.
Até mesmo a presença das mulheres nos comerciais de cerveja está mudando. A meu ver elas estão sendo menos exploradas como produto, estão presentes nos comerciais porque também estão presentes como consumidoras nos botecos e festas e tudo mais.
O que ainda é criticável, é a presença delas como fórmula obrigatória, e sempre com pouca roupa. Falta sim criatividade pra sair do lugar comum, mas tem algumas marcas que conseguem.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 12:21
Pelo oque lembro, a Skol não está usando mulheres seminuas na TV, pelo contrário está - de forma bem criativa e divertida - mostrando os efeitos da cerveja.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 12:22
Eu acho que nem as agências, nem as cervejarias comprariam essa briga toda se mulher no cartaz de PDV não fosse essencial. A discussão é antiga e todo mundo bate nas agências e nas cervejarias, que também precisam vender cerveja pras mulheres e pros críticos(que em geral são grandes consumidores do produto). Mas há casos interessantes, mesmo no Brasil, que não usam esse apelo sexual. Como a Heineken.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 13:04
Mas isso só comprova que um produto é feito para atender o grau de exigencia e inteligencia do consumidor. Cerveja tem que ter mulher pelada porque se falar do aroma, suavidade, sabor entre outras coisas o bebum vai achar muito complicado e pedir uma caninha 51.
Agora, quantas propagandas de bancos já viram mostrando mulher pelada? Ou já entraram em alguma agencia e tem um baita poster com uma gostosa escrito “O banco da boa”?
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 14:12
Claro que mulher pelada vende. Já viu algum homem dançando fantasiado de “globeleza” no carnaval da Globo?
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 14:36
ao meu ver os comerciais de cerveja estao bastante diversificados neste verao,apesar dos cliches,alguns com musicas alienantes,outros com o conceito de que a bebida “proporciona” maluquices inesquecives…mas mulheres ainda continuam usadas mas como alguem falou por ai,mas um novo conceito como consumidora tambem..mulheres sao essenciais nao pelo fato de ligarmos a sensualidade mas sim porque criasse um ambiente social comum a todos os lugares,onde elas bebem,fumam,se divertem,nao mais o objeto “MULHER”….
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 14:37
ao meu ver os comerciais de cerveja estao bastante diversificados neste verao,apesar dos cliches,alguns com musicas alienantes,outros com o conceito de que a bebida “proporciona” maluquices inesquecives…mas mulheres ainda continuam usadas mas como alguem falou por ai,mas um novo conceito como consumidora tambem..mulheres sao essenciais nao pelo fato de ligarmos a sensualidade mas sim porque criasse um ambiente social comum a todos os lugares,onde elas bebem,fumam,se divertem,nao mais o objeto “MULHER”….
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 15:38
o uso de mulher “objeto” vai muito alem das campanhas de cerveja. e acreditem ou nao, o Brasil tem uma cultura forte em utilizar a mulher como objeto para vender produtos, como nenhum outro pais do mundo. o conar nao vai lutar contra as cervejarias ou a publicidade, mas contra toda uma cultura nacional. agora, se ela é ou não estimulada pela propaganda, ai ja é outros 500.
Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007 - 18:21
Até parece que mulher não bebe cerveja(tá eu não bebo).
Mas tem umas coisas nada a ver como o baixinho da kaiser.
Parabens a SOL pelas propagandas.
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 9:59
outra coisa! a estoria ja esta mudando. no ultimo James Bond, quem sai do mar naquela tradicional cena sensual em trajes de banho nao eh a Bond Girl, infelizmente!!!!
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 11:06
Cadê a democracia?
Nosso país é enorme e cada região tem suas particularidades. Temos gente pobre e gente rica. Cerveja é bom e quase todo mundo bebe. Há quem se importe sim com o sabor, a espuma etc, e por isso bebe heineken, stella artois e outras aí de ótima qualidade que já foram citadas. Mas há também o cara que vai no boteco beber aquela gelada no fim do dia, no fim de semana e quer mesmo é ver aquela bunda e aquele peitos que a mulher dele deixou de ter há tempos, se é que um dia teve. Pra isso que existem propagandas muito interessante que não apelam para o uso das mulheres como objeto, que é o caso dos primeiros consumidores e há também o contrário.
Não adianta o Conar ou o papa reclamar.
Há público alvo pra ver bunda e gelada e há target pra apreciar o aroma de uma cerveja.
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 11:43
E ironico que dos vinte e pouco comentarios, so um (dois, agora) venha do publico feminino, o maior interessado na historia.
A percepcao da mulher como objeto sexual, infelizmente, esta arraigada na cultura brasileira e ultrapassa as barreiras da propaganda.
A propaganda nao inventou a “gostosa”, mas usa e abusa do “conceito” e estimula, sim, a objetificacao da mulher.
Mesmo a Sol, que tentou fugir do cliche, nao resisitiu e salpicou uma gostosa aqui e ali no comercial.
E ingenuo argumentar que so mulher pelada vende cerveja. Vide o sucesso de campanhas como as da Stella e da Guinness, veiculadas em paises que consomem, proporcionalmente, muito mais cerveja que o Brasil.
O publico e outro? Sim, mas o publico brasileiro so exige a gostosa no poster porque e isso que a propaganda brasileira condicionou-o a esperar.
Ja era hora das industrias da cerveja e da propaganda pararem de usar resultado de pesquisa como desculpa para a propagacao dessa “caracteristica” tao deploravel e vergonhosa da cultura nacional.
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 12:37
Até que enfim! Não costumo postar mas preciso dizer que concordo com a Ana, vamos ouvir um pouquinho o ponto de vista feminino? Esse molde é muito cômodo para as agências/clientes, não dá mais pra usar essa desculpa, assim fica fácil! Que tal quebrar o molde e pensar diferente? Não é esse um dos principais objetivos da publicidade? A Skol é um belo exemplo a ser seguido. A marca desenvolveu um conceito simpático, sem perder a mensagem nem apelar pro clichê. E mantêm-se no topo, firme e forte.
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 14:13
Essa discussão dá muito pano pra manga heim…
Como apreciador de cerveja e principalmente das mulheres, vir com essa desculpinha que “é disso que o povo gosta” é realmente muito comodo. Todas as grande marcas de cerveja do mundo tem conceitos muito mais interessantes e criativos do que a dupla “cerveja gelada + mulher pelada”. Como ja foi citado a própria Skol tem momentos muito legais, sem utilizar nenhuma bunda sacolejante.
Mas a mulherada tbm não pode posar de santa, já que todas se produzem, se arrumam e se turbinam pra chamar a atenção e serem desejadas. O que é passado é mesmo a velha desculpa para propaganda de cerveja e qualquer tipo de produto direcionado para o público masculino.
Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007 - 14:15
A Skol nao utiliza mulher atualmente, mas ja usou MUITO.
aqui no brainstorm #9 inclusive, teve aquele game da copa com duas mulheronas gostosas.
Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007 - 15:41
É muito duro admitir isso, mas mulher gostosa vende mais e ponto final. Não só cerveja como vários outros produtos. É claro que é um “atalho” que pode acabar suprimindo a criatividade, mas quando bem usado é sucesso na certa. Juliana Paes para a Antártica é um excelente exemplo. Gostosa e criativa a propaganda.
Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007 - 15:51
Realmente o uso de mulheres semi-nuas nestes comerciais é um apelo torto, e uma amostra de total falta de criatividade por parte das agências. Estamos totalmtente saturados deste tipo d comercial,sabemos que existem diversos comerciais de cerveja que nao se utilizaram deste apelo e q deram tão certo ou, mais certo, do que os outros.
Onde foi parar a criatividade dos publicitários?o conceito de que mulheres semi-nuas vendam mais nestes anúncios, não existe, foi estereotipado algo que não é real, outro ponto importante que deixam de lado é que hoje em dia grande parte dos consumidores de cerveja são mulheres.
Ah e o fato da Juliana Paes ter dito que não acredita que há apelo nestes comerciais é óbvio, ela nao vai querer perder o pequeno cachê dela né..
è isso entao..
Sábado, 3 de Fevereiro de 2007 - 17:18
Prezado Bruno Duarte, há países muito frios em que o consumo per capita de cerveja é muito maior que no Brasil. A relação sensualidade (ou calor, criatividade ou muitos outros atributos lugares comum que gostam de atribuir aos brasileiros) e consumo de cerveja não tem relação alguma. É hábito, condição financeira e paladar.