Arquivo para o mês de Setembro de 2006
Nike | Little Less Hurt
Quando postei na semana passada o comercial da Australian Childhood Foundation, mais um com trilha sonora a lá Johnny Cash, algumas pessoas disseram que a família do músico deve estar faturando uma boa grana com royalties.
Mas não só a família Cash, Trent Reznor (o homem Nine Inch Nails) também deve estar rindo a toa. Porque mais uma vez a versão de “Hurt” gravada por Johnny Cash foi utilizada em um comercial, agora pela Nike.
Intitulado “Endure”, o anúncio foi criado especificamente para o mercado internacional (ou seja, que não o americano) e mostra diversos atletas, incluindo Ronaldinho Gaúcho, em momentos de dor e entrega ao esporte.
A Wieden+Kennedy declarou que sua equipe criativa tentou diversos outros trechos de músicas, mas que nenhuma se encaixava tanto com a proposta da peça como “Hurt” na voz de Cash.
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Antena 3 | Two Premieres
Campanha do canal de TV espanhol Antena 3, para divulgar as estréias de filmes que aconteceriam simultaneamente na rede.
O título diz: “Two premiere at the same time. What are you going to watch?” (Duas estréias ao mesmo tempo. Qual você vai assistir?)
Apesar da boa idéia visual, não deve passar de um belo fantasmão. Pois que canal estrearia “De Volta Para o Futuro” em 2006, depois que o mundo inteiro já assistiu?
O quê?! Você nunca viu? Não tem vergonha de sair de casa?




The Sopranos “Whacked”
Mais uma ação criativa para divulgar a série “The Sopranos”, desta vez realizada na Escócia pela Rapp Collins. Um adesivo no vidro traseiro dos táxis do país, simula um tiro e sangue, chamando tanto atenção dos pedestres na rua quanto dos passageiros dentro do carro.
Dentre diversas outras idéias, uma delas você viu aqui em agosto do ano passado. É o mundo da máfia sempre mexendo com o imaginário das pessoas.

A Dama na Água
Virou mania achincalhar todos os filmes de M. Night Shyamalan, ainda que o diretor tenha realizado verdadeiras obras-primas como “Sinais” e “A Vila” (não, e não vou falar de “O Sexto Sentido” mais uma vez). Filmes que, com uma fachada de suspense (muito eficiente por sinal) e terror (que o marketing insiste em vender), aborda temas profundos e que nos fazem sair da sala de cinema pensando e discutindo sobre o que acabamos de ver, o que por si só é uma imensa qualidade.
Shyamalan é um diretor que, antes de mais nada, mereceria respeito por ser uma das cabeças mais criativas e originais de Hollywood, fugindo do convencional em um momento em que a indústria carece de diretores autorais e precisa investir em adaptações, refilmagens e sequências.
Mesmo assim, a crítica especializada insiste que Shyamalan faz um filme pior que o outro e está enterrando sua carreira. Com “A Dama na Água” não foi diferente, tornando-se o filme mais criticado do diretor hindu-americano.
Vamos considerar então que “A Dama na Água” fosse mesmo um filme terrível, primário e inassistível, como alardearam os críticos estrangeiros. Teríamos então a primeira obra realmente ruim de uma carreira brilhante, ou como disse o próprio Shyamalan: “Ainda terei acertado 80% das vezes.”
Acontece que “A Dama na Água” passa longe de ser um filme ruim, pelo contrário. É um belo e imaginativo conto de fadas, comovente e criativo como há muito tempo o cinema não via. É sim sua obra mais pessoal, o que exige uma profunda entrega do espectador para se deixar levar pela história (como diz o próprio nome da narf, a ninfa da água).
Mais presente do que em qualquer outro filme seu, o humor de “A Dama na Água” arranca risos de todos os tipos: sinceros, inocentes e ácidos. Pois a produção também é uma espécie de auto-defesa de Shyamalan, que incluiu até um personagem que é um arrogante crítico de cinema e colocou a si próprio para desempenhar um papel de alguém que vai transformar o mundo.
Quem é fã do diretor, vai se deliciar com os inúmeros elementos sempre presentes em suas obras: a água catalisadora de mudanças, a criança com papel fundamental, o questionamento da fé, sua participação especial, a cor vermelha indicativa de perigo e, claro, seus maneirismos visuais e ousadas tomadas de camera. Destaque também para mais uma bela trilha sonora de James Newton Howard, que concorreu ao Oscar pela sua composição para “A Vila”, e foi a quinta parceria do compositor com Shyamalan.
E é claro que quem não gosta dos filmes de Shyamalan, utiliza como outro argumento para espinafrar os filmes do diretor, de que quem gosta é só porque fica enxergando mensagens ocultas e o sub-texto implícito nos roteiros. Porém, não é preciso ter mais do que um dos olhos funcionando para perceber que questionamentos que permearam várias de suas histórias anteriormente, também estão presentes aqui. Cenas, diálogos e acontecimentos não são gratuitos, e servem tanto para transformar o condomínio The Cove em um universo particular que é espelho do nosso mundo, como para criticar o cinismo humano.
E talvez seja esse realmente o único problema dessa fantasia verdadeira e revigorante como “A Dama na Água”: a perda da capacidade do homem de acreditar.
Kapitaal (Capital)
Você com certeza já está cansando de ouvir falar nas toneladas de informações que uma pessoa recebe por dia. É uma discussão recorrente para quem trabalha com comunicação. Mas que tal ver como isso acontece na prática?
O Studio Smack, formado por três jovens designers gráficos, criou uma animação para demonstrar esse “fenômeno”, criando um contraste entre os estímulos visuais e o “mundo real”.
E a pergunta que fica é: seriam os anúncios eficientes em meio a essa overdose de comunicação?
Assista abaixo ou aqui com melhor qualidade.
| Dica do Matheus Reis, do Ovelha Elétrica












