Arquivo para o mês de Julho de 2006
Neo-Greens
Ser verde está na moda e, ainda bem, não tem nada a ver com cores de times de futebol. É o consumo ambientalmente responsável, que já há algum tempo ocupa nosso cotidiano com um bombardeio de informações proveniente de todos os lados.
Similar ao “arrastão” que a indústria do fast-food sofreu (e vem sofrendo) nos últimos anos, a questão da sustentabilidade ecológica ganhou força com discussões na mídia, engajamento de ongs, políticos e celebridades.
A cobrança da sociedade pela questão ambiental é cada vez maior. O aquecimento global e a emissão de gases poluentes são assuntos que ocupam as páginas dos jornais todos os dias e a procura por produtos reciclados e orgânicos só cresce, a exemplo do imenso sucesso da rede Whole Foods.
Em maio passado, a revista Vanity Fair dedicou uma edição inteira ao que chama de “uma nova revolução americana”. Com a chancela de celebridades “eco-friendly” e toda feita em papel reciclado, afirma que é um problema “mais grave que o terrorismo”. No mesmo mês, a Wired trouxe na capa a crise climática e o político símbolo dessa geração verde, Al Gore (que infelizmente declarou que não vai se candidatar novamente).
Al Gore, aliás, foi sucesso de crítica com o documentário “An Inconvenient Truth” dirigido por Davis Guggenheim, onde mostra as conseqüências da devastação ecológica e uma verdade que não interessa ao sistema político atual. [site oficial | veja trailer]
Nem é preciso dizer que o crescimento dos consumidores “neo-greens” está transformando a indústria permanentemente em diversos aspectos. Por razões óbvias, as mais atingidas são as gigantes automobilísticas, acusadas de contribuir diretamente para o aquecimento global.
É por isso que as fabricantes estão investindo cada vez mais em alternativas, como carros híbridos, para atender a essa nova demanda. O recente furor em torno de modelos como o Prius da Toyota provam isso, e tornou-se símbolo desse avanço tecnológico. Acontece que a ofensiva da sociedade é pesada, e querem mostrar que eles não estão sendo “generosos” com o planeta como parece
O recente documentário “Who Killed the Electric Car?” de Chris Paine, investiga a limitada adoção do carro elétrico pelo mercado, já que sua popularização seria prejudicial aos interesses da indústria de petróleo e dos governos das grandes potências mundiais. [site oficial | veja trailer]
A intenção de toda essa movimentação midíatica é conscientizar a sociedade, já que apenas uma mudança de comportamento das pessoas pode realmente causar profundas cicatrizes na indústria. É a chamada “revolução pessoal”, onde cada um pode mudar o mundo com pequenas atitudes.
Exemplo disso é a nova campanha do Greenpeace no Reino Unido, que alerta para o uso de utilitários esportivos, conhecidos como 4×4, em áreas urbanas. É uma categoria de veículos que faz sucesso atualmente e virou sonho de consumo dos emergentes.
O problema é que ao contrário do que exibem as lindas imagens dos comerciais, como montanhas geladas, rios e cenários árticos, esses utilitários esportivos são extremamente prejudiciais ao meio-ambiente, poluindo até 300% mais que um carro familiar comum.
E para mostrar que quem insiste em um usar um automóvel desses na cidade é um otário, o Greenpeace utilizou o mesmo padrão, linguagem e estilo das propagandas de carros: o cenário corporativo, com um executivo jovem saindo do ambiente urbano e ganhando a liberdade na natureza.
O filme satiriza a imagem aspiracional utilizada pelas fabricantes de automóveis para encorajar os motoristas a comprarem um 4×4. E pergunta: “O que o seu carro diz sobre você?”.
A proposta do Greenpeace é utilizar propaganda para confrontar a propaganda. E não dá para ter dúvidas de que isso funciona, como a GM experimentou com sua campanha viral para o Chevy Tahoe.
Assista o comercial abaixo ou acesse The City Gas Guzzler para ver as opções de download. A trilha do filme é “Stay Out Of Trouble” do Kings of Convenience.
| Hoje no Passado |
- 2007: Smirnoff | Sea — Na próxima sexta-feira, a JWT de Londres estréia a nova campanha global para a Smirnoff. Assim como nos últimos anos, [...]
- 2003: Full Stop! — Vou usar o português bem chulo para me expressar desta vez: Se tem um comercial que eu “pago um pau”, [...]
Motorola Grand Classics
Em clima de Anima Mundi, que rola até domingo em São Paulo, vale relembrar o comercial Motorola Grand Classics. Um grande exemplo de comunicação em forma de entretenimento.
O filmete é uma rápida jornada com um simpático coelho através da história da imagem em movimento. Além das referências a grandes clássicos do cinema, diversos tipos de animação compõem as cenas.
| Dica de Bruna Calheiros
Amex | Roddick vs. Pong
Como o tenista Andy Roddick poderia ganhar do lendário Pong?
Novo e divertido filme da Ogilvy para a American Express. E ainda tem um game online.
Mountain Dew | Master
Fazia tempo que não me divertia tanto com um comercial, por isso me surpreendi com o novo filme da Mountain Dew, criado pela BBDO de Nova York.
É entretenimento puro, non-sense e tem uma característica viral inerente, cada vez mais necessária nos dias de hoje. O comercial já é um sucesso na internet, muito mais do que na televisão, até porque a versão integral do anúncio tem 2 minutos e meio de duração (a que está sendo veiculada na TV tem 1 minuto).
Outro ponto a se destacar é a sutileza, já que o produto aparece apenas no final e por poucos segundos. Mesmo assim, é parte fundamental da história e entra num momento em que o espectador já está totalmente envolvido a “trama”.
Assista abaixo (ou download aqui), divirta-se e que a BBDO e a Mountain Dew agradeçam aos ensinamentos de Pai Mei…
Gap | Jeans Take Shape
Eu não aguento mais comerciais com pessoas dançando das formas mais bizarras possíveis (e isso já foi feito em tudo quanto é categoria), mas os grafismos e a música do Peaches garantem o apelo deste comercial da nova campanha da GAP.
Criado pela agência Laird+Partners, de Nova York.
Rodeio | UIPA
Apesar de ocorrerem durante o ano todo, os meses de junho e julho são considerados a temporada dos rodeios. Sob a pecha de esporte (obra do excelentíssimo Sr. Fernando Henrique Cardoso), milhões de pessoas se reúnem para ver peões montando e laçando tudo quanto é tipo de animal.
Tem gente que chama isso de cultura, de diversão. A Rede Globo, por exemplo, adora.Mas a verdade por trás desse negócio milionário para grandes empresários, é a tortura e crueldade com animais não-humanos. Nada contra a cultura sertaneja, apenas contra a falta de senso ético.
É óbvio que quem ganha dinheiro com isso, não tem o mínimo interesse em divulgar o que acontece nos bastidores (como se já não bastasse o que acontece debaixo do nosso nariz). Continuam afirmando que não existem maus-tratos, que os animais são muito bem cuidados e que essa reclamação toda é balela dos eco-chatos.
Mas felizmente, há quem lute contra isso. Um anúncio criado para a UIPA - União Internacional Protetora dos Animais, tenta alertar as pessoas sobre o que realmente representa esse tipo de arena, algo bem longe daquilo que conhecemos como “esporte”.
A peça ficou no shortlist do Festival de Cannes 2006 e sintetiza bem o show de sadismo que são os rodeios, enquanto todos batem palma achando absolutamente normal.
Assistam o filme abaixo e, se quiserem saber mais, acessem Buck The Rodeo, PEA - Rodeios e vejam o vídeo esclarecedor: “A Verdade Sobre os Rodeios”.
| Enviado por Pedro Pletitsch, um dos criativos da peça junto com Marcos Pamplona.
Don’t Die For a Diet
Nós vivemos falando das mudanças que a internet trouxe para nossas vidas, da revolução que ela está causando na mídia, na comunicação e no modelo econômico ao qual nos acostumamos durante muito tempo. Isso tudo você já está careca de saber.
Da mesma forma, também sabemos que, por outro lado, a internet tem seu lado sujo e grotesco. E isso infelizmente também afeta a vida das pessoas de alguma forma.
Um exemplo de como isso acontece, é a infestação de sites pró-anorexia e pró-bulimia. São páginas que “ensinam” garotas como se manterem magras, com “dicas” para provocar vômito, socar o estômago quando estiver com fome e outros absurdos do tipo.
É por causa disso que existe a Eating Disorders Association, uma organização que visa conscientizar as pessoas sobre o problema e alertar familiares e amigos para detectar alguém que sofre de anorexia.
A AMV BBDO criou um campanha para a EDA chamada “Don’t Die For a Diet”, incluindo o anúncio que você pode assistir abaixo ou fazer download aqui (.mov - 9.59 Mb). No filme, uma garota repete frases extraídas desse tipo de site.
| Via Llámame Lola
Ricard | Feel Sunny
Intervenções em estátuas não são novidade em campanhas de guerrilha, mas é uma ação sempre bem-vinda pelo espírito transgressor e inusitado que transmite.
A Ricard (de Pernod Ricard), marca de bebida baseada em anis, fez isso na Bélgica para demonstrar seu conceito “Feel Sunny”. Decorou dezenas de estátuas com roupas de verão, como toucas, sungas, bandanas, e etc.
A ação foi criada pela agência belga Duval Guillaume.








































