Arquivo para o mês de Maio de 2006
Stop Holland | EA
Vocês sabem como é a rivalidade entre Brasil e Argentina. Não é um jogo de futebol, é uma batalha campal. O mesmo sentimento que compartilhamos diante de um confronto desses, alemães e holandeses tem quando vêem suas seleções se enfrentarem.
Porém, mais do que os jogos em Copas (como a final em 1974) e a história no futebol, a rivalidade entre os dois países diz respeito à história de verdade. Eles alimentam essa disputa com o legado deixado pela Segunda Guerra Mundial. Muita gente considera piada de mau gosto, mas o fato é que os holandeses tiram sarro da guerra e estão comprando aos montes capacetes que imitam os usados pelos soldados nazistas para acompanhar a Copa do Mundo.
E do mesmo jeito que a publicidade brasileira explora nossa rivalidade com os argentinos, a publicidade européia faz o mesmo lá. Um exemplo é nova ação viral criada pela agência alemã Jung von Matt para o 2006 FIFA World Cup, game da Electronic Arts.
A idéia é mostrar o horror inimaginável que seria para os alemães se a Holanda vencesse a Copa do Mundo (e o pior, em solo alemão). Um vídeo mostra o dia 9 de Julho de 2006, em Berlim, se isso realmente acontecesse, e fecha com a assinatura: “Não deixe esse pesadelo virar realidade”.
No site Stop-Holland.de as pessoas podem torturar holandeses com insultos, participar de um mural e apertar um botão de pânico cada vez que um holandês chato aparecer berrando (tem mais coisas, mas não consegui decifrar).
Conteúdo viral extremamente relevante, com entretenimento, que aproveita muito bem essa tensão e ansiedade pré-Copa.
| PS: Alemanha e Holanda só podem se cruzar na Copa 2006 a partir das quartas-de-final.
| PS2: Imaginem a Argentina sendo campeã do mundo na Copa de 2014, no Brasil. É, dá pra atender o medo dos alemães…
| Hoje no Passado |
- 2007: As Aventuras de Mário, o Publicitário | 5 —
- 2005: Trabalho infantil — Essa é uma campanha da Unicef que acho sensacional. Além de ser extremamente direta, é simples e funciona como mais [...]
- 2004: Bola gigante no Rio Pinheiros — Já que o assunto é peças de mídia exterior que saem totalmente do convencional, a nova empreitada da Nike caiu [...]
Robbery | Bangkok Insurance
E finalmente, “Robbery”, o terceiro e último filme da campanha “Probabilidade” criada pela Creative Juice/G1 para a Bangkok Insurance.
Twister | Bangkok Insurance
Conforme prometido, mais um filme da premiada campanha “Probabilidade” criada pela Creative Juice/G1 para a Bangkok Insurance.
Assista também o comercial “Tyre”. Mais tarde publicarei o último da série.
Tyre | Bangkok Insurance
Um comercial criado para a Bangkok Insurance, uma companhia de seguros, pela agência Creative Juice/G1.
Nele, um pneu escapa do carro e…bom, melhor vocês mesmos verem o que acontece. No final, a assinatura diz: “Probabilidade = 0.0000001%”.
O filme, que é bem cotado para Cannes, faz parte de uma campanha que já ganhou Ouro no Asia Pacific Advertising Festival 2006, Ouro no CLIO Awards 2006 e Prata no The One Show 2006.
Logo mais, publicarei os outros dois filmes da campanha aqui no Brain#9. Fique de olho.
HSBC Point Of View
O novo filme da campanha “Point Of View” do HSBC, gravado no Maracanã, aborda a paixão pelo futebol: intensidade ou insanidade?
Você pode responder a pergunta acessando o site Your Pont Of View. Nele as pessoas podem compartilhar pontos de vista, dizendo o que pensam dos mais variados assuntos.
Criado pela JWT, o posicionamento dessa campanha procura mostrar que o HSBC é um banco pluralista, que por estar presente no mundo todo, conhece diferentes pontos de vista e respeita as diferenças.
O comercial, que tem áudio em português, foi criado em Londres para o mercado internacional. Não sei dizer se será veiculado no Brasil.
Rexona Sport Fan
Tenho recebido alguns e-mails de pessoas questionando a imensa exposição do Ronaldinho em campanhas publicitárias. O que acontece com ele é o mesmo que recentemente fizeram com a Gisele Bündchen. Saturam tanto a imagem da celebridade em questão, que o consumidor já nem consegue mais associá-la à marca alguma. Só sabemos que ela está lá, mas o que está anunciando, quase nunca.
Mas isso é problema velho de publicidade. Por isso vamos falar de um problema novo: empresas que ainda não sabem o que fazer com sua verba de marketing online.
É o caso do mini-site Rexona Sport Fan, que traz um manifesto, um advergame e um aplicativo de envio de mensagens para dar a apoio a seleção brasileira na Copa do Mundo.
Tudo bonito de se ver, mas que não oferece conteúdo realmente relevante para o consumidor. Você entra uma vez, dá alguns cliques e nunca mais volta. Sem contar a falta de integração com a campanha que está sendo veiculada na TV.
E se ainda levarmos em consideração o que faz a Axe em termos de campanhas virais e online, que ironicamente é uma marca que pertence à mesma Unilever, teremos certeza que a Rexona poderia ter algo melhor.
Mas tudo isso ainda é muito novo para agências, anunciantes, profissionais e consumidores; temos tempo para aprender. Já quanto ao problema velho, se não aprendemos nos últimos 50 anos…
Coke Parade
Dando continuidade aos seus planos de marketing para 2006, com a campanha “Coke Side Of Life”, a Coca-Cola estreou na última semana o comercial “Parade”.
Criado pela Wieden+Kennedy, o filme não se destaca pela originalidade, já que “ver coisas” enquanto se consome um produto, principalmente quando se trata de bebidas, é lugar-comum. Mas tem uma excelente produção e trilha sonora.
Ameaçada mais do que nunca pela Pepsi, a Coca tenta com seu novo posicionamento, se colocar como única opção na categoria soft drinks, expandindo inclusive sua linha de produtos. Os comerciais com o jingle composto por Jack White fazem parte desses esforços.
O Código da Vinci *
Comparar adaptações para o cinema de obras literárias, discutindo suas diferenças, nunca leva a lugar nenhum. Todos sabem que são linguagens distintas e por isso mesmo chamamos de “adaptação”. O problema é que, como produto cinematográfico, “O Código da Vinci” é ruim, muito ruim.
Chega a ser constrangedora a forma como o diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman tentam condensar o livro de Dan Brown em pouco mais de duas horas de filme. Duas horas essas, que parecem intermináveis e imensamente cansativas. Olhar no relógio para saber se o filme está acabando, é lembrar que estamos numa sala de concreto olhando para uma tela.
O roteiro é confuso, com temas e fatos que vão sendo salpicados na tela sem ligação aparente. Para quem não leu o livro, a pergunta “porque isso está acontecendo?” permanece durante toda a projeção. Da mesma forma, os personagens são superficiais, parecendo apenas bandidos e mocinhos numa perseguição enfadonha.
Se no livro entendemos a dimensão de cada um deles e estabelecemos um relacionamento com os personagens, nos importando com eles, no filme isso nunca acontece. Felizmente, “O Código da Vinci” fica um pouco mais interessante a cada vez que o (sempre) excelente Ian McKellen aparece em cena (e semana que vem tem Magneto novamente…).
De qualquer forma, uma adaptação cinematográfica não deve depender do conhecimento prévio do material original por parte do público, mesmo que isso sempre enriqueça a experiência. E é por isso que filme de Ron Howard não se sustenta em momento algum, estando fadado a cair no esquecimento caso não fosse as bobagens ditas por fanáticos religiosos.












