Arquivo para o mês de Novembro de 2005
Real Curves
Uma das campanhas mais celebradas em 2004/2005 não é nenhuma maravilha da direção de arte, não tem título com uma bela sacadinha e muito menos uma produção milionária. Porém, conta com um conceito perfeito dentro de um termo que é amado na publicidade: PR Stunt.
O segredo do sucesso é uma mensagem sincera, que toca fundo na emoção das pessoas, e um trabalho eficiente de relações públicas que gerou muita mídia espontânea e tornou os anúncios objetos de debate na imprensa e rodinhas de bate-papo.
Criada pela Ogilvy, a campanha parte de uma idéia simples: colocar mulheres reais para anunciar produtos de beleza. E é justamente por abandonar aquele universo idílico sempre vendido pela publicidade, que “Real Curves” (Curvas Reais) de Dove conquistou o público e deu a marca um crescimento de cerca de 700% nas vendas.
Basta pensar em outros anúncios de produtos de beleza que você vê por aí. Todos utilizam uma imagem de mulher perfeita, uma definição de beleza intangível. Pesquisas mostraram que a maioria das mulheres se sente incomodadas com essa percepção geral, de que só a modelo que aparece na embalagem do produto ou aquela atriz photoshopada do outdoor são consideradas padrões de beleza.
Baseada nisso, a Dove quis mostrar que o belo pode vir em todas as formas e tamanhos, provando que não só a mulher voluptuosa é bonita. Colocou gente de verdade para estampar sua campanha e invadiu as ruas com mulheres reais. Isso porque o que foi gasto com veiculação na TV não chegou nem a um terço da verba para mídia externa. Grandes outdoors e posters ajudaram a criar discussão em torno da campanha.
Muitos dos anúncios funcionaram como teasers com endereço para o site Campanha pela Beleza Real, outros assinavam apenas com a marca, sem mostrar produto. Quando mostrava produto, o título dizia: “Testado em curvas reais”. No final das contas, a campanha foi crucial para gerar respeito e transformar a Dove, antes vista como antiquada e deslocada, numa marca engajada, moderna e memorável.
“Real Curves” foi premiada em diversos festivais ao longo do ano, incluindo Prata no CLIO Awards 2005, Grand Prix no Euro EFFIE 2005 e o Grand Prix em Print no Festival de Londres 2005, realizado ontem.
Aqui no Brainstorm #9 vou mostrar alguns exemplos de peças impressas e outdoors desta campanha, e também um filme que foi veiculado da TV. Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do comercial em formato .MPG. O arquivo tem 2.45 MB.
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| Hoje no Passado |
- 2007: Thiago Di Gregorio — | Rio de Janeiro/RJ Dê a sua nota: [ratings]
- 2007: Leo Alves — | Belo Horizonte/MG Dê a sua nota: [ratings]
- 2007: Michel Amaro — | Itaboraí/RJ | Promedia Dê a sua nota: [ratings]
- 2007: Novo comercial da Guinness é revelado por jogadores do ARG — A AMV BBDO tinha prometido dificuldade e avisado que os jogadores precisariam de muita paciência. Porém, não demorou muito e [...]
- 2006: Nintendo | Wii Experience — Eu falei no post do “Cop and Robbers” do Xbox 360, que a Microsoft saiu na frente em relação a [...]
Copy Goes Here
A Coudal Partners, uma agência de design e publicidade de Chicago, modificou todo o seu site para lançar um divertidíssimo curta-metragem produzido por eles.
Com o sugestivo título “Copy Goes Here”, o filme tem como protagonista o jovem Steve, que acaba de ser contratado como redator da própria Coudal. Porém, logo ele percebe que existe alguma coisa errada com aquele pessoal e decide propor mudanças.
Não vou contar mais para não estragar a surpresa, mas já adianto que é um filme imperdível. Destaque ainda para a ótima trilha sonora. Uma idéia original, divertida e extremamente viral.
Neste blog contaram todo o processo de produção do curta e na loja online vendem o DVD do filme e até camiseta. Clique aqui para assistir a versão web de “Copy Goes Here”. Recomendado o QuickTime mais recente.
Dica do Rafael Apocalypse.
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Crianças nas ruas
Simples e impactante. Anúncio para a Unicef criado pela agência alemã Springer & Jacoby.
A assinatura diz: “More than 100 million children live on streets. And eat off it.”
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Jogos Mortais 2
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Vamos logo aos fatos: “Jogos Mortais 2″ (Saw II) é melhor que seu antecessor? Definitivamente não. É um filme ruim com muitos apregoam? De forma alguma. Quando escrevi sobre “Jogos Mortais” (Saw), há menos de 1 ano, falei o quanto o filme havia me surpreendido, sobre o suspense crescente, a tensão absurda e o seu final espetacular. Falei ainda de como o filme me fez sair do cinema com o coração na garganta e totalmente extasiado com o que acabara de assistir, querendo que mais produções com aquele grau de criatividade fossem feitas. Não senhores, isso não é exagero. Muitos discordarão, mas eu considero “Jogos Mortais” inesquecível, um filme como há muito não aparecia. |
Criativo, misterioso, tenso, doentio, daqueles que você não consegue desgrudar os olhos da tela um minuto e no final pensa: “filho da p*$#, me pegaram!”. Tá, vou parar de falar do primeiro filme, se quiser saber mais leia aqui.
O ponto é: esses elogios todos valem para a continuação? Não inteiramente, aliás, acho que só uma fração desses adjetivos podem ser usados em “Jogos Mortais 2″. O filme tem cenas perturbadoras e Jigsaw continua incrivelmente inventivo, mas o que mais falta aqui é relacionamento com os personagens.
No filme original, você torcia pelos caras presos no banheiro, sofria junto, compartilhava de seus problemas, você também delirou quando um deles quebrou a cabeça do suposto bandido com dezenas de tijoladas. Aqui não, são tantos os personagens que você nem se importa, não consegue estabelecer uma relação com ninguém.
Outro ponto ruim: o que se viu em “Jogos Mortais” era realmente um jogo na total concepção da palavra. Nessa continuação, os “jogos” não passam de armadilhas. Ao invés de uma guerra de nervos e raciocínio para desvendar as pistas, o que se tem é uma seqüência de mortes em série, uma mais bizarra que a outra.
Tudo bem que o final ainda surpreende, mas não tem mais o frescor do primeiro filme, não existe mais aquele completo desconhecimento do que é que pode acontecer. Afinal, você também estava no meio do jogo sem fazer idéia de nada.
Mesmo assim, “Jogos Mortais 2″ ainda é um bom filme de suspense, muito recomendado para quem gostou do primeiro. Aliás, as conexões dessa seqüência com o filme original são excelentes, as duas histórias são entrelaçadas. Edição, música e até uma cena de mutilação remetem diretamente ao filme original.
Se você não assistiu “Jogos Mortais”, nem pense em ir direto para essa seqüência. Se assistiu e gostou, vá com calma, sem expectativas e curta um bom suspense. Se assistiu e não gostou, bem, melhor você procurar outra sessão.
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O filme do ano?
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Você já viu o novo trailer do “King Kong” de Peter Jackson? Meu Deus do céu, senão for o filme do ano acho que nenhum outro pode ser. Já dá pra ficar com dó do gorilão até nessa prévia. Mas tudo bem, prometo controlar as expectativas. Já falei bastante sobre o filme aqui. De qualquer forma, a galera que faz os trailers para os filmes do PJ são geniais. Assim como fizeram para a trilogia “O Senhor dos Anéis”. O trailer de “O Retorno do Rei” considero um dos melhores que já vi. Um dia ainda vou trabalhar fazendo isso, mesmo que seja por hobby… | Trailer 480×360 (16,9 MB) |
Runners Point
Criado pela agência alemã Jung von Matt para uma loja de artigos esportivos chamada Runners Point. Vou dizer mais o que?
Bronze no CLIO Awards 2005.
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iPods nano na parede
Responda: com quantos folhetos você se depara num único dia? Ao ver um take-one numa loja, quando você realmente se interessa em pegar um daqueles impressos?
Se é na rua as pessoas desviam de quem está entregando folhetos, raro quando dizem “não, obrigado”. Em uma loja, as vezes você pega porque o visual chama atenção ou porque está esperando algo e não tem nada pra fazer. Então lê, amassa e joga fora.
Agora imagine a cena: as pessoas fazem de tudo para ter um simples folheto, elas querem pegar um de qualquer jeito. Saem correndo, pois está acabando e querem guardar um daqueles anúncios. Isso existe? Sim, aconteceu semana passada no Japão. E ao contrário do que você deve estar pensando, os folhetos não valiam nada, eram apenas impressos frente e verso colados nas paredes.
Para marcar a inauguração da sua quarta loja no Japão, a Apple espalhou por Tóquio diversos desses painéis, em que cartões de plástico simulavam iPods nano em tamanho natural. Qualquer pessoa podia destacar um desses folhetos, que no verso trazia o endereço de um site e códigos para fazer download de papéis de parede para celular.
O formato não é novo, e colar folhetos numa parede também já foi feito. Mas imagine as portas do metrô se abrindo e a multidão se deparando com uma parede forrada de “iPods”. De mentirinha ou não, quando se trata do gadget mais desejado do mundo, todo mundo quer.
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Audi Heaven
Quem visita o Brainstorm #9 desde 2002, já teve por diversas vezes overdoses de anúncios da Audi. Vale até uma pequena retrospectiva, não posso garantir que todos os links para download estejam funcionando, mas não custa tentar:
| Vasectomy | The Baby | Zoo | The Fan | A2 Aluminium | Bull | Grampos | Chaves |
A comunicação da marca é sempre ousada, metida sem ser arrogante. Mais interessante ainda é perceber como as características do carro estão sempre implícitas nos anúncios, sem que seja preciso um locutor narrar uma imensa lista do porque um Audi é bom. Você assiste, se diverte e já sabe sobre a perfomance, design, motor e etc de um Audi, não é preciso ficar repetindo e nem é isso que importa.
Claro, e isso só pode ser feito por marcas de verdade. Marcas comuns e que insistem em serem comuns, que nuncam ousam, divertem, que nunca pensam em um comercial além do que 30 segundos banais em que se narram características e preços, logicamente não poderá fazer isso.
Mais um exemplo da Audi. Como falar de segurança sem ser chato, especificar números ou apelar para o lado trágico dos acidentes de automóveis? Como dizer que um carro é mais seguro que outros sem encher o saco do espectador com explicações sobre uma tal tecnologia XYZ?
Claro, existem zilhões de maneiras ousadas e criativas de se fazer isso. Mas a DDB Paris optou por algo quase infalível (quando bem feito claro): o humor, melhor ainda, o humor negro. Quem não adora uma boa dose de ironia?
Como todo bom anúncio, “Heaven” conta uma história em poucos segundos. Milésimos de segundos antes de uma torre elétrica cair em cima de seu carro na estrada, Bertrand Janny é chamado pelos céus. Lá ele tenta explicar para os anjos que não devia estar ali. Enfrenta uma burocracia terrível e é mandado de um lado para o outro.
Quando finalmente descobrem o erro, já que ele só deveria morrer em 2051, Bertrand é enviado de volta para o seu Audi, revelando que o carro freiaria antes de ser atingido pela torre. O comercial termina com os anjos lendo um folder do Audi A4 com o título: “New AUDI A4, New Security” (Novo Audi A4, Nova Segurança).
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 7.50 MB.
Via Llámame Lola
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