Arquivo para o mês de Setembro de 2005
Millor e a publicidade
Na edição de 21 de agosto, o Estado de S.Paulo trouxe no caderno “Aliás” uma entrevista com Millor Fernandes.
Millor disse não ter respeito pela publicidade: “Não é por acaso. O jornalismo é uma profissão cujo objetivo ‘filosófico’ é trazer à tona coisas que as pessoas não sabem. Tem um compromisso com a verdade. Agora, qual o objetivo ‘filosófico’ da publicidade? A mentira. É mentir sobre o sabonete, a maionese, a margarina, o político.”
“Os caras ficam aí se gabando de que sabem fazer slogans e passam anos para criar coisas como ‘Coca-Cola é isso aí’. De quantos slogans precisam? Faço dez agora.”
Cássio Zanatta, diretor de criação da AlmapBBDO, respondeu a essas palavras nesse artigo publicado no CCSP. Vale a pena.
| Hoje no Passado |
- 2007: Nike | O maior time que você nunca ouviu falar — Conhecido como o impagável Dwight da série “The Office”, Rainn Wilson estrela a nova campanha da Nike para a seleção [...]
- 2006: Red Cross | Clothes — Ao contrário do apelo emocional e geralmente dramático das campanhas sociais, essa série de anúncios da Cruz Vermelha da Romênia [...]
- 2006: Consul | Gerações — A proposta inicial do Brainstorm #9 nunca foi falar apenas de novidades, mas também relembrar grandes momentos e boas idéias [...]
- 2004: Playtime is over — Depois de “Getting Dressed” do Axe/Lynx, que como eu disse considero um dos melhores comerciais do mundo, um dos premiados [...]
Apple | Think Different
Publicitários precisam anunciar um produto, ou seja, eles precisam falar com os consumidores, comunicar algo que possa ser pertinente na vida de alguém. Telemarketing? Esqueça, as pessoas tem identificador de chamadas e nenhuma paciência para atendentes chatos.
Internet? Com a difusão de programas que bloqueiam spam e janelas pop-up, sem chance. Rádio? Já é possível instalar no carro e em casa, rádio via satélite livre de comerciais. Televisão? Com o advento dos sistemas digitais, as pessoas gravam seus programas favoritos e simplesmente cortam os anúncios.
Resumindo, hoje as pessoas escolhem os comerciais que querem ver. A intrusão não funciona mais. Consumidores assim estão se tornando um enorme desafio para empresas e marqueteiros. O problema maior é que ainda são poucos os que estão sabendo adequar suas marcas a esse novo mundo.
Muitas das gigantes corporações desse planeta esperam ser ajudadas apenas por comerciais de 30 segundos. Mas as coisas mudaram. A monolítica TV e publicações de massa perderam espaço para veículos mais específicos, que falam com um público que tenha um interesse especial.
Essa fragmentação é claríssima se analisarmos a nova geração de marcas que estão invadindo nossas vidas atualmente. Amazon.com, eBay, Starbucks, Google, são apenas alguns exemplos de marcas que falam globalmente com quase nada ou nada de publicidade tradicional.
A prova disso é que muitas dessas empresas não estão presentes fisicamente em muitos países e, mesmo assim, são motivos de boca-a-boca. Quando as pessoas no Brasil falariam de Starbucks e Amazon se essas marcas comunicassem apenas com comerciais na TV nos países que operam? Elas não vendem aqui, não oferecem nada ao público brasileiro, mas ainda assim são desejadas.
O desafio hoje é saber falar com esses novos consumidores que cada vez mais tem o controle da mídia. Muitas das marcas mais desejadas hoje, ou nasceram nesse novo meio ou souberam se adaptar. Diferentes campanhas para diferentes consumidores nos mais variados tipos de mídia, tudo simultaneamente e o mais importante: criando entretenimento.
Algumas marcas trabalham de forma tão agradável suas mensagens, que os consumidores vêem isso como diversão e não como intrusão. Certamente você deve lembrar, nesse momento, de várias que falam com você dessa maneira, de marcas que você não só gosta, mas procura saber o que elas estão dizendo.
Eu escolhi uma para falar nesse post: a Apple. A empresa de Steve Jobs não só foi eleita a marca mais influente do mundo como é também um case único de marketing, um ícone. A admiração em torno da Apple é resultado de todo um histórico de inovações e revoluções, tanto dentro como fora da empresa.
Um exemplo de adaptação ao modo como as pessoas e o mundo mudam. A Apple deixou há muito tempo de ser uma fabricante de computadores, ela é um sentimento. Assim como disse o jornalista da Wired, Leander Kahney, em seu livro “The Cult Of Mac”(sem edição no Brasil), A Apple não tem consumidores, mas sim seguidores.
De modo geral, existem duas grandes rupturas na Apple, ambas marcadas por campanhas publicitárias barulhentas e históricas. Quando a IBM dominava o mercado de computadores pessoais, a Apple revolucionou lançando sua linha de Macintosh, o primeiro computador a incluir uma interface gráfica, a chamada GUI (Graphical User Interface). O lendário comercial “1984″ marcou essa primeira mudança, e é uma linha divisória não só na história da empresa como na da publicidade.
Veiculado apenas uma vez, “1984″ é considerado o melhor comercial de todos os tempos e o responsável pela instituição do intervalo do SuperBowl como um evento publicitário. Pronto, a Apple conquistou multidões, novos consumidores-seguidores, prêmios e tinha caminhos promissores pela frente.
Mas na metade dos anos 1980, a Apple contratou John Sculley, ex-executivo da Pepsi, que achou que as coisas não estavam tão bem assim. Ele afastou Steve Jobs e começou a eliminar tudo o que era ligado a ele. Tirou ainda a conta da Apple da Chiat/Day, agência responsável pelo “1984″.
Neste artigo, Washington Olivetto conta um pouco sobre isso e fala de Jay Chiat, uma das grandes estrelas da publicidade americana. Vale a pena ler.
A empresa passou por tempos turbulentos, perdia cada vez mais o mercado que havia conquistado e parecia fadada ao fim quando finalmente veio 1997. 1997 foi outro 1984 para a Apple. Quando todos os computadores não passavam de caixas bege, inexpressivas, sem nenhuma diferenciação, a Apple mudou tudo e fez o mercado inteiro se coçar para seguir suas idéias.
Steve Jobs retornara e a conta publicitária também voltará para a Chiat/Day, que agora era TBWA Chiat/Day. Era o momento de mostrar que a Apple não era apenas chips e processadores como as outras, mas sim uma marca que inspira as pessoas, que promove o pensamento. Mais do que um computador, é a integração perfeita entre hardware-software, com design consistente, elegante e atenção total aos detalhes.
Em 28 de Setembro de 1997 durante a premiere de “Toy Story”, foi apresentada a arrebatadora campanha “Think Different”. Com peças impressas, mídia externa e um comercial de 1 minuto, a campanha celebra figuras históricas que mudaram o mundo por pensarem de maneira diferente, uma homenagem a gênios criativos que nos servem de inspiração hoje.
Mais do que um comercial, “Think Different” foi um manifesto:
Here’s to the Crazy Ones.
The misfits.
The rebels.
The troublemakers.
The round pegs in the square holes.
The ones who see things differently.They’re not fond of rules.
And they have no respect for the status quo.You can praise them, disagree with them, quote them,
disbelieve them, glorify or vilify them.
About the only thing that you can’t do, is ignore them.Because they change things.
They invent. They imagine. They heal.
They explore. They create. They inspire.
They push the human race forward.Maybe they have to be crazy.
How else can you stare at an empty canvas and see a work of art?
Or, sit in silence and hear a song that hasn’t been written?
Or, gaze at a red planet and see a laboratory on wheels?We make tools for these kinds of people.
While some may see them as the crazy ones, we see genius.
Because the ones who are crazy enough to think that they can change the world,
are the ones who do.
É uma versão reduzida desse texto que o ator Richard Dreyfuss narra no anúncio para TV da campanha enquanto cenas em preto e branco aparecem, na ordem: Albert Einstein, Bob Dylan, Martin Luther King, Jr., Richard Branson, John Lennon, R. Buckminster Fuller, Thomas Edison, Muhammad Ali, Ted Turner, Maria Callas, Mahatma Gandhi, Amelia Earhart, Alfred Hitchcock, Martha Graham, Jim Henson, Frank Lloyd Wright, Picasso.
O sucesso foi enorme e começava ali o renascimento da Apple como marca. As pessoas que eram fiéis a empresa, mesmo no árduo período bege, e pareciam abandonadas foram resgatadas, levando consigo milhões de novos adeptos. Disso para iMacs, iPods, iTunes e etc, foi um pulo.
Hoje a Apple dita moda e usa as novas mídias como poucas empresas fazem. As pessoas param para escutar o que a marca diz. O sucesso da empresa não é resultado apenas de produtos revolucionários ou campanhas publicitárias, mas sim uma união das duas coisas.
Não são apenas comerciais na TV que fazem a Apple tornar-se a marca mais influente do planeta, e sim um planejamento de comunicação que fala da maneira certa nos lugares certos. Eu imagino qual seria o impacto da campanha “Think Different” se naquela época a internet fosse o que é hoje, em que as pessoas viralizam tudo o que gostam e até criam seus próprios anúncios. A eficiência da campanha seria multiplicada milhares de vezes.
A Apple é um exemplo a ser seguido nessa era em que a construção de marcas vai além da comunicação de massa. As marcas de mais sucesso nesses novos tempos não seguem as velhas regras de alcance (quanto consumidores vão ver meu anúncio) e frequência (quantas vezes esses consumidores vão ver meu anúncio), e sim procuram caminhos de fazer essas pessoas convidarem a marca para dentro de suas vidas.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 10.0 MB. Ou assista abaixo:
Who are you?
Quem conhece o Brainstorm #9 sabe que aqui não existe preocupação com datas. A intenção não é falar só de coisas novas ou garimpar aquele case que pouca gente conhece, mas sim mostrar, independente de época, lugar ou ocasião, aquilo que deve ser lembrado e tomado como exemplo.
Existem dezenas, centenas de veículos sobre comunicação, publicidade, mídia e afins que cobrem largamente as novidades do mercado. Aqui o que vale é o que pode ser usado como referência, o que deve ser colocado como padrão para nossas próprias criações, seja na área de planejamento, artes visuais ou criação em si.
Esse é o critério deste site. Publicar o que já foi feito de bacana no mundo e que deve ser usado como marco zero para nós, aquilo que devemos superar e fazer melhor. Acredito que quanto mais referências, mais oportunidade temos de não cair no lugar comum.
Enquanto muita gente bate-cabeça no mesmo lugar e insiste em velhas fórmulas que já não funcionam mais, muitas outras inovam e utilizam linguagens completamente ousadas para passar a mesma mensagem de antes.
Na BBC, o escritor John Camm apontou os 25 maiores clichês da publicidade, que infelizmente continuam a serem usados sistematicamente por agências, sejam impondo ou impostas por anunciantes. E quem não quer ser só mais um no meio de tantos, precisa fazer diferente. Sejam através de idéias inovadoras que invadam as ruas ou com nossos bons e velhos comerciais de 30, 60, 90 segundos que seja.
E não é tão difícil fugir desses clichês, basta ser inteligente e unir um planejamento pontual com uma criação que transcende o senso comum. Um filme que gosto de lembrar como sucesso tanto em forma como conteúdo é o “School’s Out”, criado pela Leo Burnett de Chicago para a Nintendo.

Foi veiculado pela primeira vez em 2003 e ganhou um boca a boca estrondoso. É o típico comercial que deixa de ser só um produto virtual, uma seqüência de fotogramas dentro de uma caixa que emite luz, e se transforma em um evento.
Mas para provar porque este “simples” filme é uma lição de planejamento, marketing e criação, precisamos antes falar da anunciante e relembrar sua história.
Na década de 1980, que hoje é moda e todo mundo relembra saudosamente (inclusive eu), a Nintendo dominava em absoluto o mundo dos games. Uma época em que um de cada dois consoles vendidos eram fabricados pela empresa de Kyoto.
A única rival da Nintendo quando o Mario Bros. original e o primeiro Legend Of Zelda vieram à luz, era a Sega. Porém, a concorrente compatriota não tinha força suficiente para combater dois produtos esmaga-quarteirões da Nintendo: NES (aqui no Brasil apelidado de Nintendinho) e GameBoy.
Para se ter uma idéia da dimensão da Nintendo na época, foi o Game Boy que criou o novo mercado de videogames portáteis, o que virtualmente o tornava um produto sem concorrentes. Com o lançamento do Super Nintendo, outro largo sucesso tanto no mundo como aqui no Brasil, a empresa mantinha folgada a liderança.
Mas o reinado da Nintendo durou só até 1995, quando então a gigante Sony resolveu entrar no mundo dos jogos eletrônicos. Rapidamente o Playstation causou uma reviravolta no mercado e tomou a liderança.
A Sega ainda tentava se manter na disputa, mas já agonizava quando mandou o console Dreamcast pras lojas e o viu empoeirar nas prateleiras. A empresa então decidiu concentrar sua produção apenas em software e abandonou a briga.
E quem pensava que apenas os japoneses iriam disputar um mercado que hoje movimenta quase 40 bilhões de dólares anualmente, se surpreendeu com a entrada da Microsoft e o anuncio do seu console próprio, o Xbox.
A concorrência então pela nova geração de games ficou entre Sony e Microsoft, com os consoles Playstation 2 e Xbox respectivamente, enquanto a Nintendo entrava na pior crise de sua história. Muitos especialistas esperavam que a criadora de Mario fosse desistir da disputa e se dedicar apenas ao seu Game Boy, que com cada vez mais recursos, como tela colorida sensível ao toque e câmera embutida, é ainda hoje o líder disparado no segmento.
Mas a Nintendo veio com o Gamecube, lançado depois do PS2 da Sony mas colocado no mercado simultaneamente com o Xbox da Microsoft. Só que como esperado, o console não teve sucesso frente aos seus dois grandes concorrentes, que traziam funções chaves dispensadas pela conservadora Nintendo.
Em primeiro lugar o Gamecube não oferecia tecnologia para visualização de DVDs, e embora mantenha sua imensa qualidade em som e gráficos, tem uma tecnologia geral inferior aos produtos da Sony e Microsoft.
Dessa forma, podemos considerar o Gamecube quase um desastre, já que com a Sony detendo dois terços do mercado, a Nintendo divide o que sobra com a Microsoft, uma novata no ramo. O que restou foram cortes sistemáticos de preços para tentar fechar o ano no lucro, e mesmo assim, a perda do segundo lugar para a empresa de Bill Gates.
A Nintendo iniciou então uma mega-operação de mudança de posicionamento em todo o mundo, vista como a única forma de brigar de frente com suas rivais. Foi então que passou a ser valorizado aquilo que difere a empresa de suas concorrentes: o estilo de seus games e conteúdo.

Os jogos da Nintendo são divertidas aventuras para toda família, e envolvem personagens antológicos como Mario, Zelda e a recente febre Pokémon. E enquanto a maioria dos títulos são produzidos para todos os consoles, as séries clássicas da Nintendo são distribuídas exclusivamente para suas máquinas.
Essa ruptura de posicionamento na empresa foi deflagrado justamente pela campanha “School’s Out”. A partir desse ponto, toda a comunicação da Nintendo passou a focar seu conteúdo, seu histórico de criações de sucesso e não mais equipamentos feitos de plástico e chips.
O comercial mostra estudantes japoneses ansiosos pelo fim da aula. Assim que o sinal toca, eles saem em uma maratona pelas ruas da cidade. Cada vez mais crianças vestindo seus uniformes escolares se juntam a multidão e, adquirindo as características super-humanas das estrelas da Nintendo, saltam edifícios, pulam em trens em movimento, andam por cabines telefônicas e etc.
Quando chegam a seu destino, descobrimos o motivo de tanta correria: chegar bem na hora do lançamento do novo game da Nintendo. E, revelando o motivo de suas habilidades especiais, vemos todas as crianças como Super Marios.
Todo o anúncio funciona como uma admiração respeitosa a Nintendo e tudo o que a empresa criou. Seus jogos e heróis são intimamente associados a marca, representados logicamente pelo maior de seus representantes e mais popular personagem proveniente dos games: Mario Bros.
Esse mundo de fantasia é muito familiar ao público-alvo da Nintendo. A empresa tentou por muito tempo competir com suas rivais, que produzem jogos focados primeiramente em jovens adultos, mas agora decide voltar ao seu público base.
O anúncio foi filmado em seis dias com mais de 500 pessoas em cena, na tentativa de capturar o máximo possível de ação com a câmera, sem efeitos. Apenas duas seqüências foram filmadas utilizando fios e fundo verde.
O resultado final é uma atmosfera não apenas convincente visualmente, como arrebatadora nos movimentos das crianças, seja nas ruas sinuosas em nos subsolos.
A trilha sonora é um show a parte, composta pela música “Hatsukoi” (Primeiro Amor) da cantora japonesa Mayumi Kojima. A canção, que foi lançada originalmente no Japão em 1997, adiciona um toque ideal de melancolia ajudando a criar grande parte do aspecto emocional do filme. Emocional esse que é o que mais interessa aqui, obstante ao visual e técnicas de efeitos especiais utilizados.
No final, o anúncio deixa claro que sua pergunta, “Who are you?” (Quem é você?), tem múltiplas respostas. Ou seja, aquilo que o videogame lhe permite, assumir várias identidades.
A Nintendo estabeleceu permanentemente o videogame como um elemento chave da cultura popular e a questão “Who are you?” incorpora a conexão emocional dos jogadores com seus personagens e games favoritos.
A adoção desse posicionamento foi vista como a última cartada da empresa japonesa. Mas apesar de cada vez mais valorizarem sua extensa linha de personagens e jogos proprietários, a Nintendo não vai abandonar a guerra dos consoles.
A empresa já anunciou seu novo console, de codinome “Revolution”, para 2006 e vai brigar com os também já anunciados Xbox 360 e Playstation 3 para tentar retomar o posto que ocupava em seus anos dourados. Isso não deve ser impossível se levarmos em conta a atual tradução da filosofia Nintendo de ser: “O paraíso abençoa quem trabalha pesado”.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 7.10 MB.
“School’s Out” foi premiado com Ouro no Festival de Londres 2004, dois Bronzes no Clio Awards 2004 e dois Ouros no ADDY 2004.
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Washing line
Uma idéia isolada pode não servir pra muita coisa, mas quando existe um bom conceito que a sustente, a fonte pode render por muito tempo.
Um exemplo é o que vem sendo feito ao longo dos últimos anos para os desodarantes Axe/Lynx. Você já viu dezenas de anúncios com o mesmo conceito, mulheres atraídas pelo perfume, e pode ter certeza, ainda verá muito mais.
Essa linha de comunicação se repete a cada anúncio, mas nunca se torna chata ou cansativa. Pelo contrário, ela é simpática com seu o público-alvo e não se limita apenas a mídias tradicionais, a marca vai as ruas e fala diretamente com quem interessa.
Um anúncio, não tão novo, mas que eu adoro é esse abaixo, criado pela italiana Lowe Pirella. Uma idéia sozinha, mas que tem um histórico muito grande por trás dela.

| RÉPLICA AOS COMENTÁRIOS
Gostaria de fazer um adendo, respondendo o comentário que o Rodrigo deixou nesse post.
Sorte da agência que o público-alvo do desodorante Axe seja os homens, do contrário, acho que não faria muito sucesso. Muito machista. Mas como é anúncio pra homem ver e usar, tá perfeito. O conceito tá bem na cara. Mais direto que isso impossível. Só faço uma crítica: acho que o conceito e a linha de comunicação adotado pela Axe está se parecendo demais com o utilizado pelo desodorante Avanço há um bom tempo atrás, com o case das mulheres que avançam nos homens. O público-alvo e o conceito dos dois são semelhantes.
Gostaria de saber do Merigo qual a sua opinião. Se realmente você vê alguma semelhança nos conceitos e se essa linha de comunicação não é um pouco cafona demais pra ser utilizada pelo desodorante Axe.
Resposta: Boa a questão levantada Rodrigo, mas direi o que penso. “Mulheres atraídas pelo homem que usa o desodorante de marca Y”. Sim, essa frase pode resumir a comunicação das duas marcas que você citou.
Porém, o público-alvo de Axe e Avanço são completamente distintos, tanto em faixa etária quanto em classe social.
Perceba a forma como cada um lida com isso. O humor, a ironia, a sutileza do Axe/Lynx é bem diferente do que colocar um bando de mulheres correndo e gritando atrás de um cantor sertanejo.
Pensando assim, acho que nem cabe uma comparação de uma coisa com outra. Talvez a comunicação do Avanço funcione com o público deles, mas com você, por exemplo, não funcionou, que considera cafona.
Também discordo quando você diz que as campanhas de Axe são machistas. Elas causam simpatia, e acredite não só em homens, como em mulheres também.
Nunca são ofensivas ao feminino, e sim um ode às mulheres. Tem erotismo, mistério e cativa. Perceba a sutileza em falar de sexo sem ser banal, sem mostrar pessoas, e sim roupas num varal.
Machismo é pensar que falar e mostrar mulheres seduzidas por homens e interessadas em sexo é algo errado e/ou imoral. E, considerando que por qualquer motivo bizarro isso fosse errado, nunca seria da forma como Axe/Lynx faz.
Quando se define o conceito de uma marca, a forma como isso vai ser dito ao público faz toda a diferença. Acho que as mulheres que visitam esse site poderiam dar sua palavra ai nos comentários, e nos dizerem o que acham da comunicação de Axe.
Abraço Rodrigo e valeu pela participação.
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Ice Skating Priests
Ontem finalmente experimentei o tão aguardado chope da lendária Stella Artois, que chegou ao Brasil como mais um passo do plano global da InBev (ex Interbrew + AmBev). E sem pestanejar posso dizer: é maravilhoso.
Felizmente não está caro como se esperava. R$ 6 é o preço sugerido por chope. A estratégia é enfrentar a concorrência direta de marcas importadas, mais caras, mas sem se posicionar por preço. A versão long neck chegará ao mercado até o final do ano, quando a empresa espera também ter entre 400 e 450 pontos-de-venda na cidade.
A Stella Artois está sendo produzida em Jaguariúna, SP, depois que a Ambev enviou o mestre-cervejeiro Gabriel Galembeck para Leuven na Bélgica para estudar a receita da cerveja e importar seu processo de produção para São Paulo.
Inicialmente o chopp está sendo vendido em bares e restaurantes de classe média-alta aqui de São Paulo, que segundo o diretor de marketing da Ambev, é “formadora de opinião para todo o país”.
Os garçons desses estabelecimentos selecionados receberam treinamento para servir Stella Artois. Entre outros rituais, devem sempre colocar a taça na mesa com a logomarca voltada para o cliente. E funciona, dos que tomei (não revelo a quantidade ;p) todos foram servidos seguindo essa cartilha.
São detalhes assim e uma comunicação fiel por vários anos que fazem dessa cerveja, criada há quatro séculos, uma das mais cultuadas do mundo. A valorização e o culto pela marca são os princípios das campanhas da cerveja
Como eu já disse aqui no Brainstorm #9 quando publiquei a campanha “Make room in your fridge”, a valorização da marca chega a tanto que nem sequer o logo da cerveja é inserido nos anúncios.
Essa pretensão é a grande mágica da coisa. É uma marca construída de forma tão integrada ao longo dos anos, que hoje eles podem ser pretensiosos e ainda sim permanecerem simpáticos com seu público.
Os filmes produzidos para a Stella Artois são típicos: sempre épicos de 120 segundos e tratando a cerveja como um líquido sagrado, do qual não se pode desperdiçar nada. Lembram de “Pilot”, publicado aqui em Junho desse ano e vencedor de tantos prêmios?
O mais recente comercial da marca segue o mesmo caminho. Totalmente cinematográfico e com aquele humor irônico constante na comunicação da Stella Artois, traspirando modernidade mas sem perder a aura de tradição. “Ice Skating Priests”, criado pela Lowe de Londres, mostra alguns padres dando um tempo do monastério para se divertirem num lago congelado.
Tentando despistar o cardeal, um dos padres pede a um novato para que vá buscar algumas Stella Artois, só que na volta o gelo quebra e ele cai no lago. O que se vê é uma correria para tentar salvar o sujeito, mas como se percebe, os padres estão mais preocupados com as garrafas afundando do que com qualquer outra coisa.
Em preto e branco e com ambientação de época na década de 1920, o anúncio levou quatro semanas apenas para ser filmado num lago da Polônia. Antes mesmo de começar, 250 soldados do exército polonês foram convocados para retirar cerca de 8 mil toneladas de neve que estavam sob o lago.
Incluindo atores e dublês foram mais de 200 pessoas em cena, sem contar toda a enorme equipe de produção trabalhando em condições climáticas extremas. A trilha sonora é “Hungarian Dance No. 2″ de Franz Liszt.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.14 MB.
Ainda essa semana, vou publicar aqui mais um comercial clássico da Stella Artois. Fiquem de olho.
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