Arquivo para o mês de Agosto de 2005
Sopranos
Não é uma idéia muito original, mas que por ser passível de diversas variações sempre chama atenção. Existe uma ação com pernas penduradas, criada para falar do câmbio automático de alguns modelos Mercedes-Benz.
Bem dentro do contexto mafioso, aqui um braço foi pendurado pra fora dos porta-malas de táxis em Nova York para divulgar a famosa série The Sopranos da HBO. A ação foi criada pela BBDO.

| Hoje no Passado |
- 2007: As Aventuras de Mário, o Publicitário | 14 —
- 2004: Brain#9 em terras lusitanas — O Brainstorm #9 está cruzando o Atlântico (e eu vou de carona). O site foi citado na revista Mais [...]
+ Hot Ketchup
Digam o que for do jeitão fantasmagórico, critiquem a falta de um logo ou assinatura, algo que já se tornou comum nas campanhas da marca, mas esse anúncio para a versão mais picante do ketchup Heinz é extraordinário.
Criado pela Leo Burnett de Lisboa, essa peça única causa aquela impulsiva mas compreensível reação de socar a mesa e dizer: “Como é que eu não pensei nisso antes?”.
O mesmo Heinz Hot Ketchup já causou muita polêmica aqui no Brainstorm #9 no ano passado. Lembram disso?

Aqui sentou uma pessoa com AIDS
Na hora de criar uma peça, muitas vezes imaginamos as coisas mais absurdas. Isso faz parte, lógico. Viajar na maionese é uma arte, onde é necessária muita prática e uma cabeça treinada para levar em consideração toda besteira que for dita. 90% do que é dito num brainstorm nunca vai ver a cara da rua (a humanidade agradece), mas precisa ser anotado.
Alguém que não está acostumado com isso usa apenas a racionalidade e tende a dar um basta quando as idéias transcendem a barreira do real, do concreto. É aquele que sempre vai dizer: “mas sapos não falam”, “carros não voam” ou qualquer outro corta barato do tipo.
Porém, fazer essa viagem tem como objetivo primordial chegar ao mais simples, no óbvio oculto. E para isso, muitas vezes nem é preciso sapos falantes ou carros voadores. Apenas a realidade basta. Quando se trata de comportamento humano então, aí é como colocar as pessoas contra a parede e revelar seus pensamentos mais recônditos.
Utilize o que as pessoas fazem normalmente, ou melhor, que fariam mas não admitem. Isso quando mostrado publicamente, funciona como um tapa na cara, de criar vergonha e incentivar a reflexão.
É o caso desse comercial criado pela agência Master de Curitiba para falar do preconceito quanto a AIDS. Não foi preciso ser ficcional em nada. As cenas são reais, as pessoas são reais e pior, o comportamento é real.
Uma idéia simples e impactante que utiliza as próprias pessoas como cobaias para mostrar um pensamento automatizado. São essas mesmas pessoas que diriam: “Não, eu não tenho preconceito contra nada”.
Intitulado de “Cadeira”, o comercial foi premiado com Prata no The One Show 2004, Bronze no Clio Awards 2004 e Ouro no Prêmio Folha/Meio&Mensagem 2005.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.73 MB.
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If this toy…
No Dia Internacional da Cruz Vermelha, que é comemorado em 8 de Maio, a DDB da Noruega colocou nas ruas de Oslo uma campanha inusitada. Além do apelo natural de uma instituição dessas, a ação tem aquilo que toda comunicação do terceiro setor precisa ter: pegar o cidadão de surpresa.
Em outras campanhas do gênero que já publiquei aqui no site, é possível perceber o tom surpreendente que os criativos quase sempre adotam nesses casos. Porque, mais do que sensibilizar alguém com uma mensagem que nossos princípios éticos e morais consideram como correta, é preciso fazer a pessoa tomar uma atitude.
Nessa ação da Cruz Vermelha norueguesa, diversos bichos de pelúcia foram espalhados nas calçadas e praças ao redor da sede da instituição. Logicamente a cena chamava muita atenção dos transeuntes, principalmente das crianças (muitos adultos também), que iam correndo pegar um brinquedo daqueles.
Porém, uma mensagem anexada embaixo do bichinho dizia: “If this toy was a land mine, you would be mutilated for life.” (Se esse brinquedo fosse uma mina terrestre, você estaria mutilado para o resto da vida).

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Justiça rápida e morte lenta, de calor selvagem e sangue frio
Se você é no mínimo interessado por cinema ou HQs, ou melhor, por cultura em geral, deve saber o que é “Sin City”. Deve ainda ter noção da importância do consagrado quadrinhista Frank Miller, criador desta e de tantas outras HQs fundamentais. Também deve ter ouvido falar que Miller não queria vender os direitos de sua história para Hollywood de jeito nenhum, mas que foi convencido após Robert Rodriguez apresentar um curta totalmente fiel ao formato de “Sin City”.
Eu nem sou fã de HQs, mas assim que soube da produção do filme corri para ler os capítulos de “Sin City”. Nem preciso dizer que imediatamente me tornei mais um dos fanáticos ansiosos por ver a produção na tela grande. Claro, sem contar Robert Rodriguez no comando do filme, que para mim é um verdadeiro cineasta de guerrilha e sempre pronto a nos mostrar que o “establishment” hollywodiano não precisa e nem deve ser seguido por quem deseja fazer filmes.
A trilogia “El Mariachi”, “A Balada do Pistoleiro” e “Era Uma Vez no México” pode ser subjugada por muitos, mas são faroestes spaguettis essenciais. De qualquer forma, um diretor que filma cabeças decepadas e crianças em 3D ao mesmo tempo, que se desliga do Sindicato de Diretores para incluir o criador das histórias na co-direção e em todas suas produções monta, produz, compõe parte da trilha sonora, edita, supervisiona efeitos especiais, dirige a fotografia e opera câmeras, merece nossa admiração.
Lógico, tem o Tarantino também. Que aqui dirige uma cena pelo cachê de 1 dólar. O mesmo valor cobrado por Rodriguez para fazer a trilha sonora dos fundamentais “Kill Bill’s”. Sim, Tarantino e Rodriguez são amigos, e torço para que a parceria entre os dois continue por muito tempo.
“Sin City” não e um filme para impulsivos. Não é um filme pra quem vê o Bruce Willis no poster e resolve entrar para curtir um cineminha. “Sin City” é uma HQ filmada no sentido mais literal que possa existir. Não é uma história em quadrinhos que foi adaptada, é o cinema que se adapta a história em quadrinhos.
O filme é um marco por diversas razões que muitas pessoas já cansaram de apontar: a forma de filmar, o visual, os efeitos utilizados, a nova tecnologia digital utilizada por Rodriguez e etc, etc. Agora não há mais como pensar em filmes baseados em HQs sem dizer: “Ah, mas Sin City fez isso, isso e aquilo…”.
Isso foi atingido porque nenhuma concessão foi feita durante a produção do filme. Cada quadro, detalhe da história está na tela. As HQs de Miller apenas ganham o efeito de movimento. O resultado é um visual absolutamente fantástico, em que a maestria de Miller com sombra e luz permanece intacta no cinema. O que sentimos é o processo de leitura dos quadrinhos passando na nossa frente: o tom de narração, os cortes, as transições, a dramaturgia, tudo foi filmado da forma como foi criado.
E como é “Sin City” no papel, o filme leva o noir ao extremo. É tenso, angustiante e transforma cenas cartunescas em enriquecimento para a trama. A adrenalina e o texto cru(el) de Miller fazem o espectador torcer para que o “mocinho” (entre aspas porque em Sin City não existem mocinhos) meta logo uma bala na cabeça daquele desgraçado filho-da-puta.
De longe, as histórias de Marv e Hartigan são as mais empolgantes e justamente as que nos fazem esquecer que estamos dentro de uma sala com poltronas diante de uma tela de lona e pessoas que fazem barulho ao comer pipoca. O que enfraquece o filme é a perda de ritmo no meio, justamente quando a história passa a se preocupar mais com a atmosfera. Começa de forma espetacular, perde ritmo, cansa um pouco e volta com tudo para um final animal.
E essa lentidão durante o episódio de Dwight e Jackie Boy se dá justamente pelo filme manter-se tão fiel a narrativa dos quadrinhos. Você não participa do que acontece, não tem os espaços silenciosos deixados por Miller, então acaba cansando da falta de adrenalina. Mas quando o filme volta para Hartigan, a tensão e empolgação vem com tudo novamente.
No final das contas, “Sin City” é uma experiência que deve ser vivida por qualquer um interessado em cinema, em coisas novas, qualquer um que procure aquele frescor que nossas cabeças precisam e queiram provas de que aquilo que pareciam dogmas a serem seguidos para sempre, não eram tão pétreos assim. Aquele que foi porque o Bruce Willis fazia cara de mau no poster, saiu no meio da sessão.












