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Justiça rápida e morte lenta, de calor selvagem e sangue frio

Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 | 12:48 pm

Se você é no mínimo interessado por cinema ou HQs, ou melhor, por cultura em geral, deve saber o que é “Sin City”. Deve ainda ter noção da importância do consagrado quadrinhista Frank Miller, criador desta e de tantas outras HQs fundamentais. Também deve ter ouvido falar que Miller não queria vender os direitos de sua história para Hollywood de jeito nenhum, mas que foi convencido após Robert Rodriguez apresentar um curta totalmente fiel ao formato de “Sin City”.

Eu nem sou fã de HQs, mas assim que soube da produção do filme corri para ler os capítulos de “Sin City”. Nem preciso dizer que imediatamente me tornei mais um dos fanáticos ansiosos por ver a produção na tela grande. Claro, sem contar Robert Rodriguez no comando do filme, que para mim é um verdadeiro cineasta de guerrilha e sempre pronto a nos mostrar que o “establishment” hollywodiano não precisa e nem deve ser seguido por quem deseja fazer filmes.

A trilogia “El Mariachi”, “A Balada do Pistoleiro” e “Era Uma Vez no México” pode ser subjugada por muitos, mas são faroestes spaguettis essenciais. De qualquer forma, um diretor que filma cabeças decepadas e crianças em 3D ao mesmo tempo, que se desliga do Sindicato de Diretores para incluir o criador das histórias na co-direção e em todas suas produções monta, produz, compõe parte da trilha sonora, edita, supervisiona efeitos especiais, dirige a fotografia e opera câmeras, merece nossa admiração.

Lógico, tem o Tarantino também. Que aqui dirige uma cena pelo cachê de 1 dólar. O mesmo valor cobrado por Rodriguez para fazer a trilha sonora dos fundamentais “Kill Bill’s”. Sim, Tarantino e Rodriguez são amigos, e torço para que a parceria entre os dois continue por muito tempo.

“Sin City” não e um filme para impulsivos. Não é um filme pra quem vê o Bruce Willis no poster e resolve entrar para curtir um cineminha. “Sin City” é uma HQ filmada no sentido mais literal que possa existir. Não é uma história em quadrinhos que foi adaptada, é o cinema que se adapta a história em quadrinhos.

O filme é um marco por diversas razões que muitas pessoas já cansaram de apontar: a forma de filmar, o visual, os efeitos utilizados, a nova tecnologia digital utilizada por Rodriguez e etc, etc. Agora não há mais como pensar em filmes baseados em HQs sem dizer: “Ah, mas Sin City fez isso, isso e aquilo…”.

Isso foi atingido porque nenhuma concessão foi feita durante a produção do filme. Cada quadro, detalhe da história está na tela. As HQs de Miller apenas ganham o efeito de movimento. O resultado é um visual absolutamente fantástico, em que a maestria de Miller com sombra e luz permanece intacta no cinema. O que sentimos é o processo de leitura dos quadrinhos passando na nossa frente: o tom de narração, os cortes, as transições, a dramaturgia, tudo foi filmado da forma como foi criado.

E como é “Sin City” no papel, o filme leva o noir ao extremo. É tenso, angustiante e transforma cenas cartunescas em enriquecimento para a trama. A adrenalina e o texto cru(el) de Miller fazem o espectador torcer para que o “mocinho” (entre aspas porque em Sin City não existem mocinhos) meta logo uma bala na cabeça daquele desgraçado filho-da-puta.

De longe, as histórias de Marv e Hartigan são as mais empolgantes e justamente as que nos fazem esquecer que estamos dentro de uma sala com poltronas diante de uma tela de lona e pessoas que fazem barulho ao comer pipoca. O que enfraquece o filme é a perda de ritmo no meio, justamente quando a história passa a se preocupar mais com a atmosfera. Começa de forma espetacular, perde ritmo, cansa um pouco e volta com tudo para um final animal.

E essa lentidão durante o episódio de Dwight e Jackie Boy se dá justamente pelo filme manter-se tão fiel a narrativa dos quadrinhos. Você não participa do que acontece, não tem os espaços silenciosos deixados por Miller, então acaba cansando da falta de adrenalina. Mas quando o filme volta para Hartigan, a tensão e empolgação vem com tudo novamente.

No final das contas, “Sin City” é uma experiência que deve ser vivida por qualquer um interessado em cinema, em coisas novas, qualquer um que procure aquele frescor que nossas cabeças precisam e queiram provas de que aquilo que pareciam dogmas a serem seguidos para sempre, não eram tão pétreos assim. Aquele que foi porque o Bruce Willis fazia cara de mau no poster, saiu no meio da sessão.

Caregorias/Tags: Cinema
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20 Comentários para “Justiça rápida e morte lenta, de calor selvagem e sangue frio”

  1. Bruno Silva:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 13:09

    O próprio conceito de adaptação de HQ é quebrado neste filme, já que trata-se de um deslocamento literal de uma mídia para a outra. Sin City é uma genial criação de Frank Miller e se fez perfeito na telona pela humildade de um diretor que faz filmes em seu quintal e soube reconhecer que a obra era perfeita do jeito que fora concebida. Era só ligar a câmera e filmar. Um dos maiores filmes do ano. Assim como Tarantino fez há 10 anos, creio que Sin City é um belo tapa na cara de Hollywood e suas dogmáticas cartilhas.


  2. Água...:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 14:24

    Realmente o filme é sensacional. Concordo quando diz que ele será alvo de inúmeras comparações nas produções futuras; não lembro de ter visto nada que fosse tão fora do que já foi feito.

    Gostei do filme, não acho que ele perde ritmo hora alguma.

    Acho que o último parágrafo resume tudo. Recomendo o filme pra quem quer esquecer que está no cinema, pra quem gosta de coisas novas.

    Beijo


  3. publicidade à pé:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 15:15

    Ainda não vi o filme, mas não foi por falta de vontade, dessa semana não passa.


  4. Romeu Holanda:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 16:02

    Se Robert Rodrigues e Tarantino são considerados grandes inovadores no cinema, pode pegar um dicionário de HQs e você encontrará a foto do mestre Frank Miller ao lado desse adjetivo.

    Merigo, se você não é fã de HQs (informação esta que me deixou sinceramente surpreso, pois achava fundamental doses desse universo na formação de bons diretores de arte), leia também outras obras dele, que, com certeza, não deixam nada a dever a Sin City! O grande clássico CAVALEIRO DAS TREVAS que salvou e remodelou a credibilidade e o carísma do Batman, Os 300 de Esparta que conta na visão do rei Leônidas a hisória da mais corajosa resistência que existiu, e Demolidor - O Homen sem medo, são grande exemplos disso.

    O filme me deixou chocado e confirmou que essa história de que quadrinhos e cinema são mídias com linguagens diferentes (apesar disto ter muito fundamento) é muito mais uma desculpa do que um motivo pra estragar bons universos e personagens. E (juro que é, sem nenhuma intenção de indireta ofensiva a um cara que aprendi a admirar muito) quem é fã de quadrinhos, sabe muito bem do que estou falando, Batman Begins é QUASE uma prova disso.

    E talvez eu até esteja exagerando (tomara que não!), mas penso que a providencialíssima parceria entre Rodrigues e Miller, marcará o cinema tanto quanto O Cavaleiro das Trevas marcou os quadrinhos e, de agora em diante, a direção de arte e narrativas no cinema serão tratadas como AS e DS (Antes e depois de Sim City)


  5. Carlos Merigo:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 16:47

    Olá Romeu

    Concordo totalmente com o seu comentário.

    Eu não sou leitor assíduo de HQs, conheço pouco desse universo, mas tenho total consciência de sua importância. Deveria procurar conhecer mais, eu sei, mas aos poucos chego lá.

    Abraço


  6. cottonboy:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 19:42

    Sin city é a melhor adptaç~]ao de HQ`s ja feita para o cinema…
    ficou bem fiel aos quadrinhos…
    e ja que ficou fiel aos quadrinhos.. ficou bom.. como sin city tem de ser!!!

    agora.. coisa que eu fiquei chocado… Bruce Willis conseguiu interpretar um papel perfeito rpa ele hahahah pq convenhamos.. ele sabe interpretar tanto quanto um xuxu… a unica cara que ele sabe fazer eh aquela cara de mal que não convence nimguem.. e como o personagem dele no filme só faz cara de mal.. caiu como uma luva! XD

    muito bom! recomendo


  7. Chico:
    Terça-feira, 2 de Agosto de 2005 - 0:30

    Eu ja tinha lido os hqs muito antes de ver o filme, fiquei na expectativa….mais ainda ao saber que ano que vem o filme “a dama fatal” que eh a melhor historia de sin city na minha opiniao!

    Qt ao filme…eu tive a mesma sensacao qd assisti ao primeiro matrix…e a maioria dos filmes depois eu ficava pensando “nossa, nunca vi nada assim antes…” e agora tive essa mesma sensacao…o filme eh revolucionario (sem exagero nenhum…)

    ah, e comentando a ultima frase do Merigo…varias pessoas sairam durante a sessao…
    bom, eu fiquei e curti - muito…


  8. Thiago Mattar:
    Terça-feira, 2 de Agosto de 2005 - 2:34

    Gostei da tua resenha sobre “A fantástica…”
    se quiser ler um pouco mais sobre as influências e as obras de Tim Burton entre no meu site:


  9. Mardrum:
    Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005 - 1:10

    O filme é literalmente fiel aos HQ’s, muitos p[ostaram exatamente isso q eu acabei d escrever mas tem q ser dito, nunca vi filme tão fiel ao seu inspirador, c é q se pode chamar q o filme foi inspirado, o HQ q ganhou movimento

    Eu queria saber q sena q o Tarantino dirigiu, eu e uns amigos estamos tentando descobrir sem procurar em nenhum site, mas acho q nunca vamos desvendar, c alguem souber me de uma mão aew

    vlw pessoal e quem naum viu vah ver, vale a pena, foi uma das poucas vezes esse ano q o meu dinheiro foi bem gasto


  10. Romeu Holanda:
    Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005 - 14:53

    Mardrum, a cena dirigida por Tarantino é o díalogo entre Dwight e o cadaver de Jackie Boy.

    Merigo, Sin City é um ótimo começo, mas tava ontem revirando minha coleção e encontrei uma saga clássica destribuida entre 5 edições da revista Marvel 2000 e escrita pelo cineasta Kevin Smith. A saga do Demolidor chama-se “Diabo da Guarda” e mostra muito bem porque o autor anda tão cotado pra dirigir o próximo filme do herói, o que acredito que seria a salvação da franquia, depois do primeiro filme que foi bem mediano.

    E quanto a direção de arte, recomendo também Asilo Arkhan estrelada pelo Batman e com arte que mistura desehos fotos e pinturas, tudo num estilo gótico e bastante sombrio.

    Abração.


  11. Marcelo:
    Quinta-feira, 4 de Agosto de 2005 - 15:25

  12. edo:
    Sexta-feira, 5 de Agosto de 2005 - 13:21

    MARAVILHOSO!!!! Sem dúvida o melhor filme do ano.


  13. Dyowane:
    Sexta-feira, 5 de Agosto de 2005 - 21:57

    O Jabor me assustou! mas me deixou louco pra ver o filme!

    Abraços a todos


  14. Chico:
    Segunda-feira, 8 de Agosto de 2005 - 0:48

    Era exatamente isso sobre o jabor que eu ia comentar…..nossa, tem horas que ele consegue ser tao arrogante que ofusca toda a inteligencia dele….
    engraçado que eu comentei com um amigo, a violencia do sin city chega a tal ponto que eh caricata, quem nao deu risada qd Hartigan arranca o membro do assassino amarelo?? eh o mesmo caso de kill bill…
    akela parte que ele comenta sobre “os filme de karate com babacas voando em bambus” eh de deixar qualquer um constrangido….nao gostar de um filme eh uma coisa, mas ofender uma cultura tao rica como a oriental eh no minimo deploravel….
    sandalias da humildade pro Sr. Arnaldo, que mais uma vez foi infeliz em seus comentarios…


  15. Chico:
    Segunda-feira, 8 de Agosto de 2005 - 0:50

    Era exatamente isso sobre o jabor que eu ia comentar…..nossa, tem horas que ele consegue ser tao arrogante que ofusca toda a inteligencia dele….
    engraçado que eu comentei com um amigo, a violencia do sin city chega a tal ponto que eh caricata, quem nao deu risada qd Hartigan arranca o membro do assassino amarelo?? eh o mesmo caso de kill bill…
    akela parte que ele comenta sobre “os filme de karate com babacas voando em bambus” eh de deixar qualquer um constrangido….nao gostar de um filme eh uma coisa, mas ofender uma cultura tao rica como a oriental eh no minimo deploravel….
    sandalias da humildade pro Sr. Arnaldo, que mais uma vez foi infeliz em seus comentarios…


  16. Dulce:
    Sexta-feira, 19 de Agosto de 2005 - 17:53

    Fico com o Arnaldo Jabor em grau, gênero e número…
    Sin City é repugnante!
    O pior filme que assisti em toda a minha vida!


  17. 10:
    Sexta-feira, 16 de Setembro de 2005 - 10:49

    Just to say hellow!


  18. Diesel:
    Sexta-feira, 3 de Março de 2006 - 16:50

    Very good site, greate content !!


  19. João Paulo Hammes:
    Quarta-feira, 6 de Setembro de 2006 - 14:49

    Cara, Sin City é bom demais, comprei as HQs depois que assisiti ao filme. Sempre fui fã do Frank Miller(por causa das histórias do Demolidor), e sabia que valia a pena comprar, quem fala mal do filem Sin City tá é ruim da cabeça


  20. briana banks:
    Sábado, 20 de Janeiro de 2007 - 12:01

    briana banks movies



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