“Reason why” você fala assim?
Eu não resisto a anúncios que fazem paródia do estranho mundo de criar anúncios. As pessoas que não são ligadas a área de comunicação certamente não acham a mínima graça, mas eu me esbaldo com a ironia de peças que satirizam a publicidade.
Essa recente campanha criada pela Young & Rubicam para a Miami AD School é um ótimo exemplo disso. Os anúncios divulgam o curso de Planejamento de Comunicação
É praticamente um vício. Quem vive dentro de uma agência, precisa tomar cuidado para não falar coisas como “reason why”, “target”, “call to action”, “briefing”, “job”, “brand linkage” e tantos outros na “vida lá fora”.
Aliás, você pode aproveitar os comentários ai embaixo e dizer quais termos utiliza ou já ouviu dentro da agência em que trabalha. Tenho certeza que vão aparecer muitos.
O título das peças diz: “Não adianta planejamento sem saber como usar”.
Em tempo, quem se interessar pelo curso da Miami, que parece ser fantástico, tem que estar preparado para desembolsar quase 7 mil reais. São 3 meses de duração. Com aulas nas noites de quinta e sexta e sábado o dia todo. Um golpe fatal no bolso e na vida social.




para manter o Brainstorm #9 no ar. Compre um livro através da Biblioteca do site ou clique em um dos anúncios Google na barra lateral direita.
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Brain#9 2.0
Post inaugural dessa nova fase do Brainstorm #9. Ainda estou fazendo mudanças e ajustes, mas basicamente o site vai ser assim.
Mais leve, mais limpo, com bastante espaço em branco. É tudo questão de costume, logo vocês vão estar gostando desse novo site também.
A frase do Winston Churchill faz falta mesmo, vou tentar encaixá-la em algum lugar. O topo pode mudar de vez em quando.
Quanto ao banner lá em cima, vai ser desse tamanho mesmo. Bonitão. E tem também os banners do Google ai na lateral direita. Continuem clicando.
A seção “Arquivo” ganhou uma turbinada. Agora a divisão mensal indica quais posts contém em cada mês, e tem tambem a divisão por segmentos e clientes que agora mostra a quantidade de posts em cada uma.
As sugestões de livros foram parar numa seção específica, a “Biblioteca”. E todas as cotações de filmes, livros, música e etc ficarão arquivadas na seção “Cotações #9″
Críticas e sugestões são bem-vindas, sempre.
Logo mais tem atualização. Abraço
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PS2 Bubbles
Plástico bolha é viciante. 9 de cada 10 pessoas quando se deparam com um desses ficam estourando as bolhas até cansar os dedos. Impossível parar.
Playstation 2, segundo a Sony, também é viciante. Quem começa não consegue parar de jogar.
Então, juntando as duas coisas e um ponto de ônibus, a Mccann-Erickson da Malásia criou uma peça que é quase um evento.
O plástico bolha tem os desenhos do controle do Playstation 2. Logo, quem vê chega a irremediável conclusão dita acima: PS2 é viciante.
Intitulado de “Bubbles”, a peça foi premiada com Bronze no The One Show 2005 na categoria Inovação em Marketing e Bronze no Asia Pacific Advertising Festival 2005.



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The big, big ad
A cada dia que passa tenho uma estranha sensação de que tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas que não estamos aproveitando. Talvez porque, justamente pelo volume, nunca nem daremos conta de perceber tudo, de ver tudo. Mas de qualquer forma ainda podemos fazer mais.
Já virou chavão dizer isso, mas não tenho dúvidas dessa revolução que estamos vivendo atualmente. A tecnologia está mudando drasticamente a nossa maneira de viver e de se comunicar com o mundo. No momento em que você lê essas linhas, existem milhões de pessoas produzindo conteúdo e registrando o que acontece a seu redor, e disponibilizam tudo online em blogs, sites, álbuns de fotos e etc.
As pessoas não são mais passivas, estão criando, produzindo, se comunicando. E isso muda tudo. Muda a maneira como tratamos as informações, como lidamos com esse conhecimento novo, muda o mercado, muda nossas vidas.
Porém, o que me parece é que a maioria dos velhos executivos de propaganda ainda insistem em permanecer completamente alheios a essa nova realidade. Vários já reconheceram essa mudança desde o início, outros nasceram nela, outros tantos estão percebendo e mudando agora, mas acreditem, muitos ainda não sabem o que está acontecendo lá fora (ou aqui dentro, a definição disso não é fácil).
A J. Walter Thompson, que agora prefere ser chamada simplesmente de JWT, demorou, mas mudou. Com 141 anos de história, presença em 87 países, mais de 8.5 mil funcionários e faturamento de 7,7 bilhões de dólares em 2004, finalmente essa gigante da publicidade resolveu acordar.
Deu no Valor Econômico de hoje, Bob Jeffrey, presidente mundial da JWT, disse: “As pessoas não têm mais tempo e por isso as campanhas publicitárias precisam ser cada vez mais direcionadas”. Ponto pra ele, mas com atraso, porque muitas pessoas já estão explorando isso e com muito sucesso.
Hoje não adianta mais torrar milhões em comerciais de 30 segundos e achar que com isso está cobrindo o mundo. Isso é jogar o dinheiro do cliente no lixo. Hoje tem muitos clientes ensinando publicitários a comunicar, pois já sacaram que dá pra fazer muito investindo menos.
O consumidor está em todo lugar e precisamos utilizar os mais variados meios para chegar até ele. Porém, lembre-se, sem chateá-lo. Se encher o saco, ele cai fora. Se for exigir muito tempo, ele desiste.
A comunicação tradicional está sendo a cada dia ultrapassada por ações focadas em experiências de marca. Como eu já disse muito aqui no Brainstorm #9 e repito, hoje é preciso entreter o consumidor, criar vínculos emocionais de amor, lealdade, respeito, credibilidade.
Quem ainda dúvida de que a internet seja crucial nesse processo? A JWT talvez acreditava que 30 segundos na TV valiam mais, mas agora vai fazer diferente com a Ford, um de seus maiores clientes.
Pela primeira vez em sua história, o lançamento de um carro não se iniciará com uma campanha publicitária tradicional, com TV, mídia impressa e etc. Para antecipar o lançamento do Fusion, nos Estados Unidos, a JWT criou um site e, em parceria com a Sony, vai fazer uma série de shows com bandas de rock.
Ousado? Sem dúvida. Mas não é nenhuma novidade para quem é minimamente conectado. Não é preciso ir muito longe e nem tomar como um exemplo um cliente tão grande para mostrar isso.
Nas últimas semanas, a cerveja australiana Carlton Draught tem invadido os computadores de muita gente. Antes de a campanha estrear na TV, mais de meio milhão de pessoas já tinham visto o novo comercial da cerveja criado pela agência George Patterson Partners.
É o poder do marketing viral atrelado a uma palavra que resume tudo: entretenimento. Divulgado em blogs, emails, comunidades virtuais, fóruns, o anúncio da Carlton circula o mundo e agora figura entre os grandes cases de sucesso na internet, ao lado do já clássico Subservient Chicken do Burker King. (go veg!)
Os números provam que essas campanhas foram além de ser uma piada que agrada exclusivamente a elite publicitária do mundo, elas caíram no gosto do público. As pessoas gostam de partilhar divertimento e passam pra frente o que gostam.
O que torna “Big Ad”, o anúncio da Carlton, atraente, é que é uma paródia dele mesmo. Isso está longe de ser novidade, mas o conteúdo agrada, o que aparece na tela é diferente e o formato facilita a “viralização”.
De acordo com relatório da ACNielsen, a Carlton Draught está crescendo rapidamente como marca na Austrália, tanto em volume quanto valor. Isso não significa que as vendas deram um salto enorme, mas as pessoas estão falando, estão comentando e essa é a direção certa.
No Brasil, a Kaiser está tentando o mesmo. Tem uma campanha que agrada, um site bacana, virais ocultos por aí, patrocínios diferenciados e até entraram na onda dos podcasts. Como a intenção deles é aumentar a percepção de marca, criar valor, cativar o jovem, mostrar que Kaiser não é só uma cerveja, é muito mais, parece que estão no caminho certo. Vamos ver no que dá.
Voltando ao “Big Ad”: Clique aqui (botão direito – Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.76 MB.
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Playboy Cake
Tá certo que o ensaio da Grazi não passou de propaganda enganosa, mas os anúncios do ensaio criados pela Young & Rubicam foram bacanas.
Principalmente esse aí embaixo, ressaltando os 30 anos da Playboy.

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Father & Son
Aproveitando o dia de hoje, vou transcrever aqui um texto do CEO Mundial da Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts, que fala sobre a emoção, sobre como podemos e devemos despertar os sentimentos nas pessoas.
Como sempre, o download do comercial está no fim do post. Divirtam-se.
——
Cat Stevens foi um mega-star da década de 70 com sucessos como “Moonshadow”, “Morning Has Broken” e “Peace Train”. Em 1977, converteu-se ao islamismo, mudou seu nome para Yusuf Islam e abandonou a música.
Desde então dedica-se a atividades beneficentes e educacionais em prol da religião. É muito cauteloso quanto ao uso de suas músicas. Muitas delas abordam temas de sua vida anterior à conversão, e Stevens não quer mais ser associado a eles. Não é de surpreender que nunca tenha permitido que qualquer de suas canções fosse usada em comerciais de televisão.
Quando o pessoal de criação da Saatchi & Saatchi Wellington pôs na cabeça que queria usar determinada música de Cat Stevens em um comercial, a primeira reação foi “achem outra”. O problema é que a canção era absolutamente perfeita: “Father and Son”.
Já fui como você agora
e seu que não é fácil ficar frio quando se descobre
que alguma coisa está acontecendo.
Mas dê um tempo, pense muito
Pense em tudo que você tem.
Amanhã você ainda estará aqui
mas seus sonhos talvez não.
Nosso pessoal não queria usar a música apenas como fundo. A canção era a história. Um retrato emocional da relação mais especial que existe – um pai e um filho crescendo juntos, do nascimento até a velhice.
O cliente era a Telecom Nova Zelândia. Assim como muitas outras companhias de telecomunicações, ela nunca dera muita atenção para a emoção. Essas empresas enfrentam uma pressão violenta a cada minuto, todos os dias. A indústria como um todo vive um pesadelo de diminuição nos lucros, competição, mudanças inesperadas na tecnologia, expectativas crescentes do consumidor. Elas geralmente não vêem os sentimentos das pessoas como prioridade.
Mas a Telecom Nova Zelândia constituía um monopólio, e agora confrontava a concorrência com energia. Eles eram audazes e gostavam de desafios. Sabiam que, quando você age como uma commodity, acaba sendo tratado como tal – aquele antigo ciclo vicioso. Esqueça ser amado; é difícil conseguir até mesmo um pouco de respeito na rua.
Em alguns lugares teria sido o fim da história, mas nosso pessoal considerou a idéia de um desafio. Eles de fato acreditavam que nada é impossível. Elaboraram um apelo passional a Yusuf. Sabiam que ele nunca havia dado permissão, mas isso foi antes.
Nosso pessoal grampeou o coração na carta e aguardou. Semanas mais tarde, quando a equipe na sala de mixagem ansiava ao menos por uma resposta, ouviu-se o farfalhar de um fax. Vinha de Yussuf. Ele se rendeu às imagens que acompanhavam sua letra e à veracidade da história.
Escreveu apenas uma palavra no fax: “Sim”.
Desde que entrei na Saatchi & Saatchi, faço centenas de apresentações no mundo inteiro. “Father & Son” é o comercial que deixo para o fim.
Em Dubai, na Dinamarca, Los Angeles, Londres, Nova York, São Paulo, Barcelona e Sidney, a resposta nunca muda. As pessoas acham que esse comercial lhes fala pessoalmente. A história cria uma conexão emocional profunda.
Nosso cliente queria um país mais conectado – Cat Stevens interpretou a canção. O álbum com seus maiores sucessos entrou na lista dos dez CDs mais vendidos na Nova Zelândia, um mês depois do lançamento do comercial.
—-
Assista abaixo:
O anúncio foi premiado com Leão de Prata no Festival de Cannes 2002. Existe um outro comercial desta campanha, “Keep In Touch”, da Telecom Nova Zelândia. Publicarei aqui no Brainstorm #9 em breve.

