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Seek Truth

Segunda-feira, 29 de Agosto de 2005 | 14:40

Não faz muito tempo que fumar era considerado algo bonito. Se alguém queria demonstrar maturidade e status, ou seja, fazer pose, sacava um cigarro do maço e fazia fumaça.

Isso foi construído, acima de tudo, com muita publicidade, seja ela direta ou indireta. Pegue filmes clássicos e você verá o mocinho fumando com toda pompa e fazendo cara de mau. Lembre-se de personagens antológicos do cinema ou TV, e verá que muitos deles tinham o cigarro como companheiro assíduo.

O tabaco foi incorporado a nossa cultura de forma avassaladora, algo que passou a representar valores e enfim tornar-se uma necessidade para muita gente. E como a propaganda nada mais é do que um meio de criar desejo, teve na indústria tabagista uma de suas maiores investidoras.

Pois qual a finalidade de um cigarro? Nenhuma. Compare com outros produtos. Por mais que um comercial anuncie um celular caríssimo com funções que você não precisa, um carro com potência que você nunca vai poder desfrutar, um sorvete delicioso que você não deve se esbaldar de comer, todos esses produtos tem uma finalidade.

O celular de ser um telefone portátil, o carro de lhe servir como transporte e o sorvete como alimento. Mesmo com obsolescência programada, são artigos que continuam desempenhando seus papéis principais. Ok, talvez eu não tenha utilizado os melhores exemplos, mas mostram bem a relação entre outros produtos e o tabaco.

Hoje, graças a muita publicidade, a percepção geral é de que o cigarro faz mal. Ponto. Qualquer um sabe dos malefícios do tabaco, quem fuma conhece bem o que está colocando na boca. E o que a propaganda faz agora, é justamente desmistificar aquilo que construiu durante décadas. Milhões são gastos em campanhas governamentais de conscientização quanto ao uso do cigarro.

Resultado: fumar nos dias de hoje é considerado algo feio, careta, fora de moda, um vício terrível. Quem fuma não acha mais bonito fumar, luta pra parar ou, senão quer parar, sabe que seria melhor não estar fumando. Fumantes tem espaço próprio em restaurantes, não são bem-vindos em teatros, cinemas, shoppings, empresas e etc.

Esse é um assunto que com certeza rende muito debate. Podemos falar das outras drogas, de que álcool é bem pior que cigarro e por aí vai. Mas o que interessa aqui é o ponto de vista da comunicação, que hoje com os dados alarmantes sobre as mortes e doenças causadas pelo tabaco, precisa desesperadamente provar o contrário daquilo que mostrou durante anos.

São incontáveis as campanhas contra o tabaco, você mesmo deve se lembrar de várias delas, tanto no Brasil como em outros países. Porém, nenhum governo ou organização faz isso tão bem e em dimensões tão grandes como a American Legacy Foundation.

Criada em 1998, a fundação tem um foco muito definido: construir um mundo onde os jovens rejeitem o tabaco e qualquer um possa parar de fumar. Dentre muitas campanhas, como “Great Start” e a “Women & Smoking”, a que mais se destaca é a “Seek Truth”. Mais do que uma simples campanha, esta se tornou uma marca.

A American Legacy Foundation começou suas atividades com dados nada agradáveis nas mãos. Nos EUA, doenças relacionadas ao cigarro são a causa número 1 de mortes que poderiam ser plenamente evitáveis. O tabaco mata mais americanos por ano do que AIDS, homicídio, suicídio, acidente de carro, incêndio e drogas ilegais, juntos. E mais de 80% de todos os fumantes começam o vício antes de completarem 18 anos.

Mas mudar esse quadro é um desafio que parece impossível. A grande indústria do tabaco gastou, apenas em 2001, 11 bilhões de dólares no marketing de seus produtos. Como lutar contra isso com apenas uma fração desse montante?

As agências Arnold Worldwide e Crispin, Porter & Bogusky se uniram em Fevereiro de 2000 e lançaram a campanha “Seek Truth”. O objetivo não é repetir o que muito já foi dito sobre os males do tabaco, mas mudar o pensamento baseado em publicidade dos jovens.

É uma campanha pró-conhecimento, pois entende que jovens são espertos e odeiam ser manipulados por pessoas mais velhas. Ao invés de mostrar apenas conseqüências do cigarro, tenta fazer os jovens se confrontarem consigo mesmo e a tomarem uma decisão informada sobre o hábito de fumar.

Fatos. É nisso que se baseia a campanha, pois para a American Legacy Foundation, os fatos são suficientemente cruéis para fazer um jovem se rebelar contra a indústria. Mostrar ao jovem que ele deve estar aberto e buscar novas sensações é o que pretendem os criativos da Arnold e CPB, pois o “diga-não-ao-cigarro” é uma estratégia que não funciona e nem nunca funcionou.

E quando digo que a “Seek Truth” se tornou uma marca, é porque ela foi pensada assim desde o início. Os jovens entendem que mais do que dizer a eles o que fazer, a campanha faz também.

No lado racional dessa equação, a “Seek Truth” revela fatos e informações honestas sobre a indústria do tabaco e traz a tona a realidade e conseqüências sobre fumar. Ela coloca os jovens no controle. Emocionalmente, a campanha é sobre ser inteligente, arriscado, tomar o poder, ser independente e tolerante.

Os resultados são promissores. O fumo entre os jovens caiu 39%, atingindo o nível mais baixo em 28 anos. O Ministério de Saúde Pública americano anunciou em Fevereiro desse ano que a campanha “Seek Truth” é diretamente responsável por uma quantidade significativa de jovens que pararam de fumar. Em números, isso representa menos 300 mil jovens fumantes apenas em 2002.

58% é o recall da campanha entre os jovens americanos. 65.7% deles concordam “Truth é legal” e 76.5% dizem que os anúncios da campanha são melhores do que outros que viram sobre fumo e cigarro.

Ok, você achou a idéia muito legal e os resultados realmente excelentes. Mas afinal, como tornaram uma campanha anti-fumo uma verdadeira marca entre os jovens? Com muita ousadia, ações de guerrilha e uma comunicação que fala diretamente ao mesmo tempo com a emoção e pensamento do jovem.

Mais do que anunciar, a American Legacy Foundation foi as ruas e colocou pessoas comuns como porta-vozes da campanha. Existem dezenas de anúncios/ações diferentes que colocaram a “Seek Truth” em prática. O que vou mostrar aqui são apenas alguns exemplos de como as duas agências criaram esse case histórico.

Uma das mais recentes iniciativas da campanha foi ao ar em Novembro do ano passado. Em formato de perguntas e repostas, a ação consistia no seguinte: uma tribuna com microfone e a letra “Q” de “question” de um lado, e do outro uma tribuna com a letra “A” de “answer”.

Uma pessoa subia até a tribuna “Q”, fazia uma pergunta e aguardava a resposta do outro lado. Um dos exemplos desta ação é o filme “Voice” (4.43 MB - .mov).

Aqui, atrás da tribuna de perguntas foi colocado um banner com a reprodução de um anúncio de cigarro, onde uma bela mulher é acompanhada do texto: “Find your voice” (Encontre sua voz). Então, uma senhora que teve sua laringe retirada sobe no palanque e pergunta: “É essa a voz que você espera que eu encontre?”

As cenas foram filmadas em frente ao edifício de uma indústria de tabaco não revelada em Nova York. No caso, é a Phillip Morris.

Assim como muitos outros filmes da campanha, “Voice” foi extensivamente premiado ao longo desse ano: Leão de Prata no Festival de Cannes 2005, Prata no CLIO Awards 2005, Bronze no The One Show 2005, Ouro no Art Directors 2005.

Outra ação que ficou bastante conhecida colocou uma multidão de “1200″ (4.9 MB - .mpg) pessoas protestando em frente ao prédio de uma indústria de tabacos. 1200 é a quantidade de pessoas que o cigarro mata em um único dia.

Quando todas estavam reunidas, “caíram mortas” no chão. Um homem segurava uma placa que dizia: “Tobacco kills 1200 people a day, ever think about taking a day off?” (Tabaco mata 1200 pessoas em um dia, alguma vez você pensou em tirar o dia de folga?”)

O anúncio/ação foi premiado com Leão de Prata no Festival de Cannes 2004, Ouro no The One Show 2004, Prata no Andy Awards 2004 e Ouro no The Cresta Awards 2004.

O comercial/ação “Horn” (5 MB - .mpg) é um dos que mais gosto dessa campanha. Tanto pelo impacto causado como a maneira que as pessoas são pegas de surpresa na rua.

Aqui um rapaz toca uma buzina cada vez que o cronometro atinge 8 segundos. Enquanto isso acontece, outros dois jovens entregam um folheto para as pessoas nas ruas que diz: “A cada 8 segundos morre uma pessoa no mundo vítima do tabaco”.

“Horn” foi premiado com Prata no The One Show 2004 e Bronze no Andy Awards 2004.

Em “Dog Walker” (890 KB - .mov) , dois jovens procuram fezes de cachorro nas calçadas e colocam uma plaquinha que diz: “Amônia é encontrada em côco de cachorro. Empresas de tabaco vendem isso em cigarros.”

O filme destaca uma pessoa que abaixa para olhar e finaliza com o título: “Knowledge is contagious” (Conhecimento é contagioso).

Outro ação que vai na linha de infectar conhecimento é a “Squadron” (648 KB - .mov). Aqui dezenas daqueles aviões com faixa de publicidade cruzam os céus do litoral ao mesmo tempo mostrando os ingredientes contidos num cigarro.

Em “Survey” (1.7 MB - .mov) , diversas pessoas são entrevistadas nas ruas e perguntadas se conhecem alguém que foi afetado pelo tabaco. E em “Body Bags” (2.2 MB - .mov) 1200 sacos com “cadáveres” são colocados em frente a uma grande empresa de cigarros.

A ação/anúncio “Hair” (1.7 MB - .mov) raspou o cabelo de jovens nas ruas para alertar sobre o cancêr. Em “Epidemic” (2.37 MB - .mpg) máscaras eram distribuídas as pessoas com a mensagem: “50 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de fumo passivo”.

A indústria do tabaco precisa de novos consumidores para repor aqueles que são mortos pelo seu produto. O anúncio/ação “Replacement Smokers” (5 MB - .mpg) mostra alguns jovens colocando manequins nas ruas, em frente uma empresa de cigarros, que representam esses consumidores substituídos. No final, uma jovem garota aparece dizendo que não existe um substituto para seu pai que morreu vítima de efizema pulmonar.

A peça foi premiada com Leão de Prata no Festival de Cannes 2004, Prata no The Show 2004 e Prata no Andy Awards 2004.

A ironia do comercial “Shards O’Glass” (2.4 MB - .mpg) é sensacional. Ele mostra uma empresa fictícia que vende sorvete com cacos de vidro e compara as indústrias indiretamente dizendo: “o que aconteceria se todas as empresas de tabaco vendessem produtos como tabaco?” E em “All Our Kids” (1.63 MB - .mov) um rapaz alerta sobre as consequências do fumo passivo em crianças enquanto uma máquina arremessa berços com bichos de pelúcia dentro.

Bom, como eu disse anteriormente, isso tudo é apenas uma amostra das ações e comunicação da campanha “Seek Truth”. Seguindo a mesma linha, existe muita mídia impressa e externa que literalmente invadiram a vida dos jovens americanos.

Analise as campanhas anti-fumo que você já viu e compare com essa da American Legacy Foundation. Compare a maneira de se comunicar e tente imaginar os resultados. Qual você acha mais eficiente?

A diferença é que a “Seek Truth” não é uma campanha que dá ordens, que faz sermão. Ela envolve o público a qual é destinada, o chama para participar e se coloca como uma marca que está do lado do jovem, pensando como ele.

Além disso, o que me faz definir a “Seek Truth” como um case histórico não são apenas seus resultados, forma de comunicar ou prêmios, e sim a maneira como as mídias são integradas. Tudo está interligado, nada está sendo dito da boca pra fora. Existe um apoio para cada ação, seja na internet, mídia impressa ou televisiva.

É muito gratificante ver tudo isso sendo usado por uma boa causa, mas podemos chegar a conclusão de que é a publicidade lutando contra ela mesma. Porém, acredito que esse é o caminho: informar os consumidores de todas as maneiras, armá-los de todos os fatos e argumentos e, no fim das contas, cada um decida o que quer fazer de sua vida, sem que isso, é claro, interfira na dos outros.

Não acho que ser contra algum tipo de comunicação resolva o problema, isso é tentar jogar a sujeira debaixo do tapete. O que resolve é conscientização das pessoas. Não ter apenas uma fonte de informação e procurar saber várias opiniões. Do contrário, você está morto

Atalho para os filmes:

| “Voice” (4.43 MB - .mov) | “1200″ (4.9 MB - .mpg) | “Horn” (5 MB - .mpg) | “Dog Walker” (890 KB - .mov) | “Survey” (1.7 MB - .mov) | “Squadron” (648 KB - .mov) | “Body Bags” (2.2 MB - .mov) | “Hair” (1.7 MB - .mov) | “Epidemic” (2.37 MB - .mpg) | “Replacement Smokers” (5 MB - .mpg) | “Shards O’ Glass” (2.4 MB - .mpg) | “All Our Kids” (1.63 MB - .mov)

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Categorias/Tags: American Legacy Foundation, Outdoor/Guerrilha, Social e Meio-Ambiente
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  • 2004: Não tenha medo — Vejam que incrível a simplicidade desse anúncio. É mais um daqueles que a gente olha e diz: “Como que eu [...]

“Reason why” você fala assim?

Domingo, 28 de Agosto de 2005 | 23:44

Eu não resisto a anúncios que fazem paródia do estranho mundo de criar anúncios. As pessoas que não são ligadas a área de comunicação certamente não acham a mínima graça, mas eu me esbaldo com a ironia de peças que satirizam a publicidade.

Essa recente campanha criada pela Young & Rubicam para a Miami AD School é um ótimo exemplo disso. Os anúncios divulgam o curso de Planejamento de Comunicação

É praticamente um vício. Quem vive dentro de uma agência, precisa tomar cuidado para não falar coisas como “reason why”, “target”, “call to action”, “briefing”, “job”, “brand linkage” e tantos outros na “vida lá fora”.

Aliás, você pode aproveitar os comentários ai embaixo e dizer quais termos utiliza ou já ouviu dentro da agência em que trabalha. Tenho certeza que vão aparecer muitos.

O título das peças diz: “Não adianta planejamento sem saber como usar”.

Em tempo, quem se interessar pelo curso da Miami, que parece ser fantástico, tem que estar preparado para desembolsar quase 7 mil reais. São 3 meses de duração. Com aulas nas noites de quinta e sexta e sábado o dia todo. Um golpe fatal no bolso e na vida social.

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Categorias/Tags: Diversos, Impresso/Print, Serviços
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Brain#9 2.0

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 | 15:31

Post inaugural dessa nova fase do Brainstorm #9. Ainda estou fazendo mudanças e ajustes, mas basicamente o site vai ser assim.

Mais leve, mais limpo, com bastante espaço em branco. É tudo questão de costume, logo vocês vão estar gostando desse novo site também. :)
A frase do Winston Churchill faz falta mesmo, vou tentar encaixá-la em algum lugar. O topo pode mudar de vez em quando.

Quanto ao banner lá em cima, vai ser desse tamanho mesmo. Bonitão. E tem também os banners do Google ai na lateral direita. Continuem clicando. ;)
A seção “Arquivo” ganhou uma turbinada. Agora a divisão mensal indica quais posts contém em cada mês, e tem tambem a divisão por segmentos e clientes que agora mostra a quantidade de posts em cada uma.

As sugestões de livros foram parar numa seção específica, a “Biblioteca”. E todas as cotações de filmes, livros, música e etc ficarão arquivadas na seção “Cotações #9″

Críticas e sugestões são bem-vindas, sempre.

Logo mais tem atualização. Abraço

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Categorias/Tags: Diversos
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PS2 Bubbles

Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005 | 16:06

Plástico bolha é viciante. 9 de cada 10 pessoas quando se deparam com um desses ficam estourando as bolhas até cansar os dedos. Impossível parar.

Playstation 2, segundo a Sony, também é viciante. Quem começa não consegue parar de jogar.

Então, juntando as duas coisas e um ponto de ônibus, a Mccann-Erickson da Malásia criou uma peça que é quase um evento.

O plástico bolha tem os desenhos do controle do Playstation 2. Logo, quem vê chega a irremediável conclusão dita acima: PS2 é viciante.

Intitulado de “Bubbles”, a peça foi premiada com Bronze no The One Show 2005 na categoria Inovação em Marketing e Bronze no Asia Pacific Advertising Festival 2005.

Categorias/Tags: Audio, Video e Foto, Entretenimento, Outdoor/Guerrilha, Sony Playstation
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The big, big ad

Terça-feira, 23 de Agosto de 2005 | 11:53

A cada dia que passa tenho uma estranha sensação de que tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas que não estamos aproveitando. Talvez porque, justamente pelo volume, nunca nem daremos conta de perceber tudo, de ver tudo. Mas de qualquer forma ainda podemos fazer mais.

Já virou chavão dizer isso, mas não tenho dúvidas dessa revolução que estamos vivendo atualmente. A tecnologia está mudando drasticamente a nossa maneira de viver e de se comunicar com o mundo. No momento em que você lê essas linhas, existem milhões de pessoas produzindo conteúdo e registrando o que acontece a seu redor, e disponibilizam tudo online em blogs, sites, álbuns de fotos e etc.

As pessoas não são mais passivas, estão criando, produzindo, se comunicando. E isso muda tudo. Muda a maneira como tratamos as informações, como lidamos com esse conhecimento novo, muda o mercado, muda nossas vidas.

Porém, o que me parece é que a maioria dos velhos executivos de propaganda ainda insistem em permanecer completamente alheios a essa nova realidade. Vários já reconheceram essa mudança desde o início, outros nasceram nela, outros tantos estão percebendo e mudando agora, mas acreditem, muitos ainda não sabem o que está acontecendo lá fora (ou aqui dentro, a definição disso não é fácil).

A J. Walter Thompson, que agora prefere ser chamada simplesmente de JWT, demorou, mas mudou. Com 141 anos de história, presença em 87 países, mais de 8.5 mil funcionários e faturamento de 7,7 bilhões de dólares em 2004, finalmente essa gigante da publicidade resolveu acordar.

Deu no Valor Econômico de hoje, Bob Jeffrey, presidente mundial da JWT, disse: “As pessoas não têm mais tempo e por isso as campanhas publicitárias precisam ser cada vez mais direcionadas”. Ponto pra ele, mas com atraso, porque muitas pessoas já estão explorando isso e com muito sucesso.

Hoje não adianta mais torrar milhões em comerciais de 30 segundos e achar que com isso está cobrindo o mundo. Isso é jogar o dinheiro do cliente no lixo. Hoje tem muitos clientes ensinando publicitários a comunicar, pois já sacaram que dá pra fazer muito investindo menos.

O consumidor está em todo lugar e precisamos utilizar os mais variados meios para chegar até ele. Porém, lembre-se, sem chateá-lo. Se encher o saco, ele cai fora. Se for exigir muito tempo, ele desiste.

A comunicação tradicional está sendo a cada dia ultrapassada por ações focadas em experiências de marca. Como eu já disse muito aqui no Brainstorm #9 e repito, hoje é preciso entreter o consumidor, criar vínculos emocionais de amor, lealdade, respeito, credibilidade.

Quem ainda dúvida de que a internet seja crucial nesse processo? A JWT talvez acreditava que 30 segundos na TV valiam mais, mas agora vai fazer diferente com a Ford, um de seus maiores clientes.

Pela primeira vez em sua história, o lançamento de um carro não se iniciará com uma campanha publicitária tradicional, com TV, mídia impressa e etc. Para antecipar o lançamento do Fusion, nos Estados Unidos, a JWT criou um site e, em parceria com a Sony, vai fazer uma série de shows com bandas de rock.

Ousado? Sem dúvida. Mas não é nenhuma novidade para quem é minimamente conectado. Não é preciso ir muito longe e nem tomar como um exemplo um cliente tão grande para mostrar isso.

Nas últimas semanas, a cerveja australiana Carlton Draught tem invadido os computadores de muita gente. Antes de a campanha estrear na TV, mais de meio milhão de pessoas já tinham visto o novo comercial da cerveja criado pela agência George Patterson Partners.

É o poder do marketing viral atrelado a uma palavra que resume tudo: entretenimento. Divulgado em blogs, emails, comunidades virtuais, fóruns, o anúncio da Carlton circula o mundo e agora figura entre os grandes cases de sucesso na internet, ao lado do já clássico Subservient Chicken do Burker King. (go veg!)

Os números provam que essas campanhas foram além de ser uma piada que agrada exclusivamente a elite publicitária do mundo, elas caíram no gosto do público. As pessoas gostam de partilhar divertimento e passam pra frente o que gostam.

O que torna “Big Ad”, o anúncio da Carlton, atraente, é que é uma paródia dele mesmo. Isso está longe de ser novidade, mas o conteúdo agrada, o que aparece na tela é diferente e o formato facilita a “viralização”.

De acordo com relatório da ACNielsen, a Carlton Draught está crescendo rapidamente como marca na Austrália, tanto em volume quanto valor. Isso não significa que as vendas deram um salto enorme, mas as pessoas estão falando, estão comentando e essa é a direção certa.

No Brasil, a Kaiser está tentando o mesmo. Tem uma campanha que agrada, um site bacana, virais ocultos por aí, patrocínios diferenciados e até entraram na onda dos podcasts. Como a intenção deles é aumentar a percepção de marca, criar valor, cativar o jovem, mostrar que Kaiser não é só uma cerveja, é muito mais, parece que estão no caminho certo. Vamos ver no que dá.

Voltando ao “Big Ad”: Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.76 MB.

Categorias/Tags: Bebidas Alcóolicas, TV/Film
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Beach Funeral

Domingo, 21 de Agosto de 2005 | 23:03

Apesar do humor nesse caso me parecer um pouco forçado para um assunto tão sério, o anúncio não deixa de ser interessante.

Criado pela Euro RSCG de Nova York para a The Skin Cancer Foundation. A assinatura diz: “O câncer de pele mata mais mulheres do que qualquer outro câncer. Proteja-se.”

Categorias/Tags: Impresso/Print, Social e Meio-Ambiente
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Playboy Cake

Quarta-feira, 17 de Agosto de 2005 | 0:46

Tá certo que o ensaio da Grazi não passou de propaganda enganosa, mas os anúncios do ensaio criados pela Young & Rubicam foram bacanas.

Principalmente esse aí embaixo, ressaltando os 30 anos da Playboy.

Categorias/Tags: Impresso/Print, Publicações e Veículos de Comunicação
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Father & Son

Domingo, 14 de Agosto de 2005 | 13:15

Aproveitando o dia de hoje, vou transcrever aqui um texto do CEO Mundial da Saatchi & Saatchi, Kevin Roberts, que fala sobre a emoção, sobre como podemos e devemos despertar os sentimentos nas pessoas.

Como sempre, o download do comercial está no fim do post. Divirtam-se.

——

Cat Stevens foi um mega-star da década de 70 com sucessos como “Moonshadow”, “Morning Has Broken” e “Peace Train”. Em 1977, converteu-se ao islamismo, mudou seu nome para Yusuf Islam e abandonou a música.

Desde então dedica-se a atividades beneficentes e educacionais em prol da religião. É muito cauteloso quanto ao uso de suas músicas. Muitas delas abordam temas de sua vida anterior à conversão, e Stevens não quer mais ser associado a eles. Não é de surpreender que nunca tenha permitido que qualquer de suas canções fosse usada em comerciais de televisão.

Quando o pessoal de criação da Saatchi & Saatchi Wellington pôs na cabeça que queria usar determinada música de Cat Stevens em um comercial, a primeira reação foi “achem outra”. O problema é que a canção era absolutamente perfeita: “Father and Son”.

Já fui como você agora
e seu que não é fácil ficar frio quando se descobre
que alguma coisa está acontecendo.
Mas dê um tempo, pense muito
Pense em tudo que você tem.
Amanhã você ainda estará aqui
mas seus sonhos talvez não.

Nosso pessoal não queria usar a música apenas como fundo. A canção era a história. Um retrato emocional da relação mais especial que existe - um pai e um filho crescendo juntos, do nascimento até a velhice.

O cliente era a Telecom Nova Zelândia. Assim como muitas outras companhias de telecomunicações, ela nunca dera muita atenção para a emoção. Essas empresas enfrentam uma pressão violenta a cada minuto, todos os dias. A indústria como um todo vive um pesadelo de diminuição nos lucros, competição, mudanças inesperadas na tecnologia, expectativas crescentes do consumidor. Elas geralmente não vêem os sentimentos das pessoas como prioridade.

Mas a Telecom Nova Zelândia constituía um monopólio, e agora confrontava a concorrência com energia. Eles eram audazes e gostavam de desafios. Sabiam que, quando você age como uma commodity, acaba sendo tratado como tal - aquele antigo ciclo vicioso. Esqueça ser amado; é difícil conseguir até mesmo um pouco de respeito na rua.

Em alguns lugares teria sido o fim da história, mas nosso pessoal considerou a idéia de um desafio. Eles de fato acreditavam que nada é impossível. Elaboraram um apelo passional a Yusuf. Sabiam que ele nunca havia dado permissão, mas isso foi antes.

Nosso pessoal grampeou o coração na carta e aguardou. Semanas mais tarde, quando a equipe na sala de mixagem ansiava ao menos por uma resposta, ouviu-se o farfalhar de um fax. Vinha de Yussuf. Ele se rendeu às imagens que acompanhavam sua letra e à veracidade da história.

Escreveu apenas uma palavra no fax: “Sim”.

Desde que entrei na Saatchi & Saatchi, faço centenas de apresentações no mundo inteiro. “Father & Son” é o comercial que deixo para o fim.

Em Dubai, na Dinamarca, Los Angeles, Londres, Nova York, São Paulo, Barcelona e Sidney, a resposta nunca muda. As pessoas acham que esse comercial lhes fala pessoalmente. A história cria uma conexão emocional profunda.

Nosso cliente queria um país mais conectado - Cat Stevens interpretou a canção. O álbum com seus maiores sucessos entrou na lista dos dez CDs mais vendidos na Nova Zelândia, um mês depois do lançamento do comercial.

—-

Assista abaixo:

O anúncio foi premiado com Leão de Prata no Festival de Cannes 2002. Existe um outro comercial desta campanha, “Keep In Touch”, da Telecom Nova Zelândia. Publicarei aqui no Brainstorm #9 em breve.

Categorias/Tags: TV/Film, Telecomunicações
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