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O velho Spielberg

Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 | 2:31 am

A técnica de Spielberg em construir cenas embasbacantes é irreprensível. Ele fez fama surpreendendo o público e seus filmes não eram apenas filmes, eram eventos aguardados ansiosamente por meses. Não só as que dirigia, mas qualquer produção em que estivesse envolvido era sinônimo de uma viagem de duas horas numa montanha-russa desgovernada.

Porém, com o tempo Spielberg foi deixando a megalomania um pouco de lado para se envolver em temas mais profundos. Mesmo quando era grandioso e edificante, nunca se equiparava ao que tinha feito antes. O diretor andou por vários terrenos, como o policial comedinha, épicos de guerra e comédia romântica.

E “Guerra dos Mundos” é justamente a volta de Spielberg aos seus dias de megalomania. É o diretor mostrando novamente como fazer o público ficar de queixo caído. Tudo muito grandioso e surpreendente, mas com pouco que sobra no final.

“Guerra dos Mundos” é como um ovo de páscoa sem bombom dentro. Impressiona pelo tamanho, mas perde a graça depois de aberto. Não nego que é um filme que marca, tem cenas inesquecíveis, mas quando pode começar a traçar um paralelo com a nossa realidade, Spielberg muda o foco.

Muitos críticos disseram que Spielberg se acovardou. Discordo, pois como o próprio diretor disse, nem era a intenção fazer o filme ter qualquer tipo de mensagem. “Guerra dos Mundos” é diversão por diversão e ponto final, não espere mais nada.

E como Spielberg sabe muito bem lidar com alienígenas e entretenimento, faz dos Tripods imaginados por H.G. Wells alguns dos seres mais assustadores que já apareceram na tela grande. “Guerra dos Mundos” faz “Independence Day”, por exemplo, virar um filme dos Muppets.

Os extra-terrenos acabam com tudo sem dó nem piedade e a sirene que emitem antes de cada ataque faz arrepiar qualquer um. Eles são as estrelas do filme, apesar da atuação incrível de Dakota Fanning. Aliás, a menina nos surpreende em cada novo filme que aparece.

Efeitos digitais absolutamente realistas e um Spielberg que se permite auto-referenciar e beber de outras fontes muitas vezes. A cena na casa da Tim Robbins é muito similar ao que vimos no maravilhoso “Sinais” de Shyamalan, por exemplo, com direito a escuridão e tudo.

Spielberg também controla cada detalhe com maestria. Acerta ao permanecer o tempo tudo mostrando o acontecimento pela ótica de uma família, e não apelar para cenas que mostrem o resto do mundo sendo atacado. É como se o próprio espectador também estivesse no meio da história.

E o que ele faz com a camera na cena em que Cruise está no carro fugindo com os filhos é fantástico. Ao longo de “Guerra dos Mundos”, você vai encontrar muito mais cenas para comentar durante algum tempo após a sessão, mas acaba aí.

Os humanos sendo jogados em gaiolas e usados como coisas pelos Tripods, assim como fazemos com muitas espécies aqui na Terra, daria muito pano pra manga, mas Spielberg prefere deixar isso pra lá. Quando a filha de Cruise pergunta se são os terroristas, seria uma ótima hora para confrontar a política do medo americana, mas o diretor também muda o foco para um pouco mais de transeuntes sendo desintegrados.

Mas o que falta no conteúdo, sobra na manipulação que o diretor faz na tensão e nervosismo do público. Sobra em imagens grandiosas e que resumem a que ponto a tecnologia se encontra. Se você quer o Spielberg que se acostumou a ver na infância, vai se sentir em casa com “Guerra dos Mundos”.

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Caregorias/Tags: Cinema
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22 Comentários para “O velho Spielberg”

  1. Fabio Costa:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 18:16

    Bem legal sua crítica, me deixou com mais vontade de vre, pois quero rever o Spielberg dos velhos tempos…

    E o Madagascar? vc não viu? Queria ver uma crítica sua a respeito..

    abs


  2. camila:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 18:35

    Mais propaganda!!!!! pleaaaaaaaaaaase
    bjuxxx


  3. márcio:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 19:27

    Então, Carlos, Guerra dos Mundos é puro cinema. Não tem aquela pretensão de passar uma mensagem profunda ou alfinetar instituições, nem nada disso. É uma viagem de montanha russa, como você definiu bem, e me parece que o maior objetivo de spilberg ali foi fazer o que ele sabe de melhor, que é usar com maestria os efeitos especiais, criando uma atmosfera que só se é capaz de se ver no cinema. Bem diferente do drama de um homem perdido em um país estranho, etc, como em “O Terminal”, onde spilberg quis dar uma da Capra e foi só legalzinho. Confesso que prefiro o Spilberg megalomaníaco, o doido varrido tipo Frankstein que dá vida a coisas bizarras. Assim ele é o bom e velho Spilberg, doutro jeito, de qualquer outro jeito, é só mais um bom diretor. Esse é o Spilberg de De Volta para o Futuro, de Indiana Jones, de Tubarão e de Jurassic Park em sua melhor forma. O cinema é a arte dos olhos, não do intelecto, como já dizia lfv depois de ver um filme tão despretenciosamente empolgante como Guerra dos Mundos. Confesso que você não se rendeu ao impulso de todo crítico de ser um crítico. Eu encontrei o doce no ovo de páscoa ali, rapaz, com direito a calda de caramelo e com sutis nuances de amendoim e tudo o mais.


  4. Thiago Cruz:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 20:03

    Depois de Guerra dos Mundos, pude mais uma vez confirmar que, Spielberg, realmente, quer sempre fazer E. T. um jovem benevolente que deseja voltar para casa.

    Merigo, seria clichê comentar que admiro seu trabalho. Já ouvi até comentários do tipo… “esse cara ta fazendo uma Archive brasileira”.

    Abraço.


  5. Cesar:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 20:38

    Eu assisti o filme, achei marcante e consegui entender o final. Não por ser dificil de entender, mas por fazer vc pensar.. spilberg faz-nos ficarmos tentados com a maravilha de te-lo novamente conosco, com seus efeitos especiais de deixar qualquer um maluco, com seus takes sensacionais, por saber a hora de revelar qualquer coisa.. simplesmente fantástico o filme.

    Fiquei muito feliz de ver o antigo apilber de volta!
    Ele arrasou.


  6. Pedro Marques:
    Segunda-feira, 4 de Julho de 2005 - 22:33

    Ei cara que não sei o nome.. (sim, é vocês mesmo, o dono do Brainstorm9), gostaria de discordar com sua crítica e dizer que o velho Spielberg não está mesmo neste novo filme.

    Você já assistiu a “O Tubarão”, no qual, era criado um clima de suspense que deixou muita gente sem entrar no mar durante muito tempo? E “Encurralado”, seu filme de estréia? Onde, mesmo com muita simplicidade nas locações, Spielberg conseguiu criar uma das obras mais marcates e, com certeza, um dos melhores `road movies` já feitos? Conhece o Spielberg de “A Cor Púrpura”, onde apresentou que sabe muito bem lidar com dramas sentimentalóides e arrancar lágrimas dos expectadores?

    Definitivamente não é este Spielberg que conheço de antigamente, com coragem de tratar temas de forma mais aprofundada e não fazendo apenas um desfile de efeitos especiais. Por favor Spielberg, volte à antiga forma, ousando mostrar assassinatos à sangue frio como em “A Lista de Schindler”, o horror que uma guerra pode proporcionar como em “O Resgate do Soldado Ryan”, ou, quem sabe até, uma empatia maior com o público como em “Prenda-se se For Capaz”. No mais, me despeço na esperança, não de ter feito você mudar de idéia, mas fazer com que olhemos as coisas com mais senso crítico. Abraços e parabéns pelo site ;)


  7. RIBEIRO:
    Terça-feira, 5 de Julho de 2005 - 8:30

    ENTÃO ASSISITI AO FILME. PORÉM NÃO ENTENDI O QUE SPIELBERG QUIS DIZER COM O FIM… SERÁ QUE ELE DIZ QUE SEM ÁGUA TODOS IREMOS SUCUMBIR???? ESPERO UMA RESPOSTA. THANKS


  8. Paulo Ditarso:
    Terça-feira, 5 de Julho de 2005 - 8:48

    Eu assisti nesse findi, e sinceramente, fico com o comentário do Pedro Marques. Para aqueles que tem sede de informação, o site que li a crítica mais bola dentro tá no omelete. Eu li a crítica depois de ter visto o filme.Olha que eu estava doido pra ver algo de crítica do filma na segunda aqui no site!


  9. Julio Santiago:
    Terça-feira, 5 de Julho de 2005 - 8:55

    Concordo com Pedro Marques.
    Tb não vejo o velho Spielberg nesse novo filme.
    As cenas são fantásticas e não tirei os olhos da tela… pelo menos no começo do filme. Depois, o filme perde conteúdo e fica só no visual.
    Alguns cliches são facilmente notados e Spielberg não demonstra toda sua ousadia.

    Dakota Fanning é a melhor coisa desse filme, sem dúvida.

    Abraços


  10. Mauricio:
    Terça-feira, 5 de Julho de 2005 - 13:03

    Não gostei não. Gostei mais de Independence Day.
    Em ID os aliens são mais “inteligentes” e maus, as naves gigantescas que destroem TUDO são muito mais assustadoras e impõem muito mais respeito que os tripods.

    E a covardia de Spielberg apontada pelos críticos foi justamente a de filmar uma carnificina como se fizesse um filme p/ crianças. Onde já se viu um avião derrubado, bagagem p/ todo lado e praticamente nenhum vestígio de corpos?!? Me poupem…

    Sinais e ID são melhores, em cada uma de suas visões, do que GdM.


  11. Pádua:
    Terça-feira, 5 de Julho de 2005 - 22:44

    Acabei de assitir ao filme. Confesso que, fora os efeitos especiais e a qualidade das cenas, não há mais nada para ser apreciado. É um ataque sem pé nem cabeça, por bichos que ninguém sabe porque vieram, que não pensam duas vezes em destruir tudo que está pela frente, menos quando o Tom Cruise e sua filha estão por perto. O filho dele aparece no final Deus (?) sabe como e muito menos se sabe como aqueles bicho enormes e indestrutíveis morrem no final (e não me venha, Spilberg, tentar convencer com aquela justificativa esfarrapada do fim). Pareceu que ele criara monstros tão indestrutíveis que teve que arrumar alguma maneira pra aqueles bichos morrerem e assim terminar o filme. Enfim, o sem consistência e sua argumentação para a sucessão dos fatos não convence. É fraquíssimo. SPILBERG, QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA!


  12. Diego:
    Quarta-feira, 6 de Julho de 2005 - 0:06

    Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelos brilhantes comentários. Tão brilhantes que até esse momento, não ousei discordar de você um minuto sequer.
    Porém, esse filme de Spielberg não se revelou tão brilhante para mim quanto para você. Saí do filme com vontade de xingar Spielberg por não ver sentido algum no final. Achei infeliz terminar uma obra tão empolgante dessa forma; penso que ele quis terminar o filme da mesma maneira com que H.G. Wells o fez com seu livro ( apesar de não tê-lo lido ), fazendo o leitor, no caso espectador, ficar remoendo a história, ficar maquinando em sua mente o motivo de tal acontecimento, ou mesmo sentir um baque e sair mudo da sala. O final foi péssimo, se havia alguma mensagem, não consegui capitá-la, apesar de tê-lo entendido ( ou não ).
    Venho também reiterar fatos supracitados - campo magnético não combina com câmera funcionando, será que seria pelo fato dela ser digital?!; avião caiu e nenhuma vítima, sem sangue, sem nada?; e o teletransporte do filho do Cruise?
    Contudo, é necessário ressaltar cenas como os corpos boiando no rio, toda aquela angústia que sentimos, também a parte das pessoas entrando na frente do carro tentando pará-lo e entrar dentro dele, totalmente sufocante.
    Bem, é isso. Espero ter sido claro com meu comentário e mais uma vez, parabéns pelo site. Se achar que eu realmente não entendi o filme, por favor, ajude-me.


  13. Gustavo:
    Quarta-feira, 6 de Julho de 2005 - 0:20

    Gente, quando forem comentar algum filme, aqui ou onde quer que seja, tentem fazê-lo sem contar partes chave e/ou finais do filme. Tem gente que lê os comentários antes de ver o filme, e assim acaba sabendo o que acontece.


  14. Luís Henrique:
    Segunda-feira, 11 de Julho de 2005 - 13:57

    Assisti o filme ontem e fiquei incomodado. Por isso vim procurar algo a respeito aqui no site.
    Mas mesmo diante de tantas dúvidas e erros devo confessar que concordo com o Márcio em relação ao ponto de que cinema é a “arte dos olhos”. Fazia tempo que não via um filme de entretendimento com cenas tão fortes. O início é puro suspense. A luta pela sobrevivência é sufocante.
    Bem, diante dos problemas e da força das cenas, o balanço, para mim, é absurdamente positivo. É filme para ser lembrado!


  15. Edgar Ascensão:
    Quarta-feira, 13 de Julho de 2005 - 11:40

    Tantas parvoíces juntas, meu DEUS!! O final, para quem não conhece a história original, é o mesmo do livro, ou seja
    *******SPOILER*******SPOILER*********SPOILER*****
    Eles morrem porque estiveram em contacto com o ar e a água da terra demasiado tempo. Os micróbios que para nós são insignificantes, já que estamos imunes a eles - devido a uma evolução humana de milhões de anos - eles estavam “condenados à chegada”… Aprendam lá de uma vez por todas que Spielberg não falha assim de qualquer maneira.
    Ah e a câmara de vídeo pode ter vindo do outro lado da cidade, onde nessa altura não tinha sido ainda afectadapelo electromagnetismo!

    Directamente de Portugal, Edgar Ascensão
    edgar_asc@hotmail.com


  16. Danj:
    Segunda-feira, 18 de Julho de 2005 - 10:55

    apesar das críticas achei o filme fantástico…


  17. Marcelo:
    Terça-feira, 19 de Julho de 2005 - 9:47

    Fala galera do Brainstorm.
    Sou Diretor de Arte, trabalho em Goiânia, Goiás.
    Quero deixar meu registro sobre a Campanha do Viagra criada pela DDB da Bélgica.
    Um dia desses eu tentando organizar minha bagunçada biblioteca, se assim posso dizer, encontrei uma edição da revista ARCHIVE, Vol. 4/2002, e me deparei com uma campanha de anúncios de VIAGRA, feita pela McCann-Erickson de Madri.
    São quase idênticos aos da DDB Bélgica.
    Será mera concidência???

    Abraços.
    Marcelo Dias Borges


  18. Kir:
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