Arquivo para o mês de Maio de 2005
Reino do céu
:: Rapidinho:
“Gladiador” é uma bomba, “Falcão Negro em Perigo” tédio total. Cansado de torrar dinheiro em bobeira, Ridley Scott faz o surpreendente “Os Vigaristas”. Passou voando por aqui, quase ninguém viu, mas é um filme excelente. Será que era hora de Scott abandonar as superproduções?
Não. “Cruzada” estava nos planos. E por incrível que pareça, Scott acertou a mão. Nada muito novo ou excepcional é verdade, mas ainda bom.
:: Agora com mais calma:
Todos os elementos de épicos estão lá. Personagens estereotipados. Uns que só sabem fazer cara de mau e o mocinho que berra palavras de ordens para os soldados sujos e sem dentes.
Frases edificantes, membros da nobreza que traem uns aos outros, a conversinha fiada com o inimigo antes da batalha (que de qualquer forma não será evitada), hordas de guerreiros correndo e cavalos com pêlos brilhantes. Tudo lá.
Mas por incrível que pareça, Scott consegue sair, pelo menos um pouco, da mesmice dos épicos. Não há como deixar de comparar a batalha final de “Cruzada” com “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, mesmo assim tem algo diferente no ar.
Isso graças a fotografia azulada maravilhosa e a estética típica dos filmes de Ridley Scott. Ao contrário do irmão, Tony Scott, que exagerou nas trucagens de câmera de “Chamas da Vingança”, Ridley consegue preencher a tela sem apelar para a “tremilicação”.
Ele utiliza mais uma vez uma variedade de partículas que cruzam a tela, como neve, areia, sangue e etc. Isso dá uma vivacidade incrível em algumas sequências, e nunca é de forma gratuita. Visualmente, é o velho e bom Scott que conhecemos.
Ainda mais se levarmos em conta a monstruosidade que ele consegue conferir aos exércitos e nas cenas que demonstram as táticas de cada lado. E não é nada fácil conseguir, porque depois de “Senhor dos Anéis”, “Alexandre” e “Herói”, o tamanho do inimigo já não surpreende mais o espectador.
Agora, se você quer história, fidelidade aos fatos, desista. Vá procurar um livro sobre o assunto. Porque em “Cruzada”, várias modificações são feitas para auxiliar a narrativa, tornando o filme muito mais ficcional do que se possa imaginar. O melhor é esquecer isso e abraçar a idéia.
Quanto as atuações, apesar de um Orlando Bloom apático, temos participações excelentes de Liam Nesson e Ghassam Massoud, que faz o papel de Saladino. Mas o incrível mesmo é ver como Edward Norton consegue atuar de maneira brilhante mesmo escondido por uma máscara.
Enfim, “Cruzada” vale a pena. Mas não espere encontrar a lição moral anunciada pela campanha publicitária. O problema é que um épico precisa emocionar, precisa fazer o espectador entrar na história e torcer pelo protagonista. Mas isso não acontece.
No clássico “Coração Valente”, por exemplo, quando Willian Wallace grita “freeeeeeeeedom” até os mais insensíveis ficam com os olhos marejados. Em “Cruzada”, na maior parte dos casos, é só indiferença. De qualquer modo, é um bom Scott.
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Red Devils
A seleção de futebol da Bélgica é conhecida como os demônios vermelhos. Apesar de hoje em dia eles estarem mais para diabinhos inocentes, o apelido não saiu de moda e eles se orgulham disso.
A Wieden+Kennedy criou uma campanha para a Nike que faz alusão justamente ao nome. Como uma homenagem a seleção, que em 2002 disputou sua sexta Copa do Mundo consecutiva, foram publicados três anúncios com as estrelas máximas do futebol belga daquele ano.
Em cada peça, um jogador e um título. A de Marc Wilmots diz: “You shall not rest in peace” (Você não deve descansar em paz). No anúncio de Mbo M´Penza: “Don’t play with fire” (Não brinque com fogo). E finalmente, Emile M’Penza e o título: “Prayer won’t help” (Rezar não vai te ajudar em nada).
Agora, presta atenção na direção de arte. Preciso dizer alguma coisa?



Stay at home
Sempre vejo pessoas perguntando: “Qual é o melhor comercial já feito?”. Essa é uma pergunta praticamente impossível de se responder. Certamente existem dezenas, centenas de comerciais que são os melhores já feitos, mas a escolha deles é baseada estritamente em critérios pessoais.
Assim como qualquer lista de melhores de todos os tempos que publicam todo ano, a seleção é completamenta arbitrária. Confesso que adoro devorar essas edições de revistas que trazem: “As 100 melhores músicas de todos os tempos”, “As 50 bandas mais influentes”, “Os 10 melhores filmes” e tudo o que traga um número qualquer seguido das palavras mais, maior ou melhor.
Seja pelo prazer de discordar ou de constatar mais uma que, sim, é impossível fazer uma lista justa. Eu, a lá “Alta Fidelidade”, sempre gosto de eleger os meus TOP5. Mas nunca é definitivo, sou péssimo para fazer escolhas, por isso faço TOP’s todo ano.
A minha lista de “melhores filmes” por exemplo, é gigante. E já que é assim, faz um tempo que parei de tentar classificá-los e simplesmente adiciono os títulos ao que chamo de “meus preferidos”.
Com comerciais faço a mesma coisa. Não escolho o melhor, mas sim aqueles que gosto mais e acabo com a discussão. Um exemplo que não canso de citar aqui é o “Getting Dressed” da Axe/Lynx. Primeiro lugar absoluto do meu TOP5 2004.
Outro que faz parte da minha lista de comerciais preferidos se chama “Le Petit Chef”, criado pela TBWA de Londres para o Playstation. Sou fascinado pela ironia, pelo humor ácido por trás do conceito deste filme.
O anúncio mostra ao espectador os bastidores de um restaurante de primeira classe, onde um chef diabólico dá toques especialíssimos a comida que estão estão prestes a lhe servir.
Começa com a entrada e um tempero especial, depois o prato principal ganha um molho exótico e por fim, a sobremesa flambada num processo que dá um sabor completamente novo.
Pode acreditar que são razões suficientes para você ficar em casa e desfrutar de uma noite muito melhor com o seu Playstation. A assinatura do comercial é o segredo, é o que fecha o conceito e o faz ser engraçado, irônico: “Stay at home” (Fique em casa).
“Le Petit Chef” é um comercial de 1998, e ganhou o Leão de Ouro no Festival de Cannes daquele ano. Sem dúvida, está na minha lista de favoritos.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.63 MB.
Porque o sapo atravessou a estrada?
Mais uma vez eu repito nesse blog: a grande idéia está aí, na sua frente. Só falta você enxergar. Ela provavelmente está no lugar mais simples, porém, ao mesmo tempo, inesperado.
Vou postar aqui mais um exemplo disso: o comercial “Frogger”, criado pela agência alemã NSK Werbeagentur GmbH para o Jeep, marca pertencente a DaimlerChrysler.
Eu sou completamente fissurado nesse fillme. O que mais me surpreende é que ele precisa de apenas 19 segundos para dizer tanta, mas tanta coisa, que eu levaria vários parágrafos descrevendo aqui.
Todo mundo que não viveu em Vênus nos últimos 20 anos, já jogou ou pelo menos viu alguém jogar o clássico do Atari em que um o jogador deve fazer um sapo atravessar a rua. Sim, o famoso “Frogger”.
O que esse comercial do Jeep faz é brincar com esse jogo. Quando você pensa que está num lugar seguro, se enganou. Finaliza com a assinatura “There’s Only One”.
E o legal é isso, a maioria das pessoas sabe do que se trata. Após ver o logo do Jeep aparecer na tela, o espectador consegue em milésimos de segundos fazer toda uma associação e entender a mensagem do anúncio.
E não mostra nada. Não tem pessoas sexys, carros andando na lama, transpondo terrenos acidentados, nem nada. Só um jogo. Pra mim, genial. Mais um comercial que eu gostaria de ter feito.
“Frogger” foi premiado com Ouro no Festival Internacional de Moscou 2004, categoria Automóveis.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 1.57 MB.












