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“É preciso treinar para esquecer aquilo que nos apegamos”

Domingo, 22 de Maio de 2005 | 4:33 am

É até uma covardia fazer tal comparação, pois existem mais de 30 anos de diferença entre os filmes, mas “Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith” é com certeza o melhor capítulo da saga Star Wars.

E não digo apenas em efeitos especiais e direção de arte, que também é impecável neste terceiro ato, mas em roteiro, narrativa e, principalmente, emoção. E o emocional do espectador vai num crescendo, que só falta o coração saltar pela boca.

Depois do fraco “A Ameaça Fantasma” e do quase muito bom “O Ataque dos Clones”, achei que George Lucas não conseguiria atingir o ápice que a série precisava. Mas, me enganei redondamente. “A Vingança dos Sith” não só amarra perfeitamente as duas trilogias, como gera um clímax fantástico.

Sem contar as revelações feitas ao longo do filme, como a grande motivação de Anakin para ceder ao lado negro da Força (motivos que nos fazem gostar ainda mais dele) e a atuação e prepotência dos Jedi. São fatores como esses que criam uma ponte perfeita entre os prólogos e os episódios finais.

A caracterização do General Grievous é fantástica. Puta animação fotorealista. Quem criticou a Industrial Light & Magic queimou a língua. Porque depois da WETA em “Matrix” e “Senhor dos Anéis”, o máximo que a ILM ainda tinha reconhecimento era por conta de sua “filha”, a Pixar.

O trabalho da ILM em “A Vingança dos Sith” é irrepreensível. Muito superior ao exagero digital de “A Ameaça Fantasma”, em que várias cenas pareciam feitas de plástico. A trilha sonora também é excelente, mesclando os antigos sons de Star Wars com novos arranjos.

Esse terceiro episódio é sem dúvida o mais sombrio da série. Envolve conflitos psicológicos pesados e até morte de crianças, algo bem diferente daquilo que vimos nos outros filmes, onde tudo (ou quase tudo) sempre caminhava para o final feliz. Inocência que não acabava mais.

“A Vingança dos Sith” conta com momentos memoráveis, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan, em que o mestre demonstra profunda decepção com seu discipulo, o encontro de Mace Windu com o Senador Palpatine-Darth Sidious e o ataque inesperado aos cavaleiros Jedis, capaz de dar um nó na garganta até daqueles que ainda nem tinham nascido para ver Harrison Ford como Han Solo.

Tudo isso, claro, culminando em uma seqüência absolutamente de tirar o fôlego: quando Darth Vader é derrotado e em seguida mostrado com sua máscara. O momento que é peça central de toda a saga. O motivo de estarmos ali, a transformação intrigante de um rapaz bondoso e apaixonado no tenebroso Vader.

Em “A Vingança dos Sith” poucos momentos são gratuitos. Cada cena, cada fala serve para estabelecer uma ligação com o que já vimos nos outros episódios. E esse é um dos maiores méritos do filme, que consegue aos poucos responder cada pergunta do espectador. Porém, vale ressaltar que também funciona muito bem como um filme sozinho.

O final é em tom profético, e não se poderia esperar outra coisa. O final feliz ficou lá atrás, no velho filme de 1984, que apesar do drama freudiano era muito mais inocente do que esse “Episódio III”.

George Lucas garantiu que agora acabou. Quer fazer outras coisas e que Star Wars só vai continuar fora do cinema, em séries de animação não dirigidas por ele, por exemplo.

Lucas revelou que uma das falas de Yoda no filme é diretamente sobre ele: “É preciso treinar para esquecer aquilo que nos apegamos”. E é uma frase que não serve só pra ele, mas pra todos nós que nos entregamos ao mundo de ficção criado por sua mente.

Mas o que importa realmente é, que no final das contas, entre altos e baixos, George Lucas construiu aquilo que é um dos maiores marcos da história do cinema e da cultura mundial. E a “A Vingança dos Sith” não poderia ser melhor para colocar um ponto final nisso. Uma puta responsabilidade.

Caregorias/Tags: Cinema
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16 Comentários para ““É preciso treinar para esquecer aquilo que nos apegamos””

  1. Dudu.exe:
    Domingo, 22 de Maio de 2005 - 10:11

    Eu nã foi ver ainda pois nem vi o segundo.. então fica pra depois =]


  2. LipeCau:
    Domingo, 22 de Maio de 2005 - 17:34

    er… eu chorei qnd vi o filme…


  3. Maitê:
    Domingo, 22 de Maio de 2005 - 19:44

    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que achei o layout super legal. Em segundo lugar, aind anão vi Star Wars. Vi a crítica do Sérgio Dávila. Ele elogiou o filme, mas achou os diálogos novelescos… Abs


  4. Miguel:
    Segunda-feira, 23 de Maio de 2005 - 17:59

    Cara, todo santo dia eu acessom esse site, vc realmebte está de parabéns, agora deixando a babação de lado, o cd eu ainda não comprei devido a problemas financeiros, mas logo irei adquirir. Agora Star Wars é uma saga que só O Senhor dos Anéis pôde se comparar, apesar de ainda ñ ter visto o terceiro. Valeu!


  5. fred:
    Terça-feira, 24 de Maio de 2005 - 3:38

    Discordo que tenha sido amarrado perfeitamente, acho q o q George Lucas fez sim foi uma tremenda cagada … só pra citar um exemplo vc acha q Lorde Vader ía se deixar enganar q matou a moça durante 20 ou 30 anos daquele jeito rídiculo … realmente visualmente é muito bonito e tal, mais tem mais furo no roteiro que os gibis dos X-men que estão aí a quase 40 anos… fui


  6. DaniCast:
    Terça-feira, 24 de Maio de 2005 - 14:20

    “a grande motivação de Anakin para ceder ao lado negro da Força (motivos que nos fazem gostar ainda mais dele)”
    Como assim? A grande motivação de Anakin é sua própria sede egoísta de poder. Isso fica claro quando ele esquece completamente que passou dois filmes fazendo juras de amor a Padmé e quase mata o “amor da sua vida” sufocado.
    Não tem como gostar do Anakin. Ele é o cara que se seduziu pelo mal e foi destruído. O personagem é sem caráter e fraco, vira um mero marionete de Palpatine.
    Aliás, achei brilhante a forma como isso é demonstrado no filme, como Anakin é manipulado devido à sua imaturidade, seu egoísmo, infantilidade e teimosia.


  7. Karina:
    Terça-feira, 24 de Maio de 2005 - 16:11

    O medo de perder o grande amor da vida dele, como havia perdido a sua mãe, foi um dos motivos que fizeram Anakin ceder ao lado negro da força, e o que me fez gostar dele… ele ficou cego, como às vezes nós mesmos ficamos diante da probabilidade de uma perda muito grande. O lado negro da força aproveitou-se da pureza e fraqueza de Anakin.


  8. Bua:
    Quarta-feira, 25 de Maio de 2005 - 8:41

    Realmente um filmão…quase acabei com os meus dedos…com certeza o melhor filme da série, principalmente porque há lutas maravilhosas em todo o filme…Sem contar que Obi-Wan se mostra no final como um grande mestre Jedi, deixando pra trás algumas lutas infames….
    Ah…. tô sem grana….por isso só dá pra cliquar nos anúncios


  9. Dilberto:
    Quarta-feira, 25 de Maio de 2005 - 21:24

    Rapaz, e aí, há quanto tempo! POis é, apesar de não concordar com você quanto a este ser o melhor da série, estou publicando ao longo de toda esta semana uma grande homenagem a Star Wars! Passa por lá e comenta!


  10. Marcelo:
    Quinta-feira, 26 de Maio de 2005 - 12:58

    Concordo com vc kra. Não sou um grande fã da saga criada por George Lucas, mas o Episódio 3 é realmente o melhor de todos… até por possuir mais recursos… se os episódios 4, 5 e 6 fossem filmados atualmente, provavelmente teriam chances de serem os melhores…


  11. te conheço?:
    Domingo, 29 de Maio de 2005 - 16:48

  12. Camila:
    Segunda-feira, 30 de Maio de 2005 - 12:24

    Só vc mesmo pra me salvar de tantas críticas, pelo menos alguém pra concordar comigo. Eu me apaixonei pelo filme, é simplesmente o melhor de todos. Só que desde que eu assistí (na estréia), que só recebo pedradas porque gostei muito mais do Anakin agora. E discordo da DaniCast a respeito do julgamento que fez de Anakin, e pergunto quem é que na situação dele não faria a mesma coisa??? Se sentindo enganado, menosprezado, usado, e pressionado a fazer algo que acha errado pelo conselho Jedi? Só sendo a Madre Tereza de Calcutá?! Me poupe! Mas é claro que no filme foram mostrados todos esse conflitos subliminarmente, e sua “maldade” com uma lente de aumento, pois era o todo mundo já esperava, o que reforça a formação de conceito final, de que ele é mal e pronto. Não acho que foi fraco e nem que fez o que somente pela Padmé, acho que foi uma união de tudo, ele foi atrás do que achava melhor naquele momento, como saber se não tentar? Só que teve a infelicidade de cair na conversa do imperador, que até agora não sei se era verdade ou se ele apenas queria tirar Anakin do conselho para unir-se a ele.

    beijos…


  13. Bethla:
    Terça-feira, 31 de Maio de 2005 - 20:41

    Pô..acho que eu ví outro filme… O Episódio III que eu ví tinha uma direção de atores péssima, textos fracos e só foi salvo, nesse ponto concordamos, pelo General Grievous e pelo fantástico Yoda. Eu acho que faltou tensão, faltou explorar a passagem do Anakin. Mas enfim, é como poesia, cada um entende de um jeito.


  14. Ana Costa:
    Quinta-feira, 14 de Julho de 2005 - 11:12

  15. Ana Costa:
    Quinta-feira, 14 de Julho de 2005 - 11:13

  16. Carla:
    Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005 - 13:15

    O Anakin não matou a padmé, de onde tiraram essa idéiâ? Ela morreu de desgosto, de tristeza, por ver o seu grande amor virar em alguém tão ruimcapaz de matar criancinhas.
    Esse filme, para mim, é um dos melhores do ano. Muito bom. Tem vários defeitos, sim,mas que não chegam a comprometer o espetáculo. Adorei, fui ver 5 vezes no cinema.



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