Arquivo para o mês de Maio de 2005
Easy to start. Very dificult to stop
Conceito, direção de arte e texto. Essa campanha anti-fumo criada pela J. Walter Thompson de Cingapura reúne esses três elementos fundamentais da publicidade de maneira exemplar.
O objetivo dos anúncios, encomendados pelo Health Promotion Board daquele país, é comunicar algo bem simples, e que deveria ser óbvio, para o público jovem: que fumar é fácil de começar, mas muito difícil parar. Para ilustrar isso, utilizaram graficamente um círculo vicioso que é impossível cair fora.
O problema é que os adolescentes são completamente apáticos em relação as campanhas comuns contra o tabagismo. Eles acreditam que doenças como câncer e complicações cardíacas só acometem pessoas mais velhas.
Como senão bastasse isso, jovens tendem a cair naquela visão onírica de que viverão para sempre, e que o cigarro ajuda na integração social com certos grupos, lhes fazendo parecer pessoas “cool” e mais maduras.
Para driblar esse problema, a estratégia da campanha foi utilizar fatores de vaidade que preocupem diretamente os jovens. Como por exemplo, mostrar o estrago que fumar causa na aparência pessoal e como afeta a performance sexual.
Em uma idade em que esses aspectos são fundamentais, não poderia existir melhor maneira de conscientização. Preste bem atenção no texto dos anúncios e na volta dada pelo vício.



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| Hoje no Passado |
- 2007: Greenpeace | Paperless Busdoor — Criação da americana Draft FCB para o Greenpeace. Diz a assinatura: “Use less paper” (Use menos papel).
- 2007: Toyota | Meet — Novo filme da Toyota é puro deleite visual, com a câmera livre para passear. Com o conceito “Meet”, a proposta da [...]
Trabalho infantil
Essa é uma campanha da Unicef que acho sensacional. Além de ser extremamente direta, é simples e funciona como mais um tapa na cara que precisamos levar.
Com o intuito de denunciar o trabalho infantil por trás de algumas grifes famosas que muita gente baba ovo, esses anúncios criados pela agência alemã Springer & Jacoby Werbung substitui a marca pela dura realidade de milhares de crianças.
A campanha não cita marca alguma, mas faz um alerta. Planta a semente da dúvida: será que a roupa que eu uso ou o tênis que calço colaborou para a exploração do trabalho escravo infantil?
Os anúncios foram veículados em 2002, e nesse ano levaram o Leão de Ouro no Festival de Cannes, Prata no CLIO Awards, Ouro no Epica e Prata no Das Plakat.



Medo
Se você tivesse que mostrar um carro com cara de mau, certamente já pensaria em utilizar efeitos visuais ou algum tipo de animação. Essa seria talvez, a primeira hipótese de todo mundo, mas não necessariamente a mais interessante.
No comercial “The Bridge” criado pela francesa BETC Euro RSCG para a Peugeot, essa atmosfera é transmitida na “mão” mesmo, apenas com tomadas específicas e recursos simples como câmera lenta. E são esses detalhes que tornam uma idéia comum em um anúncio excelente.
Aqui o 607 da Peugeot anda pelas ruas como se fosse um forasteiro, temido pela população. Ele caminha pelo asfalto enquanto os outros carros se escondem, com medo de serem vistos pelo 607. Um ótimo posicionamento, mas que não seria nada se fosse filmado de outra forma.
A Peugeot tem usado esse tipo de caracterização em quase toda sua linha de automóveis. Uma comunicação que coloca seus carros superiores aos outros em status e não em fatores técnicos. Ela não se preocupa em falar de velocidade, adicionais luxuosos, economia, tecnologia ou qualquer “feature” do tipo.
O que importa é mostrar que os outros carros perto de um Peugeot são como brinquedos de criança. E isso já ficou bem explicito em “The Toys”, ganhador do Leão de Ouro em Cannes no ano passado. Tudo para dizer que o veículo francês não fica devendo nada aos clássicos alemães, como Audi’s, Mercedes e BMW’s.
Também é interessante observar como a estratégia da Peugeot vem ficando cada vez mais direta e ousada. Antes era aquela linha de que todo mundo queria um Peugeot, um carro irresistível, como o exemplo do famoso e premiadíssimo “The Sculptor”. Agora é “nós estamos um patamar acima dos outros e fim de papo”.
“The Bridge” faturou uma série de prêmios, incluindo Ouro no Festival de Londres 2004 (categoria Direção e Visual), Ouro no Eurobest 2004, Ouro no Festival de Nova York 2005 (categoria Fotografia), Ouro no Golden Award of Montreux 2004, Cristal no Festival Publicitário de Méribel 2004 (categoria Automóveis), Grand Prix no Festival Europeu de Publicidade Automotiva 2004, Menção no The Mobius Advertising Awards 2004 (categoria Fotografia), além de ter ficado no shortlist do Festival de Cannes 2004.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.91 MB.
“É preciso treinar para esquecer aquilo que nos apegamos”
É até uma covardia fazer tal comparação, pois existem mais de 30 anos de diferença entre os filmes, mas “Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith” é com certeza o melhor capítulo da saga Star Wars.
E não digo apenas em efeitos especiais e direção de arte, que também é impecável neste terceiro ato, mas em roteiro, narrativa e, principalmente, emoção. E o emocional do espectador vai num crescendo, que só falta o coração saltar pela boca.
Depois do fraco “A Ameaça Fantasma” e do quase muito bom “O Ataque dos Clones”, achei que George Lucas não conseguiria atingir o ápice que a série precisava. Mas, me enganei redondamente. “A Vingança dos Sith” não só amarra perfeitamente as duas trilogias, como gera um clímax fantástico.
Sem contar as revelações feitas ao longo do filme, como a grande motivação de Anakin para ceder ao lado negro da Força (motivos que nos fazem gostar ainda mais dele) e a atuação e prepotência dos Jedi. São fatores como esses que criam uma ponte perfeita entre os prólogos e os episódios finais.
A caracterização do General Grievous é fantástica. Puta animação fotorealista. Quem criticou a Industrial Light & Magic queimou a língua. Porque depois da WETA em “Matrix” e “Senhor dos Anéis”, o máximo que a ILM ainda tinha reconhecimento era por conta de sua “filha”, a Pixar.
O trabalho da ILM em “A Vingança dos Sith” é irrepreensível. Muito superior ao exagero digital de “A Ameaça Fantasma”, em que várias cenas pareciam feitas de plástico. A trilha sonora também é excelente, mesclando os antigos sons de Star Wars com novos arranjos.
Esse terceiro episódio é sem dúvida o mais sombrio da série. Envolve conflitos psicológicos pesados e até morte de crianças, algo bem diferente daquilo que vimos nos outros filmes, onde tudo (ou quase tudo) sempre caminhava para o final feliz. Inocência que não acabava mais.
“A Vingança dos Sith” conta com momentos memoráveis, como a luta final entre Anakin e Obi-Wan, em que o mestre demonstra profunda decepção com seu discipulo, o encontro de Mace Windu com o Senador Palpatine-Darth Sidious e o ataque inesperado aos cavaleiros Jedis, capaz de dar um nó na garganta até daqueles que ainda nem tinham nascido para ver Harrison Ford como Han Solo.
Tudo isso, claro, culminando em uma seqüência absolutamente de tirar o fôlego: quando Darth Vader é derrotado e em seguida mostrado com sua máscara. O momento que é peça central de toda a saga. O motivo de estarmos ali, a transformação intrigante de um rapaz bondoso e apaixonado no tenebroso Vader.
Em “A Vingança dos Sith” poucos momentos são gratuitos. Cada cena, cada fala serve para estabelecer uma ligação com o que já vimos nos outros episódios. E esse é um dos maiores méritos do filme, que consegue aos poucos responder cada pergunta do espectador. Porém, vale ressaltar que também funciona muito bem como um filme sozinho.
O final é em tom profético, e não se poderia esperar outra coisa. O final feliz ficou lá atrás, no velho filme de 1984, que apesar do drama freudiano era muito mais inocente do que esse “Episódio III”.
George Lucas garantiu que agora acabou. Quer fazer outras coisas e que Star Wars só vai continuar fora do cinema, em séries de animação não dirigidas por ele, por exemplo.
Lucas revelou que uma das falas de Yoda no filme é diretamente sobre ele: “É preciso treinar para esquecer aquilo que nos apegamos”. E é uma frase que não serve só pra ele, mas pra todos nós que nos entregamos ao mundo de ficção criado por sua mente.
Mas o que importa realmente é, que no final das contas, entre altos e baixos, George Lucas construiu aquilo que é um dos maiores marcos da história do cinema e da cultura mundial. E a “A Vingança dos Sith” não poderia ser melhor para colocar um ponto final nisso. Uma puta responsabilidade.
Não seja vítima de você mesmo
Gostei muito da nova campanha do CVV - Centro de Valorização da Vida criada pela Leo Burnett.
Com uma brancura linda, cada vez mais difícil de se ver nos anúncios atualmente, as quatro peças trazem texto e illustração muito bem integrados.
O texto são cartas de pessoas que tentaram se suicidar. Texto que, se apenas transcrito, poderia não causar reação alguma, mas que nessa bela direção de arte ganha vida ao falar de morte.
A assinatura da campanha diz: “Não seja vítima de você mesmo. Ligue CVV.”




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Abused children can’t speak up
A NSPCC (National Society for the Prevention of Cruelty to Children) é uma associação que luta pelo fim do abuso às crianças. E como toda instituição do tipo, ela sabe que para comunicar, precisa dar um tapa na cara das pessoas.
Não dá pra ser bonitinho ou mascarar a verdade para fazer você, que está assistindo em casa, tomar uma atitude quanto aquilo que está sendo mostrado. Um exemplo é o premiadíssimo comercial “Cartoon”, publicado aqui no Brainstorm #9 em Julho de 2003.
Por trás de um começo engraçadinho, a realidade aterradora revelada no final, que pega o espectador desprevenido. Assim como esse, o novo filme da NSPCC segue a mesma linha.
Criado também pela londrina Saatchi & Saatchi, “Ventriloquist” não tem o elemento surpresa, mas é tão angustiante quanto o “Cartoon”. Desde o início.
Aqui, vemos um homem manipulando uma boneca, tal qual um ventríloquo. Ele toma as decisões e responde por tudo o que diz respeito a boneca, representando uma criança, que eu interpretei como sendo filha do homem. De qualquer maneira, também poderia ter qualquer outro grau de parentesco.
Controlando a boneca, ele sussurra todas as ações que ela deve ou não tomar, tornando-se distante no convívio social, negando o convite para ir à casa da colega e nunca falando nada do que pensa ou do que lhe acontece.
No final, entra o título: “Abused children can’t speak up” (Crianças que sofrem abuso não podem falar). Um texto curto e direto para um comercial carregado de significado.
“Ventriloquist” já começou sua carreira nos festivais de publicidade desse ano, e faturou dois prêmios até o momento: Bronze no The One Show 2005 e Bronze no Andy Awards 2005.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 5.58 MB.
Tampinha
Muitas vezes, quando faltam idéias, apelamos para as velhas imagens de pessoas felizes. Coloca lá algum sujeito sorrindo, rodeado pelos amigos, a assinatura do produto no canto e fechou.
Pode pegar qualquer revista aí do seu lado. Aposto que você vai encontrar uma meia dúzia de anúncios desse jeito. São cenas acima de qualquer suspeita.
Mas, como tudo, sempre existe uma maneira de usar o convencional e dar um toque criativo. Um diferencial que transforme o tradicional em algo completamente novo e surpreendente.
É o caso dessa campanha criada pela DPZ para a linha de iogurtes da Nestlé, em que cada anúncio trazia uma tampinha de iogurte cobrindo parte da imagem.
Ao puxar a tampinha era revelado algum detalhe que dava um sentido muito mais amplo a cena, ligando imediatamente com a assinatura: “A vida no seu jeito mais prazeroso”.



Star Clocks
A publicidade nesses relógios de rua vem cada vez sofrendo mais inovações. Tudo para sair da mesmice. Primeiro foi a Motorola e a C&A, que no mês passado encaparam os relógios com celulares gigantes.
Agora, para o lançamento de “Star Wars: Episódio III - A Vingança do Sith”, a MPM criou uma peça que converte Anakin Skywalker em Darth Vader, já que a transformação do personagem é o eixo central do filme que estréia mundialmente no dia 19.
Para criar o efeito inovador nesse tipo de mídia, a peça usa arte lenticular, ou seja, um painel holográfico impresso em uma placa que cria uma multi-imagem. O efeito permite que, conforme os carros passem ao lado da mídia, a imagem se altere.
Além disso, um grande painel na avenida Faria Lima, já está instalado e permanece até o final de maio. Também compõe o plano de mídia relógios de rua tradicionais, outdoor e frontlight em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília, e ainda mobiliário urbano no Rio de Janeiro.






































