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A banana do varejão

Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 | 1:21 am

Uma discussão que acalora qualquer ânimo entre publicitários e profissionais de comunicação é: conceitual x varejo. Quando podemos apenas criar uma imagem sem argumento de venda? Quando devemos ser agressivos e estampar o preço e telefone em letras garrafais?

Quem cria, quer um anúncio conceitual e que desafie o consumidor. Quem vende, quer preço, quer resultado. Uma campanha da BMW como essa aí no post abaixo é execrada por muitos. “Que absurdo! Um anúncio que não mostra o produto”. Por outros, é adorada. Que maravilha! Que idéia inteligente e que valor agrega a marca.”

Afinal, quem tem razão? Acho que os dois, mas em momentos diferentes. Tem hora que é preciso ser conceitual, e tem outra que é preciso colocar o preço sim. Depende do cliente, depende do produto, depende do objetivo. Nada é engessado.

Convenhamos, a BMW não quer recall e não que você veja o anúncio dela e saia correndo até a próxima concessionária pra comprar. A peça publicitária vai muito além disso, transcende o impulso de comprar.

Nenhum ser humano com pelo menos um dos olhos funcionando diria: “Poxa, que anúncio legal, vou comprar uma BMW”. Ninguém compra porque o anúncio é bonito e/ou inteligente. Compra porque, durante anos e anos, foi criada uma imagem de marca, um trabalho de comunicação, uma relação de amor e respeito entre empresa x pessoa.

Quer um exemplo? Determinado sujeito pode ver um produto pelo preço mais em conta na Loja Y. Mas se a Loja X cobra um pouco mais caro, mas o consumidor tem identificação maior com ela, certamente vai preferir a Loja X.

Um tênis, outro exemplo. Marca B custa bem mais barato, mas que chatice, ela não parece amar tanto o esporte e ser tão moderna e descolada quanto a marca A. Já sei, vou economizar dinheiro esse mês, e aí sim compro a marca A.

Se eu for ficar aqui falando disso, levarei uma eternidade e nem tenho a pretensão de esgotar o assunto ou ser dono da verdade absoluta. A questão é que enrolei tudo isso para mostrar que existem situações e situações. E também trouxe um exemplo para provar que o varejão não precisa ser tosco com “explosão de ofertas” ou “quer pagar quanto”.

A ICA é uma rede de supermercados na Suécia que, um belo dia, resolveu anunciar seus produtos sem um garoto-propaganda estúpido que repete preços e bordões como se falasse com uma criança de 4 anos. Para isso, ela contratou uma agência, também sueca, chamada King.

O que os criativos da King fizeram foi bem simples. Criaram uma pequena história de um funcionário atrapalhado que escorrega e começa derrubar tudo o que tem pela frente ao som de “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II. No meio dessa ópera do caos, imagens e preços dos produtos vão aparecendo. E, o mais importante, sem fazer o espectador mudar de canal.

Aqui acontece o contrário. Ao invés de você correr para o controle remoto e ver o que está passando na emissora vizinha, fica interessado e entretido com a lambança do sujeito. Lembram do que eu falei de competir com os programas de TV? Divertir o espectador? De que publicidade tem que ser entretenimento? É isso.

Com vocês, “The Banana”. Comercial premiado com Ouro no SAAwards 2005 - Scandinavian Advertising Awards. Um jeito inteligente e divertido de se fazer varejo.

Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 3.61 MB.

Caregorias/Tags: Diversos, ICA, TV/Film
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16 Comentários para “A banana do varejão”

  1. daN:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 8:19

    otimo anuncio…


  2. eliane:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 9:06

    sou suspeita demais pra elogiar já que meu pai é sueco e vivi lá algum tempo - JATTEBRA!!!!!!!!!!
    adorei - sa trevlig!!!!! publicidade sueca está entre as melhores do mundo!

    bj (en puss)
    eliane


  3. Julio CM:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 11:21

    Não vi o comercial! Vou me basear no seu texto!
    Uma marca como BMW não precisa mostrar o produto. Pq? Pq o target que ela quer atingir conhece de cor todos os seus produtos, o que permite ser ireverente e abusar do conceitual.

    Sua analise foi perfeita!
    Se der visita o meu modesto site. É o início!

    Abs,

    Julio


  4. Bruno Silva:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 12:32

    Sua colocação foi excelente. Traduzindo para a realidade alternativa do mercado publicitário aqui do norte, se falarmos ao cliente que “Ninguém compra porque o anúncio é bonito e/ou inteligente”, ele imediatamente vai parar de fazer publicidade e aí ninguém sobrevive, nem ele, nem nós publicitários. Esse comercial está entre os melhores de varejo que eu já vi.


  5. Porque não questionar?:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 19:34

    baseio meu comentário APENAS no seu texto:
    me desculpe se eu nao for concordar com os outros dois comentários dizendo que “Sua colocação foi excelente”… Por mais que voce esteja certo em relacao à existência de infinitas necessidades por momento para o cliente - o que possibilita uma infinitude de “anúncios corretos”, eu DISCORDO completamente da utilização de seus termos “Nenhum ser humano compra porque o anúncio é bonito e/ou inteligente. Compra porque, durante anos e anos, foi criada uma imagem de marca, um trabalho de comunicação, uma relação de amor e respeito entre empresa x pessoa”. Afirmando isto, estariamos negando praticamente TODAS as compras realmente por impulso do ser humano - aquelas que representariam apenas uns 90% das vendas em supermercados, por exemplo… Tampouco é correto - para não dizer que é completamente errado - dizer que “certamente” o consumidor toparia pagar um produto mais caro na loja X do que na Y por possuir uma identificação com a loja X… isto PODE ocorrer, mas infelizmente as pesquisas em regiões com a NOSSA realidade economica demonstram que a preferência seria pelo mesmo produto, porem mais barato, independente da loja… portanto na Y mesmo…


  6. roberto:
    Quarta-feira, 20 de Abril de 2005 - 19:36

    Concordo completamente com o último post “pq nao questionar?”!!!


  7. André:
    Quinta-feira, 21 de Abril de 2005 - 18:32

    Genial o comercial..

    E falando em Genial, pq vc nao coloca os comerciais do MasterCard


  8. Água...:
    Sábado, 23 de Abril de 2005 - 19:22

    Vamos lá, também em duas partes:

    Beijo, Carlos! ;)


  9. Andrea:
    Sábado, 23 de Abril de 2005 - 20:23

    Ah, se o varejo daqui tivesse esse requinte!


  10. Fernanda:
    Domingo, 24 de Abril de 2005 - 0:49

    Oi, Carlos!
    Sempre visito seu site, muito interessante!!
    Eu entrei nos seus arquivos e vi que no ano passado você foi à 18ª Semana Internacional de Criação Publicitária. Você gostou?! Acha que vale ir esse ano à 19ª? Obrigada, um beijo!


  11. Fernanda:
    Domingo, 24 de Abril de 2005 - 1:07

    Oi… vim fazer uma pergunta, mas acabei lendo os comentários sobre esse post…

    Pelo que entendi, o que ele disse em “Ninguém compra porque o anúncio é bonito e/ou inteligente” está relacionado a produtos tão caros como uma BMW e acho que ele está certo! E se houver alguém que o faça, esse é a exceção da exceção da exceção!!! Mas é claro que as compras por impulso existem e muito, mas em outras faixas de preço….

    Também acho que a importância das pesquisas da situação econômica da população brasileira vai depender do público que se deseja alcançar! Tem gente, sim, que prefere pagar mais por uma blusa da Osklen do que uma da Redley… por uma saia da ModaMania do que uma da Pepper… e nesse caso, o que vai importar pras Osklens e Modas Mania se a condição da população (povão) não permite comprar?!! Depende muito do produto, né, gente….


  12. Edo:
    Segunda-feira, 25 de Abril de 2005 - 12:08

  13. Luis Felipe:
    Segunda-feira, 25 de Abril de 2005 - 15:26

    De fato revolucionário. Pena que só não tem a assinatura de quem pagou o filme.


  14. link terrravent.microir.com vicodin:
    Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006 - 10:05

    vladgondonpozornii


  15. Wallace Vianna:
    Domingo, 23 de Abril de 2006 - 20:32

  16. Testeryzi:
    Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007 - 21:36

    Hellotlc - this is just a testing, don’t worry about it



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