Arquivo para o mês de Março de 2005
Faróis acesos
Em agosto do ano passado, este outdoor da Peugeot gerou bastante discussão no meio publicitário. Primeiro porque ele trazia uma idéia bacana e interativa com o ambiente. Segundo, porque logo depois foi proibido.
Para divulgar que o Peugeot 307 vem com faróis com acendimento automático, a Carillo Pastore Euro RSCG veiculou esta peça na Avenida Paulista que, durante o dia, parecia completamente comum. Nada de mais.
Só que quando escurecia os faróis do carro “ligavam” automaticamente. Ficava a impressão de que tinha um veículo vindo na sua direção com os malditos faróis acessos na sua cara.
A CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), baseada na lei, entendeu que tal recurso utilizado na “placa de publicidade” atrapalhava os motoristas na rua. Reclamou e conseguiu suspender a veiculação da peça.
Mas claro que os criadores do outdoor não deixariam isso ficar barato. Tamparam a mídia com uma lona, dizendo que havia sido suspensa por desviar a atenção dos motoristas. Disseram nada mais que a verdade.
Porém, ao deixar bem claro que aquele era um “Outdoor do Peugeot 307″, colocaram a punição em favor do produto. Uma solução simples e criativa para o problema, algo que a profissão exige o tempo todo.



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Sempre há um porém
Antes de mais nada, é bom dizer que não tenho intimidade alguma com o universo concebido em “Hellblazer”, nunca nem sequer passei perto de uma HQ da série. Portanto, o que posso dizer sobre o filme é minha opinião como obra cinematográfica, sem tocar em fidelidade com os quadrinhos e discussões do genêro (se eu falar alguma merda, me corrijam, por favor).
Mudaram o Constantine original de loiro para um Keanu “Neo” Reeves e trocaram a Inglaterra por Los Angeles. Essas são as alterações principais que sei em relação a história original. Mas sem conhecer, posso apostar, na terra da rainha seria bem mais legal.
Como leigo nos quadrinhos, posso dizer que “Constantine” é um filme que agrada, diverte e conta com cenas fantásticas. Isso sem dúvida. Porém (sempre há um porém), só vai ter uma experiência completa e muito mais agradável com o filme quem realmente conhece as HQ’s.
Primeiro porque o espectador precisa se entregar a história logo de cara. O mundo sobrenatural e as criaturas demoníacas de “Constantine” pipocam na tela sem muita enrolação, explicação. Quem não vai muito com a cara de um universo tão fantasioso, pode se pegar bocejando lá pela metade do filme.
Eu particularmente adoro esse tipo de história. A cena inicial de exorcismo é fantástica. E assim como o mexicano que é atropelado e John Constantine enfrentado demônios formados por insetos, me fizeram vibrar na poltrona do cinema. São seqüências ótima sobre o embate entre céu e o inferno que há muito não apareciam na telona.
Porém (de novo, John tem razão), a grande quantidade de elementos e personagens secundários que aparecem a todo instante acabaram me incomodando. Acho louvável abolir apresentações de personagens para os espectadores leigos e até evitar contar uma historinha sobre a origem de Constantine, como é comum em filmes baseados em alguma coisa consagrada. Mas o diretor estreante Francis Lawrence, me deixou a nítida impressão de que precisou encher lingüiça no meio do filme para cumprir a duração de 122 minutos.
Em muitos momentos, senti que a embalagem era mais importante que o conteúdo. A história foi comprometida em favor do visual. Mas lógico que a fotografia e os movimentos de câmera ousados adicionam um estilo fantástico ao filme.
Adoro esse tipo de recurso, e Lawrence, profundo conhecedor desse universo nos vídeo clips que já produziu, alcança um resultado visual que é uma verdadeira montanha-russa para os nossos olhos. Diria que é um filme obrigatório para todo diretor de arte, ou para quem um dia almeja ser um.
É só uma pena que o diretor tenha optado na maior parte do tempo, por dar mais ênfase a aventura visual do que na melhor característica do filme: o humor negro e ironia de seus personagens. Quando Constantine abria a boca para retrucar alguma coisa, ali eu pensava comigo mesmo: “Pô, fala mais, reclama mais, discute mais com todo mundo antes de partir pra porrada com os demônios”.
Infelizmente isso não acontecia. E o melhor aspecto do filme acaba ficando mais raso do que um pires. Um exemplo é o embate final entre Deus e o Diabo, com um Peter Stomare perfeito no papel do tinhoso. Ali “Constantine” ganha corpo, toma sua verdadeira forma. Mas isso acontece em poucos momentos.
A inglesa Tilda Swinton como anjo Gabriel também é um show a parte, dando um ar sereno e ao mesmo tempo amedrontador ao personagem. Keanu Reeves, bom, o cara não tem a melhor expressividade do mundo, mas convenhamos, tem uma presença incrível em cena. Ele dá credibilidade ao personagem e seu estilo se encaixou muito bem com o ar blasé de Constantine.
No final das contas, “Constantine” segue uma linha de altos e baixos. Começa muito bem, perde força na metade e tem um final excelente. Sai do cinema satisfeito, mas ao mesmo tempo pensando que, com algumas mudanças na narrativa, eu poderia dizer algo bem maior do que meramente “satisfeito”.
O filme diverte, apresenta seqüências incríveis, sem dúvida, mas fica a sensação de que Francis Lawrence poderia ter feito um “Constantine” inesquecível mais pelo seu roteiro, diálogos e personagens, do que por efeitos digitais.
Ah, e antes que eu me esqueça. Em um eventual “Constantine 2″, Sr. Lawrence, coloque o Peter Stomare mais tempo na tela. Se nos poucos minutos que aparece ele praticamente rouba o filme, imagine o tio Lu e Constantine juntos em grande parte da projeção e com aquelas tiradas sensacionais entre eles? Certamente, uma seqüência muito superior a original que acabei de assistir.
PS: Não saia do cinema antes de terminarem os créditos finais. Há uma cena importante logo depois.
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Perseguição ao cachorro-quente
Aqui no Brasil vemos os comerciais da Nike dominados por celebridades do futebol. De metrossexuais a dentuços, eles estão por todas as partes. Agora até a Pepsi resolveu apelar para os milionários da bola, deixando as estrelas pop no banco de reservas.
Porém, lá fora rolam anúncios da Nike sensacionais que nem sequer precisam de um boleiro para ganhar a simpatia da audiência. Um exemplo é o comercial “Hot Dog”, criado pela Wieden & Kennedy de Amsterdã para o modelo de corrida Nike Shox 2:45.
Este foi gravado em Lisboa, Portugal, e no fim do ano passado foi exibido em toda a Europa. Ganhou até uma sequência com o título de “Hot Dog Revenge”.
Um rapaz compra um cachorro-quente na rua e, enquanto o vendedor prepara o lanche, o cidadão faz o favor de esbarrar no carrinho e fazê-lo descer ladeira abaixo. Como é bem típico dos comerciais da Nike, começa uma correria. Claro, não poderia ser diferente devido a natureza do produto.
O vendedor entrega o cachorro-quente na mão do desastrado e sai em desespero atrás de seu carrinho. O rapaz olha pro seu lanche e, com seus tênis Nike Shox, resolve tentar ajudar. Resultado: ele sai feito louco pela cidade atrás do carrinho de hot dog.
Passa por diversas ruas, vielas, enfrenta uma senhora com uma vassoura. derruba pessoas na calçada, quase é atropelado e ouve palavras carinhoas de motoristas irados. O que acontece no final, você só vai saber assistindo o filme.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 5.44 MB.
Se você gostar, deixa um comentário aí embaixo que eu posto a sequência “Hot Dog Revenge” aqui no Brainstorm #9 também.
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I pay you to think
No ano passado, esse foi um dos anúncios mais premiados em direção de arte em diversos festivais mundo afora. Levou o prêmio da categoria inclusive no FIAP 2004 e no Festival de Londres 2004.
Criada pela J. Walter Thompson de Buenos Aires para a revista Mercado, a peça demonstra a filosofia da publicação, trabalhando a proposta do conteúdo editorial em um conceito criativo.
O título do anúncio diz: “I don’t pay for you to work. I pay you to think.” (Eu não lhe pago para trabalhar. Eu lhe pago para pensar). Seguido da assinatura: “Stop working on an automatic way. Welcome to the Thought Economy.” (Pare de trabalhar de maneira automática. Bem vindo ao Pensamento Econômico).
Como você pode perceber, o texto já dá o tom do anúncio, deixa a idéia clara e demonstra bem do que se trata a revista. Porém, é apenas ao observar atentamente a “ilustração” que o espectador sente o impacto da peça.
O homem sentado no computador é formado por carimbos, daqueles bem típicos de repartições públicas, bancos e escritórios em geral. A aventura visual é a força do anúncio, uma direção de arte maravilhosa que transmite com simplicidade o conceito de trabalho automatizado.

Constantine na Faria Lima
Muito eu falo aqui no Brainstorm #9 de mídias alternativas, ações ousadas, diferentes e que não consumam rios de dinheiro do cliente. Sim, geralmente elas nos surpreendem.
Porém, nada impede que as mídias tradicionais também nos impressione. É o caso desse imenso frontlight do filme “Constantine” instalado na Av. Faria Lima, aqui em São Paulo.
A arte em si de todo material promocional do filme já é excelente, mas quando colocada em tamanho gigante e com um aplique das asas do tinhoso, fica melhor ainda.
Existem frontlights praticamente do mesmo tamanho, na mesma avenida inclusive, mas nenhum chama tanta atenção atualmente quanto esse. Prova de que tamanho e dinheiro também impactam tanto quanto uma ação diferenciada, claro, sem nunca se esquecer da qualidade visual.


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It’s all about the beer
Quando publiquei na quinta-feira o comercial “Beer Run” da Heineken, disse que ele se destacava muito mais pelas celebridades envolvidas no filme do que pelo conceito criativo. Um típico exemplo de quando a forma é muito mais interessante do que o conteúdo.
O anúncio que vocês verão agora, vai pelo caminho contrário. Ele não tem nenhum ator de Hollywood, o diretor é um ilustre desconhecido e muito menos tem trilha sonora de banda oitentista. Porém, a idéia é muito mais criativa e divertida do que a utilizada no comercial dirigido por David Fincher.
Intitulado de “Disturbance”, este filme começa mostrando o funcionário de um bar carregando vários engradados de Heineken. Mas acontece uma tragédia, ele deixa cair tudo no chão, espatifando as inocentes long neck.
O acontecimento passa a perturbar muita gente, como um mau presságio. Sentem que algo muito ruim acabou de acontecer, um deles deixa até a mulher de lado e explica: “Não sei. Acho que aconteceu algo muito, muito triste.”
No final entra a assinatura: “It’s all about the beer”. Uma produção simples, mas com um conceito criativo mais inteligente e com um delicioso humor irônico. É ou não é superior ao comercial com Brad Pitt?
“Disturbance” foi criado pela agência Publicis de Nova York e teve sua primeira veiculação durante o Oscar, na semana passada.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MPG. O arquivo tem 4.70 MB.
Desafio 24 Horas Alerta - Fotos

Foram 24 horas de correria e testes de conhecimentos para os participantes do Desafio 24 Horas Alerta. Como eu já havia informado aqui no Brainstorm #9, a Fox e a agência Espalhe promoveram uma ação inédita que mobilizou os fãs da série de Jack Bauer.
O desafio terminou hoje às 11 da manhã, depois de diversas provas que envolveram a busca de códigos espalhados pela cidade de São Paulo. Pistas que indicavam a localização dos tais códigos, eram reveladas aos participantes de meia em meia hora.
Quem inserisse a numeração correta em menos tempo levava mais pontos. Em jogo estavam 5 iPods e 15 kits Victorinox personalizados da série 24 Horas.
Entre as ações para revelar os códigos aos participantes, que tiveram que varar a madrugada, foi realizado um rapel em plena Avenida Faria Lima com Juscelino Kubitschek. Agentes da CTU desceram o prédio e desenrolaram um imenso banner que trazia o código da primeira hora do desafio.
Stencils espalhados pelos muros da cidade, vinhetas em painéis eletrônicos e até uma projeção de fogo em um prédio, também na Faria Lima, revelavam outros códigos da gincana. Os vencedores serão divulgados na próxima segunda-feira no site www.24halerta.com.br.
Faça download dos vídeos abaixo (em formato .WMV) para ver alguns flashs da realização do desafio:
:: Grafite e Lambe-Lambe (1,14 MB)
:: Stencil (448 KB)
:: Rapel (1,64 MB)
A seguir você pode conferir algumas fotos desse desafio, uma ação exemplar de marketing de guerrilha.







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“Beer Run” (Heineken) by David Fincher
Esse é um daqueles comerciais que valem mais pela curiosidade do que pelo conceito criativo em si. A idéia é interessante, associa muito bem uma celebridade mundialmente conhecida a uma marca e ainda brinca com o fato de que a referida celebridade é uma pessoa normal que gosta de tomar sua cerveja preferida.
Neste filme da Heineken, Brad Pitt está em casa e vê que sua cerveja acabou. Então ele resolve sair para comprar. Vai tranquilamente, até dispensa a saída pelos fundos do prédio. Uma horda de paparazzos vai atrás dele e no final das contas acabam até se perdendo, nem sabem mais quem estão seguindo.
Além de Pitt, a outra grande estrela do comercial está atrás das câmeras. O aclamado diretor David Fincher é quem comandou o anúncio, que inclusive já havia trabalhado com Brad Pitt nos clássicos modernos “Se7en” e “O Clube da Luta”.
O último filme de Fincher nos cinemas foi o suspense “O Quarto do Pânico” de 2002, com Jodie Foster. O diretor e Brad Pitt provavelmente voltarão a trabalhar juntos em mais um projeto intrigante. Trata-se do filme “The Curious Case of Benjamin Button”.
Baseado num conto de F. Scott Fitzgerald, o filme contará a história de um homem de 50 anos que começa a rejuvenescer inexplicavelmente. No entanto, depois de se apaixonar por uma mulher de 30 anos, ele se vê em um dilema: como manter o relacionamento se continuar a ficar mais jovem, e ela, mais velha?
Enfim, isso só saberemos em 2006, quando a produção chegar aos cinemas. Voltando ao comercial: intitulado de “Beer Run”, foi criado pela Wieden + Kennedy de Amsterdã e começou a ser veiculado na Europa e EUA no final de Fevereiro.
A música utilizada no anúncio é “Renegade” da banda Styx.
Clique aqui (botão direito - Salvar destino como…) para fazer o download do filme em formato .MOV. O arquivo tem 3.21 MB.












