Arquivo para o mês de Fevereiro de 2005
SuperBowl 2005: “Top Ten” by FedEx
Todo ano em época de SuperBowl, eu recebo vários e-mails pedindo pelos comerciais veiculados durante o intervalo do jogo. Não posto todos aqui, pois geralmente a maioria dos anúncios é pouco interessante, coisa pra americano mesmo e nada mais.
Porém, vez ou outra surgem verdadeiras pérolas no meio de tanta bobagem. Aqui no Brainstorm #9 você já conferiu, por exemplo, o clássico “Monkey Dance” da E*trade. Um devorador de prêmios e considerado um dos melhores filmes exibidos no SuperBowl, junto com o “1984″ da Apple.
Esse ano também tivemos uma grata surpresa: o comercial “Top Ten” criado pela BBDO de Nova York para a FedEx. Assim como o macaco que dança “La Cucaracha” criado pela TBWA, este anúncio da FedEx é genialmente irônico por um simples motivo: ele tira sarro do próprio intervalo comercial em que é exibido.
Como todos sabem, o intervalo do SuperBowl tem o segundo mais caro do mundo para o mercado publicitário. Para veicular um anúncio de 30 segundos, paga-se em torno de 2 milhões de dólares. Esse valor, muitas vezes é a verba de campanha de um ano inteiro para muitos anunciantes, então imagine gastá-lo apenas em uma única exibição.
É por toda essa aura de absurdo e megalomania em torno dos comerciais do SuperBowl, que fazer piada com o fato rende momentos impagáveis no mercado publicitário. E, devido a isso, o “Top Ten” da Fedex é definitivamente o melhor anúncio exibido durante o futebol americano esse ano.
Ele começa com um apresentador dizendo que a Fedex quer ser escolhida pelo melhor comercial do SuperBowl 2005, e para isso eles irão utilizar 10 fatores que “todo mundo acha necessário” para que um anúncio tenha sucesso no evento.
O primeiro deles é ter uma celebridade, no caso aqui é o ator Burt Reynolds. Depois um animal, que de preferência dance e fale. Uma criancinha bonitinha também cai bem, bem como chutes no saco e mulheres atraentes. Depois vem a mensagem sobre o produto (que pode ser opcional), uma canção pop famosa e pra fechar um final bônus.
Pronto. São os 10 fatores “indispensáveis” para um comercial digno de SuperBowl. Mais irônico e engraçado do que isso, impossível. Pode-se dizer que conseguiram com louvor atingir o que queriam: criar o melhor anúncio do evento.
E porque isso? Simplesmente porque entraram na brincadeira. Tiram sarro das próprias idiotices exibidas no SuperBowl. Não quiseram apenas falar de um produto ou serviço diretamente, algo que nem atinge o consumidor mais.
O que importa é divertir, marcar. Em nenhum momento o anúncio fala que a Fedex lhe oferece o mais rápido serviço de entregas, mas aposto que no dia seguinte a expressão era: “Você viu aquele comercial da Fedex?”
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Já falei diversas vezes sobre isso aqui no Brainstorm #9, mas repito: nos dias de hoje um comercial deve ser entretenimento. O intervalo publicitário compete com o programa de televisão, com filmes de Hollywood, com vinhetinhas engraçadas, com apresentadores famosos e afins. Por isso, ele deve ser tão ou mais divertido do que todo o resto se quiser fazer barulho.
Acabou aquela velha fórmula de: vamos falar dos benefícios, mostrar um packshot do produto e colocar o telefone bem grande no final. Os tempos mudaram, e com a imensa quantidade de informações e ofertas que recebemos diariamente, as mensagens passam desapercebidas se não souberem fisgar o consumidor de uma forma diferenciada.
Não é preciso ir muito longe para ter exemplos disso. Navegando pelo arquivo do Brainstorm #9 você vai encontrar dezenas de anúncios conectados a esse conceito, de entreter e atrelar sua marca a algo memorável, que não queira apenas enfiar um produto goela abaixo de quem assiste. Você pode começar pelo “Waterboy” da Evian. O resto é por sua conta, é só clicar.
| Hoje no Passado |
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Ma maman a dit que je pourrais
Comerciais de camisinhas e tudo quanto é método contraceptivo sempre rendem boas idéias. Ao contrário da função dos produtos, as mentes dos criativos tendem a ficar muito mais férteis quando surge um job desse. De cara já relembro duas peças que foram publicadas aqui no Brainstorm #9 e que considero imperdíveis.
Primeiro “Little Boy”, com um menino no seu dia de fúria para a marca de preservativos Zazoo. Um filme ironicamente engraçado criado pela agência belga Duval Guillaume Antwerp.
O segundo, e não menos memorável, “Square” para a Durex, criado pela McCann-Erickson de Manchester, Inglaterra. O anúncio lhe dá 1 milhão de motivos para usar camisinha.
A TBWA de Paris também não ficou atrás ao criar um comercial divertidíssimo para a marca de camisinhas Hansaplast, da Beiersdorf. O filme começa mostrando um garotinho, daqueles bem com cara de capeta, que apronta as coisas mais absurdas.
Para todas elas ele se defende dizendo: “Minha mãe disse que eu posso”. Enquanto as outras crianças comem frutas e outros alimentos saudáveis, o pestinha enche a barriga de sorvete durante a merenda na escola.
Ele vai numa loja de animais e compra uma cobra, faz uma tatuagem, brinca com uma serra elétrica, dirige um carro esportivo, pula de pára-quedas e tudo mais o que você imaginar, sempre alegando que sua mãe permitiu.
Então ele pergunta: “Mãe, posso colocar o gato na máquina de lavar?” E o que ela responde? Bom, você vai descobrir assistindo o comercial.
No final entra a assinatura: “Hansaplast condoms. Pure pleasure.” Intitulado de “Mom”, o anúncio foi premiado no Epica 2004 e levou Bronze no Eurobest 2004.
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Way of the future
| UPDATE: Após assistir o filme pela segunda vez, mudei bem minha opinião em relação a “O Aviador”. Continuo achando Cate Blanchett especialmente irritante, mas o filme como um todo é excelente. Hoje, dou nota máxima para o filme de Scorcese. Nada como rever um filme e observar os detalhes.
Segue minha crítica inicial:
Eu não contesto que Martin Scorcese seja um dos maiores diretores de cinema de nosso tempo. Também não contesto que Leonardo DiCaprio tenha feito um trabalho arrasador, praticamente a reinvenção de um ator até então considerado um moleque que apenas atraia adolescentes ensandecidas ao cinema.
E da mesma forma, também acho que seja um filme tecnicamente impecável e com cenas maravilhosas. Mas confesso que não entendo todo o rebuliço em torno de “O Aviador”. Talvez por Howard Hughes ser um homem (também) de Hollywood, talvez por ser uma super produção milionária que há tempos estava engavetada. Porém, em matéria de emoção e relacionamento com o espectador, “Menina de Ouro” de Clint Eastwood levaria o Oscar fácil.
“O Aviador” é um filme bom, não contesto isso, mas até certa medida. O começo é arrastado, lento, confuso, chato. Principalmente toda aquela conversinha nos restaurantes que pouco adicionam a história. A Katharine Hepburn de Cate Blanchett é especialmente irritante, e minha torcida foi para que ela saísse de cena o mais rápido possível.
Eu já começava a ver um Scorcese repetindo o mesmo erro de seu trabalho anterior, “Gangues de Nova York, onde utilizava uma narrativa caótica e sem foco que deixava o espectador completamente perdido e sem criar nenhum vínculo com os personagens.
Felizmente o filme engata da sua metade pro final, e ficou claro para mim que o que mais interessava mesmo era Howard Hughes, seus feitos e seus conflitos, e não vê-lo jogando golfe com Hepburn. A cenas mais intessantes são justamente aquelas em que vemos um Hughes visionário, teimoso, ambicioso e dizendo: “não diga que não dá pra fazer”.
Seu depoimento no senado, seu estado de quarentena e os momentos em que o vemos testando suas máquinas são bombásticos, principalmente quando ele se espatifa no chão com seu avião-espião. Foram justamente nessas cenas em que vi um “O Aviador” inesquecível, mas que foi prejudicado por pontos na trama extremamente irritantes.
Claro que toda a excentricidade e nuances da vida do bilionário americano já dariam um ótimo filme, mas Scorcese criou um Howard Hughes de cinema e poderia muito bem ter dado ênfase a alguns fatos em detrimento de outros.
Definitivamente não é o melhor filme de Scorcese, mas ainda assim é um bom Scorcese e pelo conjunto de sua obra merece o Oscar de melhor diretor, mas não de filme. O que “O Aviador” merece é ser reconhecido pelas suas proporções hercúleas, o que não é pouca coisa.
Scorcese criou um épico biográfico e “O Aviador” é minuciosamente uma recriação de época em que nenhum detalhe foi deixado de lado. Visualmente é suntuoso, a começar pelo estilo dos anos 1930 e 1940, que leva o espectador numa viagem à mais de 60 anos.
Porém, que mais me impressionou foram a fotografia e direção de arte do filme. Simplesmente, um colírio para os olhos. As cores utilizadas dão uma intensidade imensa para cada cena e Scorcese nunca abusa dos efeitos especiais, mesmo quando retrata a queda do avião em Beverly Hills.
Outro destaque, como já citei, foi a atuação de Leonardo DiCaprio. O ator consegue retratar Howard Hughes de maneira impressionante em todas as fases, e mesmo com todos os seus distúrbios e transtornos nunca deixa que Hughes se torne uma pessoa abominável. Pelo contrário, terminamos o filme gostando dele e vibrando com os tapas na cara que deu na MPAA, órgão que controla a censura nos EUA e no governo do seu país.
Claro que existiu uma curiosidade em saber como o fim da vida de Hughes seria retratado, já que a cada ano ele passou a ficar cada vez mais recluso e se afundar na sua obsessão, como fica claro nas últimas cenas do filme. Porém, Scorcese terminou no tempo certo e de forma até profética, que reitera aquilo que Hughes buscou durante toda sua vida: o caminho do futuro.
Enfim, “O Aviador” é um filme especial por suas características técnicas e visuais, e como eu disse, deverá ser reconhecido por isso. Mas a falta de foco em diversos pontos da narrativa prejudica o lado emocional do filme e nossa relação com o próprio biografado.
Mo chuisle
Um filme onde uma caipira pobre sem nada na vida, decide treinar boxe com um turrão que é o melhor dos treinadores. Esforça-se todos os dias, dia e noite, sofre que nem um cão, começa a ganhar lutas, tem seu grande desafio, vence, é ovacionada pelo público e vira a grande campeã do mundo.
Sim, você já viu algo parecido. A velha história da pessoa pobre e sofrida que consegue vencer as adversidades e tem seu momento de redenção. Parece muito convencional não é? Sim, mas não nas mãos de Clint Eastwood.
“Menina de Ouro” tem elementos bastante comuns, já vistos antes, mas todos eles juntos e na forma como foram embalados por Eastwood, se tornam algo completamente novo. O resultado é um cinema clássico narrativo completamente arrebatador, de fazer o coração mais duro amolecer e levar a personagem Maggie Fitzgerald (Hillary Swank) por dias na cabeça.
O boxe é usado como pano de fundo para que Eastwood faça todas as suas analogias com a vida. A batalha das pessoas por realizarem seus sonhos, o nunca desistir após uma derrota, o arriscar, mas nunca se esquecer de se defender. Todos os personagens carregam um fardo doloroso, uma carga emocional do tamanho de um bonde, pois todos são meras migalhas do que já foram no passado.
Eastwood, o treinador Dunn, dono de um ginásio de boxe decadente que há anos não fala com a filha e questiona os conceitos da igreja por causa de seus sofrimentos. Maggie Fitzgerald, a pobre moça com boa vontade que chega aos 31 anos e descobre sua vida medíocre. Eddie Dupris, interpretado maravilhosamente por (the Oscars goes to…) Morgan Freeman, um velho lutador de boxe em que seus dias de glória ficaram apenas na lembrança e no olho cego após uma luta.
Logicamente que todo o crescimento da personagem de Hillary Swank na tela leva o espectador ao delírio. Torcemos por ela, nos sentimos injustiçados por ela e nos indignamos perante o comportamento de sua família com todo o esforço que Maggie está fazendo.
Mas nada é o que parece. O clima de “Menina de Ouro” é soturno e Eastwood produz uma fotografia magistral ao se apoiar apenas em contrastes de sombra e luz. Em alguns momentos o filme me parecia uma pintura e, assim como seus personagens, a luz e a escuridão se complementam na tela. Uma belíssima direção de arte que já poderia ser observada no perfeito cartaz do filme.
Porém, repito, nada é o que parece. E tudo em “Menina de Ouro” quer apenas nos preparar para o seu derradeiro e arrasador ato final. Quando tudo parece sufocar, temos um pequeno alívio para respirar no meio do caminho. Tanto que o filme traz diversos momentos cômicos, que como definiu o crítico Bernardo Krivochein, funcionam como raios de sol em um céu completamente nublado.
Até o seu final, “Menina de Ouro” vai tocar em temas polêmicos, contrariar dogmas religiosos e colocar você pra pensar assim que as luzes se acenderem. Mas acima de qualquer questão, Clint Eastwood produziu uma obra-prima que consegue levar o espectador em uma jornada inesquecível.
Uma história onde o que importa não é ganhar ou perder, e sim no que aprenderemos e viveremos com tudo isso. Onde o ter medo de se arriscar é deixar passar as grandes oportunidades, pois mais do que nunca, como disse o mestre: “eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.”
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Plano familiar
Quando pensamos em personalidades como Che Guevara e Van Gogh ou personagens famosos da cultura pop como James Bond, sempre os imaginamos em suas cenas mais clássicas. Sempre sozinhos.
Mas a Sanitas S.A, uma empresa espanhola de seguros, para divulgar seu plano familiar decidiu mostrar como seriam essas personalidades se nós, ao lembrarmos deles, pensássemos em suas famílias.
Em uma campanha criada pela agência Contrapunto de Madrid, Che Guevara, por exemplo, não foi mostrado apenas naquela feição lendária da foto de Alberto Korda, e sim rodeado pela sua família. O mesmo com o agente 007 na mira da arma e o auto-retrato de Van Gogh.
O título dos anúncios diz: “At last someone thinks of the family” (Afinal, alguém precisa pensar na família).
A campanha foi premiada com Leão de Ouro no Festival de Cannes 2003, Grand Award no Festival de Nova York 2003 e Bronze no Eurobest 2003.



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Basta acreditar
Porque as pessoas não se dão ao direito de sonhar? De serem inocentes sem imaginar que por trás de cada ato precise existir uma conspiração?
Talvez a maior lição deixada pelo escritor escocês James Matthew Barrie, autor de “Peter Pan”, e reiterada pelo filme “Em Busca da Terra do Nunca”, seja exatamente uma das frases que ele diz ao saber que as pessoas estão achando estranha sua relação com a família Davies: “As pessoas não podem ver ninguém feliz, que já querem encontrar uma maneira de destruí-la” (ou algo parecido com isso).
Assim como fez Barrie, o diretor Marc Forster quer resgatar a magia e defender a pureza de Peter Pan perante as inúmeras simbologias sexuais que tentaram enfiar goela abaixo da fábula. E Forster o faz de forma leve, tranqüila e emocionante.
Com um Q de “Peixe Grande”, somos invocados a despertar a criança que existe dentro de cada um de nós, acreditarmos que deixar o cinismo de lado e nos entregarmos a fantasia pode ser uma maneira muito melhor de se levar a vida.
É interessante perceber como as brincadeiras de Barrie com as crianças o faziam se desvencilhar do mundo cético lá fora, dando asas a sua imaginação e de todos a sua volta. Também é curioso ver como se dá um processo criativo, de como Barrie criou sua obra-prima “apenas” se divertindo e inventando histórias.
“Em Busca da Terra da Nunca” funciona como a fábula por trás da fábula. Se Peter Pan traz algumas das metáforas mais belas, como o menino que não quer crescer e o crocodilo que engoliu um relógio, o filme de Marc Forster mostra que a história da Terra do Nunca poderia facilmente carregar os dizeres: “inspirada em fatos reais”.
É um filme açucarado? Sem dúvida. É um filme que vai levar o espectador as lágrimas? Quase que invariavelmente. Mas em nenhum momento “Em Busca da Terra do Nunca” apela para o sentimentalismo barato, muito menos manipula quem assiste.
Cada ato do filme tende a levar o espectador ainda mais a emoção, mas o faz devagar. Forster dá um passo de cada vez, nos mostra as buscas, valores e defeitos de seus personagens, nos prova que é permitido sonhar, para só aí nos levar definitivamente a Terra do Nunca.
Mas o emocional do filme não seria nada sem a bela escolha do elenco. Johnny Depp e Kate Winslet preenchem a tela, ajudados pelo belo trabalho do garotinho Freddie Highmore, que faz o papel de Peter.
“Em Busca da Terra do Nunca” tem 7 indicações ao Oscar: Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Figurino, Edição e Trilha Sonora Original. É um filme para se sair do cinema feliz, leve. Uma sensação contagiosa que se assemelha aquela transmitida pelos “25 assentos reservados” por Barrie para a estréia de sua peça.
Portanto, nada de querer crescer rápido demais, achando que assim não teremos tantos problemas como os que enfrentamos agora. Vamos acrescentar magia na nossa vida, devolver a fantasia ao espetáculo. Como? Basta acreditar. Soltar a imaginação.
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Thank You?
Eu tinha outro comercial reservado para hoje. Um bem mais legal, engraçado, leve. Mas ao assistir esse outro filme mudei de idéia.
Não sei se foi por indignação ou por não entender esse sentimento que é retratado no anúncio. Não sei se acho isso o cúmulo da escrotice ou se penso: “Poxa, grande parte desses caras não queria estar lá”.
Ora eu lembro das fotos-tortura na prisão de Abu Ghraib, ora eu lembro das famílias implorando para os soldados americanos voltarem pra casa no “Fahrenheit 9/11″ de Michael Moore.
Será que Bush e sua corja são tão bons em manipular a opinião pública americana, a fim de que as pessoas possam um dia aplaudir quando seus soldados regressarem aos Estados Unidos? Ignorando claro, todas as atrocidades cometidas do outro lado do mundo?
Rebeldes islâmicos não são flor-que-se-cheire, Saddam realmente devia estar preso faz tempo. Mas nada justifica o que se tem mostrado nessa guerra por enquanto. Muito menos agradecer aos soldados quando voltarem pra casa.
Enfim, acho que não tenho muito o que dizer sobre esse filmete. Os que são a favor da guerra devem ter aplaudido junto, ainda mais que trocentos milhões estavam com a TV ligada, já que o anúncio foi exibido durante o Super Bowl na semana passada, o único evento esportivo no mundo em que o intervalo comercial é mais importante que o jogo.
Quem criou foi a DDB de Chicago para a Anheuser-Busch, uma companhia que detém várias marcas de cervejas e bebidas, entre elas a Budweiser. A direção é de Joe Pytka, o cara que é uma lenda no mercado publicitário e está sempre por trás de anúncios milionários.
Ele já dirigiu muita coisa boa, incluindo esse fantástico comercial da Disney intitulado “Big Night”. Mas desta vez, acho que ele poderia se dar ao direito de ter ficado calado, mesmo com os milhões que deve ter recebido pra isso. Pior de tudo é o cliente, que certamente acreditou que acordou de manhã e teve uma grande idéia.
Enfim. Assista o filme e dê a sua opinião aí nos comentários. Porque, sinceramente, eu não entendi essa. O “Thank You” no final me soou como uma piada.
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Virando as costas
A caminho do trabalho, passo todo dia pela Brigadeiro Faria Lima aqui em São Paulo e vejo esse outdoor. Ele sempre me chama a atenção.
Criado pela Publicis Salles Norton para o Abrigo para Idosos Bezerra de Menezes, a mídia foi virada ao contrário, mostrando a parte traseira do outdoor para a rua.
Uma placa pendurada ali diz: “Vai ajudar os idosos ou também vai virar as costas?”
Pena que até agora eu só tenha visto um desses na cidade toda, mas não deixa de ser uma excelente idéia. Simples e ousada.

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